Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo. Espero que gostem. Nos vemos nas notas finais.

— Você vai atrás dela?! — Melequento gritou pela terceira vez quando Soluço disse o que iria fazer.

— Sim, Melequanto, eu vou atrás dela, é por isso que eu estou arrumando as coisas para isso. — Soluço respondeu bem entediado com o drama do amigo.

Soluço ia de um lado para o outro enchendo a mochila na sela do Banguela, este estava bem calmo enquanto o amigo os preparavam para a viagem.

— Você está falando que vai atrás da garota, da mesma que explodiu a vila, tentou pegar o Olho do Dragão, e deixa eu ver se eu não esqueci de nada... ah é ELA TENTOU NOS MATAR! — Melequento gritou na cara do Soluço que só rolou os olhos para o drama.

— Eu sei que parece isso Melequento, mas- — Soluço foi interrompido

— MAS FOI O QUE ACONTECEU! — Ele gritou tanto que irritou até os dragões próximos, principalmente Dente de Anzol, que apareceu do lado do dono e o prendeu na sua boca, como sempre.

— É, ela explodiu a torre norte, foi muito incrível... mesmo que a gente não use mais o local. — Cabeça Dura exclamou animado.

— Sim! Teria sido mais maneiro ainda se ela tivesse explodido o saguão como todo mundo jantando. — Cabeça Quente concordou com o irmão enquanto os dois riam.

— Mesmo que eu odeio concordar com a rainha do drama ali, ele tem razão Soluço. Você não pode ir atrás daquela garota, ainda mais sozinho, ela é claramente perigosa. — Astrid, ignorando os gêmeos psicopatas, tentou convencer o amigo que não parava de andar de um lado para o outro. — Soluço!

O chamado da loira fez o moreno parar e olhar para os amigos.

— Olha, eu sei que parece que ela é uma pessoa horrível e queria destruir a vila, mas eu conversei com ela, e me pareceu que ela só quer proteger os dragões tanto quanto nós. — Soluço agora se dirigia a todos os pilotos.

— Mas ela explodiu duas torres e os dois dragões criaram caos. — Astrid rebateu.

— Contudo, como o Cabeça Dura disse, a torre norte estava desocupada e a principal só foi atingida na parte superior do teto, que a gente conseguiu substituir facilmente. Dragões, principalmente um fúria da noite, tem um enorme poder destrutivo, ela e um pesadelo monstruoso poderiam ter causado muito mais dano, sem contar que o cheiro de peixe e de pessoas, fariam o saguão ou o deposito alvos mais fáceis. — Perna de Peixe apontou.

— Isso, obrigada Perna de Peixe. — Soluço agradeceu pelo amigo ter o mesmo ponto de vista que ele. — Eu acho que eles foram treinados pela garota para não serem perigosos, ela mesmo me disse que "vikings apenas enxergam os dragões como ameaça ", alguém assim não faria um ataque assassino para manchar a imagem dos dragões mais ainda.

— Mas e o ataque de pedra? Ela lançou aqueles tiros malucos e assustadores na gente quando tentou fugir. — Melequento, já solto pelo Dente de Anzol, contestou cruzando os braços.

— Ela atacou o penhasco e não a gente, ela estava na nossa frente, mas decidiu usar as pedras que seriam fáceis de desviar no ar.

Depois do último argumento, deixou todo mundo pensando e perceberam que o seu líder pode estar certo.

— Por isso eu tenho que ir atrás dela, ela provou que não é parceira do Dagur, mas uma piloto de dragões que pode nos ajudar. E a cada minuto que a gente perde, ela pode ir mais longe. Além do mais, aquele foi o único fúria da noite, tirando o Banguela, que a gente viu nos últimos anos, não podemos deixar passar essa oportunidade, não é amigão? — Soluço disse a última parte para Banguela que deu um sorriso para o amigo concordando, mesmo com o que aconteceu no dia anterior, ele estava muito animado para conhecer a possível amiga da mesma espécie.

— Ok, a gente entende que ela pode ser uma pessoa legal que só queria o Olho de Dragão mesmo, mas e se ela não for? Deixa pelo menos a Tempestade e eu irmos com você. — Astrid disse e era evidente a preocupação na sua voz.

— Não acho que seria bom Astrid, ela só conversou comigo até agora, se a gente aparecesse com mais de uma pessoa ela pode achar que é um ataque. — Ele negou a oferta.

Percebendo que não tinha como impedir ele, Astrid deu um passo para o lado para deixar o moreno subir na cela do Banguela.

— Só tenha cuidado ok? — Astrid pediu a ele. Soluço assentiu com a cabeça e depois ele levantaram voo e saíram da ilha.

— Vamos pensar Banguela. Ela deve ter ido até a ilha mais próxima com um mercado, ela vai precisar de suprimentos e não vai querer ir muito longe de Berk porque iria ser mais esperto se esconder do que fugir.

Ele fez um carinho de leve na cabeça do fúria do noite e depois viraram para Leste, para a ilha mais próximas com o mercado, para Leste.

—----------xx-----------
Pov on

— Você esta bem agora, não é garota? — Eu acariciei as costas de Luna após tratar o ferimento na perna traseira esquerda dela. Luna tinha se machucado em algum momento no ataque do dia anterior em Berk.

Depois de termos conseguido fugir dos cavaleiros de Berk, eu segui para a ilha Chifre Redoldo, onde havia um pequeno mercado voltado mais para suprimentos e medicina. Sem a minha mochila, eu tinha apenas a comida na cela de Luna já que Amarok não tinha uma (ele se sente bem desconfortável com elas). Então, eu deixei os dois na floresta e fui correndo comprar o necessário para o ferimento, este não era muito grave, mas não queria que infeccionasse.

Eu me sentei do fogo feito para assar os peixes que Amarok pegou para nós, Luna se aproximou e deitou a cabeça no meu colo.

— Acho que vamos ter que desistir dessa vez. — Eu disse para ela, mas parecia que eu estava tentado me convencer. Luna olhou para mim com os olhos cerrados e deu uma leve bufada. — Eu sei que a gente não faz isso, garota, mas eu não posso arriscar a sua vida e a do Amarok também, vocês são importantes demais para mim. — Eu disse enquanto fazia carinho na cabeça dela.

Não sabia se seria certo deixar o Olho de Dragão com o Soluço, mas por mais que eu monte um plano para entrar em Berk e pega-lo, é bem provável que Soluço já vai ter pensado nisso e esconda bem o objeto ou até deixe uma defesa poderosa contra nós. Eu nunca tinha lidado com outros pilotos de dragões, e somando um fúria da noite já piorava tudo. A minha última opção era confiar em um total desconhecido como o Soluço para fazer a coisa certa e manter o Olho de Dragão bem longe do Dagur ou qualquer outro caçador ou saqueador.

— Não sei o que vamos fazer agora. Ficamos quase dois anos procurando o Olho de Dragão, e eu consegui perde-lo em menos de dois dias. Podemos ir para as ilhas no Leste ou sei lá, algum lugar para tirarmos umas férias. — Eu suspirei alto. Tinha falado mais sozinha do que com Luna ou Amarok que dormia tranquilamente do outro lado da fogueira.

— Ou você pode ouvir o que eu tenho a dizer e realmente ajudar os dragões. — Eu pulei com a voz que veio atrás de mim, isso fez com que Luna levantasse a a cabeça e rosnasse para Soluço e Banguela. Eu estava tão distraída nos meus pensamentos que baixei a guarda e não percebi a dupla se aproximando.

— O que você quer Soluço e como me achou? — Eu perguntei atenta a qualquer movimento dele ou do Banguela, mas o engraçado é que este estava apenas olhando para a gente, sem rosnar nem nada.

Eu percebi que Amarok estava acordado agora e tinha se posicionado no meu lado esquerdo enquanto Luna esta no direito.

— Eu pensei que você estaria aqui por causa do mercado. Mas eu vim em paz, eu juro. — Soluço estava com as mãos para o alto. — Eu só quero conversar, prometo. — Ele pegou a minha bolsa e as duas adagas, e como eu tinha feito um dia atrás, jogou para mim.

Eu me agachei e peguei as minhas coisas, mas ainda estava desconfiada.

— Você veio sozinho. — Não foi uma pergunta, os amigos dele são barulhentos demais para estarem escondidos em algum lugar. Ele apenas assentiu com a cabeça e deu dois passos para frente. Luna rosnou mais alto graças ao ato, mas eu estendi a mão na frente do rosto dela, dizendo que ela poderia parar. Eu me aproximei dele, mas com uma distancia de 5 passos entre nós.

— Você me prendeu, porque eu deveria escutar você? — Eu acusei com os braços cruzados.

— Você destruiu parte da minha vila. — Ele deu de ombros.

— Justo. O que você quer?

— Quero que você se junte aos cavaleiros de dragões de Berk. — Isso era a última coisa que eu achei que ele falaria para mim, mas ele disse completamente série.

— Você não está falando sério. — Eu ri em deboche, mas ele continuava com a mesma expressão.

— Olha, eu sei que agente começou da pior forma possível, mas depois de tudo que a gente conversou, eu pude perceber que você não quer machucar ninguém, principalmente os dragões e eu sei que você também percebeu que eu penso igual. — Ele disse e deu mais dois passos para frente, e eu não fiz nada, porque , como ele tinha dito, eu sabia que ele não iria tentar fazer algo para me machucar. — Então a gente pode se ajudar, você não parece ter casa, ao se juntar a nós você vai ter isso, vai ter companhia e ajuda.

Ele estava tentando me convencer com todos os argumentos possíveis, e por mais que fosse muito bom ter outro humano por perto, eu não confiava nele.

— Eu entendo que você pode me ver como ameaça, e usar o "mantenha os seus amigos por perto e seus inimigos mais perto ainda", mas eu ataquei Berk, você, seu amigos, seu pai e até a sua vila não vão me querer por perto. — Eu disse para ele, mas parecia que ele já esperava essa resposta, porque rebateu logo em seguida.

— É ai que você se engana. Eu sei, e junto com toda a minha ilha, que seus dragões só queriam te proteger, e eu também sei que você não machucou ninguém, então não vejo problema nenhum. — Eu ia dizer que ele estava enganado (o que era mentira), mas ele me interrompeu antes mesmo de eu falar. — Além do mais, você tem um fúria da noite, o único outro sem ser o Banguela por todo o arquipélago, não seria melhor para a saúde dos dois, que eles possam se conhecer? — Ele tinha um sorriso vitorioso porque sabia que era um argumento que me interessava. Confesso que desde que eu tinha conhecido Luna, sempre achei que ela pudesse se sentir solitária por não ter mais ninguém da sua espécie.

Eu olhei para Luna, ela olhava para mim com os grandes olhos violetas que me diziam que ela confiava no meu julgamento, mas eu percebia que ela também estava olhando com curiosidade para o fúria da noite na nossa frente.
Eu olhei meio apreensiva para Soluço, Ainda não tinhA certeza sobre essa ideia e ele percebeu isso. Ele se virou para cela do Banguela, e eu pensei que ele já tinha desistido, mas ele tirou algo de dentro e depois voltou para minha frente.

— Eu trouxe isso para que você entenda que pode confiar em mim e nos meus amigos. — Eu estava bem supresa, porque nas mãos dele estava o Olho de Dragão. E as próximas palavras dele me fez arregalar mais ainda os olhos. — E eu vou deixar com você.

Ele se aproximou até ficar bem na minha frente e colocou o cilindro nas minhas mãos, eu fiquei tão chocada que não consegui falar. Então eu levantei a cabeça e vi que ele estava me encarando profundamente.

— Se você decidir vir comigo, então vamos tomar conta dele juntos, mas se você quiser ficar sozinha e ir embora, eu prometo que você poderá levá-lo e eu não irei atrás. Mas eu só quero que você pense bem no que seria melhor e em como poderíamos ajudar um ao outro. — Ele não tinha nem piscado enquanto me olhava, ele falou de um jeito tão claro que fez um arrepio subir pelas minhas costa e foi assim que eu soube que ele estava falando a verdade.

Eu olhei novamente para Luna, e ela assentiu para mim, depois me virei para Amarok e ele fez o mesmo, por fim olhei para Banguela e ele sorria para mim com a boca aberta e sem os dentes, isso me fez dar uma risada leve. Soluço viu isso e estendeu a mão para mim, eu olhei bem para aquela mão estendida e depois para os olhos dele. Eu puxei o meu capuz para baixo, deixando livre o meu cabelo longo e escuro cair pela minhas costa até o meio da minha cintura, e depois tirai o pano que cobria a parte inferior do meu rosto. Depois de voltar a minha atenção para o garoto a minha frente, vi que ele parecia surpreso, mas não desviou o olhar de mim e tanto eu quanto ele já sabíamos da minha resposta.

— Você nunca me disse o seu nome. — Ele sorriu para mim enquanto eu depositei a minha mão sobre a sua.

— Morgana. Meu nome é Morgana. — Eu sorri de volta.

Era bom não estar mais sozinha.

Pov off

—--------- xx ----------


Enquanto isso em Berk

— Será que ele está bem? Eu sei que concluímos que ela não machucaria ele.... não que ela não seja perigosa, porque eu acho que ela é, mas não que ela vá fazer algo. Mas se ela fizer? Acho que deveríamos mandar alguém atrás deles. – Perna de Peixe falava enquanto roía as unhas e andava de um lado para o outro.

— Calma Perna de Peixe, é do Soluço que estamos falando, além do mais ele tem o Banguela com ele. Eles sabem se cuidar. – Astrid tentou tranquiliza-lo.

— Se ela voltar a ser prisioneira, eu posso ficar com o bumerangue gigante? — Cabeça Dura disse enquanto brincava com um bumerangue invisível.

Astrid apenas rolou os olhos para ele, e voltou a olhar para o céu, pelo caminho que Soluço tinha ido mais cedo.

— As vezes ela já bateu nele com aquele bumerangue gigante, ele tentou se defender com a perna de metal e ela deu ele para os dragões comerem. — Melequento disse casualmente enquanto olhava para as próprias unhas.

— Essa seria uma situação bem interessante.

Melequento pulou no lugar em que estava ao ouvir uma voz feminina e uma risada atrás dele. Isso chamou a atenção de todos mundo que se virou para ver uma garota morena e muito bonita, parada ao lado do Soluço.

— Ora ora, acho que não nos conhecemos antes, eu sou Melequento, mas você pode me chamar de futuro marido. — Melequento disse com um sorriso (que ele considera "charmoso") e pegou a mão da garota para beija, mas esta puxou rapidamente para trás, fazendo ele cair no chão do seu lado.

— Quem é a novata? — Cabeça Quente sussurrou para a irmã, e esta deu de ombros, mas todo mundo tinha ouvido a pergunta.

— Sério? O bumerangue e os dois dragões não te dizem nada? — Perna de Peixe perguntou indignado, mas só recebeu um olhar confuso dos gêmeos e do mulherengo/Melequento. — É a garota que ele foi buscar!

— Ah sim, a destruidora de torres! Eu já sabia. — Cabeça Dura exclamou.

A garota olhou divertida para Soluço que lhe deu um olhar de desculpas.

— Gente, essa é a Morgana, junto de Luna e Amarok, eles vão se juntar aos pilotos de dragões. Morgana, esse são Perna de Peixe, Melequento, Astrid e os gêmeos, Cabeça Quente e Cabeça Dura. — Soluço apresentou eles, ela sorriu para eles e como se fosse para confirmar que ela não era perigosa, Banguela parou do lado direito dela e colocou a cabeça em baixo da mão dela, pedindo um carinho.

— Legal! A gente tem uma coisa nesse time que é o fato de compartilharmos as nossas armas, então você poderia me emprestar esse bumerangue seu. — Cabeça Dura parou na frente da Morgana estendendo os braços. Ela ficou olhando para o garoto, meio confusa.

— Não, não, não. Nós não temos isso aqui. — Soluço disse para ela e empurrou cabeça Dura para longe.

— Eu só quero acertar alguém uma vez, pode até ser a Cabeça Quente. — Ele pedia enquanto era arrastado.

Morgana olhava para o grupo estranho na sua frente, mas era fácil de se perceber que eles se davam bem. Ela passou os olhos até encontrar um par de olhos azuis, Astrid a estudava com cuidado, medindo a ameaça.

Morgana decidiu agir primeiro: deu alguns passos até parar na frente da garota. O clima parecia ter ficado bem mais tenso, toda atenção do resto do grupo estava nelas.

— Acho que posso ser bem clara, que se você sair da linha uma vez só ou tentar algo contra qualquer um daqui, eu acabo com você. — A loira falou bem séria para a morena a sua frente. Soluço prendeu a respiração.

— Não espero que seja diferente. — Morgana respondeu.

Morgana estendeu a mão direita para a loira, Astrid olhou para a garota e esta lhe deu um sorriso sarcástico. Astrid respondeu o sorriso e sacudiu a mão dela. Soluço respirou e depois sorriu ao ver a cena, satisfeito.

— Então você resolveu entrar para o time, garotinha. – Bocão disse a Morgana quando todos estraram na sua oficina.

— Bem, ele me convenceu com a comida de graça. – Ela respondeu olhando divertida para Soluço que devolveu a expressão. Bocão riu.

— Gostei de você garota. E você tem uma arma muito interessante aqui. – Bocão elogio enquanto examinava o objeto que ela tinha passado para ele. – Como você chama?

— Osso Voador.

— Você quer dizer que é feito de ossos? – Perna de Peixe perguntou assustado.

— Sim, foi feito com ossos de dragões, mas não fui eu quem fiz. – Ela acrescentou logo quando viu que o garoto estava mais assustado ainda. – Eu roubei de um caçador, achei que seria melhor se eu usasse para ajudar os dragões do que eles continuassem sendo machucados por seus próprios amigos. – Ela explicou, e isso pareceu acalmar o garoto.

Morgana percebeu que ainda tinha que conseguir a confiança daquelas pessoas. Ela se aproximou do gronckle do lado do loiro.

— Você tem uma bela garota aqui, é mais saudável e bonita do que a maioria dos gronckles que eu já vi. – Ela fez um carinho no focinho do dragão, e esta parece ter gostado bastante, porque não parava de abanar a calda.

— Você acha? Eu mantenho ela em uma dieta de pedras muito rigorosa, e eu lavo os cascos dela todo o dia. – Perna de Peixe tira o rosto iluminado. Morgana olhou para Soluço, e ele fez o positivo com o dedão para ela.

Morgana não sabia o porquê, mas sempre buscava o Soluço na sala, acha que é porque queria saber se ela estava "interagindo" do jeito certo.

— Agora que as apresentações foram feitas, acho que a gente pode se concentrar no problema maior. – Soluço disse. Ele tirou o Olho de Dragão. – Precisamos abrir isso.
Morgana estendeu a mão, e Soluço passou para ela sem nem hesitar, isso causou um sorriso no rosto dela.

— Isso não é um compartimento, o próprio Olho de Dragão é o importante. Estão vendo a lente na ponta? É o que serve para ser um projetor, as informações são refletidas nele e são projetadas na parede. – Ela explicou para o grupo.

— Mas como fazemos para funcionar? – Astrid perguntou.

— Esse buraco aqui, é a onde a chave vai, é o dente de um dragão. Um fantasma da neve. – Ela devolveu o cilindro para Soluço para que ele analisasse a chave. – Mas o problema é que eu não sei onde eles geralmente vivem, eu sei a ilha, mas como o próprio nome diz, é muito difícil de achar um.

— Acho que podemos ver se a Gothi sabe de algo. – Perna de Peixe comentou.

— A Ghoti? – Soluço perguntou confuso. Depois viu o olhar interrogativo da nova amiga. – Ela é a anciã da vila.

— A Ghoti agiu de um modo bem estranho quando a gente levou o Cabeça Dura para ela ontem, ela viu o desenho que eu tinha feito da fechadura e depois apontou para o braço dela, tinha uma cicatriz de mordida igual. – Perna de Peixe explicou.

— Mas ela não queria falar com o a gente. – Astrid apontou.

— Deixa isso comigo. — Bocão disse e depois entrou dentro da sua casa.

—----------- xx -------------

Pov Morgana

Estamos o Perna de Peixe, Bocão, Soluço e eu no que o perna de metal tinha me dito ser a casa da anciã da vila, no topo de uma colina. Bocão tinha demorado um pouco, porque já era noite, mas o plano brilhante dele era fazer um ensopado que a Gothi não resistiria e falaria para nós (Soluço também me falou que ela é muda e que se comunica rabiscando no chão).

— É o ponto fraco da velha morcega, a sopa caseira de iaque e macarrão que o Bocão faz.
A Gothi parecia hesitante no começo, mas depois ela virou o caldeirão de uma vez só.

— Minha nossa, a velinha tem estomago. – Eu exclamei surpresa.

— Aham, ela mergulhou na sopa feito um iaque em uma onda de calor.... isso faz sentido né? – Perna de Peixe falou para o Soluço e para mim. Eu dei de ombros, iaques eram estranhos mesmo.

A velhinha se sentou em uma cadeira completamente satisfeita, e a gente resolveu ir ara o que realmente importava.

— Agora eu quero você me conte como conseguiu a mordida. – Soluço perguntou pra ela.

Ela pegou o cajado e começou a escrever com ele no chão, eu mesma não entendia nada, mas Bocão conseguia traduzir, mais ou menos.

— Eu era adjacente... – Ela bateu com o cajado na cara dele. – Adolescente, desculpe! Eu era adolescente.... e tinha o desejo de escalar a ilha da Geleira para achar a sua água glaciar pura famosa por suas propriedades de cura e eu fui com dois vegetais... – Outra cajadada na cabeça. – vikings! Desculpe, eu estou meio enferrujado... Estávamos no cume há poucas horas e uma terrível nevasca nos assolou e foi ai que ele atacou. Ele era cruel e implacável, era impossível enxergar em meio a neve, o Fantasma da Neve. Eu tentei lutar com ele, mas ele mordeu o meu braço e me jogou no meio de um monte de neve e depois sumiu. Eu nunca saberei o porquê de ele não ter acabado comigo naquele dia, fui embora apenas sabendo uma coisa: eu nunca mais queria namorar aquele dragão de novo. Namorar? – Bocão perguntou e foi outra cajadada. – Ai, “olhar”, é olhar o dragão de novo. Sabia que seus desenhos não são mais como antes, sua velha? Mas a cajadada continua forte.

— Um dente do Fantasma da Neve é a chave para desbloquear o Olho de Dragão. – Eu lembrei eles. – Você poderia nos ajudar.

Ela rabiscou uma coisa no chão e eu olhei para o Bocão pela resposta.

— Eu não posso dizer isso para ela, seria rude, e o garoto é filho do chefe.

Na verdade, eu tinha ficado curiosa como é um palavrão desenhado. Mas ela apagou e desenhou de novo.

— Ela jamais voltará lá, além do mais, Berk precisa dela. – Ele terminou de ler. – É verdade, ela é a melhor curandeira que temos.

— Mas você não pode ficar no lugar dela? – Eu perguntei, vi Soluço olhar para mim. – Você disse que ele é um faz tudo, pode ficar no lugar dela por um dia.

— É claro que eu posso, já vi a Gothi trabalhando várias vezes, conheço esse lugar feito a palma da minha mão.

Soluço resolveu fazer o seu título de líder dos cavaleiros de Dragão ao dar um passo para frente e falar.

— Você se lembra da crueldade do fantasma da neve, eu já entendi. Mas também se lembra de ter a idade que eu tenho e querer explorar e precisar ver o que tem por ai a fora, ter respostas para as perguntas que você nunca nem fez . –Soluço pegou o Olho de Drgão. – Isso vai fazer tudo, mas só se você me ajudar a desbloqueá-lo.

Soluço tinha feito aquele mini discurso e eu só observei quando a Gothi fez que sim com a cabeça. Depois daqui-lo estava decidido, e Perna de Peixe, Soluço, a Gothi e eu fomos até onde os outros estavam para podermos ir até a ilha da Geleira.

No meio do caminho até os outros, eu puxei o braço do Soluço para ele parar. Ele olhou para mim de forma interrogativa.

— Hey, eu ouvi o que você disse para a Gothi e eu quero que você saiba que eu estou com você nessa. – Ele parecia surpreso com o que eu disse. – A gente começou errado, mas eu quero isso tanto quanto você. Eu viajei por muito lugares, e sei que há ilhas que eu não conheço que eu quero explorar, mas também sei que há ilhas que eu já vi e você não, mas eu quero que você saiba que eu adoraria mostrar para você cada uma delas.

Eu não era muito boa com essas coisas de ser sociável e legal com outras pessoas, sendo que foi sempre foi os meus dragões e eu.
Soluço parecia bem surpreso com o que eu disse, mas ele sorriu para mim.

— Obrigada Morgada. Eu estou feliz que você tenha aceitado ficar com a gente. – Ele apertou a minha mão que ainda estava na dele. Quando eu percebi isso, eu soltei rapidamente.

— Acho melhor a gente ir com os outros. – Eu falei praticamente tudo de uma vez, voltando a caminha. Eu podia senti que o meu rosto tinha esquentado muito.
Luna apareceu do meu lado e me deu um sorrisinho.

— Ah, nem comece. — Eu estava perdida com esse grupo.

Notas finais
E agora a nossa aventura continua. Quem esta curioso para saber como o relacionamento entre a novata e os outros vai se desenrolar? Será que eles realmente confiam nela? Espero que tenham gostado de mais um capítulo ^^ Kiss