Whirling Crescendo
3 Little Help
Notas iniciais
A Grande Casa de Ópera de Noxus não era tão grande quanto o nome fazia parecer. Localizando-se um pouco afastada do centro da cidade, era um prédio velho e imponente, mas não tão grande quanto os outros grandes teatros e casas de espetáculos de Valoran. Dizem que no passado teve seus dias de glória, mas atualmente é usado para uma ou outra apresentação isolada. Apesar de Noxus ser conhecida por sua xenofobia,e não aceitarem muito bem pessoas de fora, ainda assim recebia alguns artistas em ocasiões raras,como caso de Sona. Para isso, a casa de ópera tinha pequenos, mas luxosos, quartos e aposentos para hospedarem os artistas e suas equipes.
Foi apenas quando pisou no último degrau, que Sona se lembrou: Onde estava Tirzah? Em toda a confusão, não se lembrou de vê-la em momento algum. Ela estaria bem, estaria ferida, onde se meteu?
Andou até o fim do corredor, para ficar totalmente fora da vista dos curiosos que ainda a encaravam la de baixo. Parou na frente da porta do seu quarto, e se virou para o homem que ainda a acompanhava. Limpando as lagrimas, tentou focar mais o olhar nele, e o analisou.
Ele parecia extremamente entediado, apesar de todo o caos em volta deles. Mas seus olhos verdes claros se estreitaram e um sorriso surgiu quando notou que Sona o avaliava. Ela achou o penteado escandaloso, isso sem falar no incomum bigode longo. Achou a tatuagem de duas linhas vermelhas no rosto, que atravessavam o olho esquerdo, talvez um tanto pouco exagerada. Era tatuagem de verdade mesmo ou apenas tinta temporária? Sona nunca tatuaria permanentemente algo assim no rosto. Ela parecia descer pelo pescoço e continuar pelo resto do corpo, então ao que tudo parecia--
Sona balançou a cabeça de leve, isso lá era hora pra pensar sobre tatuagens? Ele ainda a encarava, agora com um olhar curioso e os braços cruzados. Ela desviou o olhar, um pouco envergonhada.
—Hey, tem algo pra dizer ou eu vou ter que começar a cobrar a hora pra ficar me olhando?
A Mestra das Cordas suspirou fundo, e calmamente fez uma sequência de gestos com as mãos, em linguagem de sinais. Perguntou onde estava Tirzah, e fez uma pausa, esperando que ele entendesse algo.
Draven piscou, e pareceu demorar um instante pra entender o que tinha acontecido.
—Caralho, tu é muda. Eu não entendi nada do que tu disse, só avisando.
Sona rolou os olhos e foi para o quarto. Era demais pra uma noite, ela nem sabia como estava de pé ainda. Entrou no cômodo sem nem se importar em fechar a porta, pegou algumas roupas soltas que estavam em cima da mala, nem parando para ver o que eram. Foi direto para a o banheiro, precisava tomar um banho e colocar os pensamentos em ordem. Encheu a grande banheira,o encanamento fazendo barulho quando abriu a água quente.
Tentou se livrar do corset, mas Tirzah havia amarrado muito apertado. Sozinha ela não conseguiria desfazer. Ficou um tempo se contorcendo tentando soltar, mas ao se ver no espelho, percebeu como a situação era ridícula e que não iria mesmo conseguir. Pensou em usar uma tesoura para cortar os cordões, mas não achou nada nas gavetas. Talvez encontrasse algo no quarto, e retornou para lá.
Encontrou o sujeito estranho sentando no grande sofá próximo a cama,com o machado que ele carregava logo ao lado. Prendeu a respiração, ela já estava ficando irritada de encontrar ele toda vez que se virava. Resolveu ignorar ele, e continuou sua procura pela tesoura. Procurou na comoda, nas bagagens, na penteadeira, e não achou nada, nenhum sinal de qualquer objeto afiado ou com lâmina. Parou, colocou as mãos na cintura e bufou, soprando a franja da testa.
—Tá precisando de alguma ajuda? Quem sabe eu possa te ajudar.
Sona estava de costas, e não se virou prontamente pois não gostou do tom da ultima frase. Mas ela só queria tomar o maldito banho de uma vez, e tentar tirar esse corset molhado seria pior ainda, então resolveu não negar ajuda.
Olhando por cima do ombro, ela levou as mãos até as costas, e com os dedos fez um sinal de tesoura sob os cordões do corset. Esperava que pelo menos isso ele entendesse. Mas para a surpresa de Sona, ele pareceu compreender.
Sentado e totalmente jogado para trás nas confortáveis almofadas, ele parecia muito a vontade. Ou até demais na opinião de Sona.
Com um sorriso que causou arrepios na garota, ele retirou de dentro do terno uma pequena lamina afiada. Com um gesto da mão pediu pra que ela se aproximasse. Como ela não saiu do lugar, ainda olhando assustada para a lâmina, ele disse:
—Vem cá. Prometo que não vai doer.
Ela deu um passo para frente, mas antes de se dar conta, ele puxou seu braço com a mão livre. Se desequilibrou e caiu sentada no seu colo,com ele ainda segurando forte o seu braço. Sentiu o aço gelado nas suas costas, e no instante seguinte a pressão no seu abdômen havia sumido. Segurou o pano em frente aos seus seios a tempo, e se levantou correndo, em direção ao banheiro. Conseguiu ouvir Draven rindo antes de fechar a porta do banheiro:
— Ah,achei que eu teria um show particular hahahahahahah. Vem cá vem, mal começamos.
Sona arrancou a saia e a jogou no lixo junto com os sapatos, estavam inutilizados por todo aquele sangue. Se sentou na banheira, trancou a respiração e mergulhou toda a cabeça. Sabia que estava com o rosto todo vermelho, e não conseguia parar de tremer. Pensou que talvez um banho frio tivesse sido uma opção melhor.
Quando não aguentava mais, voltou à superfice sem folego, e resolveu acalmar os pensamentos. Havia acontecido um assassinato. No meio do seu concerto. A mulher morreu na sua frente. Respirou fundo. Não havia como salvá-la. Um homem esquisito foi encarregado de escoltar ela. Ele não parecia muito feliz com isso. Mas agora ela descobriu que era um tarado sádico que provavelmente estava esperando ela sair dali para agarrá-la. Suspirou.
Ela estava fraca e não sabia se conseguiria se defender. Tentando salvar aquela pobre mulher, além de todo o concerto de antes... ela estava esgotada. Olhou para Etwahl cuidadosamente colocado no chão, ao seu lado na banheira. Fechou os olhos e tentou não pensar em nada. Aos poucos foi ficando mais tranquila. A situação provavelmente já estava sendo controlada. As pessoas não podiam sair do teatro pois estavam atrás do assassino, óbvio. Era até possível ele já ter sido encontrado, e Tirzah deve estar a salvo. Sim, era possível. Relaxou os músculos e tentou aproveitar o banho. Lidaria com o tarado quando saísse dali.
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