What They Do To Guys Like Us In Prison.
8 -Famous- Last Words.
Notas iniciais
-------------------------------x 2 meses depois x-------------------------------
De acordo com minhas contas, eu tinha passado exatos dois torturantes, entediantes, terríveis, miseráveis e enlouquecedores meses naquele lugar imundo. Eu contava os dias para sair dali, contava os dias para o nascimento de minhas filhas, contava as horas para receber uma visita de Gerard, Jamia, Ray, Mikey, qualquer um. A noite era a pior parte, quando eu me deitava e lembrava da noite que passei com Gerard, e que isso tudo era na realidade culpa minha. Comecei a tomar novos remédios, alguns me deixavam como sempre sonolento e fora da realidade, o que me ajudava na maioria das vezes, pois passar 11 anos sóbrio naquele lugar pra mim seria impossível.
Era por volta das 10:00 horas da tarde, horário de visita. Eu roía as unhas esperando alguém entrar por aquela porta e anunciar meu nome, dizer que alguém me aguardava na sala de visitas. Faziam 2 dias que ninguém me visitava, nem Gerard, nem Jamia, nem Mikey, nem Ray, ninguém. Jamia estava com a barriga enorme, eu a proibi de entrar naquele lugar ou fazer qualquer esforço já que ela estava com algumas complicações nesses últimos meses de gravidez. Jamia estava com problemas de pressão, o que me preocupava, mas tudo daria certo. O meu passa-tempo ali era dormir, eu dormia a maior parte do dia e era como uma terapia. Me virei na cama, sem esperanças de alguém vir me visitar, adormecendo em seguida.
Gerard me beijava, arrancando minha camiseta com rapidez e me puxando pelos cabelos, me deixando cada vez mais perto. Eu sentia meu membro rígido, implorando por alívio. Gerard tirava minha boxer quando de repente... Merda! Foi só um sonho.
Sonhos -eróticos- desse tipo quando se está na prisão são bem comuns, devido à carência. Agora eu estava duro, precisando me aliviar. Não pensei duas vezes, quando me dei conta já estava com as mãos ocupadas. Quem vinha em minha mente? Gerard. Por que esse cara não deixa meus pensamentos em paz? Me perturba até nos sonhos.
-Frank, efeito matinal cara? Outra vez? — Perguntou Zac, rindo e cutucando Samuel com o cotovelo, que ria também.
-É... — Falei, envergonhado.
-Tava sonhando com quem? — Disse Samuel.
-É, quem era a protagonista? — Zac falou.
-Hm, minha esposa, claro. — Respondi.
-Achei que ela se chamasse Jamia. — Josh disse, deitado na beliche de baixo.
-Mas ela se chama, por quê? — Perguntei.
-Você estava chamando uma Ge, Ger, sei lá. — Zac disse, me encarando.
-Ah, eu... é como eu apelido ela. — Falei.
-Hm, apelido estranho pra quem chama Jamia. — Samuel observou.
Me virei, me sentindo culpado. Culpa, o sentimento que nunca me deixava só, e vinham sempre acompanhados de lembranças que envolviam Gerard.
Adormeci, dessa vez tentando não pensar em nada que envolvesse Gerard.
Dias se passaram, eu me sentia só, e apenas Ray vinha me visitar, me dando informações do mundo lá fora. Eu sentia falta de Jamia, queria vê-la, acompanhar sua gravidez. A hora mais esperada do dia chegava outra vez 10:00 horas, visitas!
Eu aguardava ansioso a entrada de algum oficial, pra me chamar e me tirar daquela cela por pelo menos 10 minutos. 10 minutos seriam suficientes fora dali. Eu não aguentava mais aquelas paredes cinzas, eu parecia ter absorvido a cor das mesmas. Eu precisava de sol! Mesmo sempre odiando sol, claridade e calor, eu precisava daquilo.
Encarava o teto, imerso em pensamentos, até que o policial responsável pelo turno da manhã apareceu no corredor, acompanhado por outros dois. Ele caminhou devagar até minha cela, chegando lá começou a revirar os bolsos em busca da chave.
-Iero, visita. Rápido. — Falou.
Eu desci da beliche num salto, esperando ele abrir o cadeado. Ele abriu a cela, fechando a mesma com rapidez e me algemando em seguida. Me levaram até a sala de visitas, quem seria? Eu estava até que animado.
Cheguei na sala de visitas, avistei de longe Ray e assim que o oficial me desalgemou eu fui animado em sua direção. Ray se virou com uma expressão de dor, estranha, desfazendo rápido meu sorriso.
-Ray, o que... O que foi? — Perguntei.
-Frank, sente-se. — Pediu.
-Aconteceu alguma coisa?
-Aconteceu. Calma Frank, por favor.
-Fala logo! Já sei, as bebês nasceram! É isso? Prematuras. Estão bem? — Fui chutando o que poderia ter acontecido.
-Você tomou seus remédios hoje? — Ray perguntou.
-Fala logo. — Pedi.
-Frank, eu não sei como dizer isso, me desculpe. — Disse Ray, olhando no fundo de meus olhos, parecendo estar agoniado.
-Algo com Gerard? Aconteceu algo ruim? — Eu estava me desesperando aos poucos.
-Não. Foi com... Fo-foi com Jamia.
-O que tem ela? As crianças estão bem? Ela perdeu? Jamia descobriu tudo?
-É bem pior do que você imagina Frank.
-ENTÃO DIGA LOGO! DESEMBUCHA! — Gritei, fazendo os policiais me encararem atentos.
-Jamia! Foi Jamia. Começou a sentir as dores do parto, levaram ela até o hospital, ela estava com problemas de pressão. Ela...
-O que aconteceu Ray? Não vê que está me torturando? — Eu disse, com lágrimas escorrendo em meus olhos.
-Jamia não resistiu, ela estava com a pressão muito alterada, tudo ocasionou um sangramento em excesso, ela teve uma hemorragia. — Ray parecia sofrer de dor com cada palavra pronunciada.
As palavras fugiram, minha boca e língua pareciam ter vontade própria, a luz foi sumindo aos poucos, eu já não escutava mais nenhuma palavra dita, só ruídos que pareciam vir do fundo do meu cérebro, abafados, como se eu estivesse dentro d'água. Minhas pernas não obedeciam mais. Cada vez mais escuro, frio, como se um dementador estivesse se aproximando. Até que não pude mais ver nada, o escuro tomava conta de mim.
Acordei horas depois, num lugar que eu desconhecia, uma moça de branco me chamava com calma. Senti uma picada nas costas de minha mão esquerda.
-Frank, tá tudo bem? — Era a voz de Ray. — Frank, diz alguma coisa.
-Doutor...?
-Raymond. — Respondeu Ray para a moça de branco.
-Doutor Raymond, acabei de aplicar o remédio, ele ainda está se recuperando do desmaio. — Falou a moça de branco, que eu agora acreditava ser uma enfermeira.
-Perdão eu... Realmente estou preocupado. — Disse Ray.
-O que o senhor disse de tão grave para ocasionar isso? — Perguntou a enfermeira.
-A mulher dele, faleceu no parto de suas filhas. — As palavras de Ray me feriam.
-Ra-Ray. — Consegui pronunciar.
-Sim, como se sente? — Perguntou Ray.
-Jamia, eu... Eu preciso vê-la.
-Calma Frank, tudo vai dar certo.
-E as bebês? — Perguntei, preocupado.
-Elas estão no hospital, estão bem, mas como era uma gestação de gêmeas elas são bem pequenas e dependentes, precisam mamar, e nasceram de 8 meses. — Informou.
-E... E o corpo... E Jamia?
-A tia dela, foi a unica família que encontramos, ela está providenciando tudo, vai vir pra Jersey.
-Mas eu não posso se quer ir no velório? — As palavras: corpo, velório, morte me feriam como facas perfurando meu coração.
-Não. Frank eu... Preciso ir. — Ray disse, apertando minha mão e indo em direção à porta.
Eu nunca tinha me sentindo tão mal, com tanta dor e tristeza desde a morte de meus pais. Eu sentia que minhas filhas eram as culpadas pela morte de Jamia, mas tentava expulsar esse pensamento terrível de minha cabeça.
Ray voltou do nada e me disse:
-As últimas palavras dela foram: ''Quem nascer primeiro se chamará Cherry.''
Não consegui conter as lágrimas, elas jorravam de meus olhos involuntariamente enquanto Ray se afastava com passos rápidos.
-Você está na enfermaria. Vou aplicar um remédio e seu ansiolítico será suspenso por dois dias. — Disse a enfermeira. — Você vai se sentir sonolento e sem apetite.
Assenti com a cabeça, soluçando devido ao choro. Percebi que minha mão direita estava presa à cama com uma algema. Me senti embriagar pelo remédio, o sono tomava conta de mim, me deixando mais lento a cada segundo. Meus olhos pesados de fecharam de vez, adormeci.
Jamia, bebês, choro, caixões, Gerard, grades, morte: Universo por onde minha mente vagou durante o sono. Ainda de olhos fechados senti uma mão acariciar meus cabelos, o silêncio tomava conta do local, eu só ouvia uma respiração lenta, seria a enfermeira? Abri os olhos e me deparei com Gerard, me encarando com uma expressão carinhosa.
-Frank, você tá melhor? — Perguntou.
-Eu... Não sei. — Falei.
-Eu vejo o lado bom de tudo isso, mas...
-Conte-me. — Interrompi. — Conte o que houve com Jamia. Detalhes.
-A bolsa rompeu, Alicia disse que tentou falar com Mikey mas não conseguiu, então me ligou, peguei o carro e fui desesperado pra sua casa. Jamia estava lá, bem e normal. Pegamos as coisas e eu levei ela até o hospital do convênio. — Explicou Gerard.
-Você levou? Ela não reclamou? — Perguntei, confuso.
-Não, nós até conversamos, ela disse que quem nascesse primeiro se chamaria Cherry, meio que fizemos as pazes.
-Isso... É bom. Não seria nada agradável que ela... Que você ficasse com remorso depois. — Eu disse.
-É. A tia dela veio com o marido e o filho, eles estão hospedados em um hotel. O velório será hoje. Frank eu sinto muito. — Lamentou.
-Gee... Eu preciso de você, mais do que nunca. — Confessei.
-Conte comigo sempre, eu te amo.
-E as bebês?
-Elas são lindas, eu as visitei, Alicia está sem tempo, está organizando tudo com a tia de Jamia. — Falou.
-Entendo.
-Eu fui visitá-las, a enfermeira me deixou trocar a fralda de uma. — Disse, sorrindo.
-Quem? Cherry ou Lily? — Perguntei, com um sorriso escapando nos lábios.
-Não sei, eu não parei pra olhar a pulseirinha de identificação. — Gerard disse, gesticulando muito com as mãos como ele faz de costume.
-Queria tanto ver minhas bebês.
-Eu tirei um monte de fotos delas, inclusive no meu momento paizão trocando a fralda. — Disse Gerard, rindo.
-Vendo minhas filhas nuas? Não vou deixar elas caírem na sua lábia bonitão. — Brinquei.
-Titio Gee, imagino elas falando daqui uns anos.
-Cadê as fotos? — Pedi, ansioso.
-Meu celular não pode entrar aqui. Esqueceu?
-Merda. — Resmunguei.
-Frank, eu vejo o lado bom disso. Pensa bem, agora que Jamia não está mais entre nós, você pode dizer toda a verdade, será solto, pode cuidar de suas filhas. Podemos... Po-podemos ficar juntos, cuidando delas. — Gerard dizia, sem me olhar nos olhos.
-Isso seria ótimo. — Falei.
-Seria? — Perguntou, com um brilho descomunal nos olhos.
-Sim, mas não tenho provas. Seria impossível...
-COMO NÃO TEM PROVAS? — Praticamente gritou, me interrompendo.
-Não temos.
-Eu gravei tudo, eu tenho tudo gravado a... A conversa! Frank, eu virei amanhã, você vai ser solto! — Disse Gerard, animado.
-Eu tinha me esquecido. Gee eu... Muito obrigada. — Falei, pegando sua mão.
-Confie em mim. — Falou, se abaixando para me alcançar na maca.
Senti seu hálito quente chegando perto, sua mão em minha nuca, seus lábios se encostarem nos meus. Seu perfume intenso que me enlouquecia marcando sua presença. Quando sua língua invadiu minha boca, senti algo repuxar em minha mão esquerda. Droga! O soro, eu tinha esquecido a agulha com o curativo tinham escapado e saía um pouco de sangue. Gerard se afastou.
-Ops. — Falou. — Acho melhor chamar a enfermeira.
-Chama ela aí. — Pedi.
-Calma, tem uma campainha aqui do lado, que serve pra você chamá-la se algo acontecer.
-Tá, vou apertar.
-Não! Espera eu sair, aí você chama, é melhor. — Falou.
-Ah, já vai? — Eu disse, desfazendo o sorriso que acreditava estar em meus lábios.
-Claro, faz muito tempo que eu tô aqui, vim cedo, aproveitar o horário de visitas completo. Fique observando você dormir.
-Tudo bem então. Amanhã você trás a gravação e... Tentamos. — Falei.
-Tudo vai dar certo, confie em mim. Eu te amo. — Disse, me dando um beijinho rápido.
-Eu também. — Eu disse.
Gerard deu as costas e fechou a porta, saindo. Chamei a enfermeira que veio rápido.
-Como você conseguiu arrancar isso em? — Perguntou.
-Eu tava dormindo e... Acho que fui me virar, acordei cheio de sangue. — Menti.
-Hm. Você recebeu visitas, acho que estava dormindo e quem veio não quis te acordar. — Disse.
-Ah, eu vi sim, trocamos algumas palavras. — Falei, enquanto ela fazia um curativo novo.
-Tente não arrancar isso novamente. — Pediu. — Você pode voltar pra sua cela amanhã, ficou de repouso pois seu desmaio foi bem estranho, você demorou bastante para acordar.
-É, minha esposa...
-Eu sei. — Me interrompeu. — Não precisa repetir, sei como dói. Agora, descanse e desculpe pela algema, são regras.
-Mesmo eu estando meio... Doente e tendo dois grandalhões armados até os dentes na porta isso são regras, ótimo. — Reclamei.
A enfermeira saiu, fechando a porta e me dando uma piscada. Novamente sozinho meus pensamentos vinham me assombrar.
Será que pela primeira vez tudo daria certo? Eu me imaginava saindo dali, livre outra vez, com minhas filhas e Gerard. Uma felicidade rápida me encheu de paz, mas com a mesma rapidez que veio se foi, Jamia ainda estava em meu pensamento, mas eu tinha certeza que onde quer que ela esteja, quer que eu seja feliz, e era isso que eu ia fazer. Ser feliz.
Passei o resto do dia de repouso, pensando como seriam os rostinhos de minhas filhas. O dia passou devagar, eu fitava o teto desesperado por algo para fazer. A comida da enfermaria era melhor, pena que eu comi pouco lá.
A dor da perca é terrível, você se sente impotente, como se você não pudesse fazer nada pra mudar a situação, e realmente é assim. A imagem de Jamia dormindo vinha em minha mente. Eu nem se quer poderia ir me despedir de minha mulher no seu enterro, a culpa disso era minha. Mas a imagem que eu queria guardar de Jamia não era dela num caixão, sem me responder, imóvel e pálida, a imagem que eu queria guardar era de seu sorriso radiante que conseguia me deixar feliz mesmo nas piores horas. Nunca acreditei muito em destino, eu acredito no aqui e agora, mas se eu fosse desses que acreditasse em destino, sorte e todo esse blablablá, eu diria que Jamia morreu com o propósito de me libertar. Seria tão egoísta dizer isso, dizer que minha mulher morreu para que eu saísse de um lugar que eu entrei por ter a traído. Se eu acreditasse em carma diria que estava pagando por ter traído Jamia tantas vezes com Gerard. Mas realmente era isso, e nem se precisava acreditar em carma para perceber.
Eu sentia remorso, era terrível, já tive experiências horríveis com remorso, ele é o pior sentimento que se pode sentir.
O remédio começava a fazer efeito, eu contava quantas gotas de soro pingavam e fui deixando meus olhos fecharem aos poucos, adormecendo.
Notas finais
Agora acho que as coisas tão mais previsíveis ainda '-'
E a fic tá acabando :') Porém mais coisas vão acontecer u-u esperem.
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