When the Moon meets the Night
5 Capítulo 5 - A dentista
Notas iniciais
Pov Morgana
A viagem até a ilha da Geleira tinha durado a noite toda. Luna e eu estávamos voando na frente ao lado do Soluço, tinha deixado Amarok em Berk, ele ainda estava cansado dos últimos dias, então pedi para ele dar uma mãozinha ao Bocão enquanto eu ia com o resto conseguir o dente do Fantasma da Neve.
Entretanto, parecia que os cavaleiros de Berk não estavam acostumados a voar por tanto tempo, porque estavam todos um pouco cansados, mas o engraçado era que eles também pareciam bem animados, Perna de Peixe mal se continha em cima da Batatão.
— O livro dos Dragões menciona o Fantasma da Neve, mas não tem mais informações. Da para acreditar nisso! Um dragão inédito, já faz tanto tempo que eu já tinha esquecido a sensação. – Perna de Peixe falou super alegre.
— Tudo o que vocês sabem esta naquele livro? – Eu perguntei um tanto confusa.
— Sim... mas a gente não escreve como antes, mostrando só o lado mortal dos dragões e essas coisas. – Soluço tinha confirmado, mas logo adicionou o final porque sabia que eu não gostava daquele livro. Eu ri de leve com o desespero dele em tentar não me deixar chateada.
— Está tudo bem, agora eu sei que vocês não são assim, só achei que ele era tipo uma parte Um ou algo do tipo, porque o número de espécies são poucas. – Eu dei de ombros, mas Perna de peixe parecia indignado com a minha resposta.
— Pouco? Poucos?! Quantos você consideraria muitos? – Ele perguntou bem curioso.
— Eu não vim desse arquipélago Perna de Peixe, existe bem mais do que você imagina. – Eu respondi e só faltava ele pular da Batatão de animação.
— Não acredito que ainda há tanto para ver! E vamos conhecer um dragão novo agora mesmo.
— O mesmo dragão que, sozinho, destruiu a equipe de busca inteira da Gothi? — Astrid perguntou.
— É exatamente isso. – Ele respondeu meio culpado. – Por isso o voou longo valeu a pena. – Ele voltou a animação.
— Fale por você! Seu pescoço não esta cheio de baba de velha. – Melequento reclamou bem irritado com a Gothi, que tinha ido com ele no Dente de Anzou, e estava babando muito enquanto dormia.
— Você não devia ter ficado se exibindo que tinha o maior dragão. – Eu o lembrei e recebi um olhar carrancudo de novo. Eu apenas ri do garoto, era divertido irritar ele.
— Bem chegamos. – Astrid comentou quando chegamos perto o suficiente para pousar.
Achamos uma parte sólida para pousar em meio a só gelo, e todos descemos.
Melequento tentou brincar com a Gothi, oferecendo a mão para ela descer e depois tirou para ela cair, a velha retribuiu puxando o pé dele com o cajado.
— Sabe, eu gostei bastante dela. – Eu comentei depois de ver a cena.
— É, ela podia acompanhar mais a gente. – Astrid disse e eu apoio o plano.
Todos nós olhávamos para a curandeira agora, afinal era ela que já tinha encontrado com o Fantasma da Noite antes. Ela olhou bem o arredor, mas depois de um tempo ela só deu de ombros, mostrando que não sabia o caminho.
— Ótimo! Ela não sabe nada, alguém tem que levar esse saco de osso de volta, ela só tem joelhos e cotovelos. – Melequento reclamou massageando as costas.
— Acho melhor procuramos no centro da ilha, é a onde tem mais nevascas. – Eu disse para o Soluço.
— O gênio, como você espera conseguir achar o dragão no meio de uma nevasca? Depois ainda se diz experiente. – Melequento exclamou de forma ironia para mim.
— Se você não percebeu, ele se chama Fantasma da Neve por uma razão, é branco, veloz e se mistura entre a nevasca para não ser visto, então o melhor lugar para ele se camuflar é provavelmente a onde ele vai estar. – Eu expliquei.
— Eu sabia disso. – Melequento disse bravo enquanto cruzava os braços.
Mas como se o próprio clima tivesse me ouvido, começou uma nevasca bem a onde estávamos. O vento era um pouco forte e forçava os dragões a segurarem os seus donos. O frio também aumentou, e diferente de mim, que tinha trocado de roupa (um casaco pesado azul marinho com capuz felpudo) antes de vir, nenhum dos outros estava agasalhados para as condições.
Por mais que dragões aguentem temperaturas mais altas, eles também têm limites. Luna estava tentando se segurar no chão, Banguela, ao ver isso, se aproximou do lado dela e passou uma das asas sobre ela, para ajuda-la.
— Será que da para fazer alguma coisa? Minha boca está começando a congelar. – Melequento se dirigiu ao Soluço.
— Não da esperança para gente. – Astrid brincou e eu ri de novo. Aquela garota era ótima.
— Acho que eu posso ajudar. – Eu disse enquanto ia até Luna. – Obrigada Banguela. – Eu fiz um carinho na cabeça dele, por ele ainda estar cobrindo Luna do frio.
Eu fui até a mochila presa na cela e peguei algumas frutas amarelas. De uma para Luna e uma para Banguela, já que ele estava bem do lado.
— Estas são Ambares de Apolo, são frutas térmicas, esquentam o corpo ao ingeri-las. O efeito dura algumas horas, mas acho que pode ajudar com o clima – Eu expliquei enquanto entregava duas para cada treinador, e uma para Gothi e o Soluço.
— Nossa, isso é incrível. Você veio mesmo preparada. – Soluço elogiou ao comer. Eu corei, não estava acostumada com elogios.
— Você tem mais dessas frutas loucas? – Cabeça Dura me pediu. – Elas são bem gostosas.
— Não é bom comer muitas de uma vez, o calor pode ter deixar doente e causar vomito e mal estar. – Eu expliquei.
— Então eu acho que você definitivamente deveria dar mais para ele. – Cabeça Quente parecia bem mais animada agora.
— Pessoal, acho melhor procurarmos logo o Fantasma da Neve, porque só vamos embora depois de acha-lo. – Soluço voltou ao assunto original.
— Devíamos nos dividir para percorrer uma área maior.
— Boa ideia, Astrid. Deem gritou de dragão se virem algo. – Soluço orientou aos outros.
Eu fui até Luna para que a gente pudesse ir, Banguela ainda estava do lado dela.
— Vamos amigão. – Soluço falou para o fúria da noite, mas ele não se mexeu, só olhou preocupado para Luna e depois para o Soluço.
— Acho que ele esta preocupado com ela. – Eu disse ao moreno.
— Bem, então é melhor a gente procurar pelo Fantasma da Neve juntos. – Soluço disse, e eu fiquei surpresa, achei que ele iria fica bravo com o Banguela ou com a Luna, mas ele parecia contente com a ideia. E o fúria da noite concordava com ele, porque ele se separou da Luna para Soluço montar na cela e eu fiz o mesmo.
Nós quatro tínhamos ido mais para o centro, tentamos encontrar o dragão da neve, mas não conseguimos achar nada. Depois de meia hora, achamos melhor voltar com os outros para vermos se eles tiveram mais sorte.
— Não acredito que não achamos nada. – Eu disse para Soluço quando pousamos. Banguela foi logo para o lado da Luna, apesar de a nevasca ter parado, ele parecia querer ficar perto dela, mas Luna não parecia muito interessada, ela olhou para ele e ele sorriu para ela, mas ela virou o rosto, ele abaixou as orelhas decepcionado.
— Não fique assim Banguela, ela só não esta acostumada com outros dragões, mas ela esta muita agradecida por você se preocupar com ela. – Eu me abaixei para fazer um carinho de consolo no Banguela, Luna apenas continuou com a cabeça virada para o outro lado. Banguela não pareceu desistir, porque foi para o outro lado dela tentando chamar a atenção.
— Não parece, mas ela gosta dele. – Eu disse ao Soluço ao ver os dois e ele riu.
Nessa hora, os outro voltaram também.
— Alguém achou alguma coisa? – Soluço perguntou.
— Nós achamos uns ossos de iaque espalhados. – Cabeça Quente avisou.
— Eu não vi nada, mas tinha uma sensação estranha que tinha algo me observando. – Perna de Peixe também respondeu.
— Ah! Eu também tive uma sensação estranha como se tivesse uma velha na minha cola. – Melequento reclamou, e a Gothi apareceu atrás dele semi acordada de novo.
Quando o tempo parecia ter acalmado, uma nova nevasca começou e dessa vez mais forte.
— Soluço, acho que seria melhora gente ir embora, olha a nevasca horrível que esta chegando. – Astrid disse se abraçando de frio.
— Não, nós temos que esperar aqui até o Fantasma da Neve aparecer.
— Eu posso ficar aqui e vocês voltam para Berk Não quero ser grossa, mas vocês vão congelar aqui vestidos assim. – Eu disse.
— Não vamos deixar você aqui. Vamos achar o dragão, lembrem-se que ele gosta de atacar quando não tem visibilidade.
— Que ótimo. – Perna de Peixe disse com falso animo.
— Então se vamos ficar aqui, seria melhor fazer um abrigo ou algo. – Astrid disse.
Todos concordaram e começaram a montar as barracas.
— Aqui. – Eu segurava um casaco extra que eu tinha para a Astrid. Ela estava tremendo com o frio.
— Obrigada, eu precisava. – Ela disse agradecida.
— Por que você deu o casaco para ela? Eu estou morrendo aqui. – Melequento praticamente gritou no meu ouvido.
— Porque ela não mandou o dragão dela me atacar e, principalmente, não fica gritando no meu ouvido! – Eu gritei de volta para ele. Ele olhou abriu e fechou a boca duas vezes e murmurou:
— Menos de 24 horas e já fica me xingando também. – Depois foi para o lado do Dente de Anzol.
— Olha, você esta subindo cada vez mais no meu conceito. – Astrid apoiou o braço no meu ombro enquanto observávamos o Melequento ficar resmungando.
Depois de meia hora, já tínhamos algumas barracas prontas, o que eu não achei muito eficiente, considerando que eram fracas demais para uma nevasca daquelas.
— Usem os dragões como proteção extra pelo vento. – Soluço tentou gritar em meio a ventania.
Luna estava do meu lado, ela tentava me cobrir com a asa, mas ela mal conseguia abri-las. Banguela era o que mais lutava, porque tentava cobrir Soluço com uma asa e Luna com a outra.
— Soluço! — Eu grite quando uma rajada bem forte me fez ser arrastada um pouco para a esquerda. Eu senti ele agarrar a minha mão antes que eu fosse levada de vez para longe.
— Eu te peguei, não vou largar. – Soluço me disse e eu sorri agradecida.
Agora que ele me ajudava, eu pensei que estaria tudo bem, mas logo depois eu ouvi a barraca atrás de nós ser destruída.
— É o fantasma da neve! – Perna de Peixe gritou o óbvio para ninguém especifico antes de se jogar dentro da sua barraca e se desesperar.
Contudo, era impossível se esconder, porque todas as barracas, uma a uma, estavam sendo destruídas.
— Segurem firme! E disparem agora! – Soluço tentou orientar todo o mundo, mas era impossível enxergar algo para mirar.
— Dispara para onde? Não da para ver nada. – Astrid gritou de volta.
— Na verdade, façam o seguinte: se protejam! – Após dar as novas ordens, foi um caos. Os outros começaram a correr de um lado para o outro tentando achar algo para se esconder, mas só tinha neve em volta.
Eu mal conseguia ver Soluço do meu lado, mas eu sabia que ele ainda estava ali porque ele ainda segurava a minha mão e me arrastava junto. Eu olhei para trás e vi um tiro acertar o chão perto do Melequento que fez ele voar para uma pilha de neve e mais um tanto cair sobre nós quatro (Banguela, Soluço, Luna e eu).
— Você está bem? – Soluço perguntou, tinha nervosismo na voz dele enquanto checava se eu tinha qualquer tipo de ferimento.
— Eu estou bem. – Eu garanti e vi a expressão dele relaxar. Nós dois olhamos para nossos dragões, Luna tinha caído em cima do Banguela, mas este parecia bem aliviado que ela estava bem. Ver que ele se importava com ela me deixava muito feliz, mesmo com o temperamento forte dela.
Eu ouvi Soluço soltar uma exclamação de surpresa e eu segui o olhar dele até pra fora do monte de neve e vi um dragão completamente branco bem na nossa frente, ele não era muito grande, mas ainda era intimidador.
Nós vimos o fantasma da neve chegar bem perto do Melequento e soltar um rugido. Eu vi que Soluço estava prestes a se levantar para tentar ajudar, mas eu segurei o braço dele, ele me olhou confuso.
— Olha. – Eu apontei para eles. Ao invés de atacar o Melequento, o dragão ficou olhando para a neve como se não tivesse nada ali e depois deu as costas.
— Banguela, tiro de aviso. – Soluço comandou ao fúria da noite.
O ataque era para controlar o dragão, mas foi seguido pelo ataque dos demais.
— Não! Vocês vão espantar ele e precisamos do dente. – Eu tentei falar em meio a bagunça, mas ele continuavam a disparar e o fantasma da neve tentava revidar.
Soluço viu isso e pediu um cessar fogo para que pudéssemos sair do meio da neve e nos situar.
— Eu já estou cansado desse dragão, amigão. Agora explosões múltiplas!
— Não Soluço! – Eu tentei impedir, mas Banguela já tinha disparado e causou o que eu tinha previsto, a criatura branca fugindo para o alto e longe da nossa visão. – Droga! É por isso que eu disse para parar. Esse dragão é territorial se ele escapa, vai voltar a se camuflar e nos atacar despercebidos de novo.
Soluço olhou um pouco culpado para mim, mas era melhor se preocupar com os outros agora.
— Eu tenho uma pergunta Soluço. Qual o seu plano para pegar um dente do fantasma da neve? Tirar do cadáver de um de nós? – Pelo jeito Melequento estava bem, porque voltou com o drama.
A Ghoti foi para o meio para rabiscar algo no chão.
— Ela disse: Deveríamos ter ido embora quando tivemos chance. – Perna de Peixe traduziu e só deixou o clima mais tenso.
— Não podemos ir embora agora, estamos tão perto. – Eu tentei argumentar, mas o único que parecia concordar era o nosso líder perneta.
— Soluço, Morgana, vocês sabem que eu quero isso tanto quanto vocês, mas acho melhor irmos embora, estamos feito patos em meio à nevasca. – Perna de Peixe disse, e eu arregalei os olhos de realização.
— É isso: patos! – Eu exclamei em vitória, mas todo o mundo me olhava como se eu tivesse uma segunda cabeça. – Soluço, a temperatura!
Eu quase vi uma lâmpada acender em cima da cabeça dele.
— Mas é claro, é exatamente o que temos que fazer. – Todo mundo ainda olhava confuso.
— Podemos fazer o fantasma da neve pensar que ele nos vê sem estarmos aqui. – Eu tentei explicar bem animada com a ideia.
— Você consegue ficar invisível? Você esta oficialmente aceita no grupo. – Cabeça Dura disse e eu só rolei os olhos diante da idiotice.
— Olhem, o Cabeça Dura não esta viajando. É o seguinte: o fantasma da neve nos via perfeitamente até o Melequento cair enterrado na neve. – Soluço começou a explicação.
— Além disso, a Gothi também falou que ele não conseguiu vê-la quando ela caiu em um monte de neve. – Eu continuei.
— Achamos que é porque ele enxerga a temperatura corporal do mesmo jeito que o Banguela e a Luna se orientam pelo som. – Eu assenti com a cabeça concordando com o que ele disse.
— Podemos usar isso para confundi-lo, se criamos uma fonte de calor como distração, podemos captura-lo e pegar um dente. – Eu terminei a explicação.
— Vocês têm certeza que vai dar certo? – Astrid perguntou desconfiada.
Eu fiz uma careta e olhei para Soluço que também não tinha certeza, mas estávamos confiantes.
— Eu te odeio sabia? Você também novata.
— Sim, estamos cientes disso, mas vamos lá.- Soluço sorria, estava renovado e com um plano bom dessa vez.
Decidimos usar os restos das barracas anteriores para fazer bonecos o que eu achava bem desnecessário caracterizar algo que iriamos colocar fogo, mas os gêmeos e a rainha do drama queriam se representar bem em forma de pano. Depois de tudo pronto, e algumas exclamações de pinturas de narizes tortos, tudo estava pronto, nós nos escondemos dentro de uma caverna ao lado para observar melhor.
— Vai Banguela, Luna, podem acender. – Banguela logo atirou, mas Luna fez uma careta por receber ordens do moreno, mas obedeceu depois de ver a minha careta.
Nós esperamos até ver algo sobrevoando os bonecos.
— Pronto, quando ele vier de novo, a gente ataca.
Quando vimos o dragão descer de novo, ele jogou longe o boneco do Melequento, este não ficou muito feliz com isso o que me fez olhar para o lado e a raiva se refletiu no Dente de Anzou que acendeu fogo pelo corpo todo.
— Banguela! – Eu gritei em aviso ao ver o teto acima de nós começar a derreter pelo calor do pesadelo monstruoso. Eu pulei em cima da cela da Luna para impedir que ela e eu ficássemos presas. Ao olhar paro lado vi ele tinha percebido o que eu queria avisar e tinha tirado o melhor amigo da caverna também.
— Você está bem? – Eu gritei para ele, mas não deu tempo de responder porque o Dragão branco tentou nos atacar de novo.
Nós quatro corremos para o meio das chamas dos bonecos, que por sorte ainda estavam acessas. Seria mais fácil nós camuflar, já que ele não iria conseguir nos distinguir do calor do fogo.
Banguela e Luna começaram a lançar disparos de sonda para tentar achar algo no meio da nevasca. De novo e de novo, mas não conseguíamos nada.
— Você não acha que ele já deveria ter atacado? – Eu perguntei porque estava quieto demais e não gostava nada disso.
‘Esquerda.... direita... na frente.... por cima.... então só falta...
— Por trás! – Nós nos viramos bem a tempo de dar de cara com a boca aberta e cheia de dentes do fantasma da neve, mas antes que os dois fúrias da noite pudesse atacar, uma velhinha resolveu fazer esse trabalho.
— Gothi, não! – Soluço tentou gritar para ela, mas Gothi parecia bem determinada a se vingar do dragão porque ela correu sacudindo o bastão para o alto e começar a bater com ele na cabeça do fantasma.
Claro que aquilo não era suficiente para causar algum dado e sim só irritar mais ainda o animal. Eu levantei o pulso direito onde tinha acoplado um lança corda, e disparei para que esta se prendesse no cajado da velha e a puxei para trás antes que ela levasse uma mordida. Logo em seguida, Banguela começou a atirar nele, junto dos outros que tinha se libertado da prisão de gelo.
— Isso! O Melequento tirou a gente da neve. – Este se referiu a si mesmo na terceira pessoa.
— Mas também foi o culpado de ter enterrar a gente. – Astrid rebateu.
— Meros detalhes...
Agora como todo mundo solto e o fantasma da noite no chão, os dragões começaram a cercar ele.
— Agora ele está cercado, é só pegar um dente. – Não deu nem tempo do Soluço terminou de falar e o dragão começou a voar para desaparecer de novo. – Não!
— Ah, mas não vai mesmo. – Eu disse a mim mesma ao pular na cela de Luna e ir atrás do animal.
— Morgana!
Eu ouvi alguém gritar, mas ignorei, até eu já estava irritada com aquele dragão e iria acabar com aquilo agora.
— Luna, Interceptação Cega!
Luna mandou três disparos em direção ao fantasma da neve, mas não para acerta-lo e sim em torno dele. Eu me equilibrei para ficar de pé em cima da cela e peguei o Osso Voador preso as minhas costas com uma alça e lancei em direção ao disparos, graças a isso, eles explodiram formando uma nuvem de fumaça que cobriu o dragão.
— Vamos lá, garota. – Nós duas entramos naquele campo cego.
Pov Morgana off
— Morgana!
Soluço só teve tempo de gritar ao ver a garota levantar voo e ir atrás do réptil gigante. Ele e os outros ficaram assistindo quando a nuvem de fumaça cobriu os três. Parecia que o tempo, por ironia, tinha congelado, eles só podiam ouvir o rugido dos dois dragões.
— Droga!
Quando Soluço estava prestes a ir lá em cima ele mesmo para ver se elas estavam bem, a fumaça se dissipou mostrando Morgana e Luna intactas e o fantasma da neve que não esperou nem mais um minuto antes de se virar e sumir em meio a paisagem branca. Soluço nunca se sentira tão aliviado e zangado ao mesmo tempo. Antes que ele pudesse dizer algo a morena que acabara de aterrissar na frente deles, ela foi rondada pelos outros.
— Você precisa me emprestar esse bumerangue para eu usar na Cabeça Quente.
— Ou me emprestar, para eu enfiar no nariz do Cabeça Dura.
— Eu deixo você casar comigo de novo.
— Que ataque incrível!
— Olha, depois disso, você tem que treinar comigo.
Morgana tinha ficado surpresa com a agitação, mas ela sorria por ter agradado todo mundo. Contudo, esse sorriso sumiu do rosto dela ao ver a careta na cara do Soluço.
— Não acredito que você fez essa loucura! – Não era a primeira coisa que ele queria dizer a morena, talvez um “você está bem?” ou “você poderia ter avisado”, mas a frustação era maior. – Você tem noção e como isso foi perigoso! – Soluço soltou o ar depois de gritar tudo rápido e gesticular com as mãos de um lado para o outro como sempre.
Isso parecia ter deixado todo mundo bem chocado, principalmente Morgana que estava de boca aberta.
— Eu... eu só ... – Ela não sabia o que dizer apenas desviar o olhar.
Soluço soltou um suspiro, agora mais calmo, ele se aproximou mais da Morgana até estar bem na sua frente. Ele estendeu a mão direita para segurar a dela, isso fez ela levantar a cabeça e olhar para ele.
— Você me deu um susto quando fez isso sem nem me avisar, mas estou feliz que esteja bem. – Ele tinha sussurrado e ela sorriu em resposta o que deixou o rosto dele mais calmo.
— Tudo bem, isso não acabou, ainda temos que terminar o serviço e pegar o dente do fantasma da neve. – Soluço estava pronto para subir no Banguela e ir atrás do dente.
— Na verdade, acho que não vai ser necessário. – Morgana chamou a atenção de todo mundo ao mostrar o canino que tinha nas mãos.
— Um dente! Como você conseguiu isso? – Soluço olhava admirado o dente.
— Ele mordeu o Osso Voador e acabou ficando preso.
— Isso! Agora podemos, por favor, sair desse bloco de gelo gigante?
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Pov Morgana
Depois de mais um dia bem complicado de dentista, estávamos agora na oficina do Bocão, ele não tinha feito um trabalho muito bom como substituto da Gothi, mas agora precisávamos ver se ele limpou o dente e se ele serve para a fechadura do olho de Dragão.
— Aqui esta a sua chave.
Bocão entregou o dente ao Soluço que colocou na fechadura, mas depois não aconteceu mais nada.
— Nós quase morremos por isso? – Melequento perguntou indignado, ninguém estava muito impressionado também.
— Tem que tem alguma coisa além disso. – Soluço analisava o Olho de Dragão, mas ele não fez nada. Ele se virou para mim.
— Desculpe, mas eu não sei exatamente como funciona, eu disse antes, nunca vi ele em “ação”. – Eu expliquei, mas pela cara do Soluço, ele não parecia muito feliz com a resposta.
— Acho que seria melhor todo mundo ir para casa e descansar. Depois de hoje, a gente pode tentar descobrir mais sobre o Olho de Dragão amanhã – Astrid disse e todo mundo parecia concordar.
Eu me virei para Luna.
— Hey garota, vamos, você merece um descanso. – Eu disse a ela e começamos ir em direção a floresta da vila, mas Banguela entrou bem na nossa frente.
— A onde você vai? – Eu me virei para Soluço atrás de mim.
— A floresta, podemos fazer acampamento lá.
— Você pode ficar lá em casa, tem espaço para você e a Luna, apesar de eu não saber onde Amarok está. – Banguela parecia bem animado agora ao lado da Luna, mas está não deu muita atenção a ele.
— Ele é mais um espirito livre, não gosta muito de celas e de ficar preso. Amarok gosta mais de ficar na floresta mesmo. Mas eu não quero atrapalhar, eu já estou acostumada a acampar.
Parece que o que eu disse foi pior para ele, porque depois disso que senti Banguela me empurrar para frente com a cabeça.
— Ok, ok. Nós vamos. – Eu concordei para que o fúria da noite se acalmasse, mas ele parecia bem mais animado agora.
Soluço nos levou até a casa dele, mas tinha esquecido de um pequeno detalhe
— Pai! – Stoico estava na mesa de jantar aproveitando a refeição. – Eu achei que você tinha uma reunião hoje. – Soluço riu nervoso.
Acho que ele não estava assim pelo fato de ter trazido uma garota para casa, mas pelo fato de esta ter explodido parte da vila e o chefe desta estava bem na minha frente.
— Senhor. – Eu dei um passo para frente. Pude ver que o medo no rosto do Soluço estava pior, era praticamente “por favor, não fale besteira”. Stoico arqueou uma sobrancelha mostrando curiosidade. – Eu sei o que eu fiz a sua ilha, mas eu não posso pedir desculpas pelo o que eu fiz, porque eu acreditava que era certo, eu vivi acreditando que vikings não são confiáveis, mas apenas gigantes que gostam de balançar um machado. – Isso era claramente o que Soluço não queria ouvir, porque ele só faltava puxar os cabelos de nervoso. E Stoico também fez uma careta. – Porém eu conheci o seu filho.
Isso chamou atenção do moreno que agora me encarava.
— Ele me mostrou que é possível confiar nas pessoas e que eu não preciso viver sozinha. – A expressão do Stoico continuava em pedra, já Soluço ele olhava sorrindo para mim. – É por isso que eu também devo respeitar o senhor como chefe dessa ilha, e que se você preferir que eu vá embora, eu irei fazer isso.
Eu terminei e o sorriso do Soluço se desfez.
— Não, não, não e não. Não vamos mandar você embora agora, faz parte do time. Não é pai? – Ele olhou para o pai, mas este continuava quieto.
Soluço ficava trocando o olhar entre Stoico e eu, mas eu mantinha a compostura.
— Você não devia ter atacado o meu povo. – O chefe se levantou e parou na minha frente, ele faz jus ao apelido de Imenso. – Mas eu sei que você também ajudou o meu filho e protegeu os amigos dele, e Berk tem sorte de ter você como aliada.
Eu sorri com o final e vi Soluço soltar a respiração.
— Acho melhor vocês irem descansar agora.
— Brigada pai. – Soluço agradeceu antes de me puxar para o segundo andar da casa.
O quarto dele não tinha muitas coisas, mas era bem grande para que coubesse a “cama ” do fúria da noite, este parecia bem animado com as novas amigas, ele foi até Luna sorrindo e depois correu para a pedra e ficou sentado.
— Parece até que ele esta apresentando o local para ela. – Eu disse rindo.
Luna queria ignorar, mas não era todo dia que ela podia dormir no local assim. Então ela engoliu o orgulho e foi até a pedra, ela parecia arregalou os olhos para a cama, mas depois abriu um sorriso e esfregou o focinho de leve no rosto do Banguela e esse abriu um sorriso maior ainda.
— Ele parece bem feliz de ter encontrado uma nova amiga... e eu também. – Eu pude sentir o meu rosto esquentar, e eu estava começando a odiar como isso estava se tornando algo comum para mim.
Eu virei o rosto para que ele não visse, e depois resolvi alimentar os dois dragões no recinto, sorte que Soluço tinha um balde especifico para isso. Quando eu terminei, o moreno estava na escrivaninha dele, e eu fiquei bem surpresa com a quantidade de rascunhos espalhados.
— Nossa! Foi você que fez tudo isso? – Minha pergunta fez atenção dele sair do Olho do Dragão.
— Ah sim, eu sou meio que um inventor, mas são só rascunhos, nem são bons. – Ele parecia meio tímido agora.
— Você está brincando? Isso aqui é incrível, tem coisas aqui que nenhum viking sonharia conseguir. – Eu realmente estava impressionada, tinha desenhos de todos os tipos, desde utensílios há planadores e maquinas maiores.
Eu percebi que estava distraída demais quando Soluço não disse mais nada, eu me virei para ele e ele me olhava com a boca aberta e meio bobo.
— O que foi? – Eu fiquei meio desconfortável pelo jeito que ele me olhava.
— Desculpa, é que geralmente ninguém mostra tanto interesse pelas minhas invenções, eles pensam que é perda de tempo e impossível. – Ele parecia sem graça agora.
— Soluço, você conseguiu treinar um fúria da noite e mudar uma ilha de matadores de dragões para protetores destes, você tem todo o direito de dizer que nada é impossível. – Eu sorri e ele retribuiu, mas eu percebi que o rosto dele tinha ficado meio rosado.
Eu voltei a olhar os desenhos, mas eu vi algo de canto de olho. O olho de dragão estava emitindo uma luz anil, eu olhei para o lado e vi Banguela estava acendendo fogo à pedra para eles irem dormir.
— Soluço, olha. – Eu apontei e ele logo percebeu o que era.
— Amigão, vem aqui rapidinho. – Ele pegou o Olho de dragão e colocou em um banquinho virado para a parede, Banguela parou atrás do cilindro e abriu a boca para emitir uma chama baixinha.
Eu e Soluço ficamos observando com os olhos arregalados o projetor ser acionado e várias imagens apareceram na parede, imagens de ilhas e informações que eu nunca tinha visto antes.
— Soluço....
— Sim. Isso muda tudo.
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