Notas iniciais
Desculpa pela demora gente, mas acabou que eram tantas fanfics para escrever que a gente demorou um tempão... Esse acabou de sair do forno.
Sim, as dúvidas serão esclarecidas e o filho de Hanna está supostamente morto.
A gente ia colocar 1D (não somos haters, longe disso, mas a gente sabe que tem muito idiota falando esse tipo de coisa por aí) só que nos lembramos que a história é daqui a 61 anos, então... bem.... éééé.
Nada de identidade de A por enquanto, por favor! KKKKKKKKKKKK
Muito obrigada por estarem lendo, esperamos que gostem. Boa leitura :3

Violet caminhava para casa com os fones de ouvido escondidos sob o cabelo roxo. Parou na frente de uma loja e observou uma câmera profissional exposta na vitrine. Sempre quis ter uma. Se existia uma coisa que a faria sair de casa, para longe dos seus livros e do tumblr, era a fotografia. Só de imaginar quantas coisas extraordinárias se escondiam atrás das paredes do apartamento... Dava preguiça, bem verdade, mas incitava sua curiosidade. Pensava em comprar uma há muito tempo, mas precisava falar com os pais e não tinha muita certeza da resposta depois da nota que tirou na última prova de química. Talvez quando recebesse a próxima ela pudesse abordar o assunto, mas por enquanto era missão abortada.

Pôs-se então a andar até o prédio verde-água que quinze andares, o Flor-de-Lótus, onde morava desde que nasceu. Enquanto o portão eletrônico abria, ela percebeu que não conhecia o rosto atrás da guarita. Era um porteiro novo, e parecia ter praticamente a sua idade. Ele tinha cabelos pretos e cacheados logo abaixo da orelha e olhos azuis claros. Estatura mediana e corpo magro, sorriu enquanto ela entrava e veio em sua direção.

- Boa tarde – ele disse. Violet percebeu que ele deveria estar se vestindo quando ela chegou, porque a blusa do prédio estava aberta, mostrando a blusa branca que estava por baixo. Ela sorriu também e o cumprimentou.

- Boa... hum...

- Adam.

- Adam. – ela repetiu – Eu sou Violet, do 702.

- 702... – ele pareceu parar para pensar – Tem correspondência. – disse e entrou novamente na guarita. Voltou com alguns papéis na mão – Condomínio... E algumas outras coisas. Assine aqui – pediu.

Violet pegou a caneta e tentou uma caligrafia caprichada, mas saiu como as de sempre: meio torta, devido ao costume de digitar. Fez uma careta quando viu o resultado, fazendo-o rir.

- Você ficaria feliz se visse a minha – brincou.

- Então você fica me devendo. Porque, sinceramente...

- Droga, acho que sou um devedor.

- Até mais, Adam.

Pegou o elevador ainda pensando nos olhos azuis de Adam. Era simpático, e deveria ter pegado o posto do porteiro que morreu recentemente. Era um idoso cativante, mas claramente fora da idade para tal trabalho, e teve um infarto durante o turno da noite.

Catou a chave na mochila cheia de bottons e abriu a porta, sendo imediatamente atingida pelo cheiro de enchilladas de queijo vindo da cozinha. Mais um prato magnífico feito por Tom Ryan, o chef mais aclamado da cidade. Um golpe de sorte, ele estar livre na hora do almoço. Se lembrou que o restaurante ia entrar em reforma e sorriu, pensando em todos os almoços como esse que viriam pela frente.

Depositou a mochila no sofá redondo e seguiu até o quarto da sua irmã mais nova, Lauren – que aos doze anos já era mais alta do que ela. Entrou no quarto colorido e a viu sentada na cama, desenhando. Era seu passatempo preferido desde sempre – e por causa dele ela gostava de sair, para ter inspiração, como gostava de dizer. Nessa parte, as duas eram inteiramente diferentes. A irmã adorava o ar livre, enquanto ela adorava o photoshop e os livros das grandes sagas clássicas. Não culpava a pequena – /grande – por isso, a esquisita era ela. Tinha bastante certeza de que os pais dariam a ela a câmera se ela passasse um dia sequer fora de casa – e do computador.

Abriu a boca para falar, mas no mesmo momento o pai gritou da cozinha, chamando as duas para o almoço. Ela riu.

- Ops. Acho que qualquer coisa pode ficar para depois. Hoje tem enchilladas.

- Nham-nham – a mais nova disse guardando todos os lápis pretos que esteve usando (Violet não entendia por que tantas tonalidades de preto, mas como não entendia dessas coisas nunca perguntou).

As duas correram para a mesa de vidro onde encontraram a mãe, já sentada.

- Boa tarde, princesas. Dia emocionante na escola?

A mensagem que recebeu depois da briga na cantina passou pela cabeça de Violet, mas ela resolveu não comentar. Ninguém ia levar a sério, e medo não era um dos seus defeitos, então o anônimo idiota ia ter que levar os recadinhos dele de volta para casa.

Tapa na cara da sociedade.

Abriu um sorriso amarelo e se esquivou da pergunta.

- Sei lá, meio normal.

- Ah, foi ótimo! Vamos ao cinema semana que vem ver o remake de Percy Jackson e o Ladrão de Raios. Vai ser incrível. – Lauren a interrompeu, animada.

- Tomara que tenha mais a ver com o livro – Violet comentou com um sorriso debochado – Pode ser muito melhor, sabe.

Lauren não pareceu ter entendido, mas a mãe sorriu e articulou bem verdade nos lábios.

- De qualquer forma, eu acho a tal de Keyra Mithgway muito inadequada para o papel que vai fazer. Annabeth começou loira no original.

- Filha, ela é loira mesmo... Nossa. Onde estão todos aqueles livros que li para você?

- Acho que vou ter que dar outra olhada nessa semana que tenho aí. Mas o remake promete ser melhor em alguns aspectos... Que eu esqueci. Não sei o que teve de errado com o último.

Violet poderia ter feito uma dissertação sobre o assunto baseada nos livros e no que aconteceu com o filme que fizeram no ano de 2010, mais de sessenta anos atrás, mas o cheiro ficou mais forte e inebriante.

- Cuidado, cuidado – disse Tom enquanto se dirigia à mesa. Os cabelos castanhos estavam desgrenhados, o que estranhamente destacava os olhos cinza, que a filha mais velha herdou.

Almoçaram fazendo comentários espirituosos sobre a cidade e o campeonato de surf, que estava próximo. Não tinha como evitar; toda a cidade falava nele. Em uma semana, as ruas iam ferver com turistas por toda a parte e promoções nos estabelecimentos – todos sairiam ganhando. Talvez ela conseguisse comprar a câmera, mas não chegou a articular os pensamentos em voz alta. Além disso, ainda estava para ser promovida uma festa na casa de Damian, um tipo louco de tradição no começo do ano. Mas não se focaram nisso, já que tinham em mente o interesse zero de Violet nessa festa.

- Estou satisfeita – disse ela por fim – Ah, e mãe... Mandy vai vir aqui fazer uns deveres de casa.

- Tudo bem querida, só não se esqueça de realmente fazer os deveres de casa.

Uma hora depois, ela tocou a campainha. Ainda não tinha pintado o cabelo, o que era um bom sinal. Se a mãe dela não estivesse em casa, ela já o teria pintado com papel crepom – e no final das contas, Violet ficaria encarregada de ajudá-la a limpar todo o preto que ficaria grudado no pescoço e nas mãos.

Foram até o quarto verde de Violet e colocaram as mochilas sobre a cama. Depois de muito insistir, Violet finalmente convenceu a amiga a fazer pelo menos dois deveres antes de irem fazer qualquer outra coisa. Como já era de se esperar, Mandy escolheu fazer os dois menores e assim que terminou pulou direto para a cadeira do computador.

- A festa esse ano vai ser histórica – ela comentou –, já tem boatos sobre bebidas e tals, mas é claro que ninguém vai colocar tudo a perder. Até onde os pais sabem, é só uma boate inocente.

- Aí duas palavras que não deveriam ser usadas juntas. De inocente essa festa não vai ter nada. Os pais sabem, só estão preferindo acreditar que os filhos sabem o que estão fazendo.

- Uau. Enfim, olha só... – ela deu uma olhada no perfil do Comunity, passando por algumas postagens mais novas até chegar o que queria – Aqui! Terrível. Acho que você já viu, mas colocaram lenha na fogueira ontem e agora Emma e Jane estão brigando por...

- Peraí. Eu não vi nada disso, vai com calma.

- Noooossa, Vi. Há quantos séculos você entrou pela última vez?!

- Eu excluí o meu. Nunca foi minha cara, de qualquer jeito.

- Como assim?! – Mandy exclamou, e depois baixou um pouco a voz – Ah... Olha, eu sei que...

- Ei, Mandy. Cala a boca.

- Tuudo bem.

- E pare de gritar, minha mãe vai surtar comigo se ouvir outro latido seu, OK?

- Ok, bitch. Mas sério mesmo, vamos deixar o passado ser passado, não é como dizem? Vamos fazer um Comunity para você, e vamos fazer agora – com um sorriso maroto, fechou a própria conta e entrou no cadastramento – Qual o seu email mesmo?

- Violet hífen Ryan e o resto é o de praxe.

- Uhum... Nome de exibição: Violet Ryan ou Violet Fields?

- Fields. Eu gosto de Fields.

Mandy continuou o processo, digitando rápido e com os olhos vidrados na tela do computador. Depois de alguns minutos deu um sorriso vitorioso e apertou o enter com uma força desnecessária.

- Peguei sua foto segurando Harry Potter e as Relíquias da Morte nas férias. Aquela que você está com o broche do tordo na camisa do acampamento e tal. Você adora a bicha, de qualquer jeito. Ficou legal.

- Só você mesmo. Eu nunca vou usar isso, você sabe.

- Você e sua relação amorosa com o Tumblr. Concordo, é super, mas dá uma chance aqui. Pode deixar você mais sociável, se é que me entende.

- Ah, qual é. Você nunca se preocupou em não ser popular. Ultimamente você está mudada...

- É porque agora eu sou popular, Violet. Pelo menos, na internet. E o pessoal na escola está até falando comigo, mas acho que você os intimida.

- Eu? Intimidadora? Mandy, eu sou tão intimidadora quanto um panda de pelúcia.

- Ah, você entendeu. Não sei como você consegue. Dá as tripas pelo seu tumblr, e mal é reconhecida. Já pensou? Você podia ter muito mais seguidores se de repente tentasse achar alguém lá na escola que tem um famoso.

- Ok, ok. Vamos por partes. Primeiro, não me ofenda. Tenho meus cem followers, e foi um trabalho muito suado. Segundo, não acho que ninguém daquela escola tenha Q.I. suficiente para ter um tumblr, exceto talvez por Amy, claro, mas ela passa tempo demais com a cabeça enterrada nos livros. E terceiro, nem que houvesse uma pessoa com um tumblr famoso, eu não vou me apoiar na fama dos outros. Eu vou chegar lá um dia sem precisar disso.

- Ui.

As duas riram.

- Enfim, não se preocupe. Eu não acho que o fato de eu não ser popular vai te atrapalhar na grande caminhada para o topo.

- Claro que vai. Não vou chegar lá sem você.

- Eu eu não quero chegar lá. E aí, como é que a gente faz?

- Garota, você tem que querer. Pelo menos um pouco? Sei lá, cinquenta amigos já é de bom tamanho. Querida, quando eu chegar lá, você vai ser a única que vai poder me derrubar.

- Mandy, eu já MANDEI você CALAR A BOCA.

- Calma aí. Você sabe muito sobre mim. Isso não é segredo para ninguém.

Passaram o resto da tarde pesquisando tudo quanto é tipo de coisa na internet, como era de costume.

- E hum... E aquela câmera que você queria?

- Eu vi uma hoje, na vitrine daquela loja nova, mas não acho que vá rolar para mim tão cedo.

- Claro que não. É difícil tirar verba dos coroas quando eles sequer sabem para que você quer né?

- Ei, Mandy. Não chame meus pais de coroas.

- Tanto faz. Você já deveria ter tocado no assunto há meses, e você sabe disso. Tudo vai entrar em promoção, menina. É sua chance de ouro.

- Estive pensando nisso durante o almoço, não vou mentir...

- Pois. Fale com eles. Quem sabe...

- Vou tentar. – Violet disse, querendo pôr um ponto final na conversa. E acrescentou, quando viu a cara orgulhosa da amiga – O que não significa, em hora alguma, que eu vou conseguir.

- Significaria, se fosse lá em casa. Ok, ok. Estou brincando com você. Vou te dar uma semana. Quarta que vem eu volto aqui, e vamos pedir sua câmera pela internet. O campeonato começa na sexta, então vamos pegar a queima antes da queima menor. – Violet riu – Ah, você me entendeu.

Quando Mandy foi embora, Violet resolveu tirar um tempo para poder, enfim, explorar a própria conta. Tinha adicionado algumas pessoas, e a maioria já tinha aceitado – parecia que as pessoas da escola não tinham outra coisa para fazer à tarde que não fosse ficar sentado na frente do computador. Não que não conhecesse essa necessidade, mas nada no “Comunity” parecia ser tão atraente para ela. Parou no post sobre a festa de Damian. Mandy estava certa: todo mundo ia. E não estava programada para parecer com nada que eles já tivessem visto – isso era claramente um exagero, mas ninguém pareceu se importar. Olhou no chat e bloqueou as lembranças que ela simplesmente não queria reviver. Ela não deveria ter feito outra conta, mas ela sentia estar perdendo Mandy – por mais bobo que isso pudesse soar – e não poderia permitir que acontecesse. Além do mais, é muito difícil dizer não para a loirinha “inocente”.

Inocente. Um dia, talvez. Elas se conheciam há muito tempo. Sem dúvidas, já partilharam daquela inocência infantil. Não mais, há algum tempo.

Ah, mas que merda, Violet. Não pense nisso.

Tarde demais.

Dois anos antes

Mandy estava no Facebook, murmurando um monte de coisas, quando eu saí do banho e comecei a me vestir. Era uma sexta–feira à tarde e ela estava lá em casa, para variar. Tentei acompanhar o que ela dizia, mas eram tantas reclamações que eu comecei a rir.

– Não tem graça! – Ela disse – Estou falando sério. Já pensou? Todo mundo ME chamando de ultrapassada... Isso é um ultraje.

– ULTRAJE? – Eu disse – Nossa, e isso sem ir uma vez sequer à biblioteca. Meus parabéns, Mandy.

– Você ouviu o que eu disse?

– Sendo sincera?

– Ah, às vezes você é simplesmente in–su–por–tá–vel. – E revirou os olhos – Jessica Fredericks me dizendo o que fazer! E olha só o que ela colocou no twitter: “@MandyClaire, querida, te enviei o convite!”.

– Convite?

– É, parece que é mais fácil se eu entrar nesse tal de Comunity se for convidada. Ou ela vai ganhar alguma coisa com isso, não entendi direito. Desliguei o meu cérebro enquanto ela falava. – Ela se virou para trás e esperou que eu risse, mas se lembrou de que eu não tinha escutado – Foi hoje, no almoço...

Ela olhou para mim, esperando que eu assentisse. Mas eu fiquei parada, esperando que ela continuasse, e ela suspirou e revirou os olhos.

– Pelo jeito, eu não sou a única por aqui que desliga o cérebro.

– Eu estava no banho! O que você queria? – Perguntei enquanto penteava meu cabelo.

– Eu estava na minha, juro. Ela se sentou no banco bem do meu lado e começou a falar sobre aquele post sobre a lenda do cinema, Johnny Depp. Mesmo que as pessoas continuem falando sobre o sem sal do Robert Pattinson como o príncipe do cinema, cá entre nós Johnny é o rei, o príncipe e a corte inteira. Enfim, eu disse “vi isso ontem no Face” e ela começou a rir descaradamente de mim, falando dessa nova rede social. Sério, Co–mu–ni–ty? Eca.

– Também, vindo de uma garota com o nome @JessRicks no twitter não se espera muito mais.

Ela começou a rir e permaneceu assim por um tempo. Era o tipo de coisa que eu dizia para deixar ela feliz. Fomos fazer os deveres, conversando sobre essas redes sociais. A gente sempre acabava elegendo o assunto do dia, e dessa vez não foi nem mesmo preciso que a gente fizesse a lista de considerações. Então começamos.

Em minha opinião o tumblr ainda era a melhor de todas elas, mas Mandy mal me escutou. Ela era uma pessoa do Facebook, com toda essa mania de ficar fuçando na vida dos outros – não que eu tenha dito isso para ela, ainda tinha amor à vida. Portanto, me deu uma cortada ou duas até que eu entendesse que não era aquele o assunto. Ela precisava falar sobre como estava frustrada com todo o lance de ser ultrapassada na opinião dos outros. E de como o Comunity deveria ser uma porcaria perto do Face.

Na verdade, acho que foi nessa época que ela começou a se preocupar com os comentários alheios. A partir daí só fez piorar.

Quando fechamos o último caderno, ela olhou para mim e sorriu.

– Quer saber? – Ela disse e esperou um pouco, dando o drama adicional do qual sempre gostou – Vamos fazer um Comunity.

Agora


Levantou a cabeça da escrivaninha, esfregou os olhos e desligou o computador, indo em seguida até a sala, onde viu as contas que recebeu mais cedo do porteiro. Quando chegou ao quarto da mãe, ela estava deitada, com o rosto um pouco pálido.

- Hum... Mãe? – ela esperou até que a mãe abrisse os olhos e a fitasse – Recebi umas contas quando cheguei.

- Pode colocar na escrivaninha, querida.

- E o condomínio.

- Ah, esse danado. Não acredito que eles estão cobrando sem desembargar as obras da quadra. Era só o que me faltava... Dê-me esse envelope, querida. Quero ver o número do síndico.

- Mãe, acho melhor você deixar isso para depois. Está parecendo cansada...

- Talvez seja melhor... Tudo bem. Deixe aí, mais tarde eu ligo.

Ela deixou as cartas onde a mãe havia indicado e saiu do quarto, encostando a porta com cuidado. Quando passava pela sala para voltar ao quarto, o interfone tocou.

- Violet falando.

- Oi, Violet. É da portaria, chegou uma encomenda para você.

- Para mim? Ou para o apartamento? Porque existe uma grande diferença, sabe. Eu geralmente não sou parte integrante da casa.

- Não. Para você mesmo. Acabou de chegar.

- Bem... Eu vou buscar. Eu acho.

- Você acha?

- É, eu não estou acostumada com esse tipo de coisa. Mas lá vamos nós. Eu acho.

Ele riu e ela desligou. Quando chegou ao playground, ele segurava uma caixa média nas mãos brancas. O sol estava escondido entre as nuvens, mas mesmo assim estava quente. Ela prendeu o cabelo em um coque e parou com as mãos na cintura em frente a ele.

- Honestamente, estou com medo de pegar nessa coisa.

- Bem, qual o pior que poderia ser?

- Uma bomba?

- Talvez uma fralda. Suja.

- Woow. Ou... Uma arma. Eu poderia ser presa.

- Pode ser o dedo de alguém.

- Nossa. Você é definitivamente maligno. Mas pode ser uma coletânea de filmes estranhos. Como A Árvore da Vida.

- E eu sou maligno? Quem sabe... Um mamão.

- Um mamão? Por correio? Vai estragar estragado.

- Pior ainda.

- Ok. Dê-me isso aqui. Antes que a gente invente alguma coisa que possa me assassinar.

- Então assine aqui... – ele disse, entregando-a uma prancheta com um papel do correio.

- Assinar mais uma coisa? Você não tem pena de mim – ela murmurou enquanto assinava, dessa vez um tanto melhor.

- Vai melhorando com a prática, pelo que estou vendo.

- Que nada. Eu estava escrevendo. Para os deveres. A escola pode mesmo operar milagres.

Ele levou a prancheta na guarita, ainda com o pacote, e ela foi atrás.

- Mas não pense em hipótese alguma na possibilidade de falar sobre isso com a minha mãe. Por favor.

- Então temos uma promessa. Aqui está...

Ela pegou o pacote e balançou perto do ouvido, tentando detectar alguma coisa, mas fora um ruído não identificado e baixo ela não ouviu nada de familiar. Observou a caixa coberta com o amarelo do correio e balançou a cabeça.

- Só pode ser coisa da minha irmã. Até mais.

- Até.

Subiu direto para o quarto da irmã, onde a encontrou desenhando – mais uma vez – com aqueles lápis pretos.

- Lauren, você pediu alguma coisa pela internet esses dias?

- Hum... Não...

- Tem certeza? Nada? Nem alguma coisa, assim... No meu nome, talvez?

- Estive pensando em pedir um suporte para telas. Até falei com a mamãe, mas não cheguei a comprar. E definitivamente não no seu nome. Por quê?

- Nada... nada. Vou falar com mamãe – disse, e saiu do quarto.

Ela não estava mais no quarto. Encontrou a mãe desenhando uma planta no escritório. Os cabelos escuros caíam sobre o rosto enquanto ela tentava afastá-los com os dedos. Parecia menos frágil quando estava trabalhando. Sempre foi assim. Violet bateu na porta, que estava entreaberta, fazendo-a se virar.

- O que foi querida?

- Chegou uma correspondência pra mim. – respondeu – Você ou o papai compraram algo em meu nome? Ou sabem se algum parente resolveu me enviar essa coisa?

Sua mãe parou por um segundo para pensar, mas não encontrou ninguém possível. Não estava perto do aniversário de Violet, e que soubesse seus familiares estavam ocupados demais trabalhando em outras cidades – ou até mesmo países – para mandar um presente no natal, quanto mais em um dia comum. Era hereditária, essa mania de trabalho. Todos seus irmãos adotivos iam à cidade uma ou duas vezes por ano, e mesmo assim para ver a mãe.

- Filha, eu acredito que não. Chegou alguma coisa?

- Uhum, um pacote acabou de chegar. O porteiro ligou.

- Bem, vai que minha pequena arranjou um admirador secreto. Abra. E me diga depois do que se trata.

- Ah, claro – ela afirmou, balançando a caixa acima da cabeça e dando de ombros. Foi até o quarto e sentou na cama, passando a mão pela colcha preta e fofa enquanto analisava, mais uma vez o pacote.

Depois de se convencer de que não era nada daquilo que Adam e ela especularam, Violet rasgou o papel amarelo com seu nome e olhou a embalagem.

Não era nada daquilo. Era pior.

Era uma webcam nova, ainda na caixa.

Não que receber um presente anônimo fosse sinistro. Esse tipo de coisa acontece, e Mandy poderia chegar à escola no dia seguinte dizendo que armou tudo para tentar dar um bom susto na amiga. Ou poderia ter sido um admirador, como a mãe falou – por mais improvável que isso pudesse soar. Poderia.

Não que o fato da webcam ser verde, coincidentemente a cor do quarto dela, a desse arrepios.

Mas o recado em um post it na caixa, definitivamente a dava arrepios.

“Tive uma ideia. Vamos deixá-los ver o seu rosto dessa vez.”

-A

Eu definitivamente não estou lidando com um admirador.

Notas finais
E aí? Gostaram, não gostaram? Confuso, né? Somos más - por enquanto.
Deixem seus reviews.......
xoxo