Which Side Will Prevail
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Boa leitura sz
POV QUINN
Eu a olhava procurando saber o que ela estaria pensando.
Eu passei os últimos 5 minutos pensando em uma maneira de abordar o assunto, ou então inventar uma desculpa para sair de casa sem ela saber... mas eu não poderia passar o resto da vida dela a enganando, então ela teria que se acostumar com isso.... eu espero que ela se acostume...
– Você vai caçar agora? Tem que ser agora? Queria ficar com você mais um pouco.
Será que isso era o que ela estava pensando mesmo?
– Não me olhe assim, eu juro que estou falando a verdade, só não queria ficar longe de você agora.
– Como você...
Ela levantou a sobrancelha em sinal de interrogação.
– Como eu o que?
– Nada, esquece. Eu realmente tenho que ir Rachel. Esta começando a ficar... insuportável.
Terminei de falar com a voz quase inaudível. Ainda era horrível para eu admitir que minha natureza queria matá-la.
– Ei...olhe para mim.
Ela pegou meu rosto com as mãos.
– Eu te entendo.... eu te amo. Esta tudo bem, eu juro!
A beijei.
Ah, como era delicioso me perder nos lábios dela..... mas eu não podia, não agora com a sede queimando em minha garganta.
Rapidamente me desvencilhei dela.
– Não!
Disse ainda ofegante ainda por lutar contra a sede que agora consumia minha garganta como fogo liquido.
– Esta tudo bem.... calma, tudo bem.
Ela falava levantando as mãos em sinal de que não havia acontecido nada.
Ela se levantou, começou a vir para o meu lado, mas eu não podia, não agora.
– Por favor, fique ai Rachel. Esta difícil. Vou caçar e volto logo.
Ela parou e me analisou. Parecia pensar seriamente em uma coisa.
– Tudo bem, mas antes de sair, me de um beijo-. Pediu.
– Não posso amor... eu não estou brincando, agora não posso.
– Pode sim, eu sei que pode. Sei que está difícil, mas também sei que consegue. Não vamos começar a criar barreira entre nós. Me de um beijo, só um e pode ir.
Eu fazia que não com a cabeça.
Ela era louca, só pode. Brincar com a morte assim...
– Quinn, você me beijou, me lambeu, me mordeu, fez amor comigo a noite inteira e de novo há 30 minutos atrás. Só mais um beijo não vai ser o fim do mundo.
Ela ironizou.
– Você quer tentar a sorte?
– Não, quero provar a você do que você é capaz. Que você é muito mais forte do que imagina. Quero te mostrar que o seu amor é muito maior do que a sede.
E ela começou a caminhar em minha direção. Olhando firme em meus olhos.
Eu tinha que correr dali... eu sabia disso. Deveria sair correndo agora, mas minhas pernas não me obedeciam. Ela me prendia com o seu olhar, eu não conseguia me mover, e a cada passo que ela dava, a sede aumentava.
Eu conseguia ouvir o sangue percorrendo suas veias e indo direto para o músculo pulsante em seu peito. O som molhado do coração dela batendo estava me enlouquecendo, e minha mente imaginava como seria afundar minhas prezas em seu pescoço.
Então sem aviso e sem perceber minhas prezas começaram a crescer.
Rachel estacou no lugar, mas depois de 2 segundos voltou a vir em minha direção.
E eu salivava em expectativa.
Quando ela estava a um passo de mim, ela estendeu as mãos e tomou meu rosto entre elas, me puxando para mais perto dela.
E quando eu mirei seus lábios, a sede de sangue sumiu e no lugar eu senti uma sede louca pelo gosto dos lábios dela. Passei a língua umedecendo meus lábios em expectativa.
E quando seus lábios encontraram os meus, milagrosamente minhas presas se recolheram e eu me entreguei ao beijo saciando a minha outra sede... A sede de amor que eu tinha por ela.
Minha garganta ainda queimava..... queimava tanto que chegava a ser difícil eu me mover. Mas em momento algum eu perdi o controle. Eu sabia que ali, em minhas mãos, me beijando com toda a doçura e carinho, estava o amor da minha existência.
Então sem aprofundar o beijo, (fato esse que eu agradeci, eu não a mataria, mas também não queria sentir mais dor), ela encerrou o beijo com um selinho.
–Viu!-. Sorriu carinhosamente.
– Eu te amo-. Falei com a voz rouca. A sede não me permitiria falar muito mais. – Tenho que ir.
– Eu sei.... boa caçada. Ficarei aqui te esperando.
Assenti e dei as costas para ela. Decidi ir andando em velocidade humana até a floresta atrás da casa. De lá eu iria em minha velocidade normal até algum canto da cidade onde eu sabia que encontraria a escória humana de quem ninguém sentiria falta.
Mas mais uma vez ela me surpreendeu falando comigo antes que eu saísse.
– Quinn?
Eu parei, mas antes mesmo que me virasse ela continuou.
– Não precisa fazer sacrifícios por mim amor... desde que fique comigo.... pode se alimentar do modo que mais gosta, para mim não fará diferença.
Eu olhei para trás assustada e a vi assentir para mim e se virar indo em direção da escada.
Então ainda perdida diante do recado dela, eu caminhei para fora da casa.
POV RACHEL
Me joguei na cama pensando.
Eu não a faria sofrer mais do que sei que ela sofre por ficar ao meu lado.
Eu entendi o que ela quis dizer, que dói resistir ao meu sangue. Agora mesmo quando eu a beijei.... senti as prezas dela sumindo, sinal de que eu estava certa, ela jamais me atacaria. Mas também senti todo seu corpo se retesar. Abri os olhos durante o beijo e vi suas feições se contorcerem, provavelmente de dor ao me beijar.
Então ... se já era tão doloroso ficar comigo, eu não iria reclamar de mais nada.
Tinha intenção de ajudá-la a mudar de dieta. De insistir para que ela tentasse de novo ser como o restante da família. Mas eu não faria mais isso. Eles que me desculpassem, mas já basta o enorme esforço que ela faz para ficar comigo.
Mesmo que eu logo seja como ela, eu nunca vou ter coragem de pedir mais nada, sei que o sacrifício que ela faz é muito grande.
Depois de transformada não pretendo me alimentar de humanos... quero seguir sendo vegetariana como seus irmão e pais. Pretendo pedir a ajuda deles nisso. Acho que eu vá conseguir, afinal se eu nunca sentir o gosto do sangue humano vai ser mais fácil de resistir.
Quinn falou sobre isso quando contou a história dela, disse que nos meses que ela não sentiu o gosto do sangue humano ela pode resistir. Então acredito que eu também vá poder.
Mas nunca vou obrigá-la a mudar de hábitos, vou sempre aceitar a decisão dela.
E de repente eu estava eufórica.
Levantei-me da cama em um pulo e fui para a janela que dava para a floresta atrás da casa.
Em alguns dias eu seria como ela.
Daria adeus definitivamente a minha vida humana... a toda a tristeza, mágoa, solidão que praticamente tomaram conta da minha vida.
Soquei o ar em sinal de euforia.
Quem diria........ só de pensar em toda.... em todo rumo novo que a minha vida tomou, e de pensar que tudo isso é só o início.... e que nunca terá fim.. a minha felicidade será eterna.
Então de repente o meu quarto parecia sufocante para mim. Eu queria mais. Estava animada e eufórica demais para ficar parada em uma cama.
Fui para o banho. Estava tendo uma ideia.
Ela iria ter uma surpresa quando chegasse.
POV QUINN
Em nenhum momento eu cogitei aderir à dieta da minha família, mesmo agora estando junto da Rachel.
Mas ouvir da boca dela assim, tão naturalmente que ela aceitaria isso tão bem, me fez mais leve.
Era bom de mais.
Corri para a parte mais violenta da cidade. Não demorou muito que eu avistasse um traficante.
Andei calmamente até ele.
– O que uma princesinha como você faz por aqui meu bem?
Ele me olhava como se fosse me comer.... tadinho, se ele soubesse...
– Quero uma coisa que só você pode me dar.
– Hummm, e a princesinha vai me pagar com dinheiro ou com beijos?
Ele já vinha em minha direção e eu pude sentir o cheiro nojento da excitação dele.
Isso revoltou meu estomago. Antes eu gostava disso, de ver o poder que eu tinha com as minhas presas... mas agora... só o cheiro de Rachel me agrada. Saber que outro alguém me imagina junto dele me causa repulsa.
Então sem esperar mais, eu corri até ele e o prendi em meus braços.
– Que isso? Socorro!!!!!!!!!!!!!
O traficante se debatia inutilmente em meus braços. O cheiro do seu sangue correndo ainda mais rápido em suas veias e o som do seu coração martelando furiosamente em seu peito aumentaram ainda mais a minha sede.
Mas no mesmo instante em que eu iria cravar minhas presas em sua jugular, o rosto de Rachel apareceu em minha mente.
Balancei fortemente a cabeça como que para apagar aquela imagem, que no momento me trazia desconforto, mas de nada adiantou.
Eu nem mais ouvia os gritos do homem em meus braços, só via unicamente o rosto de Rachel, como se ela estivesse em minha frente.
Como se eu estivesse matando esse humano em sua frente.
Então eu me assustei. Antes que acabasse fazendo besteira por estar assustada eu apertei tão forte o pescoço do humano que ele caiu desacordado no chão.
Então eu me obriguei a pensar naquilo.
O que é que estava acontecendo comigo????????
Eu nunca tive problemas para matar humanos então... por que isso agora?
Me abaixei de novo... tentei mais uma vez e ...............
Argggggg.
– POR QUE NÃO CONSIGO?????????-. Gritei com toda força.
O que esta acontecendo?
Com medo de já ter chamado atenção de mais ali me apressei em sair. Não sem antes dar uma dose da própria droga para o traficante ali caído no chão.
Quando acordasse com certeza ele pensaria que tudo não passou de uma ilusão devido a droga.
Corri de volta para a floresta.
Me embrenhei floresta adentro e parei um pouco para pensar.
Qual é a droga do meu problema?
Vou ter crise de consciência justo agora? Quando tenho carta branca da minha companheira para ser a criatura que sou?
Bufei de raiva.
Por quê que as palavras de Rachel em vez de me libertarem, estão me oprimindo?
Eu deveria estar eufórica, matando metade da cidade para poder voltar para casa saciada e ficar com ela! E com a permissão dela!
Chutei uma pedra e ela bateu em uma árvore a rachando.
–Droga!!
Fechei os olhos e mentalizei o humano que a pouco eu quase matei. Minha boca salivou de vontade de provar daquele sangue que estava tão perto de mim.
Mas estranhamente ao mentalizar a mordida que eu não cheguei a dar no humano, no lugar dele eu via a Rachel.
Então eu abri os olhos assustada.
Era isso... eu não podia matar um ser semelhante a ela. Um ser da mesma espécie.
Não podia cogitar que no lugar dele poderia estar a minha Rachel.
Então com raiva por ter entendido tudo, e com mais raiva ainda por saber o que aquilo significaria para mim, eu esmurrei uma árvore.
E antes que ela viesse ao chão, um leão da montanha que descansava nela saltou a minha frente.
Então naquela hora... tomada de raiva e sede eu dei um passo a frente.
– Hora errada e lugar errado gatinho.
Então eu o ataquei.
POV RACHEL
Eu andava de um lado a outro verificando se estava tudo certo.
Eu não era nenhuma Brittanny, mas acho que não me sai muito mal.
A lareira estava acesa, dando um toque romântico ao ambiente, algumas velas que eu achei apagadas no nosso quarto agora estavam acesas no alto da lareira e em cima da mesinha, e algumas no chão.
O vinho tinto estava em cima da mesa ao lado de duas taças de cristal.
Eles não se alimentavam de nada humano, mas eu já a vi tomar algo alcoólico na boate.
Olhei minha roupa uma última vez, uma calça jeans black, uma camisa social azul de seda, um blazer preto por cima e salto alto.
Eu acho que estou bonita, espero que ela goste.
Olhei mais uma vez para a caixa... o medo estava começando a tomar conta de mim.... será que ela iria gostar?
E se ela achasse isso bobo, ou antiquado.... ou ainda humano demais.
Era o que eu queria.... o que eu sonho desde minha adolescência
E desde que a encontrei era a coisa mais certa a se fazer para mim...... mas para ela..........o que ela iria achar.
Será que entenderia o significado?
Resolvi abrir uma última vez.
Nada mal. O homem fez um excelente trabalho, ainda mais se levar em conta que só lhe dei 3 horas para trabalhar.
Sei que disse a ela que não sairia daqui, mas foi mais forte que eu... uma vez que tive a ideia, foi impossível não colocá-la em prática.
Fechei a caixa e a guardei. Não adiantava ficar nervosa agora. Já estava feito e eu não voltaria atrás.
Se ela não aceitasse..... ou gostasse... eu .... bom, paciência, eu deixaria para lá.
Afinal eu garanti a ela que não exigiria dela um comportamento humano.
Balancei a cabeça para tirar esses pensamentos de mim e fui em direção à geladeira.
Lá tem outra garrafa de vinho, e acho que estou precisando muito de uma taça agora.
POV QUINN
Olhei para o céu.
Já era a hora do crepúsculo. O sol sumindo no horizonte e a lua subindo no céu.
Noite e dia juntos.
Claridade e escuridão.
Trevas e luz.
Bem e mal... Rachel e eu.
Impossível não fazer essa comparação.
impossível não me sentir mal por isso.
Mas com um suspiro me levantei, impossível também não dar as costas a tudo isso.
Eu era egoísta de mais, uma criatura voluntariosa por natureza. E o que eu queria para mim, tudo que eu queria para mim era ELA.
A única coisa mais importante do que aquilo que eu quero, é o que ela quer.
Só a segurança dela, o bem dela e a vontade dela me fariam ficar longe dela..... mas uma vez que Rachel também me quer, que quer lutar junto comigo para que fiquemos juntas....
O resto que fosse ao inferno.
Eu não abriria mão dela por nada nesse mundo.
Ela era minha.
MINHA.
E com esse sentimento gritando em meu peito, eu vi que já tinha passado da hora de voltar para casa. Para ela. Para a minha dona, a minha companheira. A minha humana.
Saltei da árvore onde eu estava sentada e comecei a correr pela floresta.
Estava a quilômetros de distância de casa, mas nem era preciso afinal. Eu só ia longe assim por uma imposição da minha família, para que ao caçar não acabasse matando um conhecido deles sem querer.
Mas hoje no fim das contas eu só matei animais.
Um leão da montanha, um urso, e cinco alces.
Essa foi a conta do dia.
O cheiro deles era horrível, o gosto ainda pior... mas servirão para aplacar a sede de minha garganta.
Não estava satisfeita como me sentia após drenar um humano, mas pode se dizer que minha sede estava adormecida no momento.
Só esperava que isso fosse o suficiente para ficar ao lado dela. Pelo menos por um dia. Detestaria ter que sair para caçar de novo em algumas horas, era torturante ficar longe dela, ainda mais por um motivo tão tenebroso como matar para sobreviver.
Minha mente estava longe a maior parte do caminho, por isso não estranhei quando me deparei com a floresta que ficava nos fundos da casa muito mais cedo do que esperava.
Diminuí meu ritmo, mas não ao de um humano. Eu gostava das reações que ela tinha com minha natureza. Por isso decidi dar um susto nela.
Aspirei fundo e amei a ardência que dominou meu corpo e se acumulou em minha garganta. Agora eu gostava disso, pois significava que ela estava próxima de mim.
Pelos sons vindos da casa, eu pude saber exatamente onde ela estava, por isso dei a volta e entrei pela janela, me acomodando no sofá atrás dela.
Ela andava de um lado ao outro, parecia tensa... nervosa eu diria.
Será que estava preocupada com o tempo que demorei?
Me senti tentada a levantar e ir de encontro a ela, mas me manti firme em meu plano de surpreendê-la.
Olhei rapidamente em volta e me surpreendi. A sala estava arrumada.... ela tinha feito uma surpresa pra mim. Espero não estar estragando ao fazer isso.
Ela estava chegando ao fim da sala, então deveria dar meia volta logo, era agora que ela iria me ver.
Prendi a respiração de ansiedade com a reação dela.
POV RACHEL
Ela estava demorando.
Sei que tinha escurecido a pouco, mas ainda assim já era noite.
Sei que provavelmente só estou ansiosa, mas não posso evitar meu nervosismo pela demora dela em voltar para casa... para mim.
Estava andando de um lado a outro da sala a mais de meia hora.
Já havia bebido quatro taças de vinho quando resolvi parar.
Acabaria ficando embriagada antes dela voltar para casa.
E droga.... acabaria fazendo um buraco no chão também antes dela voltar.
Cheguei a parede da lareira mais uma vez e bufei.
Não vejo a hora de não ser mais humana e parar com essas dúvidas e inseguranças infantis que me perseguem.
Mas ao dar meia volta tenho uma surpresa.
Uma maravilhosa surpresa na verdade.
Ela esta sentada em uma poltrona na minha frente.
Gloriosa, maravilhosa.
Cabelos revoltos, rosto corado, (provavelmente pela caça recente), roupa impecável.
Uma calça skini marrom, com uma blusa branca e uma jaqueta preta por cima, com uma linda sandália preta de salto agulha que fazia ela ficar ainda mais sensual do que já era.
E o principal, nenhuma gota de sangue em toda essa elegância.
Ela sorria para mim.
Dei um passo em direção a ela.
– Senti sua falta amor!-. Consegui falar.
Ela então se materializou em minha frente.
– Não mais do que sentia a sua.
Então nos beijamos. Um beijo doce, mas intenso.
Mas um estalo se fez em minha mente.
Quebrei o beijo e a afastei lentamente.
Ela estranhou, mas entendeu o que eu queria.
Tentou se afastar mais do que eu queria, então eu a segurei mais forte para que ela entendesse.
– Só quero te ver amor. Olhe para mim.
Então ela levantou seu olhar em minha direção e lá estava. Não foi minha imaginação.
Ofeguei.
– O que foi Rachel?
–Vo...você...
Eu não conseguia concluir um pensamento, quem dirá uma frase.
– O que tem eu amor? Me diz o que houve?-. Sua voz soava preocupada.
– O que você fez hoje?
Ela bufou meio impaciente.
– Você sabe bem o que eu fiz hoje Rachel, eu fui caçar.
– Mas então por quê? Por que os seus olhos estão assim?
–Meus olhos?
– Você já se olhou no espelho depois que caçou Quinn?
– Rachel eu não sei se você sabe, mas eu estava na floresta, e quando um vampiro acaba de caçar se olhar no espelho não é exatamente uma coisa que procuramos ou precisamos fazer.
Ela disse meio sarcástica. Selvagem como sempre, e eu amava isso.
– Então você não sabe como está? Como você ficou?
– Como eu fiquei?
Ela sussurrou se afastando e indo em direção a um grande espelho que tinha na parede de frente para a escada no hall da entrada.
Assim que levantou o olhar e viu seu reflexo no espelho ela ofegou.
Ficou parada.... eu diria hipnotizada por seu reflexo.
Me aproximei por trás dela e a abracei de lado e nos embalei.
– O que você fez hoje?-. Eu pergunto com um sorriso na voz.
Ela continuava paralisada de surpresa.
– Eu tenho uma teoria Quinn, mas preferia que você me contasse.
– Eu .... eu cacei...mas...
Ela estava incoerente, gaguejando. Isso não é natural em um vampiro. Decidi tentar ajudá-la, limpar sua mente do susto.
A virei para mim e a calei com um beijo apaixonado.
Em menos de dois segundos ela correspondia ao beijo. Se agarrava a mim e suas mãos se infiltravam deliciosamente em meu cabelo.
Apertei mais forte sua cintura e senti suas presas descendo. Mas a razão voltou a mim. Não era isso que eu queria agora... na verdade eu a queria o tempo todo, mas nesse momento eu tinha que fazer outra coisa.
Terminei o beijo e olhei em seus olhos. Eles estavam febris como os meus deviam estar.
– Agora pode me dizer por que é que seus olhos estão alaranjados?
Ela franziu o cenho como seu eu tivesse dito a coisa mais louca do mundo, mas então a compreensão foi aparecendo em seu rosto.
– Eu não pensei que fosse acontecer tão rápido.
Ela disse mais para ela mesma.
– Será que você pode esclarecer as coisas para essa simples mortal aqui?-. Eu pedi apontando para mim.
Ela suspirou, olhou mais uma vez para o espelho e depois se virou para mim.
–Eu fui caçar como te disse. — eu assenti – Mas quando estava prestes a morder o humano eu simplesmente não pude continuar.... algo me impedia, minhas presas subiram e não desceram mais. Uma náusea forte me tomou e eu me senti desorientada.
–Então eu me embrenhei na floresta divagando comigo mesma o que estaria acontecendo comigo. Até que finalmente a verdade me tomou. Eu não posso mais matar humanos Rachel.
Ela terminou essa frase olhando em meus olhos.
– Por que? O que mudou?
– Você me mudou!
– Mas..... eu disse que não me importava, que você podia...
– Não é isso.
– Então por que disse que fui eu?
– Por que meu ser se recusa a fazer mal a sua espécie. Só de pensar que alguém em algum lugar pode fazer o mesmo com você, o meu corpo entra em desespero. Meu ser não aceita mais sangue humano.
Eu olhava boba para ela. Eu disse que não me importava mais com o que ela caçava e era verdade. Mas saber que ela passaria a se alimentar de sangue animal, e que o motivo era eu me fez quase voar de orgulho dela.
– Então, por falta de opção e totalmente por acaso devo acrescentar me vi sendo obrigada a aplacar minha sede com um animal, um leão da montanha para ser mais exata. Na hora não adiantou de muita coisa, mas serviu para me fazer pensar mais racionalmente, então depois de outros "lanchinhos", eu já me sentia momentaneamente cheia pode se dizer.
–E como é? Como se sente?
– É estranho, diferente do que me lembro. Mas como te disse, como parece que não tenho escolha, meu corpo esta aceitando mais fácil dessa vez.
–Sinto muito amor.... eu não queria mesmo que tivesse que fazer mais esse sacrifício por minha causa.
– Ei..... não é nenhum sacrifício...... e não é culpa sua, como disse, meu corpo mudou. E não ha nada no mundo que eu não faça por você.
– E eu por você.
Depois dessa declaração de amor nós nos entregamos ao beijo interrompido, e a todos os desejos do nosso corpo.
(...)
– Me desculpe. Eu queria te receber de uma forma especial, mas eu acabei atropelando tudo com meu desejo por você.
– E por acaso tem maneira melhor de ser recebida do que celebrar fazendo amor com você?
Ela disse de uma forma sedutora sussurrando em meu ouvido, fazendo obviamente que eu ficasse excitada por ela mais uma vez.
Eram 3 da manhã, passamos a noite toda nos amando incansavelmente. Quer dizer, ela nunca cansava, ela era imortal, no caso o espanto de alguém estar incansável aqui era todo meu.
– Mas saiba que eu amei tudo que você fez, ficou lindo. Você é uma mulher romântica, e eu nunca tive isso, mas saiba que estou amando.
Ela falava segurando uma taça de vinho deitada em meu peito.
Sim, ela havia gostado da ideia de bebermos juntas, segundo ela, a única coisa humana que ela poderia degustar comigo.
– Saiba você que eu também nunca fui romântica antes....é você que desperta isso em mim.
–Hum.... e por acaso você teve muitas namoradas antes de mim?
– Quinn... eu ...-. Eu não sabia como lhe dizer isso.
– Desculpe, eu não quis te pressionar-. Ela se sentou e se virou para mim. – Sei que disse a você que seu passado não me importa, não faz diferença, e é verdade. Mas agora que estamos juntas, acho que deveríamos saber tudo uma da outra. Pelo menos eu contei tudo de mim a você.
Ela tinha razão.
– Você esta certa. Então respondendo a sua pergunta, nunca houve outra mulher em minha vida como você. Nunca me envolvi amorosamente com ninguém, nunca me apaixonei ou se quer gostei de alguém.
E com uma forte suspiro tomei coragem e completei.
– Mas em compensação, havia uma mulher diferente em minha cama quase todas as noites.
Ela permaneceu do mesmo jeito que estava, impassível. Mas seus olhos demonstravam toda sua surpresa. Eles brilhavam, neles eu via ciúmes, via surpresa e via raiva.
– Deixe eu explicar..... depois que eu fui embora da casa da Shelby eu vaguei uns tempos pelas ruas. Tentei viver do modo que eu vivia antes, tentei arrumar trabalho, mas eu não conseguia nada, então eu passei a perceber que sempre era assediada por mulheres de diferentes idades..... e passei a usar isso a meu favor. De início as seduzia para pagar coisas para mim, mas com o tempo e a prática..... eu passei a roubá-las. Seduzia mulheres que aparentemente tinham dinheiro, que estavam solitárias ou tristes e as seduzia, levava para cama e depois as roubava.
Ela continuava calada... me analisando.
– Me desculpe Quinn, eu juro que sempre me incomodou o tipo de vida que eu levava, mas foi somente assim que eu consegui sobreviver... e se serve de desculpa, eu não usava todo dinheiro para mim. Eu sempre procurei ajudar crianças que eram de rua como eu já fui um dia. Eu procurava fazer um pouco por elas, o que um dia você fez por mim.
Ela ainda me olhava calada. Seus olhos agora estavam longe. Não mais olhava para mim.
–Céus Quinn, sei que o que eu fazia era horrendo, mas por favor, fale alguma coisa!-. Eu ja estava me desesperando.
Então seus olhos voltaram para mim, ela começou a sacudir a cabeça negativamente e em minha mente eu já visualizava a rejeição vindo da parte dela.
– Não me importa a maneira como você ganhava a vida Rachel. E saiba que para mim, nada do que você fez para sobreviver é motivo para eu te julgar, afinal, roubar mulheres nem de longe se compara a seduzir para depois matar.
– Então....
– Como posso ter esperanças de você gostar de ficar comigo, se já teve tantas humanas com você... Mulheres macias como você, quentes como você, que não precisam refrear a cada segundo o desejo de matar você. Mulheres que você pode dormir ao lado delas sem ter medo delas te matarem no meio da noite?
POV QUINN:
Ela deveria estar com saudades das humanas que já passaram por sua cama.
Sei que sou mais bonita que qualquer mortal, mas também sei que não sou da temperatura dela, agradável e quente. Sei que às vezes a machuco quando a toco, embora ela nunca tenha reclamado, vejo as marcas nela.
Sei também que não sei ser frágil e carinhosa como aparentemente os humanos gostam.
Então, enquanto eu me perdia em pensamentos, ela rompe em uma sonora gargalhada.
Fico com muita raiva na hora, e já pergunto rosnando.
– Posso saber qual é a graça?
– Você meu amor.
E ela ri ainda mais.
Sinto a cólera me tomar, e fica difícil me refrear para não sair rosnando e a ameaçando.
– Ok, ok. Deixe eu te explicar antes que você me mate-. Ela dizia fazendo muito esforço para parar de rir.
– Quinn.... amor — ela dizia já sem rir, apenas com um sorriso no rosto. — Eu aqui, desesperada achando que você me acharia indigna de ficar ao seu lado pelo meu passado desonesto e, no entanto você esta assim, toda nervosa e distante por ciúmes de simples humanas...... mulheres cujo único motivo para estarem em minha cama foi para que eu as roubasse?-. Balançou a cabeça negativamente, ainda divertida. – Como pode se quer cogitar que eu as prefira a você?
– Ora... justamente por serem humanas, como você.
Eu digo, já não sentindo raiva da risada dela, mas ainda sendo alvo da insegurança. Sentimento que só vim a sentir depois que conheci essa humana que virou meu mudo de cabeça para baixo desde o dia que entrou em minha vida quando ainda era uma criança.
POV RACHEL
– Eu não trocaria você nem por mil humanas. Você! E só você que quero. Vê se entende meu amor, eu me encantei ainda criança justamente por você aparentar ser sobrenatural. Sua força, agilidade, sua áurea selvagem.
– Em minha adolescência, quando comecei a fantasiar com você, eram seus olhos vermelhos que eu desejava. No exato momento em que vi seus olhos vermelhos naquele dia em que descobri o que você era eu me senti feliz, por meus desejos serem realizados, você era como eu idealizava. Eu nunca quis o normal, o humano, tudo isso sempre me entediou. Tudo que eu sempre quis, que eu quero, e vou querer para sempre é você! VOCÊ!!
Quinn agora me olhava sem fala. Parecia deslumbrada comigo, assim como eu sempre ficava com ela.
Ela estava sentada no chão da sala vestindo apenas a minha camisa social azul de seda. Agora já toda amarrotada, mas que caia mais que perfeitamente em seu corpo, principalmente pelo fato de que os 4 primeiros botões estarem abertos, fato que fazia com que seu colo e o contorno dos seus seios ficassem a mostra.
– Eu ... como te explicar?-. Ela parecia indecisa.
POV QUINN
– Eu sempre fui uma criatura forte e segura. Sempre me bastei. Mas do que minha natureza, a minha criação me fez ser assim. Nunca quis procurar nada, para nunca precisar de nada. Mesmo quando encontrei os Fabray, apesar de os amar muito, eu nunca me permiti ser dependente deles. Mas com você... eu me surpreendo a cada minuto. Eu fico insegura... com medo de você descobrir a qualquer minuto que eu não basto para você. Com medo de você passar a enxergar as diferenças entre nossas espécies. E eu tenho todo esse medo por que..... por que eu preciso de você, e eu não sei mais existir sem você.
Eu estava nervosa. Nunca me expus tanto.
Rachel me enlaçou pela cintura e sua boca devorou a minha.
Depois de alguns minutos em um beijo intenso e faminto ela falou.
– Eu tive uma ideia hoje logo após você sair para caçar, passei o dia toda insegura do que você acharia, com medo de passar por boba ao te falar isso.
POV RACHEL
Quinn ia falar algo, mas eu a impedi.
– Não por favor, me deixe falar.
Ela assentiu.
– Sei que nada no seu mundo é como o nosso, mas eu quando comecei a pensar em nós tive uma necessidade incrível de fazer uma coisa humana com você, uma coisa que eu nunca imaginei antes, mas senti muito medo de que no fim você achasse uma tolice, algo desnecessário. Mas agora, vendo suas inseguranças, seus temores, e vendo que em grande parte se parecem com os meus, eu vejo que o vou te falar agora nada tem haver com o fato de seres humanos ou de vampiros, tem haver com pessoas que simplesmente se amam e que não podem viver sem sua alma gêmea. Por que eu te amo mais que tudo Quinn, e eu sei que não vivo nem um minuto sem você.
– Por isso.....
Eu me levantei e caminhei até onde estava jogado o meu casaco. O puxei para perto de mim e tirei algo de dentro do bolso.
Ela me olhava atentamente ainda não entendendo o que eu pretendia.
– Sei que no seu mundo isso é muito incomum, talvez até nem exista em seres que não tentam se passar por humanos, mas no meu mundo isso é muito importante, é a maior prova de amor que se pode dar a alguém.
Tomei um longo folego e falei.
– Quinn Agron, você me daria a honra de ser minha esposa. De me permitir caminhar ao seu lado por toda nossa vida?
Olhei em seus olhos e vi que eles brilhavam como nunca eu havia visto brilhar antes...... Quinn parecia querer chorar...
Continua.....
Notas finais
Se comentarem bastante, eu posto outro capitulo hj a noite
Beijos sz
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