What They Do To Guys Like Us In Prison.
7 I Don't Care!
Notas iniciais
Boa leitura.
O juiz era um velho, de cabelos grisalhos, bem vestido.
-Senhor Frank Anthony Thomas Iero Jr. — Falou. — Réu.
O policial fez o mesmo que havia ocorrido no julgamento devido a morte de Bob, trouxe o livro enorme e pesado, coloquei minha mão direita encima e a esquerda no peito.
-Senhor Frank Anthony Thomas Iero Jr. Jura perante à lei dizer a verdade e somente nela basear seu depoimento? — Disse o Juiz.
-Prometo. — Menti.
-O réu é acusado da morte da vítima Will Simons, morto à facadas no último sábado, encontrado na rua Ferry. Testemunhas dizem ter visto o réu voltar na madrugada para casa, mas ninguém alega ter o visto sair. — Disse o juiz. — O que a defesa tem a dizer?
-O réu pode nos explicar o que houve? — Perguntou Ray.
-Permissão concedida. — Disse o juiz.
-Excelentíssimo juiz e juri, no dia da morte de Will, eu e ele combinamos de sair, fomos beber, eu mal sabia que aquilo era uma armadilha. — Comecei.
-Continue. — Pediu o juiz.
-Eu não posso beber, tomo ansiolíticos, misturei o remédio com álcool. Conversamos um pouco, eu não me lembro muito bem, estava bêbado.
-Vocês foram para algum bar? — Perguntou o juiz.
-Eu não me lembro. — Afirmei.
-Pois bem, continue. — Pediu.
-Will devia estar bêbado também, tenho vagas lembranças. Por um motivo fútil, no qual não me lembro começamos a discutir. Will tirou a faca da cintura. Não sei o porquê dele estar andando armado, mas me atacou, tentando me golpear no tórax. Eu não estava muito consciente, lembro de ver tudo embaçado, tenho relances. Lapsos. — Contei.
-Sim. — Falou o juiz.
-Lembro vagamente de ter tomado a faca de Will e na tentativa de me defender, golpeá-lo.
-O senhor afirma ter golpeado Will Simons com a faca? — Perguntou.
-Afirmo.
-Alega legítima defesa?
-Sim, Will me atacou primeiro e...
-O senhor se lembra onde vocês estavam nesse horário?
-Não, eu lembro de um lugar deserto, escuro.
-Lembra onde exatamente golpeou Will Simons?
-Não me lembro.
-Com licença excelência. — Pediu Ray.
-Concedida. — Falou.
-O réu alega legítima defesa e não teve culpa dos seus atos, o remédio misturado ao álcool pode causar alucinações, perca de memória, perca do auto-controle, força física alterada, dentre outros efeitos qual eu acredito terem sido os culpados dessa terrível tragédia — Disse Ray.
-Com sua licença excelentíssimo juiz. — Disse quem eu acreditava ser o promotor de justiça.
-Permitida.
-Não houveram testemunhas oculares mas a mãe de Will Simons alega ter certeza do envolvimento do senhor Iero na morte do filho. Peço-lhe para permitir o depoimento da senhora Simons. — Falou.
-Negada. — Disse o juiz. — O réu afirma ter participado diretamente da morte da vítima, acho extremamente desnecessário o depoimento da dita cuja, acho desnecessário o depoimento de mais alguma testemunha que não seja ocular. A defesa tem algo a dizer?
-A defesa alega legítima defesa e também que o réu não tinha como decernir seus atos. — Disse Ray.
-A acusação tem algo a dizer? — Perguntou o juiz.
-Provas sobre os efeitos desses remédios ao serem misturados com álcool? — Perguntou o promotor.
-A defesa? Doutor Raymond. — Disse o juiz.
-Tomei a liberdade de trazer-lhes esses documentos, explicando os efeitos dos antidepressivos e ansiolíticos utilizados pelo o réu, num tratamento. Estão anexados também as receitas e as bulas. — Ray disse.
-Pode trazer doutor Toro. — O juiz pediu.
-Aqui estão as bulas, os efeitos, as receitas, dentre outros documentos que comprovam que o réu comprou e utilizou esses remédios Eles já foram analisados e tem o certificado da perícia. — Disse Ray, entregando ao juiz uma pasta cheia de papéis.
Após um tempo lendo, o juiz bateu o martelo.
-A acusação tem algo mais a declarar? — Perguntou. — O réu? A defesa?
O silêncio tomava conta da sala.
-O delegado Tavares, que está à frente desse caso, palavra concedida. — Falou.
-Durante essa semana o réu fez exames que comprovaram a presença de álcool no sangue, e dos remédios também. — Disse, entregando uma papelada ao juiz.
Exame? Álcool? Ele realmente tinha a situação em suas mãos.
-Foram bem analisados pelo juri antes da audiência começar como a excelência sabe. — Tavares falou.
-Diante das provas e afirmações, o juri tomará uma decisão, queiram aguardar. — Pediu o juiz.
O juiz e o juri se retiraram da sala onde tudo estava ocorrendo, voltaram 15 minutos depois. Todos tomaram seus lugares.
-Silêncio no tribunal. — Pediu, batendo duas vezes o martelo de madeira. — Eu e o juri tomamos a decisão final.
Começou a observar uns papéis que tinha trazido.
-O réu Frank Anthony Thomas Iero Jr. É condenado à 11 anos de prisão, pela morte de Will Simons, sendo réu confesso, acusado de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, sendo que nada foi premeditado. Porém entende-se que ele oferece riscos à sociedade, ficando em poder da lei.
11 anos? Eu não acreditei no que havia ouvindo. Era só um sonho, pesadelo, mais uma vez. Eu estava na cela, estava, como eu queria estar. Mas era tudo verdade, a verdade que enchia meus olhos de lágrimas quentes e escorriam cada vez em maior quantidade por meu rosto.
-O julgamento está encerrado. — Disse o juiz, batendo o martelo e dando as costas.
Jamia tentou vir falar comigo, mas foi impedida por policiais que tentavam manter a sala em ordem. Procurei Gerard, achei apenas em seu lugar sua cabeça baixa, nem ao menos pude ver seu rosto.
Continuei calado, até Tavares vir falar comigo.
-11 anos, eu... Não esperava. Forjei exames, até que ajudou bastante. — Falou.
-Não vou suportar 11 anos, eu preferia a morte. — Eu disse, com a voz meio rouca, devido ao choro.
-O que são 11 anos? Poderia ter sido pior.
-Pior como?
-Poderia ter sido uma vida inteira se culpando pela morte de suas filhas. — Ele disse, dando as costas.
Dois policiais me algemaram e me levaram até a saída, uma viatura me esperava e Tavares estava lá também.
-Você já será encaminhado para onde você vai cumprir sua pena. — Avisou. — Eu vou junto. Entre.
Entramos na viatura, os mesmos policiais que haviam me trazido iriam me levar. Mas agora um sistema de segurança bem maior estava envolvido. Duas viaturas atrás e duas na frente nos acompanhavam. Fora as motos.
Lágrimas não paravam de correr de meus olhos, os policiais pareciam acostumados e nem se quer me olhavam.
Pouco tempo depois chegamos ao meu novo ''lar''. Eu já estava conformado com a injustiça que mais uma vez me rodeava. Na parde estava escrito ''27° penitenciária masculina de New Jersey''. Entramos no estacionamento. Na minha saída do carro, policiais com armamento forte me cercavam, enquanto dois me conduziam até o interior da penitenciária.
Antes de conhecer minha cela, assinei uns documentos e passei por uma revista constrangedora, onde eu tinha que me despir, mas não me importava nem um pouco, pois dias piores me aguardavam.
Recebi meu uniforme laranja, me vesti e fui levado até o lugar onde ficaria minha cela. O corredor era terrível, detentos faziam barulho mas as celas tinham poucas pessoas, não estavam abarrotadas e inabitáveis.
Um dos 2 policiais com o molho de chaves em mãos, abriu o cadeado enorme e me empurrou para dentro da cela.
-Bem-vindo. — Falou, rindo e dando as costas depois de fechar o cadeado.
Na minha cela tinham mais 3 homens. Duas beliches, cada um estava deitado em sua cama. O mais alto, moreno e forte desceu da cama mais alta e veio falar comigo:
-Novo? — Perguntou, até que bem educado.
-Si-sim. — Respondi, com medo.
-Já tem passagem?
-Já.
-Pelo que?
-Fui... Fui acusado de causar a morte de um cara, peguei pouco tempo. — Falei.
-E agora?
-A mesma coisa.
Fomos interrompidos por Tavares, que chegou cauteloso e sussurrando:
-Iero, eu pedi essa cela pra você, esse é Josh, o da beliche de baixo é Samuel e o da beliche de cima é o Zac. Eles estão na mesma situação que você. São até que... Boas pessoas.
-Não precisamos que você nos apresente. — Disse o loiro da beliche de cima, aquele era ... — Sou Zac.
-Calado. — Disse Tavares.
-Calado? Fodidos por causa da injustiça e você nos pede pra ficar calados? — Disse quem eu acreditava ser Samuel.
-Boa sorte Iero, esses são seus novos companheiros de cela. — Falou Tavares, dando as costas, apressando os passos.
Meus novos companheiros de cela, que grande merda. Eu sempre soube que minha insanidade resultaria em merda. E agora eu me encontro dias depois, lamentando a perca de minha liberdade. Eu sempre soube que me custaria caro, mas não ouso dizer a verdade, o que realmente acontecera naquela noite fatal. Tenho que reagir às minhas lágrimas de raiva. Traindo Jamia passei minha última noite de liberdade. Mas eu não ligo! Não ligo, simplesmente. Eu fiz o que deveria, tentei desfazer meus erros, a culpa é minha, eu apenas estou pagando pelo que fiz, essas foram as consequências.
Esse era meu primeiro dia de muitos. Me restava apenas esperar 11 longos anos, que passariam devagar, me enlouquecendo mais a cada minuto.
Notas finais
Aguardem.
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