Notas iniciais
Eu to viva tá gente, não precisam me bater nem ameaçar. Ia ter chibi, mas tava tanto tempo devendo isso pra vcs, q neh deixa pra proxima. (word formatou meio estranho quando passei pra ca, arrumei tudo o que eu vi agora mas pode ter passado algo. Amanha com calma eu vejo se ficou algo pra arrumar) Espero que gostem~

CAPÍTULO 22

Jogando mais um livro para a pilha ao seu lado, Sona bocejou, coçando os olhos. Tateou em busca de outro tomo na mesinha ao lado, mas mudou de ideia. Já estava lendo – ou tentando ler – há horas, e sentia seus olhos implorando por uma trégua.

Laya a deixou sozinha, voltando para o Alto Comando, sem maiores explicações. O seu “dever de casa” era procurar nos livros ,que Layla selecionara, qualquer coisa que poderia ser útil para o caso dela.

Mas era perda de tempo. A maioria dos livros estava escritos em línguas que Sona nem sabia que existiam. E outros eram tão assustadores que ela fechava quase no mesmo instante. Além disso, tinha que praticar escrita de algumas runas que aprendera naquele dia, e treinar mais o feitiço de percepção.

Sua vontade era mínima, porém também não queria dormir. Cada noite que passava ficava mais difícil adormecer, a dor em sua garganta a acordava sempre, e nas poucas horas de sono que tinha, eram preenchidas por pesadelos. Essa noite que passaria sozinha naquela casa enorme, com certeza não pregaria os olhos.

Olhou em volta no escritório de Layla. Ou Lady Layla, como ela exigia que fosse chamada. Tudo, exceto os livros selecionados, e a mesa que utilizava, estava empoeirado como se não nada tivesse sido mexido por anos. Vários quartos e cômodos estavam trancados, e sumariamente proibidos a Sona também. O próprio quarto que estava utilizando, Layla lhe informou que ninguém entrava lá a no mínimo 10 anos.

A casa era gigantesca,até mesmo maior que a sua casa em Demacia. Sona estava sozinha, e o tempo estava esfriando. Outono chegava oficialmente na próxima semana, mas as noites já estavam bem mais frias, e ela se encolheu na cadeira. Não sabia se os arrepios vieram por conta do frio ou dos pensamentos que estava tendo, mas resolveu que talvez fosse melhor acender a lareira.

Enrolando melhor a echarpe que usava no pescoço, fez menção de ir até a lareira, mas um barulho alto e repentino na janela atrás de si,fez ela se virar abruptamente num pulo, deixando escapar um grito agudo ao ver a forma negra que se debateu no vidro.

Deu um passo para trás, pronta para correr e pedir socorro para um dos guardas que ficaram vigiando a casa, caso ela precisasse de algo. Mas parou, ao ver 6 brilhos vermelhos a encarando nas trevas que agora estava sentada , esperando pacientemente que a janela fosse aberta.

–Beatrice? – Sona disse, mesmo sabendo que ela não ouviria.

Foi até a janela e abriu prontamente, sentindo o vento gelado no rosto. Com um estalo indignado de bico, Beatrice entrou na sala, com um salto desengonçado, sem bater as asas direto.

A garota a olhou rapidamente por cima do ombro, enquanto a ave pousava na cadeira onde estava a poucos segundos atrás. Mas teve que voltar a atenção a janela, já que o vento forte a estava impedindo de fechá-la. Demorou um pouco, mas Sona conseguiu trancar novamente o vidro, agradecendo por finalmente ter banido o vento para o lado de fora.

– Nossa, você está mais fraca do que eu imaginava.

Pela segunda vez na noite, o coração de Sona foi à boca, mas dessa vez conseguiu conter o grito. Atrás de si, onde da ultima vez vira um corvo de tamanho consideravelmente gigante, se encontrava uma menina emoldurada em penas negras. Aliás, ela era um pouco mais nova que Sona, talvez uns 16 anos. Estava recostada para trás, com a cabeça jogada e os olhos fechados. Estava ofegante, tentando controlar a respiração, e uma mão segurava uma lâmina fina, inteiramente ensanguentada. No braço oposto, Sona viu a ferida funda de onde a lâmina fora tirada.

Tudo isso era por si só muito chocante e preocupante, mas Sona sentiu o rosto arder em calor, e não tinha como deixar o constrangimento de lado, por que a garota a sua frente estava nua. Sua pele era tão assustadoramente branca em contraste com as penas negras, e o único pêlo que tinha no corpo eram os cabelos, não tento nem sobrancelhas. Quanto mais a olhava, mais exótica ela parecia.

Beatrice abaixou um pouco o rosto, a encarando. 6 olhos rubros, a olhando ao mesmo tempo. Era bem mais intimidador do que na sua forma de corvo, e Sona não sabia dizer o porquê. De baixo de seus braços, seguindo dos ombros até os pulsos, penas negras enormes seguiam, e seus cabelos escuros eram curtos, um corte masculino demais pro gosto de Sona.

– Geralmente eu gosto de chegar com mais classe, mas bem – Beatrice fez um gesto indicando a lâmina, e a jogou no chão. No seu tórax, um pingente de uma pedra grande, pulsando em roxo e vermelho sangue, descia e subia com a respiração – Por favor, não diga a Swain que eu estive aqui.

A última frase saiu com urgência e seriedade, o que fez Sona sair um pouco de sua hipnose.

Pelos deuses Sona, Beatrice foi atacada e está sangrando, pare de encarar os peitos dela!

Mas ao procurar o machucado novamente, não viu mais a ferida aberta, apenas o sangue. Percebendo o olhar intrigado de Sona, a metamorfa disse:

– Eu me regenero melhor nessa forma. E aparentemente você voltou a ser muda ...Que pena, tinhamos tanto para conversar...

– Não! – Beatrice parou no meio do gesto, antes de se levantar totalmente. – Quero dizer...

Sona gaguejou, sem saber o que dizer ao certo. As palavras eram muito mais difíceis de serem ditas quando ela precisava pronunciar cada uma delas.

Beatrice sentou-se novamente, cruzando as pernas. Os pés eram mais pássaros do que humanos, grandes garras afiadas, adornadas com uma espécie de tornozeleira de metal. Passado o susto inicial, ela já se mostrava totalmente recuperada, com uma postura nobre sorria para ela.

Onde ela já tinha visto aquele sorriso assustador antes?

– O que aconteceu...? – Sona perguntou, com um pouco de medo de ouvir a resposta.

– Não queria falar sobre isso.

Sona olhou indignada para ela, depois para a mancha de sangue e a lâmina no chão, e para Beatrice novamente.

– B-bem, sou eu que vou ter que limpar isso, então eu meleço -mereço- uma explicação.

–Tá bom... –respondeu fazendo um gesto impaciente com a mão, piorando o humor – Estava voando por aí sabe, averiguando o perímetro...

– Por que?

Beatrice mordeu o lábio.

– Porque você é irresistível.- riu da expressão que a garota fez, e prosseguiu- Enfim, Talon , de alguma maneira, conseguiu me rastrear... Consegui o despistar, mas não sem antes ele me deixar um presentinho.

– Por que ele estava te seguindo? Por que ele estava por aqui? – A Mansão Ravenscar ficava bem afastada na cidade, e ele deveria já ter alguma desconfiança se veio a procurar justo ali. — E quem é Talon?!

Deve ser desesperador não saber de nada ao seu redor, não é? – Sona sentiu as palavras pesarem como chumbo no seu peito, e segurou a ânsia. – Faz sentido não saber quem é Talon, ele não é muito sociável... Mas Katarina eu imagino que já tenha ouvido falar.

O nome não lhe era estranho. A musicista se lembrava de talvez Draven ter mencionado uma ou duas vezes.

– Não queira conhecer nenhum dos dois. Um casal lindo, um pouco problemático é verdade, mas a Katarina te quer morta. E isso quer dizer que Talon também te quer morta.
Por que!?- Sona sentia que estava repetindo demais essa palavra.

Beatrice apenas repousou a mão sob o peito, a pedra com a sua pulsação em ritmo com o brilho dos olhos. Deu de ombros, e a encarou como se não tivesse ideia.

– Outra coisa boa de estar nessa forma, é que eu posso fazer isso. – E dito isto, se impulsionou para frente, ficando cara-a-cara com uma Sona a beira de um ataque de pânico.

Com a mão pálida e unhas afiadas, fez um símbolo no ar, a poucos centímetros da boca de Sona. Como se desenhasse uma das runas que Layla lhe tentou ensinar naquele mesmo dia, a garota sentia nos lábios o vento criado pelo movimento.

Sorrindo novamente daquele jeito familiar, Beatrice lhe disse suavemente:

– Diga à Layla: Katarina não caiu nessa história de vocês, e está rondando essa casa. Você vai falar sobre tudo isso, apenas à Layla. E nada de dizer que eu estive aqui para o Swain!

– ...você não quer que ele saiba que foi pega. Está com vergonha...?

Beatrice fez um estalo estranho com a boca, talvez querendo fazer o seu resmungo habitual.

– Isso vai muito além de vergonha. Você não faz ideia... – Impediu-se de continuar, balançando a cabeça. Sona notou que seu cabelo n era totalmente curto, finos dreads desciam da nuca, entrelaçados com penas.

Dirigindo-se para a janela novamente, Sona respirou mais aliviada com o aumento da distância entre as duas. Com um salto suave, Beatrice estava no parapeito, o vidro já aberto, vento tomando conta da sala novamente.

Fascinada, Sona observou quando a menina levantou os braços, como que se espreguiçando. Mas eles não voltaram para a posição normal, mas sim se dobraram, encolheram e alongaram em maneira totalmente não-humana. Seu corpo se contorcia, porém aquilo não era de maneira alguma dolorido de se ver. De alguma maneira, a transformação da garota em corvo pareceu natural e belo, e Sona soltou um suspiro quando se deu por conta que Beatrice -a garota- já não estava mais ali.

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Me encontre amanhã, no mesmo lugar em que encontrou Layla hoje.

Draven ainda estava tentando processar a informação quando ela disse aquilo e saiu correndo. Demorou um tempinho até ele se tocar: Que horas?

Pensou em passar a noite no quartel, e no dia seguinte cedo ir até a biblioteca, até que percebeu o quão idiota isso soava. Não estaria lá esperando ela como um cachorrinho ou algo parecido, ele não estava desesperado. As mulheres que buscavam por Draven, não o contrário.

Decidiu que ia para casa, não pensaria nisso, e talvez aparecesse no dia seguinte lá. Não podia prometer nada, afinal era um homem ocupado.

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Eram quase 6 horas no relógio à corda que tinha na biblioteca. A luz do pôr-do-sol era a única coisa que iluminava o grande cômodo, e Sona o admirava. Era a primeira vez que via um crepúsculo tão lindo em Noxus, e queria aproveitar ele cada instante. Estava cansada, beirando a exaustão, mas mesmo assim não deixava de pesquisar e procurar qualquer coisa que pudesse lhe ajudar.

Ouviu a porta pesada se abrir, e fechar num barulho alto. As estantes lhe tapavam a visão, mas aguardava ansiosa.

Draven apareceu, cabelo bagunçado e roupa um pouco suja. Só quando chegou perto da janela, Sona viu que era sangue.

– Draven, o que aconteceu? – Será que a norma agora é que as pessoas só apareceriam para ela sangrando? Se levantou jogando um pesado livro no chão, e foi até ele.

– Nada, nada- Ele se desvencilhou dela, negando os gestos de ajuda. – Não é meu o sangue, não se preocupe. Eu só estava instruindo uns moleque novos aí.

–Ah... Sim, Layla, me contou que você já foi instrutor... Por que você parou? – Sona perguntou, voltando para a mesinha, e tentando puxar assunto e manter uma conversa normal.

– Por causa disso – Draven puxou o tecido da camisa, mostrando o sangue e um sorriso sombrio no rosto.

Sona o encarou rapidamente, mas logo voltou atenção para o livro, o juntando no chão e voltando à leitura.

Com um resmungo, Draven arrancou o livro da mão de Sona, e disse num tom alto e furioso:

– É pra isso que você me chama aqui? Depois de semanas sumida, eu cheguei a achar que tava morta, ou pior. Você me chama pra cá, e fica me esnobando?

– Draven...- Sona o olhava assustada- E-eu não estou t-te esnobando...

– E que história é essa que agora você fala!?

Ela suspirou fundo, procurando forças e paciência.

– Como se você se importasse. Agora diz que se preocupou que eu tivesse morrido, mas também não fez nada para evitar que isso acontecesse. – Levou a mão até a garganta, a sentindo dolorida. Não havia percebido, mas estava de pé agora. — Não parecia se preocupar comigo naquela tarde que fui falar com Swain. Por que se preocupa comigo agora?

A voz ia saindo cada vez mais aguda e cortada, e ela teve que parar. Falar muito a machucava demais, e o gosto de sangue que sentia agora já era familiar.

Depois de rápidos segundos em silêncio, Sona imaginou que ele poderia ter se acalmado. Não olhava para ele, por que saberia que começaria a falar novamente, e ela não podia se permitir.

Portanto se espantou quando Draven exclamou, mais alto que antes:

– EU NÃO SEI! Eu não sei,tá legal?! Eu me importo contigo, e não sei porquê. Tá feliz, agora, sua bruxa?! Você me enfeitiçou com algum voodoo ou coisa assim.

–Ah, sim, foi isso mesmo. – Sona o encarou brava. Já estava bem escuro, pouca luz de fora entrava. Ela mal via o seu rosto, apenas seu vulto. Estendeu a mão para ligar a luminária na mesinha, mas antes que pudesse encostar nela, a mão de Draven a puxou de volta.

Sua boca aberta em protesto se preencheu com a dele, e ela não fez nada senão fechar os olhos e se entregar. Draven a abraçou forte, a levantando do chão e a segurando na sua altura. Se impressionou em como ela parecia mais leve do que antes. Sona gemeu baixinho quando o beijo se intensificou, e ele sorriu ao ouvir.

Porém, em seguida Sona voltou a tossir, e se separou bruscamente, voltando a pisar no chão. Agora com a boca tapada pelo cachecol, ela tossia violentamente, sentando-se na cadeira. Quando o ataque passou, ligou a luminária, Draven a olhava preocupado. Ela via um pouco do próprio sangue no canto da boca dele, e escondeu o rosto.

– D-Desculpe...

A garota notou um pouco da irritação dele voltar, mas mais controlada. Na verdade, ela achava que nunca havia passado.

– Você vai ter que me contar, quem fez isso com você.

Suspirando, ela pensou no que responder. Nem sabia por onde começar.

– É... longa a história. Não consigo falar muito, ent-tão isso pode demorar...

Pegando de qualquer jeito uma cadeira ali perto, ele se sentou tão relaxado quanto poderia parecer:

–Temos a noite toda.