Notas iniciais
Hey meus amores aqui esta o novo capitulo, eu nao consegui postar ontem como havia prometido, pq o site estava em manutençao

PS: Eu sei que todos estao odiando a ashley, mas nao se preocupem... ela nao vai ficar muito tempo com a Quinn, ashley tem uma pequena importancia no desenrrolar da história, mas ja ja ela desaparece ;)

Bom... era isso... Boa leitura
sz

POV RACHEL

Já haviam se passado horas e eu ainda andava sem rumo. A raiva e a saudade eram tão grandes dentro de mim que eu simplesmente não conseguia pensar. Se eu ao menos tivesse algum amigo para ligar e conversar.

Mas não. Eu sempre optei por esse estilo de vida. Só.

A minha lógica era simples, se eu vivesse sozinha nunca mais ninguém iria me abandonar. Bom, sempre funcionou. Eu nunca mais fui abandonada, por que eu nunca mais tive ninguém. Eu era a criatura mais sozinha que eu conhecia. Nunca, em todos esses anos... nunca encontrei ninguém tão sozinha quanto eu.

Eu queria tanto evitar o sentimento de abandono que acabei ficando sozinha do mesmo jeito, e quer saber? Tanto a solidão como o abandono tem o mesmo gosto, doem do mesmo jeito.

Mas a frente eu vi uma praça com alguns casais e famílias passeando.

Sem pensar muito eu me sentei em um banco e fiquei observando. Como tinha feito toda minha vida.

E depois de alguns minutos algo chamou a minha atenção.

Um casal que conversava animado em um banco próximo ao meu se beijaram. E isso fez meu peito se apertar.

Eu também sentia falta disso. Mas não com qualquer uma. Com “ela”. Sempre teve que ser ela, desde que eu comecei a enxergá-la dessa maneira, desde os meus 16 anos.

Mas apesar de finalmente tê-la encontrado depois de tantos anos isso estava ainda mais impossível do que antes.

Nas minhas fantasias, devido ao tempo em que passamos separadas, ela havia superado a imagem que tinha de mim criança e se encantava por mim assim que me via se dando conta da mulher que eu me tornei.

Afinal, todas as mulheres que eu conheço se deslumbram comigo assim que me veem.

Mas não. Pelo contrário. Ela ainda me vê como uma criança, uma jovem adolescente no máximo.

E para piorar tudo, ela estava comprometida há dois anos.

Eu as vi juntas. Elas eram bem íntimas. E Ashley agia tão despreocupadamente ali no meio da família dela, o que só confirmava o grau de comprometimento delas.

Quinn havia dito para mim que não podia dizer que a “amava”.

Mas Ashley dizia o tempo todo como amava ela. E quem não amaria?!

Seu jeito deslumbrante, sua postura impecável, seu olhar selvagem e sedutor.

Eu ri comigo mesma. Seu jeito super protetor. Não eu não era mais uma criança, mas amei ver ela se preocupando comigo.

E eu que quando a imaginava, pensava que a maior barreira que teríamos seria a diferença de idade.

Bufei. Essa nem parecia existir, pois eu sou capaz de jurar que ela não envelheceu nem um dia sequer.

Ela passaria facilmente por uma jovem da minha idade.

Não me lembro dela falando a idade que tinha quando nos encontramos, mas no mínimo devia ter uns 17/18 anos. Então agora ela deveria ter uns 29. Dez anos a mais que eu. Não me parecia muita coisa. Será que ela me acharia muito imatura?

Eu nunca fui do tipo adolescente. Sempre fui quieta e introvertida. Mesmo quando fugi de casa. Nunca me deixei levar por nada. Sempre soube cuidar de mim.

Tudo bem que de uma maneira bem errada, mas cuidei não foi? Sobrevivi até aqui.

O que será que ela achava de mim?

Sacudi a cabeça e me levantei.

Como eu sou patética. Estava na cara que ela não me via assim.

E para piorar, ela tinha uma namorada certa para a idade dela. Bom, pelo menos ela aparentava ser mais velha que Quinn . Tinha um semblante sério. Muito sério. E ciumento.

Ficou muito claro para mim que ela não gostava de mim. Provavelmente pela maneira que ela me encontrou, a um passo de beijar a Quinn.

Saí do parque e continuei andando.

Minha cabeça começou a latejar.

Eu acabaria maluca assim. Como chegar a uma conclusão quando eu só podia debater comigo mesmo.

Mas então eu lembrei.

Não custa tentar. Tudo bem que não nos conhecemos, mas do jeito que ela adora falar da vida alheia, não duvido que ela se negue a debater as possibilidades que a minha vida ganhou.

Fiz sinal para um taxi que passava.

– Por favor, me leve a Paradise.

POV Quinn

Eu voltei para casa.

Eu ria comigo mesma. Havia afinal alguma coisa de bom na minha sede descontrolada pelo sangue de Rachel. Eu diminuía drasticamente o número de criminosos nas cidades por perto.

Cinco. Eu drenara cinco humanos. Um estuprador, dois sequestradores e dois traficantes.

Eu não consegui caçar aleatoriamente hoje. Eu até comecei assim, mas assim que me aproximei de uma mulher eu a imaginei como Rachel. A filha de alguém. A irmã de alguém. Essa ideia me apavorou.

Eu parei na mesma hora. Voltei então aos métodos que eu tinha a mais de uma década atrás. Caçar os humanos maus. Isso era melhor pelo menos.

Entrei em casa olhando em volta, ninguém a vista.

– Brittanny você está me saindo uma péssima anfitriã, ou uma péssima vidente. Cadê você que não vem me recepcionar?

Ela apareceu em seguida, e como eu imaginei me dando a língua.

– Fique você sabendo que eu sou uma excelente anfitriã e vidente, apenas acho desnecessário vir te recepcionar, uma vez que esta casa também é sua.

Eu fiz um gesto de descrença e foi Puck quem respondeu.

– É isso aí maninha. Não importa quantos sacrifícios nós teremos que fazer, sempre vai ser nossa irmã e a nossa casa é sua casa.

Então nesse momento Ashley entrou pela porta e ao me ver correu em nossa velocidade e me pegou nos braços me beijando. Um longo e delicioso beijo. Então Puck falou:

– Falando em sacrifícios que fazemos por você...

Eu me separei de Ashley rindo.

– Então... Cadê a Rachel?

E todos ficaram em silencio.

– O que foi? Onde ela está?-. Comecei a me preocupar

– Quinn. – Santana começou – Nós tivemos uma pequena conversa com Rachel essa manhã, ou melhor, nós tentamos ter, mas não foi muito bem.

– Que conversa?

– Ela está muito ressentida com todos nós. – Marley tomou a frente do assunto. – é muito difícil para ela. Então ela disse que tinha que espairecer um pouco. E foi dar uma volta.

– A que horas?

– Não muito depois que você saiu.

Eu olhei para o céu. O crepúsculo estava próximo.

– Mas eu sai de manhã, já estamos no fim da tarde. Onde ela pode ter se metido?

– Quinn. – Brittanny chamou, mas ela estava presa em uma visão. Então 5 segundos depois ela se virou para mim.

– Ela está em Paradise. Ela vai se drogar de novo.

Antes de ela terminar a frase eu já corria porta a fora. Ainda ouvi Ashley gritar por mim, mas ignorei totalmente. Eu só tinha uma coisa na minha mente agora. “Rachel.”

POV RACHEL

O táxi me deixou em frente ao meu apartamento. Eu pedi que esperasse, subi para pegar o dinheiro que ainda tinha lá e o paguei.

Arrumei minhas coisas, que ironicamente cabiam em uma única mochila. Acertei o aluguel do apartamento e entreguei as chaves.

Mesmo não sabendo se eu queria ficar na casa dos Fabray’s, eu sabia que já estava na hora de eu deixar aquela cidade. Essa era uma das únicas duas regras que eu tinha.

1º Nunca me envolver com ninguém,

2º Nunca ficar muito tempo no mesmo lugar.

Então eu virei e fui caminhando em direção ao último bar em que eu estive na outra noite.

Demorou um pouco até eu encontrá-lo novamente. Mas assim que eu entrei eu percebi que ainda era muito cedo. Não tinha ninguém ali ainda. Apenas funcionários, limpando e arrumando.

Olhei em volta para ver se achava a garçonete, mas também não tive sorte.

Então enquanto me virava para sair dali eu ouvi a sua voz.

– Nossa, isso tudo vontade de voltar a caçada novamente ou você veio procurar uma certa garçonete intrometida?

Ou me virei e lá estava ela. Carregava duas pilhas de engradado de cerveja em lata. Com certeza estava abastecendo o freezer.

– Eu vim te procurar.

– Eu falei ontem que tenho namorado. Pode tirar o cavalinho da chuva-. Falou divertida.

Eu a olhei desnorteada.

– O que... não , não é isso, eu só queria...

– Ei, relaxa. Eu só estou brincando.

– Eu só... bom eu precisava conversar e não conheço ninguém por aqui. E como você parecia tão à vontade ontem em tentar me entender...

– Sei, sei. Todo mundo gosta de desabafar com o garçom não é?! – ela começou a rir.

Então colocou os engradados em cima do balcão.

– Você tem algum tempo livre? Quer dizer... não sei, alguma hora de folga?

– Folga eu só tenho amanhã, mas nem vem, eu passo todas as minhas folgas com meu namorado. Mas eu posso descansar por meia hora. Quer conversar lá fora?

– Seria muito bom.

– Eric-. ela falava com um cara que estava atrás do balcão. – avise ao Tayler que vou fazer minha pausa agora.

O cara apenas assentiu com a cabeça e pegou os engradados.

Ela indicou a porta e pegou um casaco atrás do balcão.

Ao sair pela porta reparei que já era fim de tarde. O frio já começava a se mostrar presente.

O por do sol e o vento balançando os galhos de árvores davam um ar aconchegante a cena. Daquelas que você gosta de compartilhar com alguém. Então eu soltei um suspiro.

Em tal cena estava eu, mas com uma completa estranha por simplesmente não ter alguém para conversar.

– Eu estava certa naquele dia não estava?

Olhei para trás e estava a uns dois passos de mim me olhando cuidadosamente.

– Sobre....

– Sobre o vazio em você não ser preenchido por aquela mulher.

Eu olhei para o outro lado da rua e vi um banco.

Indiquei o lugar para ela e caminhei para lá me sentando.

– Sim, estava.

– Eu sabia. A propósito, me chamo Cassandra.

– Rachel.

– Muito prazer Rachel.

– Como faz isso, como consegue falar tão facilmente com as pessoas, entendê-las tão fácil?

Ela deu um sorrisinho.

– Bom, falar com pessoas é muito comum. Sabe, todo mundo é rodeado de uma multidão de pessoas. Eu só acho que é um desperdício você dirigir a sua atenção apenas as pessoas que você conhece. Todos nós poderíamos conhecer inúmeras pessoas todos os dias se nos dispuséssemos simplesmente a ser educados com todos a nossa volta. Sei lá, eu só gosto disso. Acho que se deve ao fato de eu ter tido sete irmãos.

– Sete? Sério?

– Sim, — ela ria – eu tenho 2 irmãos na verdade. Mas meus pais faleceram muito cedo. Eu tinha apenas 6 anos e era a mais nova. Então fomos morar na casa de uma tia avó da minha mãe. Só que ela morava com uma filha que tinha dois filhos e com mais dois sobrinhos que também tinham perdido os pais. Éramos quase todos da mesma idade. Íamos de 6 anos que era eu a 12 anos que era meu irmão mais velho. O engraçado é que eu me lembro que era muito tímida antes, mas depois que tive que morar com todos eles eu mudei drasticamente. Sei lá. Acho que se chama adaptação.

Ela ria e eu a acompanhava.

– Eu gostaria disso. De viver no meio de muitas pessoas. De não me sentir tão sozinha.

– Mas você não está sozinha Rachel.

Eu olhei para ela sem entender.

– É como eu acabei de te dizer. Você apenas tem que olhar para as pessoas que tem ao seu redor. Tem que se abrir para elas.

– Eu gostaria de ser capaz disso.

– E qual a dificuldade?

– Eu... eu fiquei órfã muito cedo e tive que viver nas ruas.

Olhei de soslaio para ela e percebi que ela abriu levemente a boca em sinal de espanto.

– Então quando eu tinha oito anos eu quase morri espancada por outro morador de rua que abusava de crianças. Só que na última hora uma jovem me salvou.

Então minha mente vagou para 10 anos atrás e eu contei toda minha história a Cassandra. E curiosamente não foi tão difícil como eu imaginei que fosse, pelo contrário, eu me senti bem. Senti como se um enorme peso saísse de cima de mim.

– E é por isso que eu não consigo me apegar a ninguém, eu acho que ainda no fundo sou aquela garotinha que tem medo de ser abandonada de novo.

– Bom primeiro, você não é mais uma garotinha. E ...- ela mordia os lábios nervosa. – me desculpe, mas eu acho que na verdade essa família gosta muito de você, eles só parecem ter um segredo. Mas a vantagem é que você agora não é uma criança, é uma mulher. Pode muito bem exigir que te digam a verdade, e caso um deles, ou melhor, “a anja” – ela fez aspas com as mãos- quiser fugir, você pode muito bem ir atrás dela.

– Acha mesmo que gostam de mim?

– Ah por favor né?! Você por acaso ouve muito por aí de famílias que se dão ao trabalho de socorrer crianças de rua e procurarem lares para elas. E mais ainda, de acolherem uma adulta dentro de casa. É óbvio que eles te amam. Apenas foi uma fatalidade do destino. Isso acontece o tempo todo.

Eu olhei para ela ainda duvidando.

– Pense bem Rachel. As pessoas vivem se desencontrando no mundo. Não existe nada perfeito desse mundo. Nosso destino, nós fazemos, mas às vezes aparecem pessoas ruins em nossos destinos que nos atrapalham, como foi no seu caso. Mas você está tendo uma segunda chance. Não seja orgulhosa. Aproveite.

– Mas...

– Esqueça esse “mas”. Eu até entendo seu medo de se entregar. Mas se você continuar com esse medo, aí é que vai ficar sozinha para o resto da vida. Entenda. Você já está sozinha, então teoricamente não tem como ficar pior.

E não é que ela tinha razão.

– Você está certa. Mas como faço para contar tudo da minha vida, contar o que eu me tornei.

– Aí anã para de ser chata. Você não se tornou nada. Você apenas sobreviveu da maneira que pode. E agora vai parar-. Então ela me olhou – Ou será que vai continuar a caçar mulheres por aí?

Eu podia ver o divertimento em seu olhar ao me perguntar isso.

– Claro que não.

– Então pronto. Eles não podem te julgar Rachel. Todos cometem erros na vida. Dar a volta por cima e não voltar a cometê-los é que vai provar a você mesmo que você merece isso.

– Nossa... tem certeza de que você ainda não se formou? Estou até pensando em lhe pagar pela consulta.

Eu agora ria mais facilmente.

– Você também teria essa prática se tivesse que aguentar inúmeros murmúrios e lamentações. Sério, sete adolescentes ao mesmo tempo em uma casa deixa qualquer um louco, então o jeito foi aprender a criar soluções práticas. Aprender a ouvir, pensar e falar o que deveria ser feito. Acho que também ajuda o fato de eu ser a única deles com algum juízo e inteligência.

Nós duas ríamos juntas e eu nunca pensei que seria tão bom rir com alguém de novo.

Ela levantou o olhar a tempo de ver um cara moreno olhando pela porta do bar e depois voltando para dentro.

Então ela se virou para mim.

– Acho que meu tempo acabou Rachel, preciso voltar ao trabalho.

– Claro, eu não quero te causar problemas... e muito obrigada Cassandra, você realmente me ajudou muito.

Ela se levantou dando de ombros.

– Sempre que precisar sabe onde me achar.

– Acho que eu poso voltar mesmo, eu não tenho amigos com quem conversar.

– Você não tinha, sou oficialmente sua primeira amiga.

Ela deu um beijo no meu rosto e começou a caminhar de volta para o bar, mas de repente ela parou e se virou para mim de novo.

–Rachel, essa Quinn...

– O que tem?

– Pode até ser coisa da minha cabeça, mas... você gosta dela não é?

Um arrepio passou pelo meu corpo, será que estava tão na cara assim?

– Claro Cassandra, foi ela quem mais me ajudou.

– Não se faça de idiota, sei que você me entendeu.

– Eu não sei... acho que... acho que sim. Mas é impossível. Eu tenho que me conformar com isso.

Então ela voltou ao meu lado.

– Nada é impossível. O fato dela ser mais velha que você não quer dizer nada, se você não se importa com isso, então ninguém mais tem que se importar.

– Mas ela tem namorada e parece sério.

Ela caiu na gargalhada.

– Posso saber qual é a graça?

– Você. Você acabou de me contar que era uma perita em seduzir mulheres mais velhas e as fazer ficarem aos seus pés. Cadê suas habilidades agora cachorrona?

– Com ela é diferente. – eu murmurei.

– A diferença é que você não a quer só por uma noite, mas na pratica, a arte de seduzir é a mesma. Tente pelo menos. Você pode se surpreender.

Então sem mais nem menos ela voltou correndo para dentro do bar.

Eu fiquei ali parada um tempo ainda pensando em tudo que Cassandra tinha dito.

Ela era uma garota muito estranha, mas tenho que admitir que me fizera muito bem conversar com ela. E ela estava certa. Se eu não tentasse, nunca saberia se daria certo, nem com Quinn e nem com a família dela.

Então eu comecei a caminhar de novo. Ainda precisava pegar um taxi para voltar para a casa deles, mas no momento eu não tinha muita coragem.

Sei lá. Me parecia assustador de mais tentar seduzir Quinn. Não por ela ter namorada ou por ela ser mais velha, mas pelo simples fato de que talvez quando ela soubesse como eu me sinto, ela sumisse da minha vida de vez.

Resolvi que caminharia mais um pouco até me decidir do que iria fazer.

Depois de caminhar por alguns quarteirões eu me dei conta de que a noite tinha caído. O frio agora era intenso. Parei em um banco então para retirar um casaco que eu tinha na mochila, mas assim que eu parei eu vi do outro lado da rua um rapaz caminhando bem de vagar e com as mãos nos bolsos.

Seus olhos vagavam para todo lado e sempre voltavam para mim. Eu conhecia aquele tipo de comportamento. Aquele cara deveria vender drogas.

Afastei esse pensamento da minha mente. Eu prometi que nunca mais faria isso.

Me levantei rápido que segui no sentido contrário dele o que me fez passar ao seu lado.

Não! Eu dizia a mim mesmo. Além de ter prometido a ela, também foi uma vergonha ter passado mal devido a drogas na frente deles.

Mas.... seria tão mais fácil se eu estivesse mas solta. Se estivesse no estado de leveza que as drogas nos deixavam.

Eu tinha que tentar algo com Quinn, mas sabia que eu estava nervosa de mais para conseguir com sucesso. E me lembrei da noite passada de novo. Quando ela me encontrou drogada no parque, eu tinha me aproximado dela tão facilmente. A abracei pela cintura e estava pronto para beijá-la como se fosse a coisa mais natural a fazer.

Talvez a ideia não fosse tão ruim assim afinal.

Uma última vez. E em uma dose menor claro. Apenas para me dar coragem de fazer o que eu precisava.

Então eu dei meia volta, mas antes que eu alcançasse o possível vendedor uma mão segurou meu braço.

– Você me prometeu!

Mas do que a mão em meu braço, eu reconhecia aquela voz.

Meu anjo estava atrás de mim.

Me virei a encarando e seus olhos tinham uma mistura de medo e ... fúria.

Tentei disfarçar.

– Do que está falando?-. Levantei as sobrancelhas.

– Será que eu vou ter que matar todos os traficantes do estado para me certificar de que você não vai mais se drogar?

Então eu soube, seduzi-la no momento era o menor dos meus problemas. Eu tinha acabado de perder qualquer confiança que ela tivesse em mim.

Eu não acredito!!

É muito azar para uma pessoa só.

Justo agora ela tinha que aparecer?

– Eu não ia fazer isso Quinn-. Tentei falar.

– Não se atreva a negar. Eu sei que ia fazer isso.

– Com pode ter certeza? Eu estou dizendo que não ia. Eu tinha te garantido não é?!

– Sim, mesmo depois de me prometer, você veio se drogar de novo.

– Como pode ter tanta certeza disso?-. Eu tinha que tentar despistá-la de algum jeito.

– Você estava toda nervosa parada aqui. Parecia indecisa se ia atrás daquele cara ou não.

– Impressão sua. Eu apenas estava aqui parada pensando no que eu ia fazer.

– Acha mesmo que vai me enganar Rachel?

– Eu já disse a verdade, agora se você não quer acreditar em mim é problema seu. – eu falei e sai andando.

Eu tremia por dentro.

Primeiro por ter sido pega quase no flagra e segundo por ter falado com ela daquele jeito.

Mas se eu queria começar a tentar me envolver com ela, o primeiro passo seria parar de ter medo dela como uma garotinha com medo da mãe.

– Aonde você pensa que vai?-. Começou a me seguir.

– Vou procurar um taxi. Acho que já vou voltar para sua casa.

– Ok, vou fingir que você não está fugindo de uma conversa comigo.

– Se eu bem me lembro, quem fugiu de uma conversa mais cedo hoje foi você, não é?-. Me virei para olhá-la.

Nossa, de onde eu tirei coragem de perguntar isso a ela?

Mas parece que isso funcionou para mudar o rumo da conversa. Ela ficou toda nervosa de repente.

– Er... desculpe, mas eu tinha quere solver um assunto urgente.

– Sei...

Começamos a andar em silencio, mas ela ia do meu lado.

– E você? Melhorou?

– Estou ótima-. Dei de ombros.

– E o que faz aqui?

– Bom parece que fui intimada há ficar uns tempos na sua casa, então eu vim pegar as minhas coisas. — falei gesticulando para a mochila nas minhas costas.

– Não precisava ter vindo, bastava ter nos dado seu endereço que um de nós vinha.

– Eu não sou um bebe, posso muito bem fazer isso-. Me irritei e comecei a andar mais rápido.

Ela bufou depois de um tempo e voltou a andar do meu lado.

– Me desculpe Rachel.

Então eu parei.

– Por que exatamente está me pedindo desculpas?

Eu me sentia meio esquisita e mal, afinal ela estava certa em brigar comigo, eu ia mesmo me drogar, mas ela jamais poderia saber disso.

– Por ficar te vendo ainda como uma criança. Sei que você fica zangada. Me desculpe eu não faço por mal. Mas é difícil sabe.

Então ela começou a andar de novo só que bem devagar.

– O que é difícil?

– Ver você como uma adulta. Independente. Afinal eu passei os últimos 10 anos pensando e imaginando você como aquela menininha que tanto me encantou.

Ela sorria de lado enquanto falava.

Uma parte de mim gostou muito de ouvir isso. Ela pensava em mim afinal.

Mas a outra parta odiou. Eu não queria ser lembrada como criança, queria que ela me enxergasse como mulher.

– Você nunca se pegou imaginando como eu seria agora? Quer dizer, que tipo de mulher eu teria me tornado, que aparência eu teria? O que estaria fazendo?

– Claro que sim, o tempo todo.

– Então qual a dificuldade?

– Na minha imaginação você passava por todas as transformações comigo ao seu lado. É difícil para eu ter saído da sua vida com você ainda uma criancinha e ter que voltar agora com você... uma mulher.... Eu andei pensando no que você me falou sobre não me querer mais como mãe...

Ai, não! Será que ela vai dizer que ainda quer ser isso para mim? Será que vai me pedir uma chance para ser isso para mim, uma mãe?

– E?

Eu tentei encorajá-la a falar.

– Acho que você está certa.

Eu levei um susto e travei no lugar.

– Como é?

– É isso mesmo, você está certa. Eu não posso ter passado todo esse tempo longe de você e querer que você agora me veja como mãe. Sem contar o fato de saber que você está muito magoada comigo por conta de tudo que aconteceu.

– Quinn não é só isso, eu...

– Me deixe terminar ok? Eu sei que você mudou muito Rachel. Eu vou ter que te conhecer de novo. Assim como você também vai ter que me conhecer, e acredite é essa a parte que mais me assusta. Você vai ver que eu não sou como você me idealizava, eu não tenho nada de “anja”.

Ela ria.

– Não importa o que eu vá conhecer de você, você sempre será meu anjo.

Ela fez uma careta e sussurrou algo que eu mal pude ouvir.

– Tenho muito medo de te decepcionar.

Mas ela sacudiu a cabeça como se afastasse algum tipo de pensamento.

– Então eu quero te dizer para você ter um pouco de paciência comigo, mas eu prometo que vou tentar me acostumar ao fato de que você é uma adulta e totalmente responsável por você mesmo.

– OK.

– Mas você tem que colaborar ok. Por que por mais que você negue, eu sei o que você ia fazer e isso não ajuda em nada eu não me preocupar com você.

Eu ia negar, mas ela me cortou.

– Eu sei que você vai negar, mas não adianta. Enfim.

Ela recomeçou a andar.

– Eu quero então que nós tentemos ser amigas. O que você acha?

Ela olhava para mim rindo.

– Será que você pode achar espaço para mais uma amiga na sua vida?

– Eu vou amar ter você na minha vida Quinn.

Falei com a maior intensidade que eu consegui. Era apenas daquilo que eu precisava, uma chance de ficar perto dela para conquistá-la.

– Ótimo. Amiga então.

Ela me estendeu a mão e quando eu a peguei eu senti um cala frio percorrer meu corpo. A mão dela estava gelada e isso despertou um enorme fogo dentro de mim.

– Me desculpe, eu estou sem luvas e...

– Tudo bem Quinn, eu ainda me lembro disso em vocês.

– O que?

– Vocês nunca gostaram muito de contato. E eram frios. Sei lá, deve ser um traço genético né? Mas eu não ligo.

Ela riu sem graça.

– Mas eu quero lhe pedir um favor. Posso?

– O que quiser-. Falei sem hesitar.

– Mesmo que você não me veja dessa maneira, será que você poderia tentar deixar a minha família cuidar de você. Bom, Russel e Judy adorariam cuidar de você. Eles sempre te amaram muito.

– Eu vou adorar.

Então o vento começou a soprar mais forte e eu tremi. Estava muito frio agora. E eu percebi que Quinn vestia apenas um leve suéter.

– Melhor voltarmos logo para sua casa Quinn, está um gelo aqui e você está praticamente sem agasalho.

– Hummm, uma cavalheira?-. Levantou ujma sobrancelha.

– Acho que sim. Apenas não quero você nessa friagem.

Ela soltou uma gargalhada.

– Sou mais resistente do que parece.

– Mesmo assim melhor pegarmos um táxi para ir para sua casa.

Ela então congelou no lugar.

– Taxi?

– Sim, ou você veio de carro? Aliás, o que você estava fazendo aqui?

– Não, eu não vim de carro. Eu vim resolver um assunto e te encontrei por acaso.

– Bom, então melhor pegarmos logo um taxi para ir embora.

– Não!

– Por que não?-. Perguntei confusa.

– É que eu não fiz o que vim fazer aqui. Vá você primeiro e eu vou mais tarde.

– Mas está ficando tarde Quinn, e muito frio, melhor deixar seja lá o que for para amanhã.

– Infelizmente ter que ser hoje. Nos vemos mais tarde lá em casa.

– Não se for assim eu espero você. Não vou te deixar aqui sozinha.

Ela parecia preocupada com algo e nervosa. Ela mordia os lábios parecendo pensar profundamente em algo e isso apenas me deixava ainda mais hipnotizada por ela. Ela ficava linda e sexy fazendo isso.

– Eu acho melhor...

– Eu não vou te deixar aqui sozinha e pronto-. Falei.

– Isso é ridículo Rachel. Eu posso muito bem cuidar de mim mesma. Tenho idade mais do que suficiente para isso.

– Não me interessa se tem idade ou se é mais velha do que eu. Eu não vou te deixar aqui sozinha.

Ela bufou e pegou o telefone.

– Espere um minuto.

Ela se afastou alguns passos de mim e falou com alguém rapidamente no telefone.

– Pronto. Eu falei com Brittanny. Ela vem nos buscar.

Ficamos uns minutos em silencio então algo me ocorreu.

– Quinn se vamos esperar Brittanny aqui, então teremos algum tempo ainda. Quer conversar melhor, tem muitas coisas que gostaria de saber sobre vocês.

– Claro tudo bem. Eu marquei com ela naquela cafeteria ali em frete. Vamos até lá para conversar.

Então andamos até o local e nos sentamos e fizemos o pedido. Assim que a garçonete se afastou ela falou.

– Então? Sobre o que exatamente quer saber.

– Qual a sua idade?-. Perguntei realmente curiosa.

Continua...

Notas finais
É isso ahe pessoal, eu espero que tenham gostado
Comentem bastante *-----*
Beijos e até o proximo capitulo
sz