What's Your Number?
8 What's Your Number? - PARTE 8
Notas iniciais
VIII
A judia subia as escadas ensaiando baixinho e pela milésima vez o pequeno discurso que havia elaborado para dizer à Quinn quando a cena da loira recebendo um singelo selinho de uma ruiva alta e bonita na porta de seu apartamento com um sorriso lindo e verdadeiro fez seu estômago revirar e seus olhos arderem.
Rachel sabia que não havia como passar despercebida pelas duas, mas preferiu não encarar aquilo por mais tempo e seguiu de cabeça baixa lutando contra as lágrimas até esbarrar com alguém no caminho. A baixinha sequer se preocupou com os bons modos e não pediu desculpas, tudo que ela queria era poder entrar a salvo em seu apartamento e se arrepender por ter cogitado a possibilidade de que Quinn fosse diferente das outras.
Ela passou reto por quem quer que fosse a vadia da vez e não ousou olhar para a loira. Suas mãos tremiam de raiva, frustração e, principalmente, ciúmes. A mistura de emoções tornava a missão de encaixar a chave na fechadura uma tarefa praticamente impossível.
— Não é isso que você esta pensando Rachel, eu posso explicar. — Ouvir o tom cuidadoso de Quinn só serviu para enfurecer a baixinha.
— E por que você se daria ao trabalho?
— Rachel... — A loira tentou chamar, mas a morena não deixou que ela falasse.
— Sabe o que é pior Quinn? Eu estava mesmo considerando jogar todo o meu bom senso pro alto e cair nessa loucura com você. Mesmo que minha razão dissesse que era errado, eu queria tentar. Mas vejo que estar apaixonada além de estúpida, me deixou cega. No fim das contas eu seria só mais uma trepada pra coleção, não é?
— O que? É claro que não! Você não é qualquer uma pra mim Rach, quando vai se dar conta disso? — Quinn parecia magoada, mas a judia não se sensibilizou. — Isso que você viu, não é o que parece. Por favor, me deixa explicar. Eu preciso te dizer tantas coisas, eu... Eu sinto sua falta.
A morena finalmente conseguiu acertar o buraco da fechadura, respirou fundo mais uma vez e se virou para encarar a loira que tinha os olhos avelãs chorosos. — Guarde suas palavras e saliva para a próxima vagabunda que você desejar levar pra cama... E apenas saiba que todo e qualquer sentimento que eu cheguei a nutrir por você, vai desaparecer tão logo eu me mude daqui.
Rachel não aguentava se segurar mais. Depois de uma última olhada nos traços de Quinn, a judia entrou em casa e bateu a porta na cara da loira. O primeiro soluço não demorou a escapar e mesmo que ela tenha tentado abafar o som do choro cobrindo sua boca com a mão, do outro lado da porta Quinn pôde ouvi-lo através do seu próprio.
[...]
— Você sabe que a cerimônia vem antes da festa, não sabe? — Perguntou a latina sarcástica antes de tirar a garrafa de whisky já sem ¼ do conteúdo de perto da sua irmã casula.
Rachel gemeu em reprovação, o cabeleireiro acabava de dar os últimos retoques no coque elegante e refinado no qual seu cabelo estava preso. Ela e Santana estavam se arrumando no quarto da mais velha para o casamento há pelo menos uma hora e meia. Depois de maquiagem, vestido, sapatos e cabelo estarem ok, Rachel pediu para ficarem a sós. Queria aproveitar seu último momento a sós com a irmã antes de perdê-la. Dramática demais e ela sabia disso.
Lá em baixo na praia cercada que era para onde os fundos da mansão davam tudo estava na mais perfeita ordem, os convidados não paravam de chegar e se acomodarem em seus respectivos lugares.
— Não seja chata, estou apenas entrando no clima de comemoração. Afinal, você e B vão finalmente juntar as trouxas de roupa.
— Certo. Vou fingir que isso não tem nada a ver com certa vizinha e com o fato de você não ter atendido minhas ligações desde quinta-feira.
— Podemos focar no seu casamento? Não quero falar sobre isso. — A baixinha tentou desviar desse assunto o mais rápido possível.
— Preciso acertar o traseiro daquela loira vadia?
— Santana, por favor! — Implorou.
— Ok! — Cedeu a latina. — Sei de algo que vai te animar... — Disse fazendo um segundo de suspense. — Sua queria Lucy já está lá em baixo. — Cantarolou entusiasmada.
— Como você sabe?
— É o meu casamento. Querendo ou não eu tenho que saber o que se passa nele, além disso, deixei avisado na portaria que quando ela chegasse era pra alguém me mandar uma mensagem avisando.
— Eu não faço ideia de como ela esteja fisicamente agora, como eu vou reconhecê-la?
— Não se preocupe nanica, na hora certa ela vai chegar até você. — Santana lhe piscou o olho sorrindo maliciosa e Rachel revirou os olhos.
[...]
Assim que a marcha nupcial começou a tocar, Rachel e Santana que já estavam no altar improvisado no meio da areia, fixaram seu olhar na linda loira que caminhava descalça sobre o tapete vermelho até elas. O sorriso idiota no rosto de sua irmã mais velha fez a baixinha sorrir tão bobamente quanto ela, estava explodindo de felicidade pelas duas.
— Ela é a mulher mais linda que eu já vi Rae. — Disse a latina aos sussurros com os olhos apaixonados cintilando em direção à sua futura esposa.
— Eu sei, agora pare de babar ou as pessoas vão começar a pensar que você não tomou sua vacina contra raiva, Cadela. — O comentário da morena mais nova fez o melhor amigo de Brittany e também padrinho e par de Rachel, David Karofsky, gargalhar e atrair a atenção de alguns convidados.
— Você me paga mais tarde, Dunga. — Murmurou S venenosa, porém com um sorriso enorme no rosto enquanto recebia Brittany das mãos de seu sogro.
— Estamos todos aqui presentes para celebrar a união em sagrado matrimônio de Brittany Susan Pierce e Santana Marie Berry Lopez. — Começou o celebrante.
Rachel observou com expectativa as pessoas sentadas à sua frente, tentava de alguma forma encontrar em alguma delas o rosto de Lucy. Mas ela sabia que era pretensioso demais achar que somente com um olhar fosse capaz de reconhecer alguém que não via há mais de quinze anos.
[...]
Aquela família realmente sabia como organizar um evento memorável. Depois da cerimônia simples, porém emocionante onde B e S trocaram as alianças, todos seguiram até o jardim da casa para a tão esperada festa.
Rachel trajava seu vestido de madrinha cor vinho e saltos não muito altos em razão do casamento ter sido realizado na areia da praia, as costas nuas pelo decote recebiam a brisa leve que vinha do mar.
A baixinha conversava distraidamente com Sugar perto da entrada da casa e bebericava sua taça de espumante de vez em quando. A morena percebeu que os olhos de sua amiga perderam o contato com os seus quando Sug passou a encarar fixamente um ponto logo atrás dela.
Rachel observou por alguns segundo a cara de total deslumbramento que Sugar adquiriu antes de girar em seus próprios calcanhares para dar de cara sua irmã ao lado de uma loira espetacular. O vestido azul turquesa extremamente curto, moldava perfeitamente cada curva daquele corpo que Rachel já havia visto nu sobre ela em uma incrível noite estrelada.
— Rachel Berry, Lucy Fabray.
— O que você está fazendo aqui Quinn?
As duas irmãs disseram ao mesmo tempo e se encararam confusas. Quinn mordeu os lábios em sinal claro de nervosismo e Sugar tomou o resto do conteúdo de sua taça de uma só vez antes de se afastar, a confusão estava formada.
— Mas o que diabos esta acontecendo aqui? — Rachel perguntou.
— Essa é a Lucy, Rae. — Santana repetiu ainda sem entender porque sua irmã havia lhe chamado de Quinn.
— Não Santana, essa é a Quinn... Minha vizinha.
As irmãs Berry Lopez encararam a loira que sorriu de lado constrangida antes de dizer a típica frase. — Eu posso explicar.
— É, acho bom mesmo Fabray! E é melhor começar logo ou eu vou acertar o seu traseiro a qualquer momento nos próximos cinco segundos. — Bradou Santana alto o suficiente para Brittany ouvir e ir ao encontro delas temendo uma briga.
— Rachel, será que nós podemos conversar? — A loira olhou para a latina a poucos centímetros de distância, que só faltava soltar fumaça pelo nariz, com certo receio. — A sós?
— Olha aqui sua branquela azeda, eu e Rachel não temos segredinhos uma com a outra então, tudo que você tiver pra falar com ela pode e deve ser dito na minha frente.
— San... — Pediu a baixinha em um sussurro sem encarar a irmã.
— Mas Rachel! — Tentou protestar.
— Por favor, me dê alguns minutos.
— Vamos Sanny, deixe-as conversar. — A morena mais velha olhou incrédula para a mais nova que encarava seus próprios pés, antes de bufar e sair de lá obrigada por sua mulher.
— Então... Quinn ou Lucy? — As duas se encararam e Rachel pôde contemplar em silêncio a beleza da mulher à sua frente.
— Na verdade, Lucy Quinn Fabray, mas essa é uma longa história... — Rachel não estava tão surpresa quanto era de se esperar. Em algum lugar dentro dela as coisas já eram claras há algum tempo, mas ela não havia se dado conta disso. Até agora.
— Acho que nós temos tempo suficiente, então você pode começar a falar.
— Bem... Nesse caso, tudo começou quando eu tinha seis anos de idade e conheci uma baixinha extremamente mandona. O que eu jamais poderia imaginar acontecer, aconteceu. Eu me apaixonei perdidamente por ela.
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