Notas iniciais
Espero que gostem : )

As últimas aulas foram monótonas. Não conheci ninguém novo, não revi ninguém conhecido. Nos corredores, não encontrei nenhum rosto familiar no meio da multidão. Mas isso até agora. Almoço. Estou preocupada. Será que a garota de cabelos lisos e castanhos vai me reconhecer? Não tenho certeza de quais são meus sentimentos por aquela garota, mas são fortes. É estranho se sentir assim por alguém que você não conhece. É assustador.

Estou assustada. E se eu deixa-la se aproximar e descobrir que esses sentimentos são mais do que uma simples conexão? Se eu entrega-la meu coração corro o risco de que ele se quebre. De novo. Já sofri o bastante. Não preciso passar por mais merda nessa vida. Não preciso ter de novo que esperar todas aquelas feridas cicatrizarem. Não quero. Foi por isso que mudei. Por isso que pintei meu cabelo e joguei fora meus vestidos e cardigãs. Toda essa mudança não pode ter sido em vão.

Pego uma bandeja e entro na fila. Permito que as cozinheiras me sirvam sem nunca olhar em seus rostos ou para os lados. Com a bandeja cheia, me dirijo a uma mesa vazia qualquer. Uma mesa encostada num canto onde sento virada para parede, de costas para o resto dos adolescentes que gritam e festejam o intervalo como se não tivessem saído da sala de aula há meses.

Sinto no meu ombro uma mão leve, morna e olho para trás. Dou de cara com ela. Aquela que vira há pouco tempo no auditório, mas há muito numa praia qualquer a beira da morte. Meu coração de repente acelera e sinto minhas mãos começarem a suar. Estou frente a frente com a minha salvadora. Com a garota que nem conheço, mas que me importo tanto. Me importo? Sim. Não posso negar.

– Olá, sou Rachel Berry. Acho que se lembra de mim... Eu estava na praia no dia do... Incidente. – Rachel. Então ela é a tal Rachel. A Rachel que foi procurar por mim no hospital aquela manhã.

Sinto algo no estômago. Talvez no coração. Uma sensação familiar, mas que não me recordo quando senti pela última vez. Não é bom. Não para mim.

– Mmm... Acho que você está me confundindo com outra pessoa... – Boa Quinn! Mas é lógico que ela está confundindo a garota de cabelos cor-de-rosa. É lógico...

Minha resposta não foi nada convincente. Sei que ela não acreditou. Mas estou assustada. Não sei o que acontece comigo quando se trata dela. É como se eu estivesse... Apaixonada. Mas apaixonada por alguém que não conheço? Talvez. Posso mentir para o mundo, mas não para mim mesmo. Talvez eu realmente esteja apaixonada por ela. Não tenho motivos para não estar. Ela é doce, bonita, talentosa e... Me salvou. Salvou uma estranha com provavelmente algum problema mental grave que tentou se matar na praia no meio das férias de verão. Ela também sente algo por mim. Sei que sente. Se não, não teria ido ao hospital aquele dia. Se não, não estaria aqui agora...

Eu sei como é estar apaixonada. É tudo uma ilusão. Você passa a acreditar que aquela pessoa é perfeita. Você só vê suas qualidades, nunca seus defeitos. Acredita que ela nunca vai te machucar. Que sempre vai te manter segura e quente. Que ela nunca vai te trair. Você fica vulnerável. Entrega seu coração. Um dia você acorda com frio e com medo. Olha para o lado e vê que aquela pessoa não está mais ao seu lado. Então começa a ver seus defeitos. Ela começa usar sua vulnerabilidade contra você e parte seu coração.

Paixão é diferente de amor. No amor você vê as qualidades e os defeitos da pessoa amada, mas você a aceita da mesma forma. Você fica vulnerável a ela, assim como ela a você. Você entrega seu coração e fica com o dela em troca. A protege enquanto ela te mantem aquecido. Você não acredita, não acha, mas confia. Minha mãe costumava me dizer que você sabe que ama alguém quando sabe que daria sua própria vida para salvar a da pessoa amada, porque quando você ama, você se coloca sempre em segundo plano.

– Olha, eu sei que você deve estar assustada, ou... Ou com vergonha, mas eu quero ajudar... – Suas palavras parecem verdadeiras. O olhar nos seus olhos, sincero. Porém não posso me entregar para essa garota. Não quero ter meu coração partido novamente.

– Eu não preciso de ajuda! Essa é a minha montanha! Eu escalo sozinha! – Gritei. Ótimo, algumas semanas com os caipiras e já estou falando como eles.

– Parece que não está indo muito bem... – ela disse em um tom sereno, me fazendo sentir um arrepio. Olhei fixamente em seus olhos por alguns segundos e saí correndo antes que as lágrimas começassem a escorrer dos meus.

.:|:.

Última aula do último período. Mais alguns minutos e estou livre. Sento numa carteira no fundo, coloco meus cadernos sobre a mesa e espero o professor de história chegar quieta. Os outros alunos entram em grupinhos. Primeiro algumas chearleaders, alguns garotos do futebol americano e... Rachel Berry. Rachel Berry entra acompanha de um garoto alto de olhos azuis vestindo roupas de designers e bem elaboradas que gritam “gay”. O menino trás ela pelo braço até uma carteira não muito longe da minha. Eles riem de algo. Graças a Deus parece que ela nem me notou. Logo atrás deles entra o professo, joga suas coisas em cima da mesa e escreve no quadro em letras garrafais bem legíveis “GRANDE ROJETO ANUAL DE HISTÓRIA”. Maravilha, adoro escrever texto de 376493576349576 páginas sobre coisas aleatórias que aconteceram no passado.

– Como todos vocês sabem, todo ano temos nosso Grande Projeto Anual de História! – Bom, eu não sabia de nada – O tema desse ano é “Segunda Guerra Mundial” e vocês irão trabalhar em pares. – Nossa! Está cada vez ficando melhor! Pensei ironicamente – Nesse pacote que tenho em minhas mãos, está o nome daqueles alunos que fazem aniversário até junho. – Faço aniversário em abril — Aqueles que fazem de julho a dezembro virão até aqui e pegaram um nome. Esse será seu par.

Os adolescentes, seguindo a ordem das carteiras, levantam-se e puxam um papelzinho. Uns abrem, junto com o papel, o maior sorriso, e outros fazem cara de desgosto. Levanta-se, então, Rachel Berry, pega um papelzinho e abrecom a ponta dos dedos.

– Quinn? Quinn Fabray? – Ela pergunta e olha em volta procurando pela pessoa correspondente ao nome.


Notas finais
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