When Darkness Forgiven Me - FABERRY
6 To Tell You My Story
Notas iniciais
Permito que entre e a conduzo até meu quarto. Ela entra devagar analizando cada detalhe. Seus olhos passam pelos móveis de madeira branca e repousam no papel de parede vintage azul com flores cor-de-rosa. Está boquiaberta, seu queixo quase toca seu peito, como se meu quarto fosse a coisa mais impressionante que já vira na vida.
– Não é o que esperava? – Pergunto.
– Costumo me esforçar para não julgar ninguém pela aparência, por isso queria conhecer a garota por baixo dos cabelos tingidos e jaqueta de couro. Mas imaginava seu quarto bem diferente... – Ela disse com os olhos ainda fixos no papel de parede.
– Andou fantasiando sobre meu quarto, é? – Impliquei levantando uma sobrancelha e ela lançou em minha direção um olhar fatal. – Tá, o que você quer? – Perguntei virando os olhos.
– Eu já disse... Pedir desculpas.
– Você já pediu. Agora já pode ir. – Respondi com frieza.
– Quinn! Por que você tem que afastar as pessoas? Você não vê que eu só quero a-só quero ser sua amiga? – Ela ia dizer ajudar. Agradeço que tenha mudado de ideia. Não é fácil admitir que preciso de ajuda. E uma amiga não pode fazer mal. Por mais que eu esteja possivelmente apaixonada por ela. Não consigo segurar, desabo em soluços.
Odeio parecer tão fraca, mas desde que cheguei em Ohio, com exceção daquela garota asiática, Rachel foi a única que tentou falar comigo. Sei que é por causa de minha aparência, e tenho que confessar que, quando comecei a me vestir assim, afastar as pessoas era o que eu queria, mas sempre tive a esperança de que alguém quisesse me desvendar. Me sinto só, preciso de alguém. Uma pessoa ao meu lado, já é ajuda o bastante.
Algo em meu coração diz que posso confiar em Rachel para ser esse alguém, mas algo em minha mente diz que não posso confiar em ninguém. Porém, quando estamos aos prantos, com as emoções à flor da pele, não pensamos com a mente.
Rachel vem até mim e me puxa num abraço. Meus lábios tocam gentilmente seu pescoço. Uma vontade desesperada de beijá-la começa a dominar meu corpo. Estou tão perto. Mas não. Isso poderia estragar tudo. Se há algo para ser estragado não sei. Respiro fundo e sinto seu perfume. Um aroma suave de baunilha.
– Quinn, — diz ela baixinho como se não quisesse me assustar – você pode confiar em mim. Pode me contar o que aconteceu. O que te deixou assim.
– Não posso – respondo entre soluços.
– Tá tudo bem. Você não precisa falar nada se isso te faz desconfortável. Mas saiba que não irei te julgar.
– Tá – respondo saindo de seus braços e enxugando as lágrimas. Sento na minha cama e ela senta ao meu lado e segura minha mão. – Eu sou de Nova Iorque... – Ao som dessas palavras seus olhos brilharam e eu soltei uma risadinha. Ela é tão... Fofa – Lá nasci, e lá cresci. Morava num apartamento enorme apenas com meus pais. Eles me mimavam. E como retribuição, eu dava meu máximo para ser a filha perfeita. Minhas notas eram altas, era presidente do clube do celibato, capitã das líderes de torcida e namorava o quarterback do time da escola. Perfeição. Até que estraguei tudo. Meu pai disse que não era mais sua filha, que não conhecia Quinn Fabray. Minha mãe me defendeu. Até hoje penso no quanto ela sofreu por isso, por minha causa. – à essa altura já havia voltado a chorar e Rachel segurava minha mão com força. – Meus pais se separaram e fui morar com minha mãe em um apartamento pequeno distante de Manhattan. Andava no caminho certo até que, novamente, virei na esquina errada. Mais como se tivessem me empurrado nela. Foi aí que cortei e tingi o cabelo e cpassei a me vestir assim... Me afastei das pessoas, construí minhas paredes e me virei contra o mundo. Por fim, minha mãe achou melhor que nos afastássemos das memórias que não queríamos recordar, por isso nos mudamos pra cá.
Sinto que está assustada. Talvez com medo de mim. Penso que ela vai fugir, mas ao invés disso aperta minha mão e me dá um sorriso triste. Sei que não está satisfeita. Minha história não respondeu muita coisa, mas mesmo assim não pergunta nada, apenas me puxa novamente em seus braços.
– Obrigada por confiar em mim – ela fala e planta um beijo em minha testa.
– Obrigada por não sair correndo – falo em meio de meus últimos soluços.
Ela olha fundo em meus olhos, e por um segundo tenho a impressão de que vai me beijar. Ela desvia o olhar para seu colo e solta um suspiro. Ouço o portão se abrir. Minha mãe deve estar chegando em casa.
– É sua mãe? – Ela pergunta.
– Uhum... Você ainda tem chance de correr antes que ela te veja... – Respondi agora com um sorriso.
– Você tá louca? Eu adoraria conhcê-la! – Ela respondeu daquele jeito todo fofo que costuma ter.
– Oi Quinney, o que você quer pra janta? – Minha mãe pergunta e só depois nota a outra menina sentada em minha cama. – Olá, docinho! Você vai ficar pra janta? – ela se dirige à Rachel no tom mais gentil possível. Amo minha mãe.
Rachel olha pra mim perguntando o que acho da ideia e dou a ela um olhar incentivador.
– Claro! Muito obrigada, Senhora Fabray.
– Pode me chamar de Judy! – Minha mãe fala e vai para a cozinha sem nem saber o que queremos comer. Parece que até ela está empolgada com o fato de que finalmente fiz uma nova amiga.
.:|:.
Ficamos no quarto mais um tempo assistindo televisão e conversando sobre assuntos superficiais. Na janta tudo ocorre muito bem. Por sorte minha mãe havia cozinhado um prato praticamente vegetariano, seguindo assim, a dieta de Rachel. Quando ela foi embora, deitei-me e pela primeira vez em muito tempo, posso dizer que dormi bem.
Notas finais
Eu sei que foi curto, mas teve bastante história... Espero que compense...
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