When The Lightning Stopped Time
4 When the Lightning was not there
Notas iniciais
Por favor, não me matem.
Quando pensava em Erza, Jellal Fernandes conseguia ser a pessoa mais insuportável do planeta.
Ele parecia uma daquelas garotinhas protagonistas de comédias românticas água com açúcar. Ultear definitivamente odiava essas garotinhas.
Graças ao poderoso dragon slayer do trovão que milagrosamente fez com que a maga do tempo considerasse a ideia de relaxar de vez em quando, a Crime Sorciere estava a caminho de sua guilda preferida, em sua cidade preferida, Magnólia.
Ultear suspirou. Talvez o que mais a irritava no comportamento de seu companheiro de guilda fosse o fato de ele estar ecoando seu próprio entusiasmo.
Ela não queria admitir. Era vergonhoso demais. Ultear Milkovich não era dependente de ninguém. Porém, nem mesmo ela podia negar que estava sentindo falta de Laxus.
Depois de a última vez em que eles se viram, Ultear jurou para si mesma que nunca mais veria o mago. Ele agira como um grosso, e ela nem mesmo foi capaz de dizer tudo que se passava em sua mente a ele, já que Laxus não a dera a oportunidade.
De qualquer forma, por mais grosso e estúpido que ele tenha sido, Ultear sentia sua falta. Ela queria sentir os fortes braços dele ao seu redor; queria sentir sua pesada respiração em seu pescoço e ouvir a voz profunda dele abafada por sua pele.
Ninguém se surpreendera mais com esse fato do que a própria Ultear. Ela mal podia acreditar que estava se sentindo dessa forma.
Um pouco abaixo de seu pulso direito, havia uma pequena marca roxa. Uma marca que o próprio Laxus Dreyar fez. Como ela previra, seus pulsos haviam ficado repletos de hematomas graças à maneira que Laxus a segurou. Felizmente, a maioria já havia clareado. Só sobrara a pequena marca roxa, quase verde agora, onde o dedão de Laxus a apertara.
Ocasionalmente, Ultear colocava seu próprio dedo sobre o pequeno hematoma. Ela repugnava a maneira como ele a machucara tão facilmente, mas quando tocava o pequeno ponto roxo, não podia deixar de sentir arrepios percorrerem sua espinha, pensando que estava tocando exatamente onde Laxus a tocara. Era como se ela estivesse mais perto do Dragon Slayer quando realizava esse simples gesto.
Qualquer um diria que Ultear se sentia como uma adolescente apaixonada. A maga do tempo negaria firmemente, dizendo estar longe disso. Afinal, Ultear Milkovich não se apaixonava.
-Estamos quase lá — ela ouviu Jellal praticamente cantarolar.
Ela assentiu vagamente, perdida em pensamentos.
Laxus mal se despedira dela desde a discussão, os dois estavam nervosos demais para isso. Desde então eles não tiveram mais notícias um do outro. O Dragon Slayer do trovão não tinha a menor ideia de que ela estava prestes a aparecer em sua porta.
**
Laxus não estava em casa.
Ultear pôde concluir isso depois de bater sete vezes seguidas na grande porta de madeira e não ouvir sequer um ruído mínimo em resposta.
A ideia de arrombar a porta e esperar o Dragon Slayer chegar passou por sua mente, mas, como eles tecnicamente ainda estavam brigados, Ultear temeu que ele pensasse que ela estivesse invadindo o lugar. Lógico, Laxus não estaria errado.
Um sorriso cruzou os lábios dela.
Desde quando Ultear Milkovich ligava para o que os Dragon-Slayers-Gostosões pensavam?
Ser uma maga do tempo tinha suas vantagens. Ultear podia quebrar objetos materiais livremente e depois volta-los ao seu estado original. Foi exatamente isso o que ela fez para entrar.
A maga tirou seu sapato esquerdo. Era pesado e tinha um salto firme. Também era novo, Ultear comprara-o no momento em que decidiu "visitar" Laxus, mas ela não se importou. Lançou-o com toda sua força contra uma janela de vidro que ela sabia que dava na pequena sala da casa.
O estridente barulho do vidro se quebrando fez os ouvidos de Ultear doerem levemente e ela se viu forçada a olhar ao redor para ter certeza de que ninguém a estava pegando no flagra.
Ultear riu uma risada histérica, enquanto se aproximava do estrago que fizera. Ela pulou alguns cacos de vidro e passou sua mão pelo buraco que seu salto fez.
Destravando a janela, ela a abriu completamente, passando suas pernas para dentro do pequeno cômodo.
Estava escuro, mas Ultear não se importava. A claridade que vinha das janelas era suficiente para os olhos da maga.
Depois de restaurar impecavelmente a janela, ela se deparou com uma dúvida: O que ela deveria fazer? Esperar Laxus sentada na sala? Comendo um pacote de biscoitos na cozinha? Tá legal, como se Ultear Milkovich já não soubesse a resposta.
Ultear caminhou em direção ao quarto de Laxus, largando seus sapatos na sala e começando a tirar sua pesada jaqueta de couro. Seu plano era tirar todas suas peças de roupa e espera-lo pacientemente no quarto.
Todavia, nem sempre tudo ocorre como planejamos. Por exemplo, Ultear mal passara a jaqueta por seus braços quando ouviu a porta da frente ser aberta.
Ela mordeu seu lábio inferior, sentindo o sangue correr mais rapidamente por suas veias.
Laxus chegara.
-Oh, Laxus! – Ultear ouviu uma voz extremamente aguda dizer. – Eu te amo tanto!
Os punhos da maga fecharam-se involuntariamente. Ela ouviu a porta ser fechada bruscamente e prendeu sua respiração.
-Laxus! – ela ouviu a mesma garota gritar.
Ultear estava paralisada. Laxus estava com alguém. Era como se o tempo estivesse passando mais lentamente. Ela podia ouvir todos os gemidos que saíam do pequeno cômodo ao lado. Cada ruído mínimo que somente os ouvidos mais atentos captariam.
Passos. Ultear pôde ouvir passos desajeitados se aproximando de onde ela estava. A maga tinha certeza que seus olhos estavam arregalados e vagamente percebia que seu corpo todo tremia.
-Laxus! – Ela ouviu a garota choramingar.
Tão rápido quanto o choque a atingira, a raiva tomava conta de seu corpo. Ela estava furiosa com Laxus por trazer vagabundas a sua casa e principalmente com ela mesma, por ser tão burra a ponto de achar que tinha uma ligação com o mago do trovão.
Ultear rapidamente agarrou a jaqueta que jogara no chão apenas segundos atrás. Ela correu para a janela mais próxima do quarto, abrindo-a cuidadosamente.
Aparentemente, a janela não era aberta há algum tempo, já que um sonido agudo tocou os ouvidos dela quando abriu o vidro. Porém, Ultear não se importou com a probabilidade de Laxus a ouvir, uma vez que ele estava ocupado com a vagabunda.
A maga do tempo saltou para fora, sentindo o frio ar da noite queimar seu rosto quente. Ultear Milkovich estava acostumada a fugir dos lugares, afinal, ela era uma fugitiva aos olhos do conselho.
Entretanto, ela não estava acostumada em fugir com lágrimas nos olhos.
**
Não era todo dia que um nó agonizante se formava na garganta de Ultear Milkovich.
Ela bebeu um gole de seu whisky.
Assim que saiu às pressas da casa de Laxus, Ultear correra para o primeiro bar que encontrou. Fazia anos desde que a maga do tempo bebia, mas evidentemente desde que Laxus Dreyar aparecera, sua vida estava repleta de escolhas ruins.
Era quase irônico o fato de Ultear estar bebendo whisky.
Honestamente, ela não era fã da bebida. Era quente e forte demais para seu gosto. Porém, quando o barman perguntou a garota o que ela queria, Ultear respondeu sem hesitar. Whisky. Por quê? Simplesmente porque ela sabia que era a bebida preferida do Dragon Slayer do trovão.
Como ela pôde ser tão burra? Ultear não sabia o que encontraria quando chegasse em Fiore. Talvez Laxus ainda estivesse irritado com ela, ou talvez ele estivesse em uma missão.
Ela nunca pensou que ele estaria se agarrando com uma ordinária em sua própria casa. Sua própria casa. O lugar onde ele a levara.
Claramente, para Laxus, Ultear era só mais uma. Só mais uma que ele levava para cama. Só mais uma que ele –
-Duplo, por favor – Ultear ouviu uma voz que tanto conhecia.
Instantaneamente, sua cabeça virou em direção ao som. Certamente, lá estava seu amigo, parado em pé na frente do balcão, com seus cabelos azuis incrivelmente bagunçados.
-O que você está fazendo aqui? – Ultear disse com um tom de acusação ao seu amigo.
Jellal olhou para ela, seus olhos estranhamente inchados e sua postura visivelmente caída.
Ele caminhou até onde a maga do tempo estava, pegando sua bebida no meio do caminho. Seus olhos pareciam perdidos e Jellal se permitiu sentar ao lado dela.
-Eu disse para Erza – ele começou lentamente a dizer, tentando manter sua voz estável – que vou me casar na semana que vem.
Se Ultear não estivesse em sua própria bolha de dor, ela teria gargalhado do amigo, mas tudo o que saiu foi um pequeno sorriso torto.
-E ela acreditou dessa vez? – Ela perguntou sem emoção.
Jellal tomou sua bebida em um só gole, e, logo depois, chamou o barman para encher seu copo novamente.
-Não sei – ele disse, perdido em pensamentos. – Não me importo também. Ela não é para mim. Merece coisa melhor.
Ultear suspirou. Ela detestava essa teoria que Jellal tinha, sobre eles não serem bons o suficiente para o resto da sociedade. Porém, o que ela mais odiava era o fato de Jellal talvez estiver certo.
-Espere – ele disse enquanto estava no meio de sua segunda dose -, o que você está fazendo aqui?
-Eu –
Ela contou tudo. Tudo mesmo. Jellal não comentou nada, mas Ultear sabia que ele estava a julgando. Jellal sempre julgava.
Eles bebiam e conversavam. O rosto de Jellal estava estranhamente vermelho. Ultear sabia que as pessoas ao redor frequentemente olhavam para eles, e talvez ela devesse se preocupar com isso, já que os dois eram procurados. Contudo ela simplesmente não ligava naquele momento. Só queria beber mais, esquecer.
Jellal estava comentando sobre algo que Ultear nem prestava atenção. Eles já tinham bebido pelo menos uma garrafa e meia, ou talvez duas, ela não tinha certeza.
A maga do tempo gargalhava, sem nem mesmo saber o motivo. Ela se sentia como nos velhos tempos, de volta a Grimoire Heart, onde ela e Jellal cresceram. Nem tudo eram trevas naquela época. Pelo menos não para os dois. Quando tinham dezesseis ou talvez dezessete anos, eles escapavam a noite da guilda, roubavam algumas garrafas do mestre Hades e se escondiam no bosque.
Na época, Ultear controlava a mente de Jellal, é verdade. Porém não o tempo todo. Eles se divertiam também.
-Eu acho melhor, de qualquer jeito – Jellal disse, abrindo outra garrafa e enchendo o copo da maga. – Não é como se nós merecêssemos ter relações normais –
-De novo com isso? – Ultear gemeu e bebeu todo o conteúdo de seu copo.
-Você sabe que é verdade – Jellal disse e Ultear notou que os olhos castanhos do mago pareciam mais sóbrios que antes.
-Talvez – Ultear admitiu, pegando a garrafa das mãos de Jellal e enchendo seu copo novamente. -, mas se isso for verdade, nós estamos destinados a ficar sozinhos. Nunca iremos merecer ninguém.
-É – ele concordou. – Só nós dois.
Jellal tomou um gole de sua própria bebida e Ultear sentiu arrepios percorrerem sua espinha. Ela sabia que Jellal não quis dizer o que realmente disse, apenas escapou.
Meredy havia sido deixada de fora da conversa. Lógico, ela era muito mais pura que os dois magos e nunca realmente cometeu um crime sério. Ultear e Jellal já mataram antes, o mago de cabelo azul estava certo em condená-los.
Felizmente, Meredy estava passando a noite com sua amiga Juvia, mais uma vez. Dessa forma, ela não seria forçada a ver seus companheiros se embebedando vulgarmente em um bar.
-Erza merece mais do que eu, não merece? – Jellal disse, tocando seu copo com o dedo indicador.
-Merece – Ultear concordou, simplesmente porque ela sabia que era verdade.
**
-Eu vou voar! – Jellal gritou, em pé na beira do rio.
Ultear riu, ela quase havia se esquecido de como Jellal Fernandes era alegre depois de muito álcool em seu organismo.
-Não se atreva a quebrar essa garrafa! – Ela gritou e correu atrás dele.
Nenhum deles sabia que horas eram. Quatro ou cinco da manhã, talvez? Logo o sol nasceria e alguns acordariam, mas eles não se importavam.
Ultear se chocou contra o mago e passou seus braços ao redor dele, tentando pegar a garrafa de vodka em suas mãos.
Jellal se virou, ainda preso nos braços dela. A respiração dela falhou, graças à proximidade, mas ela logo agarrou a garrafa das mãos do mago e se afastou.
Ele riu ao ver sua amiga devorar o resto da bebida e se aproximou dela. Jellal mal podia pensar direito, sua cabeça latejava e seu corpo parecia mais leve que o normal.
-Acabou – Ultear disse, sua voz muito mais inocente que o normal.
Jellal olhou para a garrafa que ela estava segurando, completamente vazia.
-Acabou – ele concordou.
Os olhos dele caminharam da garrafa para o decote da blusa que ela usava.
-Jellal? – Ela disse o nome dele mais como uma pergunta que qualquer outra coisa.
Ele deu um passo na direção dela. Ultear sabia que deveria se afastar, ela queria se afastar, mas não se moveu nem mesmo um centímetro.
Jellal colocou sua mão suavemente no rosto dela, sentindo-o um pouco molhado.
-Ainda tem um pouco – ele disse e levou seus lábios a bochecha dela.
Ultear tremeu quando sentiu a língua de Jellal em seu rosto. Ele lambia cada gota de vodka que escapou dos lábios dela, até finalmente beijá-la ternamente.
O mago deu acesso imediato a Ultear quando ela encostou sua língua na boca dele.
Ao contrário do que muitos pensariam, beijar Jellal era algo natural para Ultear. Quase familiar. Afinal, fora com ele que ela deu seu primeiro beijo. Teve sua primeira vez. Eles estavam juntos desde que ela se entendia por gente.
Mas, Ultear não o amava. Ela não amava ninguém dessa maneira.
E não era como se ele a amasse. Ultear estava consciente de que os sentimentos de Jellal eram apenas direcionados a Erza Scarlet, e mais ninguém. Entretanto, para dizer a mais pura verdade, ela não dava à mínima.
Ultear não lutou quando Jellal desabotoou sua calça e a tirou cuidadosamente por suas pernas. Ela o ajudou a tirar suas roupas também e mais rápido do que ela pensava, Jellal estava se posicionando em cima dela.
Ela não gritou quando ele entrou. Honestamente, Ultear só gritara três vezes em sua vida. Quando perdera a virgindade, e nas suas duas noites com Laxus.
Laxus. Ultear não pôde deixar de pensar nele. Como o corpo de Laxus completava o seu harmonicamente e como o corpo de Jellal simplesmente não parecia certo.
Ela gemeu levemente e abriu suas pernas o máximo que pôde. O problema de Jellal era que ele era inacreditavelmente gentil e calmo em todos os sentidos. Laxus definitivamente não tinha esse problema.
-Erza – Ultear ouviu Jellal murmurar quando estava atingindo seu clímax.
Ela revirou os olhos.
Jellal Fernandes definitivamente sabia arruinar sua noite.
**
-Acorda! – Ela gritou e socou levemente a barriga de Jellal.
Depois do que eles fizeram, Jellal simplesmente apagara.
Já estava amanhecendo e Ultear sabia que eles precisavam sair daquele lugar.
-Jellal! – Ela o chamou mais uma vez, e ganhou uma série de murmúrios em resposta.
Ultear terminou de se vestir e saiu à procura de seus sapatos. Ela não conseguia encontra-los em lugar algum.
-Que horas são? – Jellal perguntou roucamente, levando a mão a sua testa.
Merda.
Ela queria bater em si mesma. Ultear Milkovich nunca, absolutamente nunca, errava. Ela nunca deixava falhas em seus planos.
Porém, quanto mais o efeito do álcool passava e a dor em sua cabeça aumentava, Ultear se lembrava de que deixou seus sapatos novos na casa de Laxus.
Notas finais
Não me odeiem, por favor! Culpem o álcool!
**
Mais uma vez, eu queria agradecer aqueles que comentaram; Nanda Aye, Haruka Yume, Alice Nesshi Yosei e NyanCat Your Little Cat vocês são incríveis!
Beijos;
Wine;*
Fale com o autor