When Darkness Forgiven Me - FABERRY
3 Who'd Tell I'd Ever See You Again
Notas iniciais
Imaginei que ia poder usar as férias para dar uma boa adiantada nas fics, mas nem rolou... Vish!
Moro agora em Lima. Lima, Ohio. Uma cidade simplesmente impossível de ser comparada com Nova Iorque. Mas essa fase já foi superada. Já aceitei que o que fizemos foi para meu bem. Aqui, longe do meu pai, longe de minhas antigas más influências, posso seguir em frente. Seguir por um caminho melhor.
Minha casa nova é bonita, porém simples. Nada como meu antigo apartamento, mas é boa. A atmosfera nela é diferente. Tranquila. Serena. Segura. Tenho vizinhos simpáticos, que até vieram nos dar boas vindas (em Nova Iorque nem conhecia meus vizinhos), mas acho, porém, que não gostaram de mim. Sei que sou diferente de todos nessa cidade, e isso é o que me preocupa. Amanhã começam as aulas, e estarei eu lá, sozinha, sem conhecer ninguém. E como disse, não sou igual aos outros. Sei que vai ser difícil me encaixar. Mas no fundo, por baixo de meus cabelos tingidos, jaqueta de couro e coturnos com tachinhas, sou uma garota como outra qualquer. Só por baixo de tudo isso, onde ninguém pode ver. Onde ninguém quer ver.
O que minha mãe sempre me diz é que sou uma garota normal com um passado difícil. Concordo com ela. Foi por causa de tudo o que passei que aderi essa aparência. Aparência de quem não dá a mínima importância para ninguém. De quem não quer ninguém por perto. De quem não precisa de ninguém. Mas não sou assim. Importo-me e muito com os que se importam comigo e preciso de alguém em que possa confiar. Mas em quem posso confiar? Se tiver uma coisa que meu passado me ensinou é que não posso confiar em ninguém. Que sempre, na sua hora mais difícil, aquele que sempre esteve ao seu lado vai te abandonar. Até meu pai me abandonou.
Olho pela janela do meu quarto. O céu é azul e cheio de estrelas. Ouço a porta abrir atrás de mim. É minha mãe. Com um sorriso suave no rosto ela trás uma bandeja com um copo de suco de laranja e coloca na mesinha ao lado da minha cama. Dá uns passos em direção à porta, mas então para e olha pra mim. Estou sentada no meio da minha cama tomando meu suco. Ela vai até mim, me abraça e dá um beijo em minha testa.
– Boa noite... – Ela diz docemente.
– Boa noite, mãe. E obrigada. – Disse erguendo um pouco o copo.
– De nada. Se quiser mais, avisa. – Ela disse e piscou com um olho, mostrando que me conhece demais pra acreditar que eu estava agradecendo pelo suco.
Terminei a bebida e me arrumei para dormir. Apago as luzes e deito na cama olhando para janela. Amanhã vai ser um longo dia.Respiro fundo, apago todos os pensamentos ruins por um momento, e caio em sono profundo. Esperando que o despertador nunca toque.
.:|:.
Infelizmente ouço meu despertador tocar e sei que é hora de acordar. Porém não quero me levantar. Não quero ir para escola. Não quero ir para um lugar onde as pessoas vão me julgar e evitar chegar perto de mim. Quero ficar aqui para sempre. Só eu e minha mãe. Onde sei que estou segura. Onde sei que ninguém vai tirar conclusões precipitadas de mim.
Mesmo assim levanto e me visto. Escovo meus curtos fios cor-de-rosa e passo um pouco de maquiagem. Por fim visto minha jaqueta e coturnos e desço para a cozinha. O café da manhã já está na mesa. Sorrio um pouco. Minha mãe não gosta de acordar cedo, mas ela sabia que eu estava nervosa, então acordou antes de mim, preparou o café e provavelmente voltou para cama. Como rápido e vou pegar o ônibus para escola. Em Nova Iorque eu tinha meu próprio carro, mas não conseguimos trazer com a mudança.
No ônibus sento sozinha encostada na janela, ouvindo os gritos e risadas dos adolescentes que depois de três meses de férias reencontram seus amigos. Olho para fora e observo a cidade em silêncio. Não tenho nenhum amigo para estar feliz em rever mesmo. O transporte para bruscamente em frente à uma grande construção. William McKinley High School. Pelo jeito cheguei em meu novo colégio.
.:|:.
Os corredores são lotados. Há gente indo, vindo e alguns simplesmente parados no meio do caminho. Alguns encontram os velhos amigos e se abraçam. E outros correm para os braços de seus namorados ou namoradas. As líderes de torcida exibem seus uniformes curtos e rabos de cavalo altos. Os atletas andam por aí com suas jaquetas e copos de slushies na mão e... Algo gelado encontra minha pele. Estou encharcada e meus olhos estão ardendo. Lambo os lábios. Morango.
– Prove o arco-íris, novata! – Um grupo de garotos grita e cai na risada.
Tiro o excesso da bebida dos meus olhos e corro para o banheiro. Com pressa abro a torneira e jogo água em meu rosto. O alívio e instantâneo, mas não suficiente. Jogo mais um pouco de água e ouço uma voz doce atrás de mim.
– Não adianta jogar água. Vai ficar ardendo por algumas horas de qualquer forma. – Explicou a menina asiática de cabelos negros com mexas azuis e umas roupas meio góticas enquanto pegava um pouco de papel e molhava na torneira. – Vem aqui, eu te ajudo. – Dei um passo para perto da garota aceitando a ajuda.
– Por acaso isso... Acontece muito por aqui? – Perguntei com medo da resposta.
– Bom... Digamos que você se acostuma... Ah, e meu nome é Tina. – Ela disse de um modo tímido. – Tina Choen-Chang – Completou ao terminar de me limpar.
– Quinn Fabray. E obrigada...
– Então você é nova para os corredores da McKinley, hum? – Perguntou descontraindo um pouco.
– Sim, sou de Nova Iorque...
– Wow! Cidade grande! Deve estar meio deslocada por aqui, não?
– Demais. Não conheço ninguém. – Eu disse ao soar do sinal.
– Bom, sei que vai ser difícil se enturmar, então se precisar de ajuda, ou amigos, o Glee Club está sempre de portas abertas. – Ela disse e um sorriso morno enquanto saia do banheiro – Até mais, não posso me atrasar para aula.
– Tchau...
Ela sai e eu volto para as pias onde retoco minha maquiagem. Nem me preocupo em ir para primeira aula, já estou atrasada mesmo. Sem contar que não conheço nada por aqui, e até chegar à sala ia levar tempo. Então simplesmente saio do banheiro vagando pelos, agora vazios, corredores da William McKinley High School. Com passos lentos passo em frente às salas de aula. O silêncio profundo é quebrado por uma voz suave e familiar que vem de uma porta a diante.
Paro na porta e olho para dentro da sala. É o auditório. Nas cadeiras estão sentados uns doze ou treze adolescentes, inclusive a tal Tina que encontrei mais cedo no banheiro, e no palco está uma garota, sentada em uma cadeira cantando algo que me parece ser Barbra Streisand. A menina tem cabelos lisos e castanhos e está usando uma vestido curto de bolinhas. Uma mecha de sua franja, é presa para trás com uma presilha brilhante que reflete as luzes dos holofotes, e seus longos fios caem de leve em seus ombros. Ela canta incrivelmente bem, sem erra nota alguma.
Entro no auditório e subo uma escada escondida que me leva à uma pequena sacada sobre o palco. Olhando para baixo, enxergo melhor e começo a me lembrar. Lembro-me daquele dia na praia, onde entreguei ao mar a minha vida, mas aquela garota no palco trouxe-a de novo para mim. Olho para os adolescentes na platéia. O garoto alto que imaginei que fosse seu namorado está lá também. Sentado na primeira fileira acompanhando com palmas a canção da amada.
É estranho que eu sinta algum tipo de conexão por essa garota que nem conheço? Não sei... Sei que aquela que me salvou da morte, está novamente diante de meus olhos.
Notas finais
Então... Alguma pergunta? Fiz um ask e nunca usei, querem inalgurar? ask.fm/Victoriahofs
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