When Smiled You Knew

18 Capítulo 18- The Big(amazing) Day!


Notas iniciais
Oiiiiii pessoas! Tudo bem? Olha nem demorei tanto certo? Bom capítulo novo para vocês e eu particularmente gostei demais, mas acho que vocês não vão curtir muito ele, talvez até me xinguem por estar tão chato e longo. Mas eu gostei e estou me sentindo feliz com ele.
Espero que gostem!

Eles escutaram três batidas precisas,rapida e nervosa na porta e todos olharam para ela.

–Éponine!- Marius murmurou com um certo tom de felicidade na voz- Essa batida é da Éponine quando ela esta com raiva.

Enjolras se levantou e olhou pelo olho mágico . Sem duvida era Éponine que tinha um semblante irritado e meio desvairado e seus cabelos estavam... Longos?

Ele abriu a porta e ela entrou sem olhar para a cara dele.

–Onde está Marius? -ela perguntou sem olhar para nada.

–Como você encontrou o quarto?

–Ah foi fácil ! Eu perguntei para o recepcionista em qual quarto um bando de caras idiotas e provavelmente bêbados e em apuros estavam. Por algum motivo ele sabia que eu estava me referindo a vocês!- ela terminou de falar e se virou para Enjolras. Ela parou. Ficou sem reação. Em choque pode se dizer ao vê-lo daquele estado. Segundos depois ela estava segurando a risada. Éponine se virou para encarar os outros. Ela não conseguiu mais. Começou a gargalhar. Enjolras fechou a porta sério e ficou olhando para cara da Éponine esperando que ela se acalmasse. Ela estava sentada no chão,vermelha,se contorcendo pela falta de ar. Quando conseguia parar por uns dois segundos,olhava para Enjolras falava "ai,ai" secando uma lagrima e começava a rir

Novamente.

–Acabou?- Enjolras perguntou quando ela conseguiu se controlar. Éponine se levantou com dificuldade.

–Não... Mas onde esta Marius?-ela perguntou e um risada escapou,ela colocou a mão sobre a boca .- Desculpe.

–Marius- Enjolras o chamou e Éponine viu algo verde saindo debaixo da cama com o rosto desfigurado.- Aí está!

–Oi, Ponine- Marius a cumprimentou com um aceno desanimado e um leve sorriso envergonhado

Éponine não disse nada,apenas ficou olhando para Marius com a boca aberta. Aquilo era algum ser que tinha a voz do Marius mas não podia ser o Marius. Deveria ser uma brincadeira... Sim era isso.

Éponine chegou perto dele e puxou lhe o cabelo inclinando a cabeça dele para trás. Ela analisou sem dizer nada,uma ruga surgindo na testa dela que demonstrava que ela estava pensando em como arrumar aquilo.

Finalmente ela o soltou.

–O que diabos você fez com ele?- ela perguntou finalmente para Enjolras. Ela tentava controlar a voz.

–Eu não fiz nada. Quem fez foi o Grantaire- Enjolras respondeu em tom defensivo -Ou você acha que eu iria fazer isso comigo?- ele gesticulou para o proprio corpo.

Éponine suspirou. É ele não faria aquilo com ele.

–Então você tem alguma idéia de como nos ajudar?- Courfeyrac perguntou desesperado.

–Qual o seu problema?- Éponine perguntou. Ele estava com a aparência de sempre.

–Você quer mesmo saber?- ele perguntou e Éponine assentiu.- Isso!- ele se levantou tampando a parte da frente com uma almofada e virou de costas para Éponine.

–O que você espera que eu faça com isso?- Éponine perguntou exasperada- Você vai ter pagar para remover isso... Mais alguém com um problema que eu possa resolver?

–Eu to com um piercing... bem no amigo- Bossuet falou apontando com o olhar para baixo.

Éponine bufou e começou a andar de um lado para o outro. Ela queria ajudar,mas não sabia como. Ela não conseguia ver uma saída para eles. Mas ela também não podia deixar Marius perder o casamento... Se ela se focasse apenas em Marius talvez ela conseguisse tentar dar um jeito... mas os outros ficariam daquele jeito e ela também não podia deixar.

–Então você pode nos ajudar?- Marius perguntou e ela o olhou desanimada o que imediatamente apagou a ultima faísca de esperança que talvez ele pudesse se casar com Cosette.

–Em primeiro lugar: vocês estão ridículos! Todos sem exceção ... E sinto muito eu não vejo o que eu posso fazer Marius! Eu gostaria de ter super poderes, mas eu não tenho! Eu sou apenas Éponine!

–E eu vou morrer!- Joly murmurou. Aquilo havia acabado com todos. Éponine ainda tinha aquela ruga na testa e Grantaire tentava sair escondido quando viu o que ele tinha feito.

Marius se levantou rapidamente e socou Grantaire novamente. Dessa vez Enjolras não o deteve. Os outros amigos foram para cima dele também.

–Pessoal!- Éponine gritou e deu assobio estridente que fez todos pararem de bater em Grantaire e olhar para ela- Isso não vai fazer vocês voltarem ao normal.

–Mas pelo menos a gente desconta a raiva- Combeferre falou.

Éponine parou. Ela acabara de ter uma idéia que era tão simples e idiota que ela não soube por que não pensou antes naquilo.

–Tive uma idéia para um pouco dos problemas!- ela falou animada- Para o seu problema Marius... Mas eu vou precisar sair. Grantaire você vem comigo, já que é o mais decente de todos.

–Só para o Marius?- Combeferre perguntou indignado

–É claro! É ele quem vai se casar hoje. Se sobrar tempo eu tento dar um jeito em vocês!- ela desceu da cama- Preciso da chave do seu apartamento, Marius- ela esticou a mão. Marius passou as mãos nos bolsos os encontrando vazio. Ela revirou os olhos- Tudo bem. Eu peço para o porteiro ver se acha a copia. Mas liga lá confirmando que eu vou pegar.- ela falou puxando Grantaire para fora.

Marius suspirou um pouco mais relaxado. Talvez nem tudo estivesse perdido.

Enjolras estava pensativo enquanto olhava para a cara de cada um de seus amigos.

–Pergunta: Jehan estava com a gente ontem quando saímos do apartamento?- Enjolras perguntou se dando conta de quem ele estava sentindo falta. Courfeyrac deu de ombros, ele não se lembrava nem como tinha conseguido uma borboleta na bunda, ia la se lembrar se Jehan estava com eles!

–Estava – Combeferre respondeu- ele saiu conosco. Ele até fez um verso ridículo sobre a noite e amigos. Como era mesmo?

–“Noite amiga, noite inimiga. Junta as almas amigas e até as perdidas”?-Joly perguntou, enquanto apertava o nariz.-Não,não era isso. Como era mesmo?

–Dane-se!- Courfeyrac disse- Pelo menos não é ele que está com uma borboleta na bunda.

–É mesmo. Ele pode estar morto! Já pensou nisso?- Bossuet perguntou irônico.

–Ele está bem- Courfeyrac fez um sinal de descaso com a mão.

Eles esperaram. Não tinha outra coisa a ser feita. Não podiam ir atrás de Jehan, eles não tinham roupa para poder sair do quarto. Já fazia uma hora que Éponine havia saído com Grantaire e nenhum sinal dela ainda. Marius estava quase furando o chão de tanto andar de um lado para o outro.

De repente a porta se abriu com força. Éponine entrou com varias roupas.

–Aqui . Trouxe para vocês se vestirem e iremos todos para o meu apartamento. Eu não consigo trabalhar na sujeira.- ela falou jogando tudo encima da cama.

–Éponine- Enjolras chamou timidamente- Temos mais um problema... Não sabemos onde Jehan está.

Éponine ficou olhando para a cara dele.

–Ele está no seu apartamento. É incrível pensar que de todos ele é o único cara... decente- ela balançou a cabeça em desaprovação.- Se vistam. Enquanto isso vou levar Joly ate o hospital. Venha Joly .

–Graças ao bom Deus!- Joly se levantou e saiu correndo porta afora.

Enjolras se sentiu mais aliviado de saber que Jehan estava bem. Uma coisa a menos com que se preocupar.

Os rapazes rapidamente foram pegar as roupas para se trocarem. Enquanto se vestiam , eles olharam um para cara do outro e não aguentara: caíram na risada. Não podiam negar, eles estavam realmente ridículos.

Em menos de vinte minutos Éponine já estava de volta. Ela pagou o hotel e milagrosamente conseguiu colocar todo mundo no carro. Marius foi na frente.

–E Grantaire?- Courfeyrac perguntou sentado no colo de Combeferre que tinha uma carranca.

–Ficou no hospital com Joly- ela respondeu automaticamente,sem tirar os olhos do trânsito.

–Você chegou rápido em Paris, Ponine- Marius falou com um sorriso, agradecido por ela ser sua amiga.

–Claro. Depois de algumas ultrapassagens perigosas, provavelmente algumas multas e pontos perdidos na carteira, eu tinha que chegar. Ou você acha que eu deixaria você perder seu casamento com a largatixa? E por favor, não sorria ate eu conseguir dar um jeito nos seus dentes!

Marius ficou serio o caminho todo. Finalmente Éponine estacionou e mandou todos descerem.

Não precisou falar duas vezes, rapidamente eles já não estavam mais no carro e sim dentro do elevador subindo para o andar do apartamento de Éponine.

Ao entrarem, encontraram a mesa da cozinha abarrotada de produtos.

–Muito bem. Marius vamos começar a deixar você, lindo e com a aparência de príncipe que você tem... Vocês esperem que eu vou tentar cuidar de todos... Bossuet você quer ir para o hospital para ver o...?

–Acho que seria uma boa idéia – ele concordou.

–Courf, meu amado. Você que esta com a aparência decente, poderia levá-lo? Pegue a chave do carro.- ela tacou em direção a ele, sem dar tempo de uma resposta.

Eponine tirou o casaco revelando a camisola rosa de seda que ela havia usado no dia anterior.

–Você está de camisola?- Marius perguntou e Eponine revirou os olhos.

–Eu estava dormindo quando Enjolras me ligou dizendo que vocês estavam com problemas. Peguei o carro e vim do jeito que estava. Algum problema?

Marius fez que não com a cabeça,não era uma boa ideia ficar questionando ela por tudo. Ela detestava dar satisfações.

Ela levou Marius para o banheiro e o fez sentar no vaso, abaixando a cabeça e ligando o chuveiro. Saiu bastante tinta, enquanto ela lavava. O que poderia ser uma coisa boa.

Éponine o guiou de volta para a cozinha onde o fez sentar na cadeira e abriu um produto e começou a passar no cabelo dele.

–Removedor de tinta- ela explicou- Lauren,uma colega da faculdade,então ela uma vez pintou o cabelo e não gostou e passou isso no cabelo. E adiantou. Mas teremos que passar tinta, porque não vai sair tudo de uma vez.

–Passar tinta?- Marius perguntou assustado.

–Relaxa. É da cor do seu cabelo... Agora você vai ficar quinze minutos com isso no cabelo e vai enxaguar, certo?- ela perguntou e Marius assentiu com a cabeça- Combeferre, vem que você é o próximo.- ela falou indo para o banheiro e Combeferre a seguiu, ela repetiu o mesmo processo que fez com Marius.

Ela voltou a cuidar de Marius, para a sorte, o tom de verde estava ficando mais claro, mas não era o suficiente. Éponine pacientemente, lavou o cabelo de Marius novamente e o enxugou e passou o produto novamente. Enquanto cuidava de Combeferre e preparava alguma coisa,tudo ao mesmo tempo, Enjolras só ficava observando. De repente o olhar dela caiu sobre ele.

–O que você está fazendo ai sentado? Não espera que eu tire fotos com você assim? Venha, para o banheiro!- ela mandou e Enjolras se levantou e andou meio receoso para o banheiro. Não é que não confiasse em Éponine, ele não confiava em tudo aquilo,produtos que ele nem sabia que existia.- Sua tinta é a mais difícil. Coloração vermelha é uma praga, você pinta e fica eternamente saindo enquanto você lava.

Éponine falava enquanto massageava a cabeça de Enjolras. Ele estava gostando daquele toque, era gentil.

Ela desligou o chuveiro e Enjolras se levantou para ir para a cozinha. Éponine o fez sentar de volta e ergueu o queixo dele. Ela olhou bem e pegou alguma coisa no armário do banheiro. Ela colocou em um algodão e começou a passar delicadamente pelo rosto dele. Era como aquela vez que ela cuidou de seu olho, sempre delicada.

–Eu prefiro você ao natural- ela falou enquanto tirava o cílios postiço que ele usava.- Afinal você é lindo, não precisa de maquiagem.

–Obrigado, eu acho.- eles ficaram se encarando ate que escutando a voz de Marius

–Éponine!-ela saiu correndo para ver o que estava acontecendo- Cosette esta ligando no seu celular. Estou morto. Por favor não diga a ela o que está acontecendo.

–Respira, Marius. Pode deixar eu não vou contar!- ela pegou o celular da mão dele e atendeu calmamente, enquanto indicava para Enjolras sentar na cadeira- Alô, Cosette.

–Éponine, onde você está?- ela falou irritada, Éponine podia ver perfeitamente que ela estava vermelha.

–Em Paris- ela respondeu tranquilamente.

–Em Paris? Mon Dieu! O que você esta fazendo em Paris?... Foi alguma coisa com Marius? Ele desistiu de casar, não foi isso? Eu sabia que isso ia acontecer. Eu sabia!- Cosette tinha a voz de choro.

–Ei, calma, Cosette. Ele vai se casar sim... acontece que teve um pequeno problema com o transporte- Éponine falou e Marius a olhou agradecido.

–O transporte?

–É Cosette. Você acredita que aquela van que você alugou para levar o pessoal daqui disse que não será possível . Algum problema que eu não entendi muito bem.

–Ah sim...- Cosette pareceu meia desconfiada- Então o Marius vai vir casar?

–Ele vai sim, Cosette- Éponine a tranqüilizou.- Mas vamos demorar um pouco.

–Tudo bem... só não se esqueça que já são duas horas da tarde. Não demorem muito... Tenho que ir me arrumar. E você também tem que se arrumar. Tchau.

Cosette desligou sem dar tempo de Éponine responder.

–É . Vamos ter que agilizar o negocio aqui.

Éponine voltou a cuidar de Marius. Ela pediu para Enjolras passar o produto novamente em Combeferre e vice versa .

Ela passou um remédio no olho de Marius que desinchou rapidamente e passou maquiagem, mesmo processo que ela fizera uma vez com Enjolras. Para o dentes ela tentou passar removedor, o que não deu muito certo.

–Vou ter que passar maquiagem no seus dentes... mas não se preocupe peguei na universidade, essa é o tipo certo para usar no dente e o bom que ela dura bastante. Não mexa muito a boca.- ela pediu colocando uma luva e passando um tipo de gel nos dentes de Marius. Depois de cerca de três horas trabalhando no rosto dele, ela finalmente conseguiu terminar. Por ter sido rápido demais, havia algumas falhas que ela percebeu mas não tinha como arrumar, ficaria daquele jeito, era quase imperceptível.- Pronto. Veja o que achou?- ela perguntou e mostrou o espelho para o Marius. Ele abriu a boca perplexo.

–Éponine...

–O que você não gostou? Tem algumas falhas, mas eu tive pouco tempo, nunca tive que arrumar tantas pessoas em tão pouco tempo.- ela falou desesperada se sentindo mal por ter falhado com ele.

–Está ótimo! Você é uma santa! Eu te adoro Éponine- ele a abraçou fortemente e ela riu.

–Muito bem. Vai vestir seu smoking. Está no quarto de Cosette. Vou cuidar de Combeferre, Enjolras e Laigle agora, da melhor maneira que eu puder.

Combeferre foi o primeiro. Seu cabelo quase tinha voltado ao normal, mas ainda tinha vestígios de tinta rosa, o qual Éponine escondeu com um spray .

–Aqui, para esconder as tatuagens. Adesivos- ela mostrou uns adesivos cor de pele para ele e foi colando com muito cuidado e atenção.-Muito usado por atores que tem tatuagem. Dai temos que esconder,porque a tatuagem não faz parte do personagem. Pronto.- ela anunciou depois de cerca de vinte minutos. Ele olhou no espelho e deu um beijo na bochecha de Éponine.

–Muito. Obrigado. Agora eu tenho que ir me vestir.

–Grantaire está lá embaixo junto com Courf te esperando- ela anunciou.

Para Laigle que tinha o topo da cabeça raspada ela arrumou uma peruca que parecia cabelo de verdade, deveria prestar muita atenção para perceber que era falso. Ela entregou uma para ele entregar a Bossuet, quando o encontrasse no apartamento. Ele agradeceu e saiu correndo.

Ficaram Éponine e Enjolras na sala. Éponine tinha uma aparência de cansada, mas mesmo assim sorriu para Enjolras e apontou para a cadeira.

–Você não fica bem de unhas compridas!- ela exclamou pegando na mão dele e tirando uma por uma rapidamente mas de forma delicada.- E você é um sortudo não? O produto funcionou para você. Mas mesmo assim vou ter que maltizar seu cabelo.- ela abriu um produto e começou a passar no cabelo dele.- Dez minutos, com ele.

Éponine foi para o quarto ajudar Marius a colocar a gravata que ele estava tendo dificuldade. Enjolras observava aquela cena do corredor. Marius tinha um sorriso radiante no rosto e Éponine tinha um sorriso bobo ao ajudá-lo com a gravata.

–Está muito bem, Sr. Pontmercy.- Ela exclamou olhando para ele- Sua noiva tem muita sorte... Deixa eu ir cuidar do meu acompanhante agora. Você espere quieto no sofá.

Enjolras voltou para o banheiro e Éponine fez aquela ação novamente de enxaguar o cabelo.

–Acabou?- Enjolras perguntou impaciente. Ele não agüentava mais aquilo.

–Mas que ingrato! Quem está fazendo sou eu e você que fica impaciente?- ela falou enquanto secava o cabelo dele com uma toalha- Essa é a quinta toalha que eu gasto com você só hoje. Está vendo?-ela apontou para o chão- Sua tinta vermelha sujou todas .- ela tinha um tom repreensivo, como se a culpa tivesse sido dele.

–Não foi minha intenção.

–Relaxe. Estou só brincando, Enjolras. Vá se trocar que já vamos partir. Seu smoking está no meu quarto. Mas você já sabe onde é certo?- ela perguntou e Enjolras se sentiu mal. Ele sabia que ela tinha falado aquilo de propósito .

Ele entrou no quarto dela, que estava exatamente como na ultima vez. Seu smoking estava sobre a cama dela, de forma que não amassasse. Ele olhou em volta, como se procurando alguma coisa, ele não sabia o que exatamente. Deu de ombros e começou a se trocar ate que a porta se abriu bruscamente.

–Ah me desculpe. Vou tomar um banho rapidamente. Assim chegando lá eu só me troco. Sinta- se a vontade- Éponine pegou uma toalha e um vestido e entrou no banheiro no seu quarto.

Mesmo com a porta fechada, Enjolras pode sentir o perfume do sabonete dela, que ficava mais forte. Ele não sabe quantos minutos ficou ali, sentindo aquele cheiro, ate que ao ouvir o chuveiro sendo desligado , voltou a realidade, enfiando a roupa rapidamente.

Éponine abriu a porta, saindo já vestida. O vapor que saiu dali atingiu em cheio Enjolras. Ele devia estar louco, aquele cheiro o estava deixando viciado. Aquele cheiro estava na pele dela e ela estava tão perto...

–Quer ajuda com a gravata?-ela perguntou soltando o cabelo.

–Quero sim. Eu não sou muito bom nisso- ele respondeu olhando para a gravata. Éponine se aproximou dele e ele pode sentir aquele cheiro do vapor do banheiro na pele dela,tão fresco. Enjolras sabia sim como fazer o nó na gravata,foi uma das primeiras coisas que seu pai lhe ensinou a fazer. Ele ficava todo dia de manhã antes de ir para a escola observando o pai a fazer o nó na gravata. Quando voltava da escola ficava treinando,queria que o pai sentisse orgulho igual ele sentia dele. Quando tinham alguma festa para ir ou um jantar,Enjolras pegava a gravata e ia para o quarto dos pais ficava do lado dele imitando seus gestos.

Mentiu para Éponine porque ele queria saber a sensação de alguém lhe ajudando,não por obrigação e sim por querer ajudá-lo. E também,por mais que ele preferia morrer do que admitir aquilo,sentiu um pouco de ciúmes do cuidado que ela tinha com Marius.

–Prontinho. Está lindo!- ela falou alinhando a gravata e se afastando para observar seu trabalho.

–Obrigado... Seu cabelo prefiro ele longo assim.

–Verdade? Eu coloquei aplique para fazer o penteado que a Cosette escolheu... Mas acho que não vai dar tempo. Vamos que são duas horas até a fazenda- ela o chamou saindo do quarto e ele a seguiu.

–Finalmente! Demoraram ein? O que estavam fazendo lá no quarto?- Marius perguntou impaciente.

–Nem te conto o que fizemos lá no quarto,Marius! Vou te deixar imaginando na rapidinha- Éponine respondeu e Marius fez uma careta. Enjolras ficou vermelho, o que não passou despercebido aos olhos de Grantaire que preferiu não fazer comentário — Estão todos prontos? Marius use o carro da Cosette. Chegaremos atrasados,ela já ligou um monte para mim e eu não atendi. Não quero nem ver quando chegarmos. Está todo mundo bem aqui?

Ela perguntou para os garotos que esperavam na sala. Eles ficaram meio indecisos mas assentiram que sim.

Eles se dividiram Grantaire, Joly , Jehan e Courf foram com Éponine. Enjolras, Laigle, Bossuet e Combeferre com Marius, na verdade quem dirigiu foi Enjolras, já que Marius estava em um pilha de nervos.

Mesmo com o GPS dizendo por onde ir, Enjolras preferiu seguir Éponine, que dirigia de modo imprudente por estarem na estrada. Mas depois de um tempo ele teve que acelerar, Marius estava quase infartando do lado dele.

Finalmente, depois de quase duas horas e meia Éponine começou a diminuir a velocidade e entrou em uma estrada de terra, eles andaram por essa estrada uns dez minutos, ate que ela indicou que iria entrar. Finalmente haviam chego. Marius suspirou aliviado, assim que Enjolras estacionou ele saltou.

–Éponine!- Fantine veio preocupada em direção a filha, ela já estava arrumada com um vestido azul longo.- O que aconteceu? Você sumiu e não deu noticias! Ah Marius!- ela o abraçou de forma terna- Que alivio me da saber que você chegou. Cosette está pirando la encima.

–E os convidados?- ele perguntou sentindo um calor infernal naquela roupa.

–Estão todos achando que você abandonou a Cosette... Afinal já são oito horas e quem ta atrasado é o noivo. O que aconteceu?

–Te conto depois , Fantine- Éponine respondeu e recebeu um olhar torto de Fantine- Mãe, me desculpe. Leve os garotos para onde eles tem que ficar, eu vou me trocar rapidamente e já desço- ela disse correndo para grande casa.

Fantine os guiou para um lugar que lembrava muito uma capela, a fazenda era enorme, pelo que Enjolras podia perceber naquele momento, ao olhar rapidamente.

–Meu marido é muito religioso, então ele insistiu em construir uma capela aqui para quando ele quisesse ficar perto de Deus- Fantine explicou mesmo sem ninguém ter perguntado nada- Vamos Marius, sua mãe já está preocupada com você. Os padrinhos esperam aqui do lado de fora.- e ela saiu puxando Marius pelo braço até o altar, onde uma senhora o abraçou chorando.

–Muito bem. Só o Enjolras fica aqui. Já que ele foi o único amigo escolhido para ser padrinho- Grantaire falou em um tom indignado- Qual era o problema de escolher todos nós? Não, foi escolher os babacas dos primos dele.- ele entrou reclamando- E aí?- cumprimentou os primos de Marius ao passar por eles.

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Éponine se vestiu rapidamente, tendo dificuldade em fechar o zíper do vestido. Por que Cosette havia escolhido um vestido tão longo para ela, logo no verão? E logo preto, se ainda fosse vermelho, mas não, preto! A porta se abriu e Cosette entrou, ela tinha os olhos vermelhos.

–Por que você mentiu para mim, Ponine?- ela perguntou com a voz chorosa, Éponine não conseguiu evitar de revirar os olhos.

–Não menti, Cosette. Será que você poderia me ajudar com esse zíper? Estou com dificuldades.- Éponine pediu e Cosette fechou com certa violência – Merci. Está muito linda, Cosette.

Cosette não respondeu se sentando na cama e ficou encarando Éponine, que deu de ombros e se sentou para ver se arrumava o cabelo e passava uma leve maquiagem.

–Marius está ai?

–Não, não Cosette. Ele decidiu não se casar mais com você. É por isso que eu estou me arrumando correndo agora, para festejar. Você não sabia?- Éponine respondeu de forma agressiva para Cosette que arrumou a saia do vestido de noiva.

–Eu estou com medo, Ponine- Cosette murmurou e começou a chorar

–Medo do que, Cosette? Você ama ele e ele te ama. Qual o problema?- Éponine se levantou, prendendo o cabelo em um coque desajeitado , se sentando na cama ao lado de Cosette e pegando as mãos dela.- Algo lindo está prestes a acontecer daqui a pouco. Marius estava desesperado se não conseguisse chegar a tempo, por não querer decepcionar você. Então me diga: qual o problema?

–O problema é que eu tenho medo do desconhecido. Eu não sei como vai ser depois de hoje. Eu fiquei pensando depois da festa que vocês fizeram para mim que... talvez eu não tenha mais momentos assim. Que a partir de agora não sou só eu. Agora eu sou Cosette e Marius, duas pessoas em uma só. Eu não sei como vai ser acordar de manhã e não sentir o cheiro do seu café, ou escutar você cantando no quarto. Eu não sei como vai ser agora que eu não vou mais poder ir dormir na casa de alguma amiga. Eu não sei para quem eu irei reclamar quando Marius me deixar louca. Eu não sei se vai dar certo. E se não der certo? Eu quero que seja o primeiro e único, igual aos meus pais!-ela riu entre as lagrimas- Você deve estar me achando uma boba. Sabe as vezes eu queria ser igual a você. Não ter medo de nada.

Éponine riu ao ouvir aquilo. Não existia pessoa mais medrosa que ela. Ela tinha mais medo do desconhecido do que se possa imaginar.

–Sabe Cosette,não precisa ter medo. É normal ter tantos questionamentos assim. Mas se não nos arriscarmos como saber o que tem alem? Será algo bom ou ruim? Me trará boas ou más memórias ? Vai me machucar? Como saber? Você tem que pular. Muitas vezes as pessoas pulam sozinhas nesse abismo que é o desconhecido. Mas você não. Você tem a oportunidade de pular com alguém que te ama e também está enfrentando o desconhecido para estar do seu lado. Ou você acha que Marius não pensou em tudo isso? E sabe que vai dar certo,porque vocês estão juntos a tanto tempo que é como se já fossem casados... E sabe que eu me orgulho tanto de você? Você não quer ser igual a mim,eu tenho tantos medos quanto você. Muito mais. Eu tenho medo de querer alguém por perto. Tenho pavor de me entregar a alguém e não ser correspondida,por isso prefiro ficar sozinha. Eu queria ter a sua coragem Cosette,de conseguir dividir meu mundo com alguém . E não seja por isso,eu vou toda manhã fazer café lá. Você pode sempre recorrer a mim quando precisar. Porque afinal cuidamos uma da outra apesar das diferenças.- as duas estavam chorando. Depois se olharam e começaram a rir. Sem motivo. Elas riam para descontrair. Para espantar o medo como elas gostavam dizer- Que tal você parar de chorar senão vai borrar a maquiagem?

–Não se preocupe. É maquiagem a prova d'agua . Agora que tal você terminar de se arrumar ? Deixa que eu te ajudo com o cabelo enquanto você se maquia.

Éponine voltou para a penteadeira e se sentou. Cosette rapidamente pegou o cabelo dela e começou a trançar. Éponine passava um pó no rosto. Ela não gostava de muita maquiagem. Só passava o pó para não sair brilhante nas fotos por causa do suor. Cosette fez duas tranças e entrelaçou elas as torcendo logo em seguida até formar um coque. Prendeu com grampos,enquanto Éponine finalizava com um batom vermelho.

–Somos uma ótima equipe- Cosette falou sorrindo olhando para Éponine pelo espelho. Éponine se levantou e a abraçou.

–Eu te amo,viu? Agradeço todo dia por ter tido a sorte de ter te conhecido.

–Também te amo,Ponine... Sabe eu tenho uma ótima sensação sobre essa noite. Sabe o abismo do desconhecido?-Éponine assentiu- Eu acho que hoje você pula nele também . Estou sentindo isso.

–Muito lindo esse momento, e eu até deixaria vocês se beijarem loucamente... Mas tem um monte de gente puta da vida lá embaixo por causa da demora- Grantaire falou da porta do quarto. As duas se afastaram rindo.

Grantaire abriu os braços e as duas o abraçaram.

–Cosette dá tempo de nós dois fugirmos ainda- Grantaire falou.

–Muito tentador, Grantaire... Mas hoje não.

–Tudo bem. Fica para próxima então.-ele respondeu dando de ombros

–Veja você. Ficou muito lindo nesse smoking- Cosette o elogiou.

–Eu sou lindo de qualquer jeito,Cosette.

–Vou avisar que você já esta pronta- Éponine falou e ela assentiu com a cabeça. Grantaire acenou para Cosette e seguiu Éponine escada abaixo.

–Ela está pronta- Éponine avisou e as madrinhas e padrinhos,damas de honra começaram a se arrumar.-Oi pai- Éponine o abraçou fortemente quando o viu. Ela amava Valjean de um jeito que ela explicar e nem sabia como.

–Eu não entendo. Ele você chama de pai e a mim de Fantine.-ela falou chateada.

–Ela te chama assim para te irritar. Até parece que você não conhece a peça- Valjean respondeu dando um beijo no topo da cabeça de Éponine que o soltou.-Vou buscar Cosette.- e saiu andando em direção a casa.

–Ele está certo, mãe- Éponine falou colocando ênfase na palavra mãe. Fantine sorriu.

A musica começou a tocar. Marius entrou de braço dado com a mãe dele e logo em seguida os padrinhos começaram a entrar. Éponine passou seu braço pelo de Enjolras. Ele a encarava,ela estava tão linda naquele vestido preto,o batom vermelho que ela sempre gostava de usar e os olhos estavam bem marcados com a maquiagem preta que ela havia feito rapidamente mas que tinha ficado incrivelmente boa.

Ela sorriu para ele, se sentia nervosa e não entendia o por quê. Se sentia estranha sem motivos,tinha ficado ansiosa por algo que ela nem sabia o que era. Tinha ficado assim apenas de ter se aproximado de Enjolras.

Os dois fizeram pose para a foto assim que entraram. Enjolras se sentia estranho ao estar tirando foto com ela. Seria a primeira foto deles juntos. Sempre Éponine tirava fotos dele ou de todo mundo,mas nunca tinham parado para tirar uma foto apenas os dois.

Quando chegaram na frente Éponine deu um sorriso tranqüilizador para Marius que ficava cruzando e descruzando os braços de nervoso. Eles assumiram seus lugares. Éponine ficou na frente de Enjolras,um degrau abaixo dele que não deu muita diferença já que ela estava de salto.

A musica que Éponine havia escolhido para Cosette entrar começou a tocar. Inconscientemente Éponine apertou o braço de Enjolras.

Cosette entrou acompanhada de Valjean e Fantine. Foi escolha dela. Ela alegou que os dois tinham que permitir e entregar ela para Marius.

Fantine chorava visivelmente enquanto Valjean tentava segurar o choro mas sem sucesso. Uma garotinha entrou jogando flores.

Quando chegaram na frente, Cosette abraçou os pais e eles a entregaram para Marius que também os abraçou. Ela entregou o buquê para Éponine que sorriu para ela. Os dois se ajoelharam na frente do padre

–Queridos irmãos e irmãs. Estamos aqui hoje para unir esse jovem casal diante dos olhos de Deus e dizer que Ele esta muito orgulhoso da escolha que eles fizeram de se unirem em espírito . Isso prova que ainda existe amor e a vontade de compartilhar a vida com outra pessoa ao invés de ficarmos sozinhos. Afinal se Deus quisesse que ficássemos sem companhia ele não teria feito a mulher da costela de Adão para ele não ficar sozinho,certo?- o padre já era um senhor de idade bem avançada que tinha um sorriso nos lábios e falava calmamente.

Ele passou dez minutos falando como ter companhia era importante e essencial para uma vida plena e feliz. Éponine se contorcia discretamente seus pés já estava doendo. Ninguém mais tinha paciência para ouvir. Até que Grantaire fez barulho de ronco. O padre lhe olhou de cara feia mas no se deixou interromper.

–Então se tiver alguém aqui contra esse casamento que fale agora ou cale-se para sempre- Enjolras olhou para Éponine,e imaginou que talvez ela quisesse falar agora. Mas ela permaneceu quieta e tranqüila enquanto olhava ao redor. Até que Augustinne levantou a mão.

Cosette a olhou espantada e surpresa e sentiu que iria passar mal. Ela se levantou.

–Eu tenho...- ela ficou quieta, respirou fundo- Vai demorar muito? Eu to morrendo de fome e Deus fez a comida e ela é minha companhia e o senhor, com todo respeito está me privando dela.

O padre lhe deu um olhar mortal, enquanto todos ali riam. Augustinne olhou para Grantaire que estava rindo e os dois bateram as mãos. Inclusive Cosette e Marius riram. O único que não riu, assim como o padre foi Valjean que ficou horrorizado com a falta de respeito.

–Euphrasie Ursula Valjean você aceita Marius Pontmercy como seu legitimo esposo para amar e respeitar, na saúde e na doença, na riqueza ou na pobreza. Até que a morte os separe?- o padre perguntou.

–Aceito.-ela respondeu com a voz embargada

–Euphrasie?- Enjolras sussurrou para Éponine que riu.

–É. Esse é o nome dela. Cosette é apenas um apelido que ela preferiu deixar como nome- Éponine sussurrou de volta.

Grantaire estava horrorizado ele ficou repetindo, varias e varias vezes como se para se acostumar “Euphrasie? Euphrasie, isso é serio ?”

–Marius Pontmercy, você aceita Euphrasie Ursula Valjean, como sua legitima esposa para amar e respeitar, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza. Até que a morte os separe?

–Aceito.

Gavroche e Amelie entraram carregando as alianças. Enjolras se surpreendeu de vê-los ali. Não tinha tido mais noticias de Gavroche .

–Eu Cosette, aceito Marius Pontmercy como meu legitimo esposo. Eu fiz meus votos mas não vou falar porque provavelmente serei morta por privar certas pessoas de comer. Mas tudo que você precisa saber é que eu te amo e fico feliz que seja você que está pulando nesse abismo que é o desconhecido comigo. Espero que sempre e sempre faça isso do meu lado- ela pegou a aliança com Amelie e colocou no dedo de Marius.

–Eu Marius, aceito você Euphrasie como minha legitima esposa. Eu também tinha alguma coisa escrita, mas nada que eu iria dizer seria surpresa para você. Mas a coisa mais importante e que te digo todos os dias desde que te vi pela primeira vez é que eu te amo e você será a única pessoa que eu vou dizer isso para o resto de minha vida.- ele falou e Gavroche deu a aliança para Marius que colocou no dedo de Cosette que chorava.

–Com o poder a mim concedido. Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.- o padre anunciou.

Marius e Cosette se levantaram e se beijaram. Todos aplaudiram e gritaram nesse momento. Éponine entregou o buquê para Cosette.

–Atenção amigos- ela gritou entre as lagrimas – Agora seguiremos todos para a festa. Uma tenda foi montada ali fora. Então vamos!

Não precisou falar duas vezes e todos saíram,mas ficaram esperando os noivos do lado de fora e tacaram um monte de arroz neles. Grantaire pegou um punhado e tacou com tudo na cara de Marius que deixou escapar um “filho da puta” sem querer.

Foi fácil encontrar a tenda branca, já que era enorme e a porta era bem visível. A tenda era fechada por panos que tinha pontos luminosos. E por dentro ela tinha os arranjos mais lindos de flores que se podem imaginar. As mesas eram redondas e as cadeiras de ferro com aparência antiga. Ali estava lindo.

Logo na entrada tinha uma foto de Cosette e Marius.

Os padrinhos tiveram que tirar fotos, e logo depois todos os convidados.

Depois de uma hora o jantar foi servido.

Éponine comeu rapidamente e silenciosamente. O ambiente estava preenchido pelas conversas animadas. Enjolras se sentou longe de Éponine já que ela se sentou na mesa com os noivos e os pais dos noivos. Mas em momento algum ele tirou os olhos de Éponine que parecia desanimada e infeliz.

Enjolras ficou observando Éponine de longe,até que viu que discretamente ela tinha se levantado e havia pego uma garrafa de vodca e saído da tenda.

Enjolras não hesitou e foi atrás dela,mas tomou cuidado para ninguém vê-lo. Ao sair viu Éponine andando em direção ao lago,onde ela passava a maior parte das noites sentadas quando ela tinha oportunidade de ir visitar Fantine e Valjean.

Ele correu ate ela silenciosamente e ficou um pouco atrás ,e ela pareceu não perceber. Éponine segurava os sapatos e o vestido em uma mão,ela se sentou e abriu a garrafa de vodca e começou a beber.


Enjolras não sabia o que de fato estava fazendo,mas foi e se sentou do lado dela. Éponine olhou para ele e sorriu tristemente e voltou a encarar o céu. Enjolras percebeu como aquele momento deveria estar sendo difícil para ela.



–Eu gosto muito de vir aqui para pensar... Sabe eu me sinto bem debaixo das estrelas,penso que um dia eu estarei com elas. Minha avó dizia que cada estrela no céu é uma alma que já partiu e agora ilumina os momentos das trevas que seus amados passam.- ela começou a falar de repente e Enjolras olhou para ela. Éponine tinha um semblante triste,ela suspirou tristemente- Ela cuidava de mim,mas quando eu tinha 8 anos ela morreu,depois disso minha vida virou o inferno que eu conheço.


–Deve estar sendo difícil hoje para você, Éponine- Enjolras deixou sair o que estava pensando.

–Na noite em que ela morreu eu fiquei esperando,olhando o céu para ver se aparecia alguma estrela nova.- Éponine ignorou o comentário de Enjolras e continuou como se nunca estivesse parado- E eu achei! Eu sei que não é verdade o que ela me disse,mas gosto de acreditar,que todo ano,nessa época,ela morreu no verão,aquela estrela meio avermelhada,brilhante e sozinha é ela. Que ela aparece para os meus momentos de loucura,quando estou triste para me confortar. Se eu fecho bem os olhos e me concentro eu consigo sentir o cheiro dela de tortas,ela vendia tortas,as melhores da cidade onde eu morava- Éponine tinha os olhos fechados e um leve sorriso nos lábios — Eu gosto de ficar aqui,porque em Paris eu quase nunca consigo a achar,por causa da poluição. Já no campo ela é vista facilmente- eles permaneceram mais um pouco em silêncio,os dois observando a estrela- Por que eu deveria estar triste hoje?- Ela perguntou,se lembrando do comentário de Enjolras.

–Marius está se casando com Cosette.

–Ah sim,isso. Eu achei que eu estaria,mas,sabe que não? Estou feliz por eles, de verdade. Eles se merecem,são perfeitos juntos, e eu acho que o meu problema foi ter confundido paixão com amor.

–E os dois não são a mesma coisa?- Enjolras perguntou,ele não via diferença em um ou outro. Éponine negou com a cabeça.

–Paixão é aquela coisa momentânea ,é você precisar da pessoa loucamente e sofrer,você sofre,porque paixão é uma coisa muito forte. Já o amor não. O amor é calmo ,tranqüilo ,não tem pressa, é uma coisa louca de um jeito bom,porque você não vive só para a pessoa sabe? O amor diferente da paixão não causa sofrimento.

–Tá certo...- Enjolras respondeu sem saber o que falar,ele não entendia nada daquilo.

–Tudo bem. Um dia você vai conhecer uma garota que faça você sentir amor por ela. Vocês irão se casar,ter dois filhos,no maximo três. Você vai chegar do trabalho ela vai estar te esperando ansiosamente na porta com um sorriso. E vai ser assim todos os dias. Porque você não vai querer sair do lado dela nunca!... Sabe o que me deixa triste? Saber que eu nunca vou ser a Cosette de ninguém . Nunca ninguém vai me olhar como Marius olha para ela.


–Talvez não a Cosette de alguém ,mas a Éponine,sim. Você vai encontrar alguém ,não só porque você deseja. Mas porque você é tudo que alguém deveria querer ter por perto. Porque você merece ser amada,Éponine. E o cara que merecer o seu amor vai ser o cara mais sortudo da Terra.- Enjolras falou tudo de supetão. Éponine olhava para ele,como se estudasse seu rosto,ela fixou o olhar no dele,como que se tentasse ler seu pensamento.



–Obrigada,Enjolras... Como está a Thais?


–Bem,eu acho. Não falei mais com ela desde que ela foi embora.

–Mas vocês não estavam namorando?

–Não,não- Enjolras negou- Somos apenas bons amigos

–Interessante — Éponine falou para si mesma e ofereceu a garrafa para Enjolras que aceitou e deu um grande gole. Ele não acreditava que ele tinha falado tudo aquilo para Éponine.- É a melhor sensação do mundo colocar os pés aqui. Está muito calor e esse vestido longo é quente demais- ela reclamou enquanto colocava os pés na água.- Tire os sapatos e se junte a mim- Enjolras fez o que ela pediu,ele tirou os sapatos e os deixou de lado,colocando os pés na água. Novamente eles ficaram em silêncio,revezando a garrafa entre si. De repente Éponine começou a rir e Enjolras olhou sem entender nada- Os peixes estão mordendo meus dedos e faz cosquinha — ela parecia uma criança e Enjolras gostou daquela cena,daquele som.

–Me desculpe Éponine.- Ele falou de repente, Éponine parou de rir e olhou para ele- me desculpe por ter te chamado de vadia,sem nem mesmo saber sua história. Eu te julguei,me desculpe . Me desculpe pela as vezes eu que te tratei mal, ou que aparentei não gostar de você. Me desculpe,por isso,é impossível alguém não gostar de você. Me desculpe por ter te ignorado em algum momento. Me perdoe.-ele falou essa ultima parte como se estivesse cansado.

Éponine soltou uma risada pelo nariz e entrelaçou sua mão a de Enjolras. Ele ficou ali olhando para suas mãos unidas.

–Eu já tinha te desculpado,muito antes de você pedir. Para dizer a verdade nunca estive brava de fato. Talvez no começo. Fiz isso para ver quanto tempo demorava para você me pedir desculpas. As vezes temos que deixar nosso orgulho de lado. Ele só destrói nossas vidas,Enjolras. Ele atrasa e afasta as pessoas que gostamos de nós. Não precisava se desculpar. Eu iria voltar a falar com você,porque se uma coisa que eu aprendi com Fantine e Valjean foi a arte de perdoar quem amamos.

–Então por que você me bateu no outro dia?- ele perguntou sem entender.

–Por que eu sou dramática? E as vezes você irrita profundamente, mas eu não posso ficar brigada muito tempo com você, com ninguém na verdade. Doeu o tapa?

–Muito- ele respondeu e Éponine riu.

–Me desculpe , não era para ter colocado tanta força. Não se preocupe, estamos bem. Amigos novamente- ela falou e voltou a encarar as estrelas pensativa.


–Mesmo assim,peço desculpas. Isso já estava pesando em mim. Me perdoe,Éponine- Enjolras ergueu suas mãos e deu um beijo na mão de Éponine.



–Tenho que te dizer uma coisa: eu nunca deixei ninguém me beijar sob a minha estrela.- ela chegou mais perto de Enjolras e ele pode sentir a respiração quente de Éponine no seu pescoço. Ela sussurrou no ouvido dele- Talvez você queira pular no abismo do desconhecido e ser o primeiro.


http://www.youtube.com/watch?v=KW_7ZHk1z9I

Show me that you're human, you won't break


(Mostre-me que você é humano e não vai quebrar)



Enjolras olhou pasmado para Éponine. Ela estava mesmo pedindo para ele beijá-la? Era isso que ele queria,certo? Mas ele não sabia como,já havia beijado outras garotas,mas Éponine era totalmente diferente das outras garotas. Era perto de Éponine que ele ficava sem jeito.



Like a thief in the light, you can't hide,



(Como um ladrão na luz, você não pode se esconder)



You can't hide from your shadow



(você não pode se esconder da sua sombra)



It's the only thing you own



(É a unica coisa que você tem)



And you don't need to pretend that perfection is your friend



(E não precisa fingir que a perfeição é sua amiga)



Cause we're all broken



We all end up alone


(Porque somos todos quebrados

Todos vamos acabar sozinhos)


–Não tenha medo- ela sussurrou para ele. Éponine fechou os olhos e abriu um pouco os lábios . Enjolras se inclinou e juntou seus lábios ao de Éponine. Suas mãos envolveram a cintura de Éponine e ela puxava Enjolras para si. O beijo começou delicado mas foi se tornando mais violento,como se ambos tivessem necessidade um do outro.



Show me that you're human, you won't break



(Mostre-me que você é humano e não vai quebrar)


Oh I love your flaws and live for your mistakes

(Ah eu amo seus defeitos e viver pelos seus erros)


Beauty's on the surface wearing thin



(Beleza está na superficie se esgotando)



Come closer show the marks upon your skin



(Chegue mais perto e me mostre as marcas em sua pele)



Show me that you're human



(Mostre-me que você é humano)



Eles se separaram e olharam um para o outro sem fôlego . Éponine passou sua mão no rosto de Enjolras que fechou os olhos aproveitando o toque. Ele segurou a mão dela no lugar e depois virou dando um beijo na palma. Enjolras abriu os olhos e encontrou Éponine sorrindo e com uma emoção no olhar que ele nunca tinha visto antes. Ela se ajoelhou e deu um beijo na testa, nas bochechas,no nariz e no queixo dele de forma delicada, ela beijou seu rosto inteiro antes de depositar um beijo delicado e casto nos lábios de Enjolras e se sentou novamente.



Enjolras passou suas mãos nos braços de Éponine,como se para ver que ela era real e aquilo estava realmente acontecendo. Ele colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha que havia desprendido do coque e chegou mais perto,a fazendo se deitar na grama. Éponine olhava com certa curiosidade para Enjolras. Ela sentia o coração batendo mais forte,e ela conseguia sentir seu coração em todo seu corpo,seu corpo estava em expectativa assim como ela.


You're a spark without flame

(você é uma faisca sem chama)

I'm a desert in the rain

(Eu sou um deserto na chuva)

You're a mountain and I'm a stepping stone

(você é a montanha e eu sou um trampolim)

Enjolras cobriu o corpo dela com o seu e eles voltaram a se beijar,sem pressa. Suas mãos corriam pelo corpo de Éponine,como se para conhecê-lo, e ao mesmo tempo parecia já conhecê-lo,mesmo sem nunca tê-lo tocado antes. Éponine passava suas mãos nas costas de Enjolras,e trancava seus dedos no cabelo de Enjolras.

So walk away from your pride

(Então se afaste de seu orgulho)

It's a demon is disguise

(É um demônio que está disfarçado)

And it won't help you to calm the swelling tide,

(e isso não vai ajudá-lo a acalmar a crescente maré)

–Enjolras!- ela murmurou quando ele desceu os beijos para o pescoço dela. Ele depositou um beijo casto em sua testa e a olhou. Ela retribuiu o olhar. Enjolras não acreditava no que tinha acontecido ali,ele não acreditava que um dia ele chegaria a sentir o que sentiu ao beijar Éponine. Ele se sentia feliz e completo. Como se de repente ele so precisasse dela ao seu lado para ser feliz o resto de sua vida.

Éponine se levantou.

–Venha eu quero lhe mostrar um lugar.- ela estendeu sua mão para Enjolras e o ajudou a levantar. Ela sorria,assim como ele.

Éponine saiu correndo,puxando Enjolras pela mão.

Cosette assistia aquela cena de longe e sorria. Ela tinha visto tudo,e não iria se atrever a separar os dois. Ela tinha visto a hora que Éponine tinha saído e logo depois Enjolras. Ela sabia que uma hora isso iria acontecer

–Encontrou a Éponine e Enjolras?- Marius perguntou e Cosette fechou a tenda e se virou sorrindo para Marius.

–Não,nem sinal deles.

–Droga! Onde aquele dois se meteram? Precisamos deles agora. Foi para isso que ensaiamos e agora eles somem.

–Não se preocupe querido. Nada do que havíamos planejado saiu como queríamos. Vamos pular a dança que era só um capricho meu, sim? Vamos apenas curtir o momento.

–Por que está sorrindo tanto assim, Cosette?

–Nada. Só que estou feliz por saltarmos no abismo do desconhecido para descobrir o que tem lá- ela respondeu , Marius estendeu sua mão para ela a puxando para si.

Oh I love your flaws and live for your mistakes

(Ah eu amo seus defeitos e viver pelos seus erros)

And beauty's on the surface wearing thin

(E a beleza está na superficie se esgotando)

Come closer show the marks upon your skin

(Chegue mais perto e me mostre as marcas da sua pele)

Show me that you're human

(Mostre-me que você é humano)


Notas finais
Então pessoas o que acharam? Quero honestidade então se odiaram tudo bem eu irei entender.

Viu só Gabe? O capítulo ficou longo como você pediu.

Ah hoje eu tive que voltar para a escola... muito triste com esse acontecimento.

Ah² cara eu consegui! Vou assistir Billy Elliot, e acreditem ou não meus pais me deixaram ir sozinha de ônibus. Feliz por ver o elenco original do West End!

Bom é isso, espero que tenham gostado!

Depois desse capítulo estou em paz comigo mesma. Adeus.