When Darkness Forgiven Me - FABERRY
1 When Darkness Forgiven Me
Notas iniciais
"Passar as férias de verão na praia nunca foi o que eu quis mesmo. Muito menos numa praia em Ohio. Preferia ainda estar em Nova Iorque. Preferia que minha vida nunca tivesse mudado dessa maneira. Preferia que meus pais ainda estivessem juntos. Que não tivéssemos que mudar para uma cidade qualquer em um estado insignificante. Queria estar onde nasci. Onde tudo é grande e brilhoso. Sempre morei em Nova Iorque. Minha vida está lá. Meus acertos, meus erros. Principalmente meus erros. Meus erros tão sombrios que até mesmo a escuridão passou a conspirar contra mim. Por isso agora estou aqui. Presa nesse fim de mundo, sem futuro algum.
Pensei que poderia passar o último mês de féria em minha cidade Natal. Mas minha mãe fez questão de que chegássemos aqui um mês antes das aulas para que me acostumasse com a vida no interior. Mas o que eu tenho não posso mais chamar de vida. Também não posso chamar de morte. Há muito tempo começou essa sensação de que estou a um passo de cair do precipício. Então descobri que nesse precipício havia uma ponte que não me deixaria cair, que me levaria à terra firme em segurança. Mas essa ponte estava quebrada.
Daqui duas semanas começam as aulas novamente. Teria que ir para Lima, onde recomeçaria minha vida. Onde usaria meus erros como uma lição e não como um terror que me assombra em cada sonho, cada pensamento, cada lembrança. Mas não vou. É como se não existisse mais essa escolha. A escolha de seguir em frente. De recomeçar. Agora, de frente para imensidão azul do mar encontro minha única escolha restante. Não. Não é uma escolha.
A água salgada bate de leve em meus Converse sujos de areia, respingando na bainha de minha calça preta e justa. O vento suave bagunça meus cabelos cor-de-rosa. E o sol quente de verão penetra no couro preto de minha jaqueta me proporcionando calor. Tiro o cigarro que estava fumando da boca, jogo-o no chão e piso em cima. Dou um paço à frente e sinto meu coração se apertar. Será que é a coisa certa a fazer?
Olho em volta tentando marcar bem como é o mundo em que vivo. Mas não é esse o mundo que queria ter em minha memória. Ainda assim tento buscar nele, um motivo para não ir embora. Fecho os olhos e sinto a brisa no meu rosto. Torno meu rosto para cima, abro os olhos e tiro os óculos escuros, permitindo os raios de luz tocarem meu rosto por inteiro. Por fim olho para as pessoas na areia. Todas felizes. Perto da água uma mãe cuida de seus filhos que brincam com baldes e pás de areia. Mais longe do mar, um grupo de adolescentes mais ou menos da minha idade tomam sol enquanto fofocam sobre algo. E um pouco mais para direita há uma garota de cabelos lisos e castanhos num maiô colorido sentada debaixo de um guarda sol pink ao lado de um garoto tão alto, que mesmo sentado mal cabia debaixo do guarda sol.
Aquela imagem me intrigou. Algo em minha memória se manifestou com aquilo. Claro. Em algum lugar do meu subconsciente, aquela menina sou eu, há mais de um ano, sentada ao lado de meu namorado, naquela época em que eu nunca imaginava que ele poderia fazer o que ele fez comigo. De repente começo a sentir pena da desconhecida. Algo me dizia que mais cedo ou mais tarde aquele cara ia quebrar seu coração. Uma garota tão bonita merecia algo melhor.
Volto a encarar o mar. Minha impressão é que a correnteza está puxando mais forte, que a maré está mais alta e as ondas maiores. Perfeito. Assim morrerei mais rápido. Respiro fundo e de repente me jogo no mar. A última coisa que ouço é um grito. O grito da garota que outrora estava com pena. Mas que agora invejo por estar a salvo, viva e feliz. Meu ar está acabando. Não consigo mais voltar para a superfície. Sinto meu coração batendo mais forte e meus pulmões implorando por oxigênio. Uma mão me puxa pelo braço até a superfície, mas é tarde demais. Tudo o que enxergo é preto. As poucas palavras que ouço se misturam em minha mente formando frases aleatórias sem sentido algum. Será que morri? Acho que não.
Estou com frio. Estou sendo carregada por alguém para fora do mar. Meu corpo toca o chão de areia úmida. Sinto uma mão morna em meu rosto. Uma mão feminina e delicada, não como a que há pouco me salvou do meio das vorazes ondas em quais me afogava. Era um toque macio, cauteloso. Preocupado. A mão desce do meu rosto em direção ao meu peito em busca de batimentos cardíacos. Ouço uma voz doce. Não estou respirando, ela diz.
Ela toca minha boca. Mas não com as mãos, com os lábios. Ela tenta me salvar soprando ar para dentro de meu corpo. Aos poucos recupero os sentidos. O frio vai diminuindo, o coração estabiliza e meus pulmões voltam a funcionar. Ouço uma sirene e abro os olhos devagar. Vejo a garota à minha gente. A garota de cabelos castanhos e lisos e de maiô colorido, que já tive pena, que já invejei e que agora não sei se gratidão é exatamente o que sinto por ela.
Um grupo de pessoas vestidas de branco pede para que ela saia de cima de mim. Ela não se move. Um homem a segura pela cintura e a puxa para longe enquanto um outro me coloca em cima de uma maca. Tento protestar, mas estou muito fraca. Enquanto me levam para dentro da ambulância, olho para a menina que agonia nos braços do namorado tentando me alcançar. Lanço a ela um olhar de agradecimento, respondido por uma lágrima correndo pela bochecha da desconhecida.
As portas da ambulância se fecham e ainda escuto os gritos da garota que pergunta desesperada por meu bem estar. Nesse momento me arrependo de ter feito o que fiz. De ter tentado tirar minha própria vida dessa maneira. O que eu fiz foi egoísta. Se até mesmo aquela garota que nem conhecia sentiu-se dessa forma ao ver-me à beira da morte, não posso imaginar como se sentiria minha mãe.
Os médicos cobrem meu rosto com uma máscara de ar e o veículo segue seu caminho. Deixo as enfermeiras cuidarem de mim. Não quero mais morrer. Minha decisão é essa. Aquela menina não me salvou apenas da morte, mas sim, de mim. Parece que a escuridão finalmente me perdoou.
Notas finais
Nossa! Olhem como sou poser::::::::::::ainda não assisti goodbye!
Mas eu vou assistir! E fazer uma recap bem daora ok?
Fale com o autor