Notas iniciais
Demorou mas veio minha gente! Aproveitem xx

Amy massageava as mãos no banco do carona do novo Honda Civic 10.4 do seu namorado Alex enquanto a música Make My Millenium tocava na rádio. Suas aulas do dia tinham sido nada menos do que história, literatura, inglês, grego, latim e francês – as aulas nas quais ela mais escrevia – e seu pulso estava quase pulando fora.

Alex pigarreou e olhou para ela com o canto do olho.

– Então, eu estive falando com os meninos sobre a festa de Damian...

– O que poderia ter de interessante para alimentar uma conversa?

– Muita coisa. Quer dizer, é o evento do ano, e está sempre melhor. E, cá entre nós, o cara é um louco, então todo ano é muito surpreendente. A gente conversou bastante...

– Vocês não estão achando que eu vou, estão? – ela perguntou para ter certeza.

– Eu queria falar com você sobre isso – ele começou e franziu o cenho, como sempre fazia quando estava determinado –, pense bem. Piscina, jacuzzi, Hotspots...

– Eu não gosto deles.

– ... open bar.... – ele parou e olhou para ela – E você gosta sim. Estava ouvindo Tomorrow More ontem no seu iPod.

– Faz um favor. – ela interrompeu – Cala a boca. Eu já disse que não vou e se tem uma coisa que não vai me convencer é open bar. Ponto final.

– Ei, ei. Calma. Só quero que pense no assunto. Vai ser incrível, e não quero ir sem você.

Ela parou de mexer nos pulsos, colocou o celular no bolso e ajeitou a bolsa nos ombros. Não gostava quando ele fazia isso. Por mais que se parecessem, Alex gostava desse tipo de festa, que ela simplesmente não curtia, e estava sempre querendo levá-la junto. De vez em quando ela cedia, mas Damian era o tipo de valentão que ela não podia – e não queria – suportar.

– Quem sabe – ela disse e saiu do carro.

Entrando em casa, ela viu a avó sentada na varanda, lendo alguma coisa – como ela sempre estava na volta da escola desde que seu avô morreu. O cabelo castanho já mostrava vários fios grisalhos – ela também não o pintava desde que Toby morreu. As mãos enrugadas seguravam o livro com fragilidade e ela não percebeu a entrada da neta.

– Vó – ela cumprimentou.

– Boa tarde Amy. Ocorreu tudo bem?

– Tudo ótimo.

Nada de mensagens. Nada de mensagens. Esqueça.

– A aula de grego matou a minha mão. Vou pegar um gelo, quer alguma coisa?

– Não, obrigada.

Ela foi até a cozinha e pegou uma compressa de gelo. Nada de recados na porta geladeira. Voltou para a varanda com o gelo na mão e se dirigiu à avó.

– Onde estão minha mãe e meu pai?

– Eles foram à agência de viagens. Sua mãe está pensando em sair, mas eu ainda não sei o que é. Na verdade... Eles disseram para te dizer que foram ao mercado se você perguntasse, mas não criei minha filha para mentir. Só não pergunte ainda querida, quando ela quiser vai anunciar.

– Seja lá o que for – ela resmungou e subiu para o quarto.

A empregada estava arrumando as coisas dela, por mais que ela tenha dito que pode fazer isso sozinha.

– Hum... Keylah . Pode deixar aí que eu arrumo.

– Mas Dona Amy... – ela começou, com o rosto magro ficando rapidamente rosado.

– Não. Não. E não. Pela última vez, eu posso fazer isso. E prefiro. Então, por favor, vá guardar as coisas da minha avó, que realmente não está mais apta a fazer esse tipo de coisa.

– Tudo bem, então. – e saiu com as perninhas curtas em ritmo acelerado.

Amy se sentou na cama, tirando os livros da mochila. Estava morta de fome, mas ninguém se sentaria à mesa antes das sete. Ela poderia fazer todos os deveres e estudar uma parte do assunto antes do jantar, o que a daria certa vantagem para a prova que aconteceria dali a duas semanas.

Foi até o banheiro lavar as mãos e viu a balança encarando–a. Não ia se pesar. Na verdade, não se pesava há alguns meses. Da última vez, ela estava com sessenta e três quilos e meio – o que era inaceitável para o seu metro e meio. A possibilidade de se pesar só a deixou mais nervosa. Saiu do banheiro e se sentou novamente na cama, com os cadernos abertos à sua frente. Ela sabia que tinha aberto na matéria do latim, e que tudo deveria estar fluindo. Mas sua visão começou a ficar embaçada. Ela não tinha dois cadernos à sua frente, tinha seis. Tirou os olhos das letras antes que isso a desse dor de cabeça e levou a cabeça às mãos. Percebeu que estava ficando quente, a pele pálida suando contra as mãos que começavam a ficar trêmulas. Tentou se distrair, prendendo os cabelos ruivos em um coque cacheado no alto da cabeça, mas não adiantou. Levantou-se e foi até o banheiro. Lavou o rosto várias vezes com água gelada, mas ao se olhar no espelho percebeu que ainda parecia péssima.

Ah, Amy, você é um caso perdido.

Foi até a porta do quarto e olhou o corredor, certificando–se de que estava vazio, antes de fechá–la; dirigiu–se ao closet e abriu a gaveta dos pijamas, onde guardava “material de emergência”.

Olhou os Alpinos e os chocolates Wonka, mas teve uma ideia melhor. Pegou uma barra Wonka e fechou a gaveta, indo até o minifreezer que ficava ao lado da televisão. Pegou um pote de Häagen–Dazs de flocos e a Nutella e se sentou no chão. Quebrou metade da barra em pedacinhos e colocou uma parte no sorvete e uma parte na tampa, para quando terminasse o que estava em cima. Pegou a colher escondida no fundo falso da cômoda debaixo do aparelho de blue–ray e espalhou Nutella pelo pote. Guardou a metade inutilizada da barra Wonka de volta na gaveta e se sentou no chão com a mistura e os dois cadernos – nem em sonho ia sujar o forro da cama, para explicar depois o que estava fazendo com Nutella, Häagen–Dazs e chocolate Wonka no quarto – e tudo ao mesmo tempo.

Ela sabia que não deveria estar fazendo aquilo. Queria poder se controlar e já estava se sentindo culpada por manter chocolate escondido – o que só a ajudava a comer cada vez mais –, mas quando sentiu o gosto do sorvete com tudo aquilo, cada grão de culpa foi embora. A visão melhorou, permitindo que ela fizesse os deveres.

– Amy! – ela ouviu a voz de Keylah, e deu um pulo – Sua avó que falar com você!

O primeiro reflexo que ela teve foi rastejar com a maior pressa que pôde até o minifreezer e esconder o pote do sorvete e a tampa com o chocolate. Colocou os livros na escrivaninha, olhou a roupa e os dentes para ter certeza de que não estavam sujos e desceu as escadas.

A avó estava colocando a mesa e se virou assim que ela chegou.

– Querida, eu não consigo achar uma de nossas colheres. Uma média... Você viu?

– Hum... – ela fingiu pensar. Ela era uma Hastings, mesmo que não estivesse em seu nome. Os Hastings sempre tinham palpites sobre tudo, e ela precisava de um rápido. Os armários ou... ou a frigideira onde assaram a lasanha mais cedo – Olhou em todos os armários? Nas frigideiras que usamos hoje no almoço?

– Podemos dar uma olhada nas frigideiras, é uma boa ideia.

Amy deu um sorriso amarelo e mudou de assunto.

– Por que está colocando a mesa agora? Ainda são quatro horas.

– Sua mãe disse que vai comer mais cedo, e eu quis dar uma ajuda a Keylah com isso antes de ir para o quarto terminar de ler aquela dissertação que ganhou destaque no ano passado.

– Ah, sim. A daquele cara que... Enfim. Ela já está voltando?

– Talvez. Não tenho certeza. É bom que você se arrume, acho que vamos ter uma visita para o jantar.

– Ou lanche, hein? – Spencer revirou os olhos – Tudo bem. Parei. Volto daqui a pouco.

Ela voltou a subir as escadas e chegou ao quarto já fechando a porta. Abriu o guarda-roupa e procurou algum preto básico, avistando logo o vestido que comprara dois meses antes, e acabara não usando. Pegou-o, tirou a etiqueta e o levou consigo até o banheiro, onde tomou um banho rápido e começou a se vestir. Quando o vestido chegou às coxas, não quis mais subir. Ela tentou de tudo, mas ficou com medo de rasgá-lo e por isso tirou, convencida de que deveria ter colocado por cima quando provou na loja. Até os ombros, tudo ok. Mas o busto ficou insuportável de tão apertado, e ela sentiu uma necessidade terrível de se livrar dele, pouco antes do busto começar a doer de tão apertado. Ela puxou o vestido de volta, mas não queria sair. Colocou então os braços em um x e tentou puxar, mas era uma posição desconfortável para uma força estúpida em uma atividade como tirar um vestido. Parou para respirar e se sentou no vaso. Puxou mais forte, encolhendo os ombros para dar mais espaço, e enfim o vestido saiu. Ela o jogou no chão, frustrada, e sentiu os olhos arderem.

Não seja boba.

Pensou em algo mais que poderia vestir, mas já não sentia vontade de levantar. Viu a gaveta entreaberta e se lembrou do chocolate que deixara ali.

Boba? Tenho mais do que razão. Sou completamente estúpida.

Optou por uma saia de tecido leve que ia até o joelho e uma blusa de manga curta preta, que disfarçava uma boa parte do peso extra que vinha recebendo. Desceu as escadas e encontrou sua mãe e se pai entrando em casa, com uma mulher elegantíssima ao seu lado.

Ela sentiu como se já tivesse visto a mulher, de tão grande que era a semelhança. Os mesmos cabelos pretos, só que muito mais curtos, e o mesmo corpo esguio e alto da filha. Gwen Vaughan, mãe de Megan. Ela usava jeans com uma blusa regata e um sobretudo, e ainda assim estava incrivelmente linda. A maquiagem era leve e o salto tinha pelo menos treze centímetros, e ela sorria com simpatia.

– Boa tarde, Spencer – ela cumprimentou.

– Boa tarde, Gwen.

– A senhora vai bem?

– Estou ótima, muito obrigada. Quase terminando aquela dissertação que Ezra me indicou, agradeça-o por mim. E diga-me, como está Aria?

O rosto da mulher pareceu empalidecer um pouco.

– Ah, você sabe como é. Tem seus altos e baixos. Mas, no geral, ela está indo muito melhor do que o médico achou que aconteceria. Estamos com esperanças de que ela ainda tenha alguns anos saudáveis pela frente.

– Espero poder vê-la logo. Estou tentando falar com Emily há algum tempo, para irmos juntas, mas acho que vou ter que me arranjar sozinha.

– Venha quando quiser. Vai fazer muito bem a ela, ter uma visita tão querida.

– Oh, claro, Gwen. Sempre um amor – completou pensativa.

Após todos os “boa tarde” e “como vai” necessários, sentaram-se à mesa.

Por mais que Spencer, Aria e Emily fossem amigas inseparáveis e de longuíssima data, as suas filhas não se viam com tanta frequência. Pelo menos não depois que estas envelheceram. Dessa forma, muito menos apegadas eram as suas netas. Amy falava de vez em quando com Megan, mas ela era muito popular e essa não era exatamente a mesa que Amy ocupava no horário de almoço.

Depois de alguns minutos de silêncio desconfortável, Valerie pigarreou e olhou nervosa para a filha.

– Hum... bem.

– Eu falei para ela onde vocês estavam – Spencer interrompeu. Quando sua filha a fitou, repreendendo-a, ela levantou um pouco o rosto com a insolência Hastings e levantou as sobrancelhas – Só para deixar claro.

– Então... – Amy começou.

– Nós vamos viajar, acho que isso já está claro. Bem, o que acontece é que com toda a situação com Aria, sua avó e Emily não querem ir ao lançamento do livro, então nós vamos em seu lugar. Eu, Gwen e Maya. Josie e Katerina também vão, para representar o conselho histórico da cidade.

– Peraí – Amy começou. Estava com algumas dúvidas. Como ela achou que soaria extremamente indelicado perguntar qual era a “situação com Aria”, resolveu deixar isso como um detalhe – Que livro? E onde?

– Você não ouviu falar? – Gwen perguntou com a voz suave – O marido... Hum, viúvo...

– De Hannah – Spencer falou, com uma expressão que Amy não conseguiu decifrar, pela primeira vez em muito tempo. Todos ficaram calados por um tempo, como se estivessem esperando que Spencer quebrasse a bolha de tensão que tinha se formado ali. Ainda assim, ela ficou calada por um tempo, pensativa. Amy podia praticamente ver a névoa que a rodeava, de histórias e lembranças que ela não se sentia confortável em compartilhar. Depois de um minuto que durou uma eternidade, ela continuou, com o mesmo tom duro e seco que usara antes – O viúvo de Hannah, Caleb. Foi ele quem escreveu o livro. Não tenha medo, Gwen. Eu já venho lidando com isso há alguns anos. Continue.

– Mãe, não seja rude. – E voltou a se dirigir a Amy – De qualquer forma, querida, ele vai lançar o livro em uma cidadezinha no interior da Califórnia, e nossa presença é no mínimo crucial.

– Se fosse crucial, ele teria requisitado nossa participação durante a escrita, não para o lançamento. E não acho que foi o que aconteceu. Ele parece estar bem confortável com a ideia de conduzir todo sozinho. Eu sei bem do que vem acontecendo com a minha amiga, mas não é por isso que não vou, vocês sabem. Tenho receio mesmo é de que ele vá apresentar uma versão tão distorcida da realidade naquele livro que não conseguirei nem sequer olhá-lo.

– Se você quer mostrar a história pelo seu ponto de vista, então escreva um você mesma. Mostre ao mundo que ele não está certo, ou deixe que eles acreditem. Li uma vez em um livro muito sábio que tudo do que eles precisam é uma boa história. Então, se eles não tiverem mais nada em que acreditar, vão se apoiar na história dele – Amy disse antes de levar uma garfada à boca.

– Talvez, filha – Noah disse – Mas sua avó não deveria se preocupar com esse tipo de coisa agora. Sua mãe vai no lugar dela justamente para poupá-la de viver toda essa história mais uma vez.

– Eu sei, eu sei. Mas eu gostaria de ouvir a história por ela. Vocês não?

Todos ficaram em silêncio, e Amy sentiu que dissera algo de errado. Chamou Keylah e pediu que ela trouxesse a jarra de suco, como que encerrando a conversa por ali. Os adultos começaram a conversar sobre os detalhes, mas Spencer mal terminou de comer o que tinha no prato e pediu licença para sair. Amy disse que não iria comer a sobremesa e foi levar o prato na cozinha, mas lá se sentou em um banco e pegou um mousse.

– Clima estranho entre esse povo, você não acha? – perguntou a Keylah.

– Amy, você sabe que é melhor que eu não dê esse tipo de opinião. – ela disse e prendeu a cabeleira loira para lavar os pratos – E seu namorado, ele vai passar aqui pela noite?

– Não acho que ele venha hoje. Nós tivemos uma discussão besta, mas ele está querendo me amolecer.

– O que, naturalmente, não vai funcionar.

– Não.

– E qual o motivo da briga?

– Ele quer que eu vá para uma festa que um colega vai fazer. Algo muito estúpido, se você quer saber.

– E qual o problema em ser estúpido de vez em quando?

– Ah, qual é, Key. O colega é Damian.

– Hum, desse eu já ouvi falar. E muito mal, se você quer saber. – e deu uma risadinha – Ainda assim, você deveria ir e se divertir um pouco. Às vezes eu sinto que falta isso. Vontade de se divertir, Amy.

– Mas é só uma festa boba.

– E vocês brigaram por causa de uma festa boba?

– O.K., talvez não seja propriamente dita boba, mas é bem próx... – Keylah ergueu uma das sobrancelhas e levantou o canto da boca, com um sorriso sarcástico – Tudo bem! Eu vou dizer, mas não se deixe enganar. Dizem que é a maior festa do ano.

Não se deixe enganar? Amy, deve ser o máximo!

Era muito fácil esquecer que ela era apenas alguns anos mais velha do que Amy. Tinha ido para lá dois anos antes, trabalhar como au pair enquanto estudava, mas era um esquema enganoso e roubaram o passaporte dela – ou alguma coisa assim. Nunca mais conseguiu se comunicar com sua família. Na verdade, quando ela chegou lá, sorrindo e com todas aquelas malas nas mãos pequenas, ninguém sabia do que se tratava, portanto a recepção não foi das mais calorosas. Mesmo assim, depois de entender tudo, Valerie foi com ela até sua cidade natal, mas nada acharam. Dos dois anos para cá, Noah pagara a inscrição de Keylah em um concurso para bolsas integrais na faculdade mais próxima dali, que era onde ela estudava. Quando terminasse, iria sair da casa deles – tanto como trabalho, como moradia. E Amy iria sentir sua falta.

– Você é mesmo uma boba – completou, e se virou para a pia.

É, eu sei.

– Você acha que eu deveria ir? Não é nada demais.

– Se ele quer tanto que você vá, então para ele deve ser importante. Eu acho que você deveria ir, quem sabe não acaba até se divertindo?

– Ah, claro. Ele com os amigos dele e eu num canto, sozinha. Vai ser ótimo, só pode.

– Amy, pare de reclamar. Não tem motivos. É uma festa. Seu namorado quer que você vá. E você vai. Por que não?

– Talvez você esteja certa. Vou reconsiderar.

– Quando é a festa?

– Não tenho certeza.

– Acho bom você descobrir logo.

– Cai fora, Key.

Amy deixou a taça do doce na pia e foi até a sala, ver se todos já tinham terminado o jantar. Tirou os pratos, mesmo que sua mãe tivesse ficado envergonhada, já que Gwen não pareceu achar nada sobrenatural. Levou as sobremesas, deu boa noite aos presentes e subiu para o quarto.

Ligou a música e passou meia hora cantando e tentando dançar, mas desistiu. Foi tomar outro banho para terminar de estudar, e quando saiu da água quente o celular tocou. Era Alex.

- Boa noite amor.

- Boa noite – ela disse enquanto pegava o creme.

- Hum... olha. Desculpa por mais cedo, ok? Se você não quiser ir, eu posso dar alguma desculpa por você.

- Quanto a isso, estou reconsiderando. Quer dizer, eu tive uma conversa com Keylah...

- Eu adoro essa garota.

- ... que, por sinal, não está disponível, e ela me convenceu a pensar mais um pouco. Eu fui muito inflexível. Vou tentar não repetir, ok?

- Ok. Acho que estamos acertados. E deveríamos marcar um jantar, o que você acha?

- Ótimo.

- Marcamos os detalhes amanhã na escola. Durma bem, fofa – ele disse, e desligou.

Ela quase atirou o celular do outro lado do banheiro. Odiava quando ele a chamava de fofa. Não precisava deixar mais claro que ela estava namorando alguém tão diferente e tão naturalmente impossível para ela. As pessoas comentavam, e ela sabia disso. Ele não era exatamente o cara mais lindo da escola, mas era um rapaz de estatura mediana e magro, com feições... lindas. Ela não sabia por que estava pensando nele de forma tão fria, o que só a deixou mais nervosa. Saiu do banheiro, se vestiu e foi até o minifreezer. Poucas coisas a acalmariam ali. Chocolate era, definitivamente, uma delas.

Pegou o pote e a colher e se sentou no tapete ao pé da cama. Pegou um pouco da mistura e analisou o rótulo, pensativa. Quando chegou à última parte, deixou a colher cair no chão. A respiração ficou pesada, e o estômago dela fez uma série de acrobacias. Acrobacias nada agradáveis. Ela se sentiu tonta e examinou todo o quarto.

A janela.

A janela estava aberta, e ela tinha certeza que não estava quando ela desceu para o jantar. Ela usou o ar-condicionado. A janela estava fechada, com certeza. Mas ela não olhou quando entrou no quarto, então não tinha como saber...

Estiveram aqui enquanto eu tomava banho? Invadiram o meu quarto?

Parecia loucura. Ela queria que fosse uma loucura, mas o pote estava no chão, e ela, tentando se distanciar o máximo possível dele. A mensagem era clara.

“Hum, que tal darmos um descanso para a nossa gordinha boba? Vamos à festa, Amy, ou você vai descobrir que eu sei de tudo.”

- A

Notas finais
Review, ok? Queremos várias para o próximo. 2bj
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.