Which Side Will Prevail
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Aqui esta o outro capitulo do dia que prometi, eu espero que gostem
Boa leitura.
POV RACHEL
Eu precisava desesperadamente dela.
Não podia negar a mim mesmo, é claro que eu estava com um pouco de medo, mas não deles, e sim da situação em geral.
Agora muitas coisas faziam sentido.
O fato dela sempre insistir que era perigosa. De dizer que o melhor para mim era que ela ficasse longe... de dizer que sempre cuidaria de mim, mas a distância.
Ela nunca ficou sozinha comigo sem parecer muito nervosa.
Algo no rosto dela revelava que era doloroso para ela ficar próximo a mim.
Mas vampiros?
Isso tudo parecia surreal de mais.
Ela queria sair de perto de mim. Dizia que o melhor para mim era ficar a sós com os outros, mas ela estava errada.
Tudo que eu mais precisava nesse momento, era dela.
Precisava dela bem ali comigo, precisa olhar em seu rosto.
Precisava saber cada mínimo detalhe de tudo que a envolvia, pois eu sabia que só depois de entender exatamente o que ela era, é que eu poderia mostrar que eu poderia enfrentar tudo isso e ficar com ela.
Mas antes eu tinha que saber e entender tudo.
Então eu respondi para ela:
– Não estou com medo de você. É só que é muita coisa para... para entender, para acreditar na verdade. Mas eu prefiro que você fique. Eu preciso que você fique.
Ela me olhou de volta. E o tempo pareceu correr em câmera lenta.
O tempo lá fora havia mudado e eu não tinha percebido até agora.
Uma tempestade se aproximava e anunciando tal proximidade uma rajada de vento gelado entrou na casa, lançando assim os longos cabelos de Quinn para frente.
Seus olhos voltaram para mim mostrando estarem surpresos com minha revelação.
E nesse momento o mundo pareceu parar de girar.
Eu nem me lembrava mais que ela era uma vampira, ou melhor, os olhos vermelhos dela pareciam gritar isso para mim, mas não fazia mais diferença.
Ela estava linda, e então eu percebi o porquê que eu sempre fantasiei ela com os olhos vermelhos.
Eles combinavam com ela. Eu a vi assim uma única vez na infância, mas nunca esqueci, pois agora eu percebia, eles completavam aquele rosto.
Com os ventos agitando seu cabelo e com aqueles olhos vermelhos, ela estava mais selvagem que nunca e consequentemente mais linda do que nunca.
Ela exalava charme e perigo. Mas contrastando com tudo isso, estava uma coisa que eu nunca tinha visto antes.
Os seus olhos estavam confusos. Seus olhos eram uma porta para seus sentimentos, eu estava vendo isso. E seus olhos estavam mostrando que por trás de toda aquela ferocidade estava uma mulher, ou vampira seja lá o que for, que estava confusa e com medo, ela precisava de alguém para cuidar dela. E eu seria esse alguém.
Caminhei até ela e a vi recuar um passo.
Estendi a mão para ela.
– Por favor, não fuja de mim Quinn. Eu não tenho medo de você, então, por favor, não tenha medo de enfrentar tudo isso comigo, junto comigo.
– Como pode querer ficar perto de mim depois do que você viu que eu sou capaz de fazer?
– Exatamente por isso. Eu sempre quis você ao meu lado, e agora, depois do que eu vi, eu quero ainda mais.
Ela me olhou deixando bem claro que não entendia nada do que eu estava falando, então me expliquei.
– Você me protegeu. – olhei em volta por um minutos – Todos vocês me protegeram.
Então voltei meu olhar para ela.
–Mas você... você foi ... você para me proteger matou ... matou a mulher que até então você dizia que iria se casar. E você fez isso por mim! Como pode se quer passar pela sua cabeça que eu iria querer distancia de você depois de tudo isso?
– Bom, seria a escolha lógica de uma humana normal.
– Então eu não devo ser nada normal, pois me afastar de você é a última coisa que eu quero.
Então mais uma vez eu estendi a mão para ela e dessa vez ela aceitou.
Eu a olhava bem dentro dos olhos.
Eu me perdia naqueles olhos, cheguei mesmo a esquecer que haviam mais pessoas na sala.
Eu a puxei para mim, e a aconcheguei em meus braços.
– Eu sempre vou querer você assim, bem nos meus braços.
A apertei mais contra mim e a ouvi suspirar, para no segundo seguinte me empurrar e sumir, só indo aparecer do outro lado da sala.
Eu ofeguei de susto. Sem dúvida ainda iria demorar um pouco para me acostumar com tudo que ela poderia fazer.
– Desculpe pelo susto-. Ela murmurou.
Eu tentei ir até ela, mas no primeiro passo que eu dei em sua direção, ela deu outro para trás e as mãos de Marley me seguraram no lugar.
– Não Rachel!
– Mas Marley eu não tenho medo, me deixe ir.
– Filha – Russel falou. – não se trata de medo, você ainda tem que saber muita coisa sobre nós, como nossa sede por exemplo.
– Sede?
– Sem Rachel. Sede. – então Quinn riu amargamente. – Sede de sangue.
Ok. Aquilo realmente me pegou desprevenida. Não deveria eu sei, afinal em todos os livros e filmes divergentes sobre vampiros sempre teve uma coisa que ficou muito clara, vampiros bebiam sangue.
Mas daí a você ouvir da boca de um vampiro que ele tem sede de sangue é uma situação bem diferente.
– Mas... mas vocês sempre ficaram perto de mim, — então eu me virei para Russel. – Você já cuidou de um grande ferimento meu. Então...
– O fato de superarmos a sede não quer dizer que ela não exista Rachel. – Santana falava calmamente.
–Sente-se Rachel, está mais do que na hora de te explicarmos muita coisa. – Russel falou.
POV RUSSEL
Então eu comecei a contar a minha história para ela.
Minha filha tinha muita sorte, eu nunca imaginei que uma humana pudesse aguentar tão bem assim saber sobre nós.
Eu ia contando vagamente sobre minha história para ela. Contei sobre como fui transformado, sobre como descobri que poderia superar a sede por sangue. Contei como depois de algumas décadas eu passei a viver entre os humanos. Passei a ocupar um lugar na sociedade.
– E o que aconteceu depois? Vocês foram se encontrando um a um?
– Mais ou menos isso.
– Nossa, eu nunca imaginei que houvesse tantos vampiros assim no mundo-. Então ela riu envergonhada. – Quer dizer, eu nunca imaginei se quer que vampiros existissem, mas nos últimos minutos que eu soube, eu julguei que vocês fossem raros, mas já que vocês se encontram assim, então deve haver um número razoável de vocês.
– Bom... para ser sincero a sim um número razoável de vampiros no mundo. – então eu olhei para ela. – Mas eu não vou mais mentir para você Rachel, quando eu encontrei cada membro da minha família eles ainda eram humanos.
– O que??
– Filho, por favor, eu não quero que você tenha medo ou raiva de mim, e peço que, por favor, você ouça tudo que eu tenho a lhe dizer com calma e até o fim.
– Tudo bem, eu disse que queria saber tudo, e eu prometo que não vou julgar você Russel, pode me dizer o que quiser.
– Fui eu quem os transformou em vampiros.
Então eu ouvi o ofegar dela.
POV RACHEL
Ok, isso parece que fica pior a cada minuto.
Primeiro a mulher que amo e a família dela não são humanos, são vampiros.
Depois eles fazem o favor de me lembrar que sangue causa sede neles, e agora o chefe da família diz com todas as letras que foi ele quem transformou cada um em vampiro.
Bom, eu disse que não julgaria e estou fazendo um esforço enorme para isso.
– A... até você Judy?
– Bom, eu fui a primeira querido.
– Nossa... eu nunca imaginaria isso... mas vocês... quero dizer, todos vocês quiseram isso?
– Não. – Russel respondeu.
– Nenhum de nós jamais escolheria isso de vontade própria Rachel. – completou Marley.
– Olha, eu estou tentando, mas não estou entendo muito bem. Se eles não escolheram, então você os transformava a força Russel?
– Claro que não filha! Eu jamais faria uma coisa dessas.
– Então...
–Eu vou explicar. Quando eu encontrei cada um deles em momentos diferentes da minha existência eles estava morrendo, tudo que eu fiz foi salvar a vida deles da maneira que eu pude.
–Como assim?
– Veja, Judy lhe disse que foi a primeira. Então veja, eu a encontrei um dia no hospital em que eu trabalhava. Isso foi a mais duzentos anos atrás, os hospitais não tinham a menor condição de cuidar de pacientes graves naquela época, sem contar o preconceito daqueles tempos. Judy havia perdido um filho, o bebe dela havia morrido e ela em desespero havia se jogado de um precipício tentando assim se livrar da dor de perder um filho.
Olhei para Judy na hora e me senti mal por ela, dava para ver em seus olhos que ela estava revivendo esse momento doloroso e na hora me arrependi de ser o motivo de trazer lembranças tão dolorosas a ela, então me apresei em dizer:
– Sinto muito Judy, de verdade.
– Obrigada querida.
Então olhei mais uma vez para Quinn, ela permanecia calada, sentada nos primeiros degraus da escada, ela estava além de todos nós, perdida em seus próprios pensamentos, mas eu podia apostar que ela estava prestando atenção em tudo que era dito ali.
Então Russel continuou.
– Como naquela época havia um preconceito muito grande com quem tirava a própria vida, eles nem ao menos se deram ao trabalho de tentar salvá-la a levando direto para o necrotério, mais tarde quando passei pela porta do mesmo eu pude ouvir um coração batendo lá dentro, então me apressei em entrar e ver do que se tratava. Mas quando a achei infelizmente não havia nada que eu pudesse fazer, mas eu me encantei por ela mesmo com ela desacordada, e para mim foi impossível deixá-la morrer, então eu a levei de lá e a transformei e para minha sorte, assim que ela acordou, ela correspondeu aos meus sentimentos e estamos juntos até hoje.
Eles terminaram de contar a sua história e se beijaram como que para reafirmar o amor que sentiam.
Foi inevitável não se emocionar com tal relato.
– Continuando minha filha, a próxima que encontrei foi Brittanny, ela estava trancada em um sanatório, achavam que ela era louca e naquela época tratavam dos loucos com terapias de choque, e bom, em um dia exageraram no tratamento dela e acabaram por quase matá-la. Fui chamado as pressas para atendê-la e vendo que seu caso era muito grave e vendo que a família dela claramente preferia que a filha morresse logo assim acabaria a vergonha deles eu me apressei em declarar a morte dela e sair dali só para poder voltar em minha velocidade e levá-la comigo para transformá-la. Judy quase enlouqueceu de felicidade quando Brittanny despertou grata por termos salvo a sua vida decidiu viver conosco.
– Já com Marley 5 anos depois foi diferente. Judy estava andando tarde da noite nas ruas de nova York quando ouviu Marley gritando por socorro, ao chegar ao local encontrou 3 homens violentando nossa menina.
Olhei horrorizada para Marley que agora era embalada por Puck e abraçada por todos da família inclusive Quinn.
– Judy na hora não se controlou e confesso que ela matou os humanos que violavam Marley. Quando se voltou para a mesma novamente viu que ela estava fraca de mais, mas como Judy era muito nova ainda, não controlava sua sede muito bem ela trouxe Marley para mim, para que eu a transformasse e foi o que eu fiz.
Ele andou até a filha e a abraçou.
– Me desculpe pelo que eu vou dizer agora Rachel, mas eu nunca recriminei Judy pelo que ela fez, sei que deve ser duro para você ouvir isso, mas eu teria feito o mesmo que ela.
Na mesma hora eu concordei com ele.
– Jamais julgaria algum de vocês por isso. Qualquer um com capacidade e um pouco de decência faria o mesmo.
Eu pude vislumbrar que relembrar isso não fazia mal somente a Marley, eu podia ver claramente o quanto Puck estava abalado, ele estava com as mãos fechadas em punho e eu poderia jurar que ele poderia derrubar várias árvores agora, tamanho ódio que ele deveria estar sentindo. Ele amava Marley demais.
Então olhei para Quinn mais uma vez e fechei os olhos, como eu poderia cogitar julgar algum deles. Eu balancei a cabeça. Eu ainda nem sabia a história de Quinn, mas a julgar pelas últimas que eu ouvi algo me dizia que não seria boa, e que os deuses me perdoassem, mas se alguém tivesse ousado machucar a minha Quinn, eu gostaria de reviver o desgraçado só para poder matá-lo novamente com minhas próprias mãos.
Abri meus olhos e falei mais uma vez.
– Acredite, entendo você perfeitamente Judy!
Ela pareceu relaxar com a minha compreensão e Russel voltou a falar.
– Deixe eu te contar a história dos outros.
Eu assenti e esperei. Eu nem imaginava o que ainda estava por vir, e eu só pensava em como seria ouvir a história de Quinn.
POV QUINN
Eu ainda não acreditava. Rachel ainda permanecia sentada ouvindo cada relato saindo da boca de Russel.
Em momento algum ela se levantou, tentou fugir, ou se quer se mostrou chocada com o que ouvia.
Como ela consegue?
Estou agora aqui, sentada afastada de todos. Meus olhos vagando pela sala, mas sem nunca olhar realmente nada.
Eu conheço a história de cada um deles de cor. Já a ouvi há cem anos. Sei como cada um se sentiu, sei como Russel se sentiu ao transformá-los. Sei como essa família é unida.
Mas a única coisa que realmente me importa agora, tudo que eu ouço são os batimentos do coração dela.
Coração que a cada batida mexe comigo. A cada batida descompassada, que mostra o quanto ela se assusta com os fatos, me faz tremer... tremer de medo dela ir embora e nunca mais voltar.
Eu não estou entendendo nada. Como eu posso estar tão confusa? Como tudo pode ter mudado tanto em apenas umas três horas?
Essa manhã eu estava certa da minha união com Ashley. Certa que queria Rachel como uma amiga, já que não a tinha mais como filha.
Mas, depois da declaração dela. Depois de ver a possibilidade de ver ela morta pela mão de um ser da minha espécie, eu passei a ver ela de outro jeito.
Sempre soube desde que a encontrei que minha vida estaria ligada a ela, de uma forma ou outra, estaria sempre presa a ela, para sempre.
Mas nunca, jamais, imaginei que... que fosse dessa forma. Eu nem sei descrever o que estou sentindo.
Nunca antes senti nada disso. Meu peito, no lugar onde deveria ter um coração batendo, tem agora um oceano em fúria. Parece que cada sentimento que eu tenho desde que fui transformada resolveu aparecer agora de uma vez.
Força, medo, tristeza, alegria, dor, felicidade, inquietude, tensão, confiança...
Enfim, todos e de uma só vez. Chega a ser difícil para respirar.
Cada respiração dela faz meu corpo vibrar, duas vontades lutando para sobrepor a outra. Vontade de fugir para protegê-la de mim, do que eu posso fazer a ela, e a vontade de ficar ao lado dela.
De... de experimentar tudo que ela me ofereceu.
Peguei-me olhando para ela e me perguntando como seria... provar dos lábios dela, como seria ser tocada por ela.
Nossa, meu corpo inteiro parece tremer só de pensar nessa possibilidade. Meu corpo ansiando pela possibilidade... aumentando a cada minuto de expectativa a vontade que se tornou única dentro de mim. Tomá-la para mim.
Faze-la minha e me tornar dela.
NÃO!!!!!
Minha mente gritou de algum lugar.
Isso seria o mesmo que sentenciar a morte dela.
Me levantei para me mover um pouco, tentar tirar aquelas ideias da minha mente.
Santana veio atrás de mim. Andando como um felino, quieta e mansa.
Acho que ela não queria que Rachel percebesse a movimentação. Todos ali tentavam ao máximo deixá-la à vontade para absorver tudo que era despejado em cima dela.
Então, manente como veio, ela me abraçou por trás, me embalando e sussurrando de tal forma que Rachel jamais ouviria.
– Não adianta lutar Quinn. Agora que você finalmente descobriu o que sente, você precisa se deixar levar.
– Você sabia?-. Eu também estava sussurrando.
– Sempre soube.
– Foi isso que quis dizer anos atrás quando eu os deixei com Rachel?
– Vejo que agora finalmente começa a entender.
Então eu me virei para ela.
– Como? Como pode... quer dizer, eu nunca olhei para ela assim, ela era uma criança!
– Sim Quinn, mas você a adorava. Assim como ela a você. Ambas, por serem tão sozinhas na vida e por não terem amor confundiram os sentimentos. Ela achava que a queria como mãe e você a ela como filha, mas nunca foi isso. Ela não sabia expressar ainda por ser apenas uma criança, mas acredite, assim que ela amadurecesse um pouco, ela entenderia o amor que sempre sentiu por você. E você Quinn...
Santana sorria para mim, como quem esta contando adiantado o presente que vai ganhar de natal em segredo.
– Você por nunca ter amado antes, apenas julgou convenientemente que a amava como filha por ser mais fácil para você. Aproveitou-se da idade dela para camuflar seus sentimentos. Assim como há dois dias propôs ser apenas amiga dela. Mas você sempre a amou, mas por temer tanto esse sentimento, escondeu ele tão profundamente que até para você era difícil saber.
– San... ela tinha 8 anos!! Como eu poderia me apaixonar por uma criança?
– Quinn, você bem sabe que isso para nossa espécie não importa. Você já ouviu falar de muitos vampiros que quando encontram sua alma gêmea em uma criança humana simplesmente a levam consigo e esperam que ela tenha idade suficiente para poder explicar e ... bom, você sabe.
– Isso jamais vai acontecer!!!
– Não tem como evitar.
– Nunca! – eu me exaltei com ela.- Ouviu bem Santana? Nunca vou permitir!
– Você não terá escolha.
– Eu não farei isso. Alias, toda essa conversa é inútil. Eu jamais me aproximarei dela assim, dessa maneira.
– Não adianta fugir Quinn. Ela te ama! Ela já sabe, entende e quer isso. Você mesma viu, ela não se importa com o que você é, ela quer você. Acha mesmo que Rachel não vai querer isso? É a lógica, é sempre assim que acontece.
– Dessa vez não será. Eu não irei permitir. Irei embora de novo se precisar. Sumo e nunca mais volto.
O rosto de Santana se contorceu em dor.
– Se é difícil para mim sentir isso imagine para você. Não acho que você consiga. Pense Quinn, feche os olhos e imagine sua vida sem nunca mais ver Rachel.
Eu tremi com as palavras de Santana, mas ainda sim eu fiz.
Fechei meus olhos e me vi vagando solitária de novo. Eu não sabia bem onde estava, não conseguia ver nada a minha volta, tudo parecia escuro e vazio.
Parei de respirar, uma dor violenta invadindo meu peito. Desespero... esse era o sentimento que tomava conta de mim. Eu parecia não existir sem Rachel ao meu lado... não, não era isso. Eu não queria existir sem ela ao meu lado.
Abri rapidamente meus olhos apenas para me assegurar que ela continuava sentada ali naquela sala, e fui tomada por uma necessidade avassaladora de tocar nela. De simplesmente sentir sua respiração batendo contra minha pele para me provar que ela era real e estava ali.
– Viu minha irmã?! Você não consegue. Não lute contra Quinn. Aceite, vocês estão ligadas. Uma esta no destino da outra.
Eu já ia rebater o que ela falou quando a voz de Rachel chamou a minha atenção.
– Mas se não foi você que a transformou Russel quem foi então? – ela dizia
– Essa é a história dela Rachel, acho que quem tem que te contar é ela.
Então todos se viraram para mim.
Todos ali menos Rachel tinham ouvido minha conversa paralela com Santana, sabiam que além de ter que tocar no assunto que eu mais odiava no mundo, eu já estava fragilizada demais por todas as descobertas recentes.
– Eu... – eu gaguejava — Eu preferia não ter que falar nada agora.
– Por favor Quinn, eu preciso saber.
–Rachel, talvez você deva dar um tempo a Quinn. – Marley falou colocando as mãos nos ombros de Rachel, como que para confortar e reforçar o pedido dela.
Mas recusou tal oferta, em vez disso ela se levantou e andou até o meio da sala e falou diretamente para mim.
– Conte-me, por favor. Eu preciso... vamos até o fim com isso Quinn. Eu estou aqui, não vou a lugar nenhum, não importa o que você me diga.
E com as palavras dela rodando em minha mente eu tomei coragem para contar minha história.
Mas a promessa dela era tanto o que eu mais queria como o que eu mais temia.
Não importava o que eu dissesse, ela nunca iria embora, eu estava vendo isso.
Será que para fazê-la entender, eu teria que mostrar?
POV RACHEL
Eu ouvia atentamente cada palavra que saia da boca de Russel.
Cada vez mais me assustava como a vida pode escapar de nós das maneiras mais improváveis.
E de como justamente vampiros poderiam ser muito mais humanos do que os próprios.
Eu olhava para todos na sala e no momento eu não me imaginava em um mundo onde cada um deles não existisse. Cada um a sua maneira se tornou essencial em minha vida. Eu percebia o medo no olhar de Russel. Ele tinha medo de que em algum momento eu não entendesse os motivos dele em transformá-los, mas eu o entendia perfeitamente.
No lugar dele faria o mesmo se eu pudesse.
Em determinado momento eu percebi que Santana e Quinn conversavam aos sussurros em um canto afastado da sala.
Me perguntava sobre o que falavam, e se um dia eu teria tamanha liberdade e intimidade com ela, tanto em conversar como em tocar.
Santana estava a abraçando por trás, a embalando enquanto falava algo baixinho em seu ouvido.
Eu sabia que ali elas eram apenas duas irmãs conversando, mas não pude deixar de sentir ciúmes com isso. Não ciúmes de Santana, mas da liberdade que ela tinha.
Me imaginei com ela desse jeito em meus braços. Todo meu corpo vibrou com a possibilidade.
Era tudo que eu mais queria. Ter a chance de mostrar a ela o quanto eu a amava, quanto amor e carinho eu podia dar a ela.
Eu podia fazê-la me amar, só precisava de uma oportunidade.
Me voltei ao que Russel falava.
– Com Santana é que tudo foi meio diferente.
– Como assim? – Eu quis saber
– Bom, nós ainda não contamos, mas... Bom Brittanny tem um dom Rachel.
Ele falava devagar testando minhas reações.
– Como assim dom?
– Eu posso ver o futuro.
–O... O que?
Ta, isso já era demais para mim. Daqui a pouco um vai dizer aqui que eles criam unicórnios no jardim dos fundos.
– Sim, eu vejo o futuro. Não é sempre. Sei lá. Às vezes as visões simplesmente aparecem para mim. Normalmente sobre coisas que envolvem nossa família. Às vezes coisas importantes, às vezes banalidades. Mas não é nada que eu controle, elas simplesmente aparecem. E foi assim que um dia eu vi a Santana.
Todos nós olhamos para ela nessa hora, mas ela nem se virou e também ninguém estranhou isso. Ela continuava sua conversa com Quinn, agora uma de frente para a outra. E isso não abalou a Brittanny nem um pouco, ela olhava para ela com um sorriso bobo no rosto, o mesmo que eu tinha quando olhava para Quinn, eu tinha certeza.
– Com o tempo eu me apaixonei por ela, mesmo só a conhecendo através de minhas visões. Eu a procurava, cheguei a viajar em busca dela, tendo alguns pontos de referencias em minhas visões, mas nunca a encontrei. Passava horas apenas de olhos fechados lembrando dela, do seu rosto, do seu andar, da sua voz.
– Acredite Rachel, quando ela fala horas ela quer dizer horas mesmo. – esse é claro tinha que ser o Puck falando. – Ela chegou a passar dois dias inteiros trancados dentro do quarto apenas “ lembrando “ de Santana. Me lembro de brincar com ela dizendo que quando ela finalmente a encontrasse já estaria enjoada da cara dela.
Ele gargalhou no fim do comentário e fez todos os outros darem uma risada discreta, mas nem isso abalou Brittanny em seu relato.
– Depois de um ano tendo visões com ela, Russel achou melhor pararmos de procurá-la.
– Eu dizia a ela que se Santana estava no futuro dela, ela não precisava procurá-la, uma hora Santana viria a ela.
– E embora muito relutante acabei concordando. Afinal, nada em minhas visões indicava que um dia eu iria encontrá-la, e como para provar isso estava as inúmeras vezes que viajamos a procurando e nada. Eu nem ao menos sabia o seu nome, apenas conhecia seu rosto e sua voz. Depois de dois anos tendo visões com ela eu aprendi a esperar e simplesmente me deixar amar um rosto em minha mente. Até o dia em que eu tive uma visão diferente.
– Nós estávamos caçando e eu vi que Russel encontraria alguém ferido e tentaria desesperadamente salva-lo enquanto ao mesmo tempo éramos atacados por uma vampira. Ao avisá-los decidimos correr para o local da minha visão e no caminho encontramos um cavalo selado correndo sozinho. Na hora eu reconheci o cavalo, era o cavalo da minha Santana, o que ela sempre usava. Então eu corri mais rápido. Ao chegarmos no local nos deparamos com uma vampira debruçada sobre ela sugando seu sangue. Na hora ela a largou e se virou para nós nos atacando. Russel na hora foi ajudá-la enquanto nós enfrentávamos a fêmea. Lutamos com ela e logo a matamos. Quando voltei para onde Russel estava com ela eu avisei a ele que se eu tentasse salva-la, ela morreria, eu vi. Só havia tempo para uma coisa...
– Você pediu para que Russel a transformasse. – eu afirmei
– Sim. Eu sabia que era o único jeito. Depois a levamos para nossa casa e esperamos.
– Sabe qual foi a primeira coisa que essa louca fez quando a coitada da Santana abriu os olhos? – mais uma vez foi o Puck .
Mas dessa vez todos gargalharam.
– Brittanny brigou com Santana por fazê-la esperar dois anos por ela. Ela disse com as mãos na cintura e batendo o pé no chão: “ Não é nada educadoter me deixado esperando, ainda mais por dois anos. E eu só vou lhe perdoar se prometer nunca mais me fazer esperar por nada.” E depois se atirou no colo dela a dando um enorme beijo. A coitada não teve nem chance de escolher, Brittanny literalmente ocupou a vida dela.
– Não deixe que o Puck a engane Rachel – Marley falou – Santana se apaixonou por ela a primeira vista também. Logo após explicarmos tudo a ela, Santana se apressou em pedi-la em namoro e na semana seguinte em casamento. Acho que a latina levou a sério a ameaça da louca.
– Louca é a sua ...........
– Ei! Eu sou a mãe dela também Brittanny-. Judy a repreendeu.
– Desculpa mãe, foi mal.
Todos riam descontraidamente, mas uma vez provando o quanto unidos, amorosos e “normais “ eles são.
– E a Quinn? Qual que história dela Russel?
Todos se entreolharam.
– Não fui eu quem a transformou Rachel.
– Mas se não foi você que a transformou Russel quem foi então?
Era chegada a hora que eu mais temia, e pelo visto eles também estavam tensos.
– Essa é a história dela Rachel, acho que quem tem que te contar é ela.
Todos nós na hora olhamos para ela que pareceu perceber e interrompeu seu assunto com Santana. Ela se virou para nós e me olhou nos olhos. Eu via medo neles. Ela estava assustada.
– Eu... Eu preferia não ter que falar nada agora.
– Por favor, Quinn, eu preciso saber.
E eu precisava mesmo, precisava logo deixar todas as dúvidas e incertezas para trás. Precisava dela transparente para mim.
–Rachel, talvez você deva dar um tempo a Quinn.
Marley falava e fazia força me segurando pelos ombros, em um pedido mudo para que eu acatasse o seu pedido e não saísse do lugar, mas eu não aceitaria aquilo. Nada mais no mundo me afastaria de Quinn.
Tentei dar um passo a frente e Marley vendo que eu não desistiria me soltou. Andei até o meio da sala. Minha vontade era ir até ela, mas algo dentro de mim me avisava que ela precisava de algum espaço. Espaço para pensar. Então eu parei ali e apenas pedi.
– Conte-me, por favor. Eu preciso... vamos até o fim com isso Quinn. Eu estou aqui, não vou a lugar nenhum, não importa o que você me diga.
POV QUINN
Eu tremia por dentro.
Não acreditava que iria falar disso justamente com ela. Mas eu nunca fui covarde antes, e não seria agora que eu iria começar.
Endireitei minha postura e andei até Rachel.
– Tudo bem, já que faz tanta questão.
Eu não tinha intenção de ser ríspida com ela, mas já fazia parte da minha personalidade, eu não sei ser corajosa e confiante sem ser fria.
Dei as costas a Rachel e senti que ela se sentava novamente assim como todos.
– Eu tenho 196 anos Rachel.
Ouvi o ofegar dela.
– Fala aí Rachel! – claro que tinha que ser o Puck. — Essa coroa qualquer um pegava. Eita vovó gostosa!!
Marley e eu olhamos para ele na hora e rosnamos.
Ele levantou as mãos se rendendo.
– Ei! Não precisam arrancar minha cabeça não, desculpa.
Mas para minha surpresa quem falou foi Rachel.
– Acredite Puck, não estou nem aí se você é um vampiro, se falar assim dela de novo, eu arranco suas bolas entendeu?!
Todos olharam para ela embasbacados, inclusive eu.
– Que foi? – Rachel perguntou quando percebeu os olhares.
E mais uma vez Puck explodiu em uma sonora gargalhada.
– Isso é que é uma humana corajosa! Gostei de ver. Pode deixar que eu vou me comportar Rachel. Foi mal Quinn, eu falei com todo respeito.
Dei as costas a eles de novo decidindo ignorar o Puck.
– Você uma vez me perguntou quantos anos eu tenho, por isso eu decidi te falar logo a verdade. Tenho 196.
Respirei fundo e fechei os olhos. Ouvi o coração dela batendo fortemente descompassado, mas acho que se eu tivesse um estaria da mesma maneira.
– Eu tinha uma família amorosa. Unida. Eu ainda uso o sobrenome deles... Agron.
Eu sussurrei a ultima parte, mas sei que deu para ela ouvir.
Ainda estava de olhos fechados. Era horrível para eu falar disso. Doía mais que tudo.
– Eu não sou americana. Nasci na Itália, no ano de 1816. Não nasci em uma família rica, meu pai, Ronald S. Agron era ferreiro, mas nunca faltou nada em nossa casa, nem para mim e nem para meus irmãos, Ane Marie, Dianna e Jason. Sempre tínhamos comida quente em nossa mesa, brinquedos e roupas a vontade, e a minha mãe Mary, ele tratava como uma verdadeira rainha.
Virei-me para olhar para Rachel.
– Éramos muitos felizes Rachel. Minha mãe era uma excelente esposa, mãe e dona de casa como a época exigia. Ensinava para mim e minhas irmãs tudo que ela sabia, para que como ela fossemos um dia uma excelente esposa. E meu pai ensinava meu irmão como ser um homem de verdade.
Andei para longe deles, ficando de frente a janela.
– Eu amava todos meus irmãos, mas tinha mais afinidade com Jason, acho que devido a ele ter uma idade mais próxima da minha. Eu tinha 18, ele 17 e Ane e Dianna eram gêmeas, tinham 5 anos. Como eu já estava em idade de casar, meu pai procurava um bom marido para mim, como era o costume da época. Lembro-me que ele me prometeu que não me obrigaria a casar com alguém que eu não gostasse, já que eu vivia lendo inúmeros livros de romances e dizia que queria me apaixonar.
Parei e ri de mim mesma.
– Como eu era boba e ingênua. Meu pai como o bom homem que era disse que respeitaria minha vontade, mas que ele tinha que aprovar quem eu escolhesse, e que esse alguém teria que ter condições de me dar uma vida no mínimo como a que eu tinha. Ele dizia que qualquer homem inteligente se apaixonaria por mim na hora, vivia dizendo que eu era especial, linda como minha mãe, prendada e inteligente. E eu vivia sonhando acordada com o dia que meu príncipe iria chegar.
Suspirei e continuei
– Um dia, na vila em que morávamos chegou a noticia de que havia um estrangeiro de passagem por lá. Como a curiosa que eu era, logo dei um jeito de tentar ver quem era o motivo de cochichos da vila. Disse a minha mãe que iria até o trabalho do meu pai para levar para ele um pedaço da torta que eu havia feito. No meio do caminho esbarrei no tal estrangeiro.
– Ele era lindo, lindo de mais até. Isso já deveria ter me avisado que havia algo errado com ele. Lembro-me de sentir frio quando esbarrei nele, ele era gelado, mas como estávamos no inverno e nevava eu não estranhei tanto. Quando ele olhou para mim, ele sorriu de uma forma estranha e continuou andando. Lembro que um frio percorreu meu corpo, como que um aviso de que havia algo muito errado com ele. Fui ao trabalho do meu pai e pedi ao meu irmão que me acompanhasse ate a nossa casa alegando um súbito mal estar, mas a verdade é que eu estava com medo.
– No mesmo dia quando meu pai chegou em casa ele me proibiu de sair na rua novamente enquanto o estrangeiro estivesse na vila. Ele não explicou o motivo não querendo nos assustar, mas a noite eu ouvi uma conversa dele com minha mãe. O tal estranho me seguiu e viu aonde eu entrei, e depois que eu saí ele foi até meu pai, perguntou por mim e quando soube que eu era sua filha ele quis me comprar. Meu pai havia ficado uma fera e tentou bater no estrangeiro, mas segundo meu pai o tal homem “possuía uma força fora do normal”, e havia deixado bem claro que me queria para ele. Disse a minha mãe que iríamos todos no dia seguinte passar uns dias na casa da sua família em outra vila não muito distante dali e que só voltaríamos quando ele tivesse certeza de que o homem tivesse ido embora. Infelizmente não tivemos nem tempo de tentar fugir...
Notas finais
Comenteeeeeem sz sz
Até o proximo... Amanha eu vou participar de um evento voltado para a comunidade na faculdade, entao nao sei se vou conseguir postar... MAS quem sabe...
Beijos
sz
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