Whirling Crescendo

21 If you fall, I'll catch you.


Notas iniciais
DAEW Eu finalmente estou livre de todo o stress do TCC! Já apresentei, e passei , e estou LIVRE LIVREEEEE S2 Sei que fiquei um tempo fora, mas me perdoem! Segundo, dia 18 nesse ultimo sábado a fic fez 1 ano! UAU GENTE COMO ASSIM ESSA COISA Q ERA PRA SER UMA ONE-SHOT FEZ UM ANO? Uau. Em falando nisso, ganhamos um lindo, espetaculoso, maravilhoso presente de aniversário da Kurai, um spin-off da Whirling Crescendo! É ISSO MESMO ESSA COISA Q ERA PRA SER ONE-SHOT TEM ATÉ SPIN-OFF. A fic se chama "Necessidade" procurem, leiam, e deixem seu amor em forma de favoritos e comentários!! S2 E mais um último aviso, esse capitulo é TalonxKat :V Se passa um pouco atrás na história, na mesma noite do capitulo 9, Instant Need. (a quantidade de ships q ta ficando ali na sinopse ja ta ficando ridiculo) Um agradecimento especial ao Silver, por me ajudar com o storytelling e em como terminar esse cap. Espero que gostem :3

So get this doubt out of my head
It's only real if you let it
And I've been letting go of my ghosts
I'll never let them catch me no more

EDEN- Nocturne

~

~~

–Vai chover. Quer tomar banho de chuva comigo, Talon?

Encostada com a cabeça no ombro de Talon, Katarina só o observou com o canto dos olhos, sem esperar muito em resposta. Talvez ele apenas ignorasse a sugestão, ou realmente não ouvira. Será que ela falou alto o suficiente? Ela não se lembrava de como havia dito. Talvez nem tivesse dito, apenas pensado...

Enquanto Katarina olhava para a rua com o cenho franzido, perdida em pensamentos, Talon tirou o capuz, passando a mão pelos cabelos castanhos emaranhados.

Quando a ruiva voltou sua atenção para ele, o encontrou de olhos fechados, com o rosto erguido, aproveitando o vento mais fresco que anunciava a chuva. Não pôde evitar e ficou o observando, a brisa levando os fios longos para frente do rosto, a iluminação purpura da lua lhe contornando o perfil perfeito. Mesmo com os olhos fechados e a expressão neutra, Katarina conseguia ver a sua mandíbula tensa, denunciando seu humor.

Ela sorriu, nada mais que uma leve curva no canto da boca. Talon era fácil de ler, quando se sabia achar os sinais.

Quando se viram pela primeira vez, ela o detestou. Mas não tanto quanto detestou esse ar de mistério e exclusão que ele emanava. Esse mecanismo de defesa, de querer reter tudo pra dentro de si, sem demonstrar nenhuma emoção ou sentimento para alguém de fora.

Não foi fácil quebrar isso. Durante anos, nenhum dos dois quis manter qualquer tipo de relação, muito menos contato ou amizade.

Que idiotas nós somos.

Achavam que tinham algum poder, que com muita determinação e força de vontade iriam evitar uma aproximação. Claro que era tudo uma ilusão construída desesperadamente pelos dois. As vezes Katarina se perguntava se teria sido diferente caso nenhum deles tivesse cedido. Se ela ainda tivesse continuado com aquele jogo de indiferença. Mas ela sempre chegava à mesma conclusão.

Os primeiros pingos de chuva vieram, e a assassina imitou o homem ao seu lado, erguendo o rosto e aproveitando os suspiros d’agua. Não demorou muito para a chuva aumentar, e Talon recolocou o capuz.

– Não estou a fim de me molhar.

Katarina o olhou decepcionada, quando ele se ergueu em um único movimento ágil, indo para a porta de saída do terraço. Ela emburrou a cara, e decidiu que não seria tão fácil assim para ele fugir. Passaram anos se esquivando, fugindo um do outro. Já estava farta disso.

Mais rápida que ele, correu até a porta e se colocou a sua frente. Um clarão iluminou os dois, e por um milésimo de segundo ela pôde ver o rosto um pouco surpreso dele. Segundos depois, o trovão se fez sentir, tão forte que Katarina sentiu como se sua alma tremesse junto.

Ou isso foi o corpo reagindo ao beijo que Talon lhe deu, não saberia dizer. Ele a empurrou contra a porta, com as duas mãos segurando o seu rosto. Katarina puxou o seu capuz para trás novamente, enrolando os dedos nas mechas que já molhadas. Fechou os olhos e saboreou o beijo, junto com as gotas que escorriam pelo seu rosto.

Talon a segurou forte pela cintura, os cabelos longos grudados no rosto, a beijando suavemente. Enquanto que ele sentia o corpo e a língua de Katarina pedindo por mais, ele separou os lábios, aproximando-se para cochichar algo no seu ouvido.

– Beatrice está nos observando. No outro lado da rua, no topo do segundo prédio a sua esquerda, a partir de mim... — ele sussurrou tão baixo que até temeu que a chuva abafasse o som, mas ao ver a feição de Katarina, a mensagem foi passada com sucesso. Talon não precisaria dar mais informações, ou instruir alguma coisa. Com um movimento quase tão rápido quanto os dele, Katarina pegou 2 das pequenas laminas que levava na altura da coxa, e arremessou na direção de uma velha chaminé de metal em pedaços.

O barulho alto de metal cortou o som continuo da água, e mais aterrorizante ainda foi o grito que a ave negra fez, ao voar indignada para longe.

– Merda! – Katarina exclamou, correndo até o parapeito e tentando mirar para arremessar mais 2 lâminas. Com a água atrapalhando a visão, gotas de chuva como enfeites de natal nos cílios, ela viu um relance do corvo se escondendo atrás de um prédio, e então a perdeu de vista. – Merda. Como é que você viu e eu não...?

Mas ela apenas encontrou a porta entreaberta, e Talon não se encontrava mais lá.

~~~~~~

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A mansão Du Couteau já teve dias melhores. Todos os empregados foram demitidos, já que agora apenas Katarina e Talon moravam lá. Sem mais reuniões militares, sem bailes e jantares, sem todos os dramas. Era agora uma casca vazia e fria, onde os passos de Talon ecoavam ao entrar no saguão principal.

Deixara Katarina falando sozinha, e a conhecia bem demais para saber que ela não engoliria isso fácil, mas já estava sem paciência. Ouviria mais uma hora sobre teoria de conspiração, sobre as verdades de Noxus, sobre a vingança que teria. Teve que ir embora.

Desde quando que o discurso da mulher mudou de “resgatar, encontrar”, para “vingar” o General Marcus Du Couteau? Ele não conseguia se lembrar. Aquilo fora algo tão natural e progressivo que o objetivo acabou se tornando quase que a única razão de Katarina continuar vivendo.

Atravessava a sala, as botas enlameadas sujando o piso de pedra fria. Ia tirando a roupa molhada e a largando pelo caminho. Odiava a sensação do tecido grudado na pele, e estava gelado até os ossos. Pelo seus cáculos Katarina ia chegar em alguns minutos, então não teria muito tempo em paz. Tirando uma das botas, tentou subir as escadas ao mesmo tempo, mas isso mostrou não ser muito efetivo.

Chegando ao seu quarto, foi direto para o banheiro e ligou o chuveiro, e terminou-se de despir. Entrou na água quando ela já estava quase escaldante, e relaxou os músculos ao sentir o calor derramando-se pelo seu corpo. Uma das coisas que aprendera a valorizar na vida: água quente. Só soube o que era isso quando sua vida mudou completamente, quando se mudou para aquela casa. Não gostava de admitir, mas depois disso acabou se deixando mimar um pouco. Mas do que deveria. E temia que Katarina estivesse nessa lista.

Katarina, de novo. Essa mulher sempre invadia seus pensamentos. Encostou a cabeça na parede de azulejos, deixando a água escorrer pelos cabelos e pela nuca, seguindo o caminho e pingando do seu nariz e da sua boca.

Tentava pensar em outra coisa, focar em algo mais importante ou em algo mais banal, qualquer coisa. Mas uma hora Katarina voltava a tona, e ele a amaldiçoava. Ela já deveria ter chegado. Provavelmente tomaria um banho também, depois secaria seu cabelo, o incomodaria com alguma bobagem, ou mais alguma conversa sobre como tirar Swain do poder...

Suspirando irritado, ele desligou o chuveiro, sentindo a pele ardendo do calor.

Como ele poderia chamar Katarina de obcecada, se ele mesmo era obcecado por ela?

Sabia todos os passos dela, todas as manias, defeitos e qualidades, e adorava todos eles. Durante muitos anos reprimiu tudo isso dentro de si, sem se permitir ser fraco a esse ponto. Mas ele simplesmente não pôde se conter quando o mundo de ambos desabou. Quando Marcus desapareceu, e deixou uma Katarina sem chão ou estrutura para se apoiar.

Mas agora ele se perguntava se havia feito a coisa certa.

Depois de se vestir, andou pela casa descalço, sentindo a mudança de textura quando passava pelos tapetes caríssimos que vieram de algum lugar de Shurima, e do piso de mármore tão gélido quando o resto da casa. Seus passos eram tão silenciosos quanto as sombras em que se encontrava, sentindo-se um pouco mais calmo.

Encontrou a porta do quarto de Katarina aberta, sem nenhuma iluminação ou ruído vindo de dentro do cômodo. Também não estava no banho, como ele verificou ao averiguar o banheiro. Erguendo uma sobrancelha, voltou para o corredor, e continuou com a procura.

Na cozinha talvez? Nada.

Escritório do pai. Ela ia para lá as vezes escondida, mas é óbvio que ele sabia. Também nada.

Campo de treinamento? Ele não estava a fim de se molhar de novo pra ir verificar.

Quando se deu por conta, estava novamente no quarto dela. Deitou-se na cama de molas, e colocou as mãos atrás da cabeça. Seu corpo era quase tão familiar com aquela cama do que com a sua própria, no seu quarto no mesmo corredor.

O som do temporal sacudindo as janelas, e o gotejar no telhado fizeram os olhos de Talon pesar. Fora um dia cansativo, e ele não ficaria preocupado com Katarina. Não pensaria nela, e foda-se se ela resolveu bancar a criança e não voltar pra casa, ele não iria a sua procura. Era uma adulta e sabia se cuidar.

Um relâmpago cortou o céu, quase que como duvidando do pensamento de Talon.

Fechando os olhos, ele tentou afastar qualquer pensamento.

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Primeiro sentiu o frio no lado direito do corpo, como gelo se alastrando pelo seu corpo. Depois o cheiro forte e enjoativo de álcool lhe impregnou as narinas, fazendo Talon abrir os olhos. Ao seu lado, alinhada perfeitamente contra seu braço, estava uma Katarina muito fria, muito molhada, e provavelmente muito bêbada.

Talon rolou os olhos, encarou o teto, contou até 10. E então se voltou para ela novamente.

– Katarina. Katarina acorde.

–MghmgnTeiloooooo.... – Ela disse com a voz enrolada, e o hálito forte fez Talon a olhar mais irritado ainda.

– Vamos, saia da cama. Você tá toda molhada.

Katarina riu, se engasgando e tossindo. Depois que se recuperou, se jogou mais por cima dele e o puxou para um beijo.

– É, você me deixa molhada mesmo.

Talon a olhava com o ultimo fio de paciência que ainda lhe restava. Katarina bêbada era uma das coisas mais chatas do mundo, mas ele não podia a abandonar. De novo.

– Vamos, te levo pro banho.

– Não quero banho, quero você. — A ruiva o abraçou forte, o molhando mais ainda.

– Vai ficar doente com essa roupa molhada.

– Então tira ela pra mim.

Ele engoliu seco, procurando o olhar dela. Katarina olhava para a janela, e o mundo que se acabava em água do lado de fora.

– Você está bêbada, não vou fazer nada contigo--

– Isso nunca te impediu de nada. Ou você já está esquecido? – Ergueu-se com os cotovelos apoiados no tórax dele, o olhando fixamente nos olhos castanhos, que brilhavam em dourado como um gato.- E não estou bêbada. Estou bem sóbria Talon.

Com uma mão, Katarina segurou com força o rosto de Talon, o beijando com firmeza e desejo, alternando entre morder com força os lábios dele e explorar sua boca com a língua. Com a outra mão ela desceu alisando a sua cintura, até alcançar seu membro por cima da calça, e o apertou com delicadeza.

Gemendo baixinho, Talon se desvencilhou do beijo, a encarando. Katarina podia ver incerteza no rosto dele, e isso doeu mais do que se ele lhe negasse novamente.

Sentindo um nó na garganta, ela abaixou o rosto , pressionando-o contra o peito dele.

– Me come de uma vez, Talon. – A voz saiu abafada, mas ele conseguiu sentir o peito dela arfar contra o seu corpo.

Ele sabia que ela não estava em si, sabia q não adiantaria nada ter aquela conversa agora, mas sentia como se fosse explodir. Sem a tocar ou a afastar, ele voltou a olhar pro teto, suspirando baixinho.

– Eu não me orgulho disso – Talon a avisou, antes de prosseguir.- Mas acho que o que fizemos foi um erro.

Katarina não respondeu, então ele continuou:

– Pra que você quer transar comigo? Para acordamos de manhã no dia seguinte e nem nos olharmos? Para ficar uma troca de indiretas e ofensas por conta de coisas que não conseguimos dizer?

Ela se levantou, o olhando com um rosto magoado, mas sem sinal de choro.

– Você está falante hoje.

Talon suspirou novamente, evitando a olhar.

– Eu só estou cansado. Minha vida era mais fácil quando você não estava nela.

Katarina parecia surpresa com as palavras. O olhava, balançando levemente a cabeça.

– Uau. Eu deveria ter bebido mais...– Ela puxou novamente o rosto dele com força, mas dessa vez não o beijou. – Você vai me escutar agora. Vou tomar um banho, por que estou com frio pra caralho. Depois... Depois eu...

Levantou-se, um pouco tonta, e foi embora do quarto. Instantes depois ela voltou, lembrando-se de que aquele era, afinal, o quarto dela, e foi para o banheiro.

Talon não sabia explicar bem o por quê, mas ele estava com uma sensação estranha no peito.

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Já era o segundo café que Katarina tomava, e a cabeça parecia que ia explodir. Mas ela tinha certeza que a culpa não era da bebida. Sentada sozinha na cozinha, as palavras de Talon martelavam na sua cabeça.

Ele tinha razão, na verdade. Todas as coisas que eles não conversavam, uma hora se acumulariam. Antes quando mal se olhavam a vida era mais simples, com certeza. Por que não conversavam? Por que não tinham uma relação normal, com confiança mútua e clareza?

Amor era um território tão hostil e perigoso para ambos, que não sabiam nem ficar na mesma sala sem quase me matarem. Katarina sentia-se covarde e imbecil, por terem se deixado abalar com algo assim. Eram adultos, pior ainda, eram assassinos. A vida das pessoas acabava nas mãos deles, mas não tinham capacidade de lidar com as próprias vidas.

Lembrou-se do dia em que mais precisara dele, e ele estava lá. Recordava disso com muita frequência na verdade. Em como seus braços lhe acomodaram e como aquilo pareceu tão certo e natural... Mas era como se depois os dois tivessem acordado de um sonho, e nada mais pareceu correto.

Virou-se, por instinto porque sentiu que Talon a observava. Como sempre ele não fez nenhum som, e parecia que pretendia continuar com o silêncio.

– Seja lá o que nós temos – Katarina declarou, depois de praticamente jogar a caneca na pia. – Eu não quero que acabe. Não precisamos colocar nome nisso, se não quiser. Mas nós temos que conversar...

Ela se abraçou, sentindo um frio inesperado. Talvez ele estivesse certo, e ela ficaria doente. Resolveu subir até o quarto e pegar um casaco. Porém impressionou-se que Talon a seguia, escada a cima.

Sua cama estava sem lençóis, já que molhara todos, mas as cobertas estavam em cima de um baú, perto do móvel. Pegou uma delas, e se enrolou, sentando-se na cama. Olhou para o homem a encarando, ainda na entrada no quarto, como se de repente aquele ambiente fosse estranho a ele.

Katarina fez um sinal para que ele sentasse ao seu lado, e com um pouco de receio, ele obedeceu.

– Chega a ser ridículo o quanto eu dependo de você. E eu também não me orgulho disso.- Ela disse, afundando mais ainda no cobertor. – Sabe, as vezes eu penso... Eu também penso que isso poderia ter sido um erro. Nosso. Você me viu vulnerável, então sentiu pena e acabou abaixando a guarda... E que eu também errei, pois eu deixei. Deixei você entrar. Mas eu também acho que mesmo se naquela ocasião nós não tivéssemos cedido, não mudaria em nada. Nós somos quem nós somos, porque não temos controle. É difícil de acreditar, mas não podemos controlar praticamente nada na nossa vida. E se eu puder decidir alguma coisa, é isso. Lide com isso Talon, eu não vou desistir de você.

Inspirando fundo, Katarina estava surpresa com a facilidade que as palavras saíram. Aparentemente, o seu inconsciente queria dizer aquelas coisas a muito tempo, mas ela não se dava por conta. Esperava alguma resposta, mas longos segundos se alastraram em silêncio.

Talon olhava para o nada, os olhos vidrados no vazio. Quando finalmente disse, as palavras vieram num sussurro.

– Não acredito que estamos conversando sobre isso.

– Qual é o problema? Não tem nada nos impedindo, somos adultos, não temos família que não aprove o outro... Mas ainda assim, nós temos medo e achamos que é errado. Ridículo.

–É insuportável! – Talon exclamou, e Katarina se assustou, achando que estava se referindo a ela. Porém, ele continuou: — Parece que minha vida se tornou um fardo. Não tem um único segundo em que eu não pense em você... E se eu tento me afastar, parece uma tortura. Eu... eu não sei o que fazer pra te tirar da minha vida, Katarina.

– Por que você quer tanto fugir de mim? Por que você é um covarde que não aguenta nem olhar pra minha cara?!

Trincando os dentes, Talon a pegou pelos ombros e a jogou no colchão, ficando por cima e a olhando fixamente nos olhos. Respirando pesado, Katarina o encarava de volta, o desafiando.

–Você me perguntou por que eu queria transar contigo. – Katarina sussurrou, e em seguida o beijou. Apenas os lábios se encostando, mas demorando ,sentindo o calor e a respiração do outro. – Eu quero porque te amo.

Pelo o que pareceu horas, ele a encarava, procurando algo para dizer. Era estranho ver Talon, que tinha sempre uma resposta sarcástica ou irônica para tudo, sem fala. E era mais estranho ainda ver Talon tentando ter uma conversa. Mas ela esperou, paciente.

Amor era fraqueza. Pessoas morrem estupidamente por amor. Quantas pessoas eram facilmente controladas e enganadas usando suas pessoas queridas como chantagem? Em quantas ocasiões eles próprios haviam ferido ou ameaçado ferir alguém amado pelos seus alvos, para a missão ser um sucesso?

Na verdade pensar que todos acabavam mortos por eles, independente do desfecho, só piorava para Talon. Era mais fácil para ele pensar que o que sentia pela mulher era apenas atração, do que amor.

– Eu sei o que você está pensando. – Katarina disse, o abraçando e puxando pra perto de si, sentindo seu peso por cima do corpo.

– Claro que sabe.

O entrelaçando forte, Katarina rolou na cama, ficando por cima dele, o pegando desprevenido.

– Sei que não temos como ter um relacionamento “comum”... e talvez nós nem merecemos isso. Mas isso não impede que você fale comigo – Kat o sacudiu pelos ombros, fazendo uma careta brava. – Eu sei quando tem algo de errado Talon, assim como você também sabe quando tem algo comigo. Não adianta tentar me enganar.

Um sorriso brotou nos lábios de Talon, e Katarina o olhou intrigada, com a sobrancelha erguida. Ela não conseguia desvendar aquele riso, mas algo dentro dela parecia que acendia e a esquentava.

– Como você é teimosa...

– Sou sim! – Pressionando mais seus corpos, ela o beijou, sem a delicadeza e calma de antes, mas com fúria e desejo. Talon retribuiu, e suas mãos percorriam cada centímetro do corpo da ruiva, no final uma subindo por de baixo da blusa, a outra segurando forte os cabelos e os puxando.

– E eu não sou covarde. – Ele a segurava pelos cabelos, as mechas enroladas fortemente no punho. Katarina tentou aproximar o rosto novamente para dar continuidade ao beijo, mas ele não permitiu. – Nem estou fugindo.

Ao ver a menção de Katarina responder alguma coisa, com a feição indignada, ele foi mais rápido e continuou antes que ela voltasse a tagarelar:

– Só não suporto mais ver teu rosto, sempre que fecho os olhos. – a puxou para perto, e Katarina fechou a boca, ouvindo atenta. — Sentir teu cheiro... Mesmo quando você nem está por perto.

Katarina fechou os olhos, sentindo um arrepio na espinha quando ele cheirou de leve seu pescoço, sem encostar na sua pele. Com a voz rouca, ela sussurrou no mesmo tom que Talon.

– Você quer voltar ao que era antes? Dois estranhos que moram embaixo do mesmo teto, fazem ocasionalmente algum trabalho juntos, e só? Porque eu te digo: não dá. É impossível, Talon...

Soltando o cabelo ruivo, as mechas caiam lentamente pelos ombros de Katarina, até alcançarem o rosto de Talon, lhe fazendo cócegas.

– Sairei em missão amanhã, ao amanhecer. – Talon disse com o tom de voz tão indiferente, que foi como se um vidro se estilhaçasse em frente dos dois, acordando Katarina de uma espécie de hipnose.

–... Como? Mas o Alto-Comando, não mandou na-

– Não é pro Alto-Comando. É algo de fora. Perto da fronteira com Zaun.

Katarina se sentou, mas ainda montada por cima de Talon. Sabia que era uma posição um pouco obscena, mas não estava exatamente se importando com isso no momento.

– E quando você pensava em me contar?

– Hoje. Agora.- Ele deu de ombros. – Para com essa cara, não adianta se fazer de vitima. Te avisei, não avisei?

Se erguendo também, agora os dois estavam sentados na cama. Talon apoiado na guarda, e Katarina no seu colo, o olhando irritada.

–Estava pensando em usar esse tempo sozinho. – Ele passava a mão no cabelo, jogando a franja pra trás, como fazia quando estava nervoso ou irritado. Claro que Katarina só o via fazendo isso com ela.

– Então vai! Não era isso que você queria, se livrar de mim? – Katarina sentia as palavras saírem com mais raiva do que pretendia, mas ela não tinha controle sob isso. Quis se levantar, mas ele a segurou pelos pulsos.

– Katarina, chega de infantilidade... – Porém, ele não achava que ela conseguiria ouvir, já que não parava de falar em como estava irritada que ainda perdia tempo com ele, em como ela ainda tentava e outras merdas assim. – Kat, me escuta.

Ela parou instantaneamente, ouvindo atentamente. Ela gostava de quando ele a chamava de Kat. Odiava quando os outros a chamavam assim, mas com ele era diferente.

– Eu quero que você vá junto comigo.

Sem conseguir acreditar, ela ergueu uma sobrancelha, soltando os braços do aperto dos punhos dele. Levou uma mão até a testa de Talon, como se medisse a temperatura.

– Está com febre, só pode. – Ele deu um tapa na mão dela, a empurrando pra longe. – Diz de novo.

–Quê? Não preciso dizer de novo, você ouviu.

– Diiiiiiz.

Mais bagunçando do que arrumando o cabelo, Talon desviou o olhar brevemente. Que merda era essa que estava acontecendo com ele? Já saíram em viagens mil vezes, fizeram mais missões do que poderia contar, e eram perfeitos nisso. Era esperado que sempre fossem fazer mais missões juntos. O que tinha de especial naquela?

Porém parando para pensar, ele começou a enxergar melhor. Todas as outras vezes, desde a primeira vez que se viram... Permaneciam juntos, trabalhavam juntos e cooperavam porque eram obrigados. Por Noxus, pelo pai de Katarina, por Swain... por qualquer merda que os colocasse num mesmo plano, e os empurrassem para mais alguma matança.

Era a primeira vez, em anos, em que estavam eles próprios fazendo uma escolha. Eles eram os únicos a serem culpados, únicos que poderiam fazer a coisa certa ou errada. E esse peso que estava machucando Talon. Em uma década junto de Katarina, ele finalmente entendia que tinha a escolha de estar presente na vida dela, e ele queria desesperadamente isso.

Ao olhar para os grandes olhos verdes, o observando ansiosa, ele percebeu o quanto foi idiota. Sempre achou Katarina a mais infantil, mas imatura e irracional. Mas ela já havia entendido e aceitado tudo isso. Por isso ela o encarava assim, por isso dava tanto valor para aquela pergunta banal. Ela sabia o que significava.

Pois ela já havia escolhido Talon, já havia decidido que ficaria com ele, por vontade própria. Porém ele ainda não havia nem se encontrado ainda.

– Você vem comigo, amanhã? – a pergunta saiu mais idiota do que Talon imaginou na sua cabeça. Mas o sorriso sincero de Katarina o fez deixar isso pra lá.

– É claro, seu idiota.

Notas finais
e no próximo a treta continua na linha do tempo atual mesmo, QUE SERÁ QUE VEM HEIN HEIN