Whirling Crescendo
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Notas iniciais
I won't stop, I won't look down
I tried all my tricks, I broke all-new ground
And in this final hour, look what I found
I got this whole damn thing the wrong way around
~~
O carrasco olhava para menina, encolhida na poltrona da biblioteca. Quase como se quisesse se enroscar numa bola, e passar despercebida pelo mundo. Ela parecia tão pequena, tão delicada.
Tão frágil.
Draven tentava processar tudo o que ela contara porem algumas partes simplesmente não faziam sentido. A principal delas: Por que Sona aceitara tudo isso?
Uma crise de tosse veio, e ela tentou esconder o sangue com o cachecol, já manchado de outras crises. A fúria de Draven aumentava cada vez mais.
Então foi isso que aconteceu com Sona, durante essas semanas que ela esteve fora? Ela ficou sendo usada como cobaia,ou seja lá o que, por vontade própria, sem nem sair de Noxus? E o pior, é que Draven não estava furioso por causa do estado em que ela se encontrava. Ele nem sequer estava bravo com Swain, ou com Layla.
Estava furioso com Sona. Por ela ter sido tão imbecil, por ela ter sumido, e principalmente, por ela ter ficado esse tempo todo em Noxus, e nem sequer dado sinal de vida. Ele se sentia um idiota, por ter procurado por ela. Até se preocupou com ela.
Mas pelo menos ela parecia que tinha sofrido bastante durante isso, então Draven não podia deixar de sentir um sentimento de satisfação.
— Draven? – A voz fraca o chamou de volta a realidade. Sona o encarava, com um misto de preocupação e curiosidade no rosto. Ele percebeu que estava fazendo uma careta, encarando uma estante próxima. Não lembrava quando havia deixado de observá-la.
— Que foi? – A resposta saiu um pouco mais amigável do que Draven pretendia, mas Sona ainda assim encolheu um pouco.
— Eu preciso ir.
—Como é? – Dessa vez a ameaça foi mais clara, e Draven fez menção de levantar da cadeira. O suficiente para a garota se levantar rapidamente, com a intenção de sair correndo.
Sona não tinha a intenção de ir embora de novo, não é? Quem ela achava que era, para simplesmente reaparecer, derramar tudo isso em cima dele, e querer sumir de novo?
— Eu não vou ir embora, embora mesmo. Eu só preciso voltar, para Layla -Lady Layla- para o... medicamento.
Ah, Draven pensou, Então ainda tem mais coisa nessa história.
Como ela não respondeu nada, ela continuou explicando, falando baixo.
—O efeito... Não é pemanente. Eu preciso continuar... Usando ele. – Ela demorou a achar um termo, e ainda assim não parecia o correto. – Para continuar com a minha voz.
— Você vai beber aquilo de novo? — E lá ia Draven, se preocupando novamente com ela. Isso estava ficando tão freqüente, quase rotina, e ele não sabia dizer o que sentia sobre isso.
Era estranho.
—Não, não... É um novo, Lady Layla fez modificações no original se baseado na minha reação, e agora é injetável – Sona abaixou o cachecol, mostrando pela primeira vez todo o hematoma no seu pescoço. O tom do roxo esverdeado era doentio, com as veias pulsando violeta. Olhando com cuidado, era possível ver pequenos círculos mais claros, com um ponto escuro no meio.
—Você realmente está sendo uma cobaia então? É a isso que você se resumiu?
O tom de raiva e decepção na fala de Draven fez Sona esconder o pescoço novamente, dando um passo para trás, desviando os olhos.
— E-eu... Eu não te procurei Draven, porque sabia que você ficaria blavo... Eu sabia que você me odiaria, e eu não queria que me visse assim. Nesse estado, flaca... Ah! Viu, eu nem sequer sei falar direito. – ela riu, mas sua feição era de tristeza. – Eu queria melhorar, me recupelar totalmente, aprender a usar esse... dom. Porque eu sempre soube que tinha algo dentro de mim, que eu poderia usar.
Draven podia jurar que Sona estava chorando, porém mesmo evitando o olhar dele, era possível ver que o rosto da musicista estava seco. Ela deu uma pausa, pigarreando com uma cara de dor, e recuperando o fôlego.
O carrasco só queria gritar com ela, usar ela, e a deixar acabada no chão daquele lugar, para aprender a deixar de ser idiota e ingênua. Mas ele parecia hipnotizado por aquela Sona, já quebrada e acabada, falando tão francamente na sua frente.
Draven sequer sabia o que ser franco significava? Algum Noxiano realmente sabia?
Aqueles sentimentos anteriores pareciam que estavam desinflando como um balão.
— Não te abandonei, Draven. Você nunca foi esquecido nos meus planos. – Sona sorriu, e foi como se toda a sala se iluminasse, e Draven quase pode ouvir a melodia angelical de Etwhal — Um dia, eu estaria recuperada. Eu te encontraria, te mostraria como eu melhorei, mostraria como eu estava mais forte, e...
Porém ela não completou aquela frase.
— Eu ainda não desisti. Não vou. Isso é o que eu quero, e não vou mudar de idéia. Já está meio tarde para voltar a tlas. Queria minha voz, tenho minha voz, e estou pronta para lidar com as conseqüências. Tudo tem um preço-
—Não. – Draven se levantou, e a levantou no colo, indo em direção a porta.
—Q-que?! Dlaven, me solta! – Porém Sona não parecia fazer muito esforço para se soltar, e Draven riu satisfeito.
— Não vou deixar você voltar lá, e continuar com isso.
— Você não tem dileito de dizer o que eu vou fazer! Já disse que- Draven parou abruptamente, sem sorrir mais.
Olhava curioso para a porta, e Sona seguiu seu olhar. Gelou ao ver uma figura parada, bloqueando a saída. Era um homem alto, as luzes douradas da biblioteca contornando uma mascara branca que lhe cobria todo o rosto. A máscara só contava com um olho negro, tão vazio e sem vida, que Sona se sentia mal só de olhar.
Porém a primeira coisa que Draven percebeu, antes mesmo de olhar para o rosto do estranho, era que o estranho estava armado. A espada estava embainhada na cintura, uma lamina grande e recurvada.
—Kael. – Sona falou antes que Draven pudesse fazer qualquer coisa. Ela sabia que ele adoraria criar uma confusão, e queria evitar isso o máximo possível.
O estranho virou ligeiramente a cabeça para Sona ao ouvir seu nome, sem falar nada.
— Você o conhece? – Quantas outras coisas Sona ainda estaria escondendo dele? Passou horas ouvindo, supostamente, o que teria acontecido. Mas não foi mencionado nenhum mascarado espadachim.
— Mais ou menos. Ele é da Layla.
— Ele é da Layla? É o que dela ?
— Draven, por favor. Me deixe ir. Se Kael está aqui é porque Layla já está impaciente.
Draven bufou irritado, a soltando no chão. Ela conseguiu se equilibrar e não caiu. Draven não tinha planos de a deixar ir, mas caso precisasse lutar com o esquisito seria melhor estar com as mãos livres.
—Impaciente estou eu! Que merda é essa?
— Por favor- O tom era suplicante. Ela falou baixinho, bem próxima, segurando os braços de Draven.- Eu preciso, essa noite só.
— Essa história de ter que ficar te esperando de novo?- Ele soou mais magoado do que irritado, e a menina sorriu.
—Eu juro. Na sua casa, logo mais eu vou pra lá.
Draven odiava não estar no controle das coisas. Odiava não estar à frente, não ser quem ditava como as coisas eram ou deixavam de ser na sua vida. Mas era essa garota falar algo nesse tom pidão, que Draven já não se sentia mais ele mesmo.
Sua resposta foi um suspiro, e Sona sabia que havia vencido. Deu-lhe um beijo no rosto, e se afastou. Draven ainda estendeu a mão para puxá-la de volta, entretanto Sona alcançou o mascarado. E no momento em que Sona deu a mão para Kael,todas as luzes do recinto piscaram.
Quando as lâmpadas voltaram ao normal, nenhuns dos dois se encontrava mais lá.
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