What's Your Number?
9 What's Your Number? - PARTE 9
Notas iniciais
Assim que entraram no quarto da morena, Quinn se surpreendeu com as dezenas de fotos coloridas ou em preto e branco espalhadas pelas paredes verde-claro do lugar. Uma mistura de capturas de rostos de familiares e amigos, com paisagens e pessoas estranhas sentadas no parque ou observando o pôr-do-sol na praia.
— Quem é o artista responsável por essas fotos? — Quis saber a loira curiosa e verdadeiramente deslumbrada.
— Você esta olhando pra ela. — Confessou timidamente a baixinha sem encarar os olhos avelã que agora não desgrudavam dela.
— Isso é incrível Rach, sério. Não que eu seja uma especialista no quesito arte, mas quando trabalhei nas investigações de roubos de obras do Museu Nacional tive que aprender e ler sobre o assunto. E pra ser sincera, eu nunca vi fotos tão realistas quanto essas. Você tem muito talento.
— Obrigado Quinn. — A judia sentiu sua face corar com os elogios.
A paixão por fotografia era algo extremamente pessoal que Rachel não gostava muito de dividir, mas trazer Quinn para seu antigo quarto e atual mini-estúdio fotográfico abandonado não foi algo totalmente planejado. Ela só queria um lugar onde pudessem conversar a sós sem que ninguém interferisse, mas a morena nunca poderia imaginar que fosse se sentir tão bem ao compartilhar um pedaço de quem ela era com a loira.
— É nisso que você trabalha? Nós nunca realmente tocamos nesse assunto. — Continuou Quinn tentado tornar aquela conversa simples e trivial.
— Não, na verdade estou no ramo de contabilidade desde que me formei, mas acabei de ser demitida do meu último emprego por conta de cortes nos gastos da empresa e bem, agora vou fazer a vontade do meu pai e da minha irmã e trabalhar na Administração da rede de hotéis da nossa família.
— Uau! Então quer dizer que você é mesmo rica? — A morena soltou uma risada.
— Como se você já não tivesse investigado e revirado toda minha vida. — Revirou os olhos sem conseguir prender o sorriso.
— Verdade. Mas voltando ao assunto, você devia tentar seguir carreira como fotógrafa. Tenho certeza de que seria uma profissional incrível.
— Seria incrível. E eu já pensei nisso, na verdade ainda penso, mas fotografia é um ramo muito incerto e no momento eu preciso de estabilidade.
— Eu entendo. — Houve um pequeno momento de silêncio constrangedor onde elas evitaram se olhar.
— Você já enrolou demais, Lucy Quinn Fabray. Será que podemos voltar ao ponto chave dessa conversa?
— O que você quer saber? — As duas se encararam.
— Primeiro quem era a ruiva na sua porta aquele dia? — A judia não conseguiu evitar o tom enciumado.
Quinn sorriu para o olhar levemente irritado de Rachel. — Aquela era Sarah, minha primeira e única namorada. Nós sempre fomos próximas, crescemos juntas e descobrimos coisas juntas. Mas depois de nos formarmos na Academia de Polícia, seguimos rumos diferentes e acabamos nos distanciando um pouco. Ela estava na cidade e veio para uma visita. Sarah sempre soube que jamais consegui superar meu amor de infância e quando eu contei que havia te encontrado de novo e que estava mais apaixonada do que nunca, ela me desejou boa sorte e, em um gesto de carinho muito nosso, me deu um selinho na despedida. Isso é tudo.
— Acho muito estranho você sair por ai beijando sua ex assim, de graça. Não aprovo esse tipo de atitude, quero que fique bem claro. — A morena cruzou os braços irredutível, aquela história de “gesto de carinho” não desceria fácil por sua garganta.
Quinn não pôde evitar a gargalhada. — Isso tudo é ciúmes, minha baixinha? — Rachel ignorou completamente a pose convencida da loira e bufou contrariada. Mas Quinn não se intimidou, aproximou-se da morena e enlaçou sua cintura, trazendo o corpo da judia de encontro ao seu. — Vou dizer quantas vezes forem necessárias até que você entenda que não existe e que nunca existiu ninguém que fosse capaz de tomar o seu lugar... Eu te amo, Rachel. Eu sempre te amei e sempre vou amar.
A íris avelã encarava com muita intensidade a íris chocolate, elas tentavam se entender unicamente através do olhar como quando eram pequenas. Rachel desistiu de resistir àquele sentimento, que começou como uma paixonite na infância e por força e vontade do destino tornou-se algo real, um amor verdadeiro. A baixinha rodeou o pescoço de Quinn, exigindo a pressão dos lábios da loira sobre os seus no momento seguinte.
Estranho dizer que enquanto suas línguas acariciavam-se em perfeita sincronia, a mente das duas viajou para o mesmo momento há mais ou menos quinze anos atrás.
“ — Meu nome é Lucy Fabray e eu... — Todos encaravam os autos-falantes da Escola Secundária de LA confusos. No meio do intervalo a ruivinha sabiamente distraiu a secretária do Diretor dizendo que alguns meninos estavam brigando no pátio e correu para o microfone usado pelo “Todo Poderoso” para dar anúncios importantes a toda escola. — Eu só vim aqui pra dizer que... — A pequena Rachel parou ao lado de sua irmã mais velha no meio do caminho até a mesa do refeitório, as duas se encararam por um momento. — Eu te amo Rachel Berry, você é o amor da minha vida. Vou entender se você nunca mais quiser falar comigo, mas eu precisava te dizer isso antes que... Eu sinto muito estrelinha, mas eu não posso mais segurar isso. Eu te amo!
No mesmo momento em que Lucy saiu correndo da diretoria para se trancar no banheiro mais próximo e chorar pelas próximas três aulas, Rachel saiu correndo do refeitório em busca de sua melhor amiga. A baixinha entrou no banheiro onde tantas vezes viu e ouvir Lucy chorar depois de ter sido maltratada pelos garotos idiotas da sua turma e o choro baixinho e sofrido com o qual ela já se acostumara fez-se ouvir.
— Lucy? — Rachel chamou. — Lucy, sou eu. Onde você está? — A morena percorreu todas as cabines até parar na última. — Eu sei que você está ai, me deixe entrar.
— Rachel, vai embora. — A ruiva gritou lá de dentro.
— Não, você sabe que não vou sair daqui. Me deixa entrar, por favor. — A baixinha bateu o pé e cruzou os braços, ela só sairia dali com sua Lucy.
Alguns segundos se passaram até que Rachel ouviu o “click” da trava se abrindo. Lucy estava sentada no vaso sanitário com os olhos banhado em lágrimas, os óculos de grau meio torto no rosto e os fios vermelhos levemente bagunçados.
Rachel abriu a porta e entrou. — Lucy... — A morena prontamente se ajoelhou na frente da ruiva, acariciando seu rosto com extremo carinho e devoção enquanto enxugava suas lágrimas.
— Eu sinto tanto Rachel. Eu juro que tentei... Tentei o mais forte que pude, mas eu não consegui.... Eu não consigo parar de te amar. — A ruivinha soluçou e uma nova crise de choro começou.
— Shhh, está tudo bem. — Rachel murmurou antes de começar a cantar. — Picture yourself in a boat on a river with tangerine trees and marmalade skies. Somebody calls you, you answer quite slowly, a girl with kaleidoscope eyes... — Lucy parou de chorar pouco tempo depois que Rachel começou a cantar. Seu coração batia acelerado no peito como se um baterista estivesse fazendo um solo dentro dela. — Cellophane flowers of yellow and green, towering over your head. Look for the girl with the sun in her eyes and she's gone… Lucy in the sky with diamonds.
A baixinha aproximou seu rosto do da ruiva com suas pálpebras tremendo enquanto a canção morria em sua garganta, a ruiva tremeu antecipadamente ansiando pelo contato.
— Eu também te amo Lucy. — Rachel conseguiu sussurrar antes de colar seus lábios nos da outra com a maior delicadeza do mundo. ”
Separaram-se apenas o necessário para respirar, com as testas coladas estabilizaram os batimentos cardíacos acelerado de seus corações. — Por que foi embora de LA sem dizer adeus?
A judia sentiu suas pernas fraquejarem por um momento com a lembrança. Ela sempre quis saber o verdadeiro motivo de Lucy ter ido embora de uma hora para outra sem ao menos se despedir.
Quinn não abriu os olhos e suspirou, pensando nas palavras corretas que deveria usar para se explicar.
— Depois daquele dia em que eu me declarei pra você, tudo só ficou ainda mais confuso. Como uma garota com tão pouca idade poderia lidar com a pressão de descobrir sua verdadeira sexualidade? Eu sequer sabia o que era ser gay naquela época. — A loira finalmente abriu os olhos e olhou para a baixinha, seus olhos se conectaram no mesmo instante. — Entenda Rach, eu cresci em um lar rigidamente religioso onde qualquer coisa fora dos ensinamentos da Bíblia e da Igreja era considerado um pecado mortal. Aconteceu de o meu pai receber uma proposta para trabalhar na sede do FBI em New York, e então nós fomos embora.
— Por que você não se despediu? Sabe como eu me senti depois de ouvir você dizer que me amava e sumir do mapa? Eu sei que nós éramos crianças, mas ainda assim Quinn... — Fazia tanto tempo e mesmo assim, Rachel não conseguia deixar de se sentir magoada e abandonada ao pensar naquilo.
— Eu sinto tanto, Rach. — A loira enxugou uma lágrima solitária que escapou e tomou as mãos de Rachel entre as suas para aplicar um singelo beijo ali. — Eu sei que errei em ter ido embora sem dizer adeus. Mas eu não suportaria uma despedida, te deixar foi a segunda coisa mais difícil que eu já fiz na vida...
— É mesmo? E qual foi a primeira? — Perguntou a baixinha curiosa e desconfiada.
Um sorriso sacana surgiu nos lábios da loira antes dela responder. — Não ter feito amor com você no terraço do nosso prédio, é claro.
— Você não tem jeito mesmo. — Rachel acertou um fraco tapa no ombro de Quinn antes de sorrir. — Eu já sabia, mesmo antes de você se declarar pra mim, que te amava. — Sussurrou a morena.
— Amava? — Perguntou a loira com certo receio, não estava pronta para ser rejeitada.
— Eu não sei dizer qual foi o momento exato em que aconteceu, mas desde o primeiro dia em que eu vi esses seus olhos lindos me seguindo pelos corredores do colégio eu soube que nunca seria capaz de esquecer você.
— E o que isso quer dizer? — Quinn pôde sentir a respiração descompassada de Rachel bem perto, seus olhos automaticamente se fecharam.
— Isso quer dizer que eu sempre fui sua... Desde o primeiro segundo. — Acabaram com a mínima distância que as separavam com um beijo.
Em busca de mais contato, a loira rodeou a cintura da baixinha novamente puxando-a carinhosamente de encontro a ela. Rachel começou a arranhar a nunca de Quinn ao mesmo tempo em que invadia a boca da loira. Suas línguas se sugavam com extremo desejo, o ar no quarto era escasso e nada poderia ser melhor do que finalmente estarem uma nos braços da outra.
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