What If... (And If)
97 Fase IV - Capítulo 13 - Separações e adeus...
Notas iniciais
Fase IV — Capítulo 13 — Separações e adeus...
POV Narrador...
— Damon, eu sinto que você precisa estar lá. Eu tenho que ficar aqui. Sou perigosa demais. Preciso permanecer escondida. É por pouco tempo. Vocês vão, provavelmente vão recrutar mais pessoas e você é ótimo em convencer os outros.
— Não acho justo compelir ninguém pra uma luta. — Carlisle se manifestou pois realmente achava muito errado e continuou. — Mas concordo com o que disse antes. Melhor eu não falar com os Volturi.
Tão logo ele terminou de falar Alice teve outra visão. Só então perceberam que Maxxie e Miguel não estavam mais na sala. Gabrielli foi logo atrás deles sendo seguida por Damon. O medo de perder o controle era maior do que qualquer coisa que Alice estivesse vendo. Os encontrou no quarto do casal, Miguel chorava e era consolado pelo namorado.
— A gente já sabia que isso ia acontecer uma hora ou outra.
— Nada disso. Você achava isso. Eu não quero ser um vampiro, nem nunca quis. Você quer! Eu não quero!
Vendo que eles estavam bem e não tinham fugido, o casal hétero saiu sem serem percebidos enquanto a conversa ficava mais séria, mas não foram muito longe, apenas no quarto ao lado.
— Você não estava falando sério sobre a gente se separar, estava? — Damon perguntou logo após abraçar a esposa por trás. Gabrielli tremeu em seus braços e precisou de um minuto para responder.
— Damon, isso não é fácil pra mim também não. — sua voz saiu embargada pelo choro contido. — Ficar separada de você é a última coisa que eu quero, mas eu sinto que tem que ser assim. Além disso é por pouco tempo. E eu e Miguel precisamos nos esconder o melhor possível. Se o Volturi nos pegarem a chance de vocês ganharem essa guerra vai ficar quase nula.
— Odeio isso. — disse ele deixando a esposa e quebrando uma cadeira aleatória.
— Não desconte na mobília sua raiva. — pediu a ruiva cansada não estava com paciência pra aguentar os ataques do marido.
— E eu vou descontar onde? — perguntou ele irritado.
— Não é onde, é em quem. Guarde tudo isso para os Volturi. Exatamente como eu estou fazendo. — disse ela com os punhos cerrados com tanta força que suas unhas furaram as palmas de suas mãos, que logo cicatrizaram sem deixar vestígios.
Do outro lado da parede Maxxie e Miguel ainda discutiam. O assunto tinha se tornado espinhoso logo no início do namoro dos dois e só tinha piorado com o tempo. Já que nos planos de Maxxie ele seria transformado um pouco depois de se formar na faculdade.
— Miguel você fala que eu vivo no meu próprio mundo, mas é você quem não entende que, agora, mais do que nunca, é inevitável sua transformação. Alice já viu você como vampiro. Você pode ser transformado pelos nossos amigos ou por nossos inimigos? Acorda meu amor. E agora nem é assim tão ruim, a gente pode ser transformados em meio-vampiros logo depois e nem vamos precisar nos preocupar com o sol e perda de controle.
— Você vem falar de perda de controle, mas que controle eu tenho sobre minha vida? Eu estou me escondendo há dois anos e meio. Perdi minha mãe, perdi minha casa, minha boate, meus amigos humanos de toda minha vida. Porque caso você tenha esquecido eu tinha uma vida antes de toda essa merda sobrenatural invadir minha vida. Eu era feliz e vivia muito bem obrigado.
Maxxie deu dois passos para trás, as palavras do namorado o atingiram como um tapa no rosto. Miguel percebeu imediatamente que tinha ido longe demais, mas ao mesmo tempo sabia que tinha sua razão em ficar puto com aquela situação toda. As palavras escolhidas no entanto foram erradas. Sem a intervenção sobrenatural Maxxie e ele jamais teriam se conhecido, já que só estavam em Miami graças à Gabrielli e seu plano que ajudava Jacob e Nessie à fazerem sexo.
Percebendo as lágrimas se formarem nos olhos do namorado Miguel foi até ele e disse:
— Você sabe que não quis dizer nesse sentido. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida Maxxie. E é só por você que eu consigo manter minha sanidade no meio disso tudo.
— Eu sei que isso não é fácil pra você, também não é fácil pra mim. Mas é a nossa realidade e não tem como mudar ela. — o loiro disse ainda com os olhos marejados. — Agora só depende de você escolher quem e quando.
— As visões de Alice nem sempre se cumprem. — retrucou ele tentando se agarrar a qualquer esperança.
— Repetir isso não vai tornar a realidade diferente Miguel. — disse ele se desvencilhando dos braços do namorado e indo em direção a porta. — Vou ver se eles já se resolveram. Vai procurar a Gabrielli. Você já está muito tempo longe dela e do bebê.
Enquanto isso Alice acabava de ter sua outra visão e já contava à todos do que se tratava. Acontece que se Carlisle não fosse até aos Volturi o ataque seria muito mais cedo, o que causaria mais morte. O dobro para ser mais exata. Então ficou decidido que ele e Esme iriam até a Itália, sozinhos, para poderem conversar. O plano ainda era o mesmo de antes.
Planos foram feitos e refeitos até que tudo fosse acertado para as melhores chances deles. Ligações começaram a serem feitas e o grupo se desfez ao dividirem-se em pequenas partes que tinham seus próprios preparativos a serem feitos.
O clima dentro do Rubi XI estava mais pesado do que jamais esteve. A sombra das mortes sem nome pairava sobre todos ali. E como é comum acontecer quando a mortalidade se faz clara o sexo correu louco naquele iate. O únicos que não estavam fornicando eram o casal colorido e os mais novos pais. Nessie dava de mamar para os meninos enquanto Jacob dava uma mamadeira de sangue para Sarah.
O casal não falava um com o outro desde que entraram no quarto das crianças. Por mais que eles fossem novo nenhum deles sabia o quanto as crianças conseguia entender e não queriam alarmá-las, ou traumatizá-las com toda aquela merda que estava acontecendo.
oOo
Depois de dois meses presos no Rubi XI o iate aportou no porto em Casablanca, no Marrocos e de lá os grupos se separaram. Amanda, Roh, Bella e Edward foram para Londres enterrar Grace. Carlisle e Esme foram para Voltera se encontrar com os Volturi. Damon, Stefan, Elena, Alice e Jasper foram para Nova Orleans encontrar com Klaus. Enzo e Bonnie voltaram para Mistic Falls para recrutar outras bruxas e seres sobrenaturais para a guerra. Emmett e Rosalie também foram em busca de outros amigos que poderiam ajudar. Sendo assim, ficaram no iate, Gabrielli, Miguel, Maxxie, Nessie, Jacob e os trigêmeos. Eles preferiram nem sair do iate para não chamar a atenção.
Antes de aportarem Gabrielli pediu que mudassem o nome do iate escrito nas laterais e assim fizeram. Agora o Rubi XI era Scarlet Dawn, ou Alvorada Escarlate. Carlisle e Esme fizeram de tudo para não saber ou ver o novo nome, para que assim Aro não pudesse descobrir pela mente deles. Todo o cuidado era pouco tendo em vista que Hiro conhecia muito bem os nomes que ela costumava dar aos seus navios.
Outra coisa que aconteceu antes de se separarem foi que Damon e Gabrielli descobriram qual era o sexo do bebê. Eles teriam uma menina e ambos ficaram radiantes com a notícia. A ruiva já tinha um nome escolhido, mas preferiu não contar para ninguém,além do marido. Tinha receio de que se falasse algo ruim aconteceria. A verdade era que a Ambrósio andava mais paranoica que nunca. E depois que todos se foram ela não desgrudava de Miguel pra nada. Chegou a dormir na mesma cama que ele algumas noites. Não que o casal tenha se incomodado, a briga deles ainda estava muito fresca na mente dos dois. Além disso Maxxie andava se oferecendo para cuidar dos trigêmeos para ter a desculpa de não ficar ao lado do namorado.
POV Amanda…
Tão logo pisamos na Inglaterra recebi a mensagem sobre a morte de Grace enviada pelo meu irmão. Disse pra ele que estava no país e ele, surpreso, me chamou para o enterro que aconteceria em algumas horas. Eu estava muito nervosa em reencontrar com ele. Faziam anos que não nos víamos. Desde que fugi para digerir a verdade sobre Roh e sua família. Tínhamos conversado por mensagens e até por chamada de vídeo, mas não era a mesma coisa. Eu nem sabia como ele reagiria à minha aparecia, a gente sempre dava um jeito da imagem do celular ser ruim na hora de conversar com ele, mas agora ele iria dar de cara comigo com todo o “filtro” de vampira. Bom, não todo o filtro. Agora eu era apenas meio-vampira e minha pele era menos marmorizada. Mas ainda sim muito melhor que qualquer filtro de celular, ou photoshop.
Eu sabia que seria melhor que eles não me vissem, mas eu precisava estar com alguém que entendesse o que Grace significava pra mim de verdade. Alguém que passou por toda aquela merda de infância comigo. E esse alguém era Jackson, meu irmão. Mesmo que eu ainda tivesse a aparência dos 24 que tinha quando fui transformada e que 9 anos tivessem se passado.
Nove anos. Nove anos que eu não vinha à Inglaterra. Nove anos que não pegava minha sobrinha Hayley nos braços. E quando coloquei o pé dentro da capela onde Grace era velada pude sentir o que o afastamento de 9 anos poderia fazer numa família como a que era oriunda. Jackson me recebeu com um abraço, mas tinha algo de estranho nele. Sara, sua esposa, apenas acenou para mim de longe. E Hayley mal olhou para mim e se escondeu por detrás de sua mãe.
Apresentei meu marido e meus amigos ao meu irmão que os cumprimentou de forma seca. Entendi imediatamente qual era o problema. Jackson ainda os culpava por tê-lo deixado “sozinho” com meus pais. E falando neles os procurei pela capela, mas não os encontrei.
— Eles já foram. — Jackson respondeu a pergunta que não fiz. — Vieram apenas para que todos vissem como eles eram caridosos em aparecer no velório de uma empregada, mas ficaram por apenas 10 minutos e se foram satisfeitos por terem feito sua parte.
Mais uma vez meus pais se provaram os seres mais frios e ruins que já conheci. Obviamente que aquilo me irritou e muito, mas não podia deixar de me sentir aliviada por não ter que encontrar com eles. Se faziam 9 anos que eu não encontrava meu irmão, faziam quase 11 anos desde a última vez que os vi. E a maior parte desse tempo nos falamos por telefone pouquíssimas vezes, geralmente apenas nos aniversários e olhe lá. Não queria ter que lidar com eles ali. Não mesmo. Eu estava ali por Grace. A mãe que eu escolhi. A única que eu tive durante a maior parte da minha vida. Hoje eu tinha Esme também. Esme, a mãe de todos. Mas Grace era a minha mãe.
Andei até o caixão rebocando Roh comigo. Eu estava agarrada à ele e ele à mim. Tinha prometido não sair do meu lado de jeito nenhum e estava cumprindo isso muito bem. Mas mesmo que ele estivesse ali ao meu lado não havia realmente nada que pudesse fazer para diminuir a dor que senti ao vê-la deitada naquele caixão. Minha mente foi inundada por lembranças dela cuidando de mim, dela cozinhando pra mim, do cheiro dela de canela e erva-doce. Eu ainda podia sentir levemente esse cheiro nela, mas, graças ao meu lado vampírico, eu podia sentir os outros cheiros também. Cheiro das flores que a cercavam, cheiro dos produtos químicos usados nela para retardar a decomposição do corpo, cheiro de morte. Senti meu estomago se revirar, mas me recusei a sair dalí. Deixei as lágrimas correrem pelo meu rosto e dei graças à Deus por poder chorar de verdade outra vez. Grace merecia lágrimas em seu velório e aparentemente eu era a única que a derramava ali. Por isso chorei tudo o que precisava chorar até depositar uma margarida, sua flor preferida, em cima do seu caixão, até vê-lo descer para dentro da terra e ser coberto pela mesma. Chorei como não chorava desde que decidi deixar a Inglaterra pela primeira vez. Desde que me dei conta de que não a teria ao meu lado todos os dias. Desde a primeira vez que a perdi, e agora ela tinha ido para sempre. Quem mais eu perderia com essa guerra que estava por vir? Independente de quem fosse eu não me sentia pronta pra isso de forma alguma.
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