Notas iniciais
Desculpem a demora! Se quiserem, podem culpar a escola...
Então... espero que gostem!

–Quinn? Quinn Fabray?

Eu não entendo. Primeiro a garota me salva, depois descubro que estamos no mesmo colégio, e agora ela é minha parceira de história. Não costumo acreditar em destino, mas acho que desta vez ele está armando algo. Não sei se minha repentina paixão pela desconhecida também é obra de sua autoria. Não sei também se a paixão é tão “repentina” assim. Se for pensar, não foi exatamente algo que começou de repente. Quando ela salvou minha vida, comecei a desenvolver sentimentos por ela, mas não paixão ou amor. Apenas gratidão ou confiança. Confio nela. Mas não confio em mim perto dela.

Levanto a mão em silêncio. Ela me vê e mostra uma expressão de nervosismo, que logo se cobre por um sorriso morno. Ela olha para mim por alguns segundos e volta ao seu lugar. Minha expressão continuou sempre a mesma. Vazia. Depois de tudo o que passei fui aprendendo a esconder minhas emoções, mas nem sempre me dou bem. Por mais incrível que pareça desta vez tive sucesso. Mais alguns alunos levantam e sorteiam suas duplas, minutos depois estão todos em seus lugares.

– Muito bem, agora sentem com suas duplas. Com quem sentarão até o fim do ano! Depois de sentados, comecem a trocar idéias para o projeto. – Pediu o professor e a classe toda começou a levantar.

Vi Rachel saindo do lugar, então fiquei onde estava. Ela apóia seus cadernos cor-de-rosa sobre a mesa, coloca sua bolsa no chão e senta ao meu lado. Surpreendentemente não diz nada. Não sei se isso é bom. A impressão que tenho é que ela está com medo de mim. Posso entender por que. Quem não teria pelo menos um pouco de medo da garota suicida de cabelos tingido, com jaqueta de couro que passa a hora do intervalo fumando debaixo das arquibancadas? Sinto a urgência de mostrar pra ela que sou inofensiva, porém ao mesmo tempo sei que não posso deixar com que ela saiba disso. Se ela tiver medo de mim, não vai me machucar.

De algum modo ela parece conseguir ler meus pensamentos. Ou meus sentimentos. Parece que ela enxerga através de minhas paredes. Que consegue ver que as construí com o material mais resistente que tinha para que ninguém as derrubasse. Parece também que ela sabe como destruí-las. Que ela as analisa com cuidado procurando seu ponto fraco. Assim que ela tocar nele, elas desmoronarão. Finalmente ela abre a boca para falar.

– Então, Quinn, você tem alguma ideia? – Ela pergunta, mas não respondo e evito olhar em seus olhos. Vergonha? Talvez. – Eu estava pensando que poderíamos focar em apenas um tema que a Segunda Grande Guerra aborda. Como judia, acho que poderíamos focar na parte do Holocausto.

– Tudo bem. – Respondo olhando para baixo. Noto então que estou parecendo fraca. Olho em seus olhos e continuo. – Onde quer se reunir pra começar? Um lugar mais tranquilo talvez?

– Um, pode ser na minha biblioteca, depois da aula. Ninguém vai lá mesmo... – Ela responde tentando esconder o vermelho de suas bochechas ao soar do sinal.

– Claro!- Eu pisco e saio da sala.

.:|:.

Não sei se fiz a coisa certa. Não sei se vou conseguir continuar atuando daquele jeito. Quando recebi a notícia de que viria morar aqui, mudei meu cabelo e minhas roupas e passei a andar por aí com meu badgirl mode on. Foi depois do incidente na praia que parei. Não me sentia mais tão confiante para continuar. Mas agora descobri que aquilo não era uma questão de autoconfiança e auto-estima, mas sim medo. Medo de deixar as pessoas se aproximarem. E agora, mais que nunca estou com medo.

O último sinal toca anunciando o fim das aulas e me dirijo à biblioteca. A bibliotecária, uma senhora da terceira idade, senta a uma mesa e olha fixamente para a tela de um computador pré-histórico. Pergunto se viu Rachel entrar. Ela acena que sim com a cabeça e aponta para os fundos da sala. Escondida atrás de uma imensa prateleira de livros, há uma mesa redonda onde a morena está sentada lendo um livro grosso com o título “A Minha Luta”. Fico parada, apoiada com um dos braços na estante e uma sobrancelha erguida olhando para ela até que ela finalmente me nota e seu rosto começa a corar.

–Então docinho? Já encontrou alguma coisa? – Perguntei atrevida.

– Por que você age assim? – Ela perguntou com um tom de raiva.

– Assim como, docinho? – Me faço de desentendida enquanto sei exatamente do que ela está falando.

– Primeiro você é toda tímida, depois grita comigo e agora está aí como uma vadia dando em cima de mim! O que você quer? Do que você tem tanto medo? – Ela quase gritou.

Isso foi mais rápido do que eu esperava. Eu sabia que ela ia fazer todas essas perguntas mais cedo u mais tarde, mas estava contando com mais tarde.

– E-eu não sei do que você está falando. Tenho que ir. – Eu falei e saí correndo. – A gente termina o projeto outra hora! – Eu grito do meio do caminho.

– Quinn! Espera! E-eu- me desculpa! – Ela gritou entre soluços. Ela estava chorando. E eu também.

Continuo correndo. Não olho para trás. Enquanto corro, procuro meu celular para chamar um taxi. O transporte chega rápido e me leva até em casa, onde corro porta adentro e direto para meu quarto. Fico lá, sozinha, transbordando em lágrimas. Pouco mais de meia hora se passa e ouço uma campainha. Lavo o rosto e vou abrir a porta, me deparando com alguém que a essa altura não parecia mais tão imprevisível assim: Rachel Berry.

– E-eu queria pedir é... Desculpas... Eu sei como é estar em uma escola nova, como é não ser aceita. Sei também que o que disse pra você não te fez se sentir melhor... Então, é... eu... Posso entrar? – Ela perguntou docemente. Seus olhos vermelhos do choro e sua voz sincera. Minha primeira vontade era de fechar a porta e me esconder do mundo. Mas isso não ajudaria em nada, sendo que vou passar o resto do ano trabalhando com ela para o projeto de história.


Notas finais
Gostaram? Odiaram? Ideias?