Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=zSdefj2qGKg ;D

–Alguma novidade?

Talon nem precisou se virar e procurar a origem da voz. Já havia notado a sua aproximação há muito tempo, e mesmo que fisicamente impossível pela distancia, ele jurava que conseguia até mesmo sentir o seu cheiro. Respondeu em um tom meio severo, meio entediado:

–Nada, como era de se esperar. Isso é perda de tempo, já disse.

–Talvez. Mas é o que temos. — Katarina surgiu no terraço, se sentando na beirada do parapeito. Jogou os cabelos para trás, tentando aliviar o possível do calor naquela noite abafada. — E não, eu não tive muita sorte também, antes que pergunte.

Talon deu de ombros, e foi sentar-se ao seu lado.

–Está começando a soar desesperada.

Katarina riu nervoso. Encarava o grande prédio no final da rua, com olhos sedentos por alguma falha, algum modo de entrar.

–Desesperada? Eu? Tenho tudo sobre controle.

Passado alguns segundos em profundo silêncio, ela suspirou.

–Certeza de que não há um jeito de entrar lá? — A ruiva perguntou, mordendo o lábio inferior.

–Se você ainda quiser fazer as coisas de um jeito “discreto”,não. Todas as entradas estão vigiadas, e seria difícil arrombar as janelas sem deixar vestígios. Também, seria muito trabalho para nada.

–Mas eles tem que estar escondendo, ou protegendo, algo ali. Para que teriam tantos guardas? Talvez ainda tenha algo naquele camarote que possa nos dar alguma pista...

O homem encapuzado a olhou, e ela não teve outra alternativa senão responder o gesto. Ele estava contra a luz arroxeada da lua, sombras escondendo o seu rosto. Mas ela sabia exatamente que tipo de expressão estava fazendo.

–Já pensou que é exatamente isso que o Swain quer? Te manter aqui perdendo tempo e te distraindo de algo importante?

–Mas eu também não consegui nenhuma informação importante fora daqui,então não tenho muitas alternativas. E a garota? Sora o nome dela não é? Poderíamos conseguir alguma coisa dela.

–Ainda não voltou.

Katarina franziu o cenho.

–Ela saiu? Sozinha? É louca, só pode.

–O Draven levou ela a algum lugar.

–Pfffff-- O Draven?!

Talon respondeu com um aceno de cabeça quase imperceptível,voltando a olhar para o teatro. Katarina ainda estava espantada, com um sorriso incrédulo.

–Justo o Draven. Essa menina é muito azarada, até eu estou com pena dela agora. Mas.. se o Draven está com ela, isso vai tornar as coisas um pouco mais difíceis.

Inclinando-se, ela apoiou a cabeça no ombro de Talon, fechando os olhos e suspirando fundo. Tudo o que queria agora era fugir de tudo, e aproveitar o tempo só com ele.

–Você diz mais difícil, eu digo mais interessantes.- Talon disse com a voz rouca. Não desviara da aproximação, mas também não a correspondera. — Estou morrendo de tédio.

Katarina inspirou fundo. Sabia o quão difícil era para Talon ficar parado e não fazer nada. Ela mesma era muito mais a favor da ação para resolver as coisas, mas havia muito em jogo... Desde o desaparecimento de seu pai, procurava apoio e alianças para desmascarar de uma vez por todas o atual Grão-General, e de todos que lhe ajudaram — não foram muitos, diga-se de passagem — o amparo que ela mais valorizava era o do homem ao seu lado.

Ele estava com ela desde o começo. E sabia que continuaria até o final. Juntos.

Sentiu o vento mudar, uma brisa fria passou e brincou com seus cabelos. Ela sorriu discretamente, tentando levar isso como um bom presságio.

–Vai chover. Quer tomar banho de chuva comigo, Talon?

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“Parece que vai chover.”

Desde que saíram daqueles corredores escuros, não trocaram uma palavra. Ela não estava no melhor estado para se sair na rua, com a saia rasgada e o corpo todo sujo de sangue, mas falando nesses termos, Draven também não estava. E isso não parecia incomodá-lo em nada.

–Vem, eu moro aqui perto. Pode se limpar lá se quiser.

Após isso, nada mais foi dito. Sona nem sequer o respondeu, apenas o seguia.

Ela se sentia tão mal. Ficara um clima tão estranho entre os dois. Não que antes fossem a encarnação da boa convivência mas... Ela sentia que era fácil de conversar com ele, se sentia a vontade. Agora parecia que uma nuvem tensa os separava, os impelindo para longe.

Quando Sona viu as primeiras nuvens negras surgirem no céu, agradeceu aos deuses e tentou puxar algum assunto.

–Sério? Com tanta coisa pra dizer, você resolve puxar assunto com “Parece que vai chover?” Seria melhor se fosse muda mesmo, na moral.

Sona por um momento esqueceu da saia com a nova fenda adquirida, e cruzou os braços. Na mesma hora o tecido se abriu, e ela voltou a segurá-la, se irritando mais ainda.

“Eu gostava dessa saia!”

–Eu acho que ela ficou muito melhor assim. E além disso, eu não ouvi você reclamar quando eu rasguei. Você pode ficar com ela como uma lembrança.
Sentindo sua face esquentar,a garota baixou o rosto e ficou calada novamente. O motivo que ela não queria falar sobre o que acontecera , era justamente porque ela nem sequer conseguia pensar sobre. Apenas de tentar relembrar e recapitular todos os momentos, ela sentia o cérebro pifar, e uma vergonha absurda aflorava.

E agora ali estava ela, indo para a casa dele. Pelo o que parecia ela não cansava de cavar ainda mais a sua cova, e o pior? Ela nem se importava mais. Era como ela ouviu alguém dizer um tempo atrás: “Tá no inferno, abraça o capeta.”

Apesar de que ela achava que estava fazendo isso muito literalmente.

Já havia se envolvido com outros homens durante suas viagens. As vezes ficar alguns dias em uma cidade desconhecida conseguia ser muito tedioso, e ela era cortejada em cada lugar que ia. Recebia presentes e uma vez até mesmo uma proposta de casamento, que ela obviamente recusou, mas... era pecado se aproveitar um pouco disso?

Olhando para trás agora, ela via esses casos como totalmente sem graças e vergonhosos. Nada chegou nem perto do que estava passando agora. Nenhum deles envolvia um assassinato, Sona estava grata, mas nenhum deles envolvia o Draven também.

E por conta disso nada do que viveu fora tão intenso e prazeroso quanto o que vivia agora.

Os dois andavam lado a lado agora, diferente de quando caminharam a tarde, onde ela apenas seguia atrás dele. A musicista olhou de canto de olho para o carrasco, e o encontrou com uma expressão fechada, parte de seu rosto coberta com a mancha enegrecida.

No que ele estaria pensando? Sona se perguntava se ele teria tantas perguntas e duvidas quanto ela. Ela sorriu, sabendo o quão boba estava sendo pensando nisso. Dessa vez, quem estava sendo usada era Sona, e ela sentiu que era bem-feito para ela. De todas as vezes que apenas usou como brinquedos os homens com que dormira.

Na época, ela apenas pensava que eles deviam gratidão a ela. Muitos dariam tudo para passar a noite ao seu lado. Ela era uma diva em ascensão, e os vendo tentando chamar a sua atenção e a apreciando... ela estava sendo muito bondosa em dar-lhes a atenção desejada.

Obvio que no dia seguinte ela iria embora como o planejado e nunca mais os veria, e até então ela não vira nenhum problema quanto a isso, mas....

Estar do outro lado da moeda estava a machucando um pouco. Mais do que gostaria de admitir.

Ela diminuiu o passo, e ficou atrás dele. Com um impulso, o abraçou por trás, enterrando o rosto no manto de suaves pelos brancos que lhe caia nas costas. Por um momento ela agradeceu pelo fato dele estar com os dois machados na mão, e não presos as costas. Ela nem sequer se lembrou de verificar isso antes de se jogar nele.

–O que foi agora?- Draven disse num tom baixo, parando de andar, e apesar de querer parecer bravo, sua voz denunciava outra coisa. Uma coisa que Sona não conseguia identificar.

Falta muito?”

Não. Por que, não consegue esperar até chegarmos? Tenho certeza de que conseguimos achar outro beco por aqui, só procurar.

Ela sorriu, e o soltou. Seus cabelos, agora soltos, voltaram a flutuar numa correnteza agradável, e seus pés saíram do chão, flutuando suavemente, conseguindo assim alcançar o rosto de Draven.

Lhe deu um beijo na bochecha, e o olhou por alguns instantes, tentando com todas as forças ignorar o fato de que seu rosto deveria estar tão vermelho quanto as manchas de sangue em sua roupa. Draven a encarou de volta, com a feição um pouco confusa. Mas antes que pudesse fazer ou falar qualquer coisa, sentiu o primeiro pingo de chuva no seu rosto, e piscou assustado.

Sona levantou o rosto, esperando ansiosa pela chuva tão desejada. Quando os pingos finalmente começaram a cair em mais numero, sentiu seu braço ser puxado.

–Merda, meu cabelo!- Draven corria rua abaixo, levando Sona consigo. Havia guardado os machados nas costas dessa vez, e realmente parecia muito preocupado com o penteado.

A garota segurava o riso, e o acompanhava o mais rápido possível.
“Sério isso? Tanta coisa pra você se preocupar e você se preocupa com o cabelo?”

Draven resmungou algum palavrão, e ela sorriu.

Podia não ser a melhor situação possível, e ela definitivamente não havia pedido por isso. Mas agora ela estava ali, e decidira uma coisa:

Faria valer a pena.

Notas finais
Como todos pediram capitulos mais curtos, e mais frequentes, então toma capitulo :V Esse capitulo dedicado a Kurai, que sempre manda reviews lindas e gostosas, e tbm por que foi por causa da fic TalonxKatarina dela que me deram inspirações de começar a escrever essa aqui S2 acompanhem lá tbm! > http://fanfiction.com.br/historia/355737/A_Dominacao_De_Laminas (Até em Noxus chove e nada em sampa tá foda hein gente)