What If... (And If)
98 Fase IV - Capítulo 14 - Rumores de Guerra...
Notas iniciais
Fase IV — Capítulo 14 — Rumores de Guerra...
POV Amanda...
Depois que o enterro terminou Jackson veio falar comigo, mas não me lembro o que ele falou. Eu tinha uma vaga lembrança de Roh conversando com ele, mas tudo o que eu conseguia fazer era observar o lugar com terra revirada onde o caixão de Grace tinha sido enterrado. Já não haviam lágrimas nos meus olhos, mas eles ainda ardiam por causa do choro. Eu sinto muito, Grace. Queria ter passado mais tempo com você. Eram os pensamentos que rondavam minha mente.
— Amanda, meu amor. Nós temos que ir. Você precisa comer. Não comeu nada o dia todo.
Era Roh quem falava comigo. Olhei pra ele e pisquei algumas vezes só me dando conta naquele momento que já estava anoitecendo. Ao seu lado um homem, que não conhecia, parecia com presa. Devia ser o coveiro, ou alguém que trabalhava ali. Eu provavelmente estava atrapalhando o trabalho dele. Fiquei sem graça ao mesmo tempo que fiquei mais triste por saber que meu tempo com Grace realmente havia acabado. Voltei a olhar para Roh que me observava com compaixão. Me desculpei com o moço que também acabou me olhando com compaixão. Meu marido, então, começou a andar e, sem falar mais nada fui com ele. Olhei a minha volta meio perdida e percebi que Bella e Edward não estavam por ali e me perguntei quanto tempo ficamos no cemitério. Meu corpo parecia de ferro e eu tinha dificuldades para andar, Roh me ajudou até na hora de entrar no carro.
Encontramos nossos amigos na porta do lugar e sem falar nada entrei no carro. Não tinha forças pra falar. Se Edward podia ler minha mente ele saberia o porque, caso Bella estivesse com o seu escudo sobre mim, bom, não devia ser difícil entender minha falta de vontade para falar. A verdade era que eu não queria fazer nada. Não estava nem um pouco com fome, mas a julgar pela penumbra da noite já deviam fazer mais de 11h desde a última vez que eu comi alguma coisa. Talvez tenha sido um erro ter me tornado meio-vampira.
Edward dirigia e Bella estava ao seu lado no banco da frente. Ao meu lado estava meu marido, mas eu não conseguia olhar pra ele, apenas para a janela do carro perdida em meus arrependimentos. Se isso fosse um filme estaria chovendo, e uma música triste completaria a cena melancólica. Mas o tempo estava firme, apenas frio como seria o normal nessa época do ano por aqui. Trechos de músicas podiam ser ouvidos a medida que o carro passava pelas ruas apinhadas de pessoas, mas nenhuma parecia ser a trilha certa para o que eu sentia no momento.
Eu estava tão focada na tristeza dentro de mim que apenas quando o carro parou e Roh abriu a porta para que eu descesse foi que me dei conta de onde estávamos. The Five Fields, era o novo restaurante favorito de minha mãe. Ou pelo menos foi o que ela comentou da última vez que conversamos uns anos atrás. Eu acho… ser meio-vampira também havia mexido com a nossa memória que antes era quase perfeita. De qualquer forma eu não queria correr o risco de encontrar com meus pais. Aquilo era a última coisa que eu queria fazer. Estava pronta para falar que não queria comer ali quando a porta do lugar foi aberta e de lá saíram meus pais. Dr. Gregory e Dra. Isobel Hartley. Meu coração gelou e um arrepio de medo passou pela minha espinha. Minhas mãos começaram a suar, fiquei com dificuldade pra respirar e senti que estava encolhendo.
Não fui a única que ficou surpresa com o reencontro, a expressão nos rostos de meus pais era de quase choque. Mas isso durou pouco. Logo eles estavam usando suas máscaras habituais. Com um sorriso meticulosamente trabalhado minha mãe veio até mim.
— Amanda, querida. Você não recebeu nosso recado? — ela falou depois de beijar o ar perto do meu rosto.
Vi que havia um casal com eles e entendi imediatamente o que ela estava fazendo. Eu tinha sido programada para aquilo. Ela não queria que quem quer que estivesse com ela achasse que ela, Isobel Hartley, não sabia que a filha estava na cidade. Em seguida ela foi até meu marido e repetiu o gesto o cumprimentando e dizendo:
— Rodrigo, como vai? É sempre um prazer te ver querido.
Aquilo embrulhou meu estômago ainda mais. Ela só o tinha visto uma vez quando fizemos uma chamada em vídeo uns anos atrás. Não tinha trocado sequer uma palavra com ele e agora o chamava pelo primeiro nome e agia como se tudo aquilo fosse extremamente comum. Não precisava de ler mentes pra saber que aquilo era pura falsidade.
Meu marido, no entanto, não havia sido treinado nessa arte dos Hartley e, desde que contei para ele minha história, odiava meus pais. Por isso respondeu sarcástico:
— É mesmo? Nunca soube disso.
Mas ela não se deixou abalar. Nunca tinha e não começaria agora. Apenas riu como se aquilo fosse uma piada antiga entre eles e antes que Roh pudesse falar mais qualquer coisa que a fizesse ficar mal diante da sociedade londrina ela nos apresentou ao casal que estava com eles. Os cumprimentei de longe de forma automática. Meu pai os afastou enquanto fingia estar os acompanhando para o carro nos deixando na porta do restaurante. Tão logo eles se afastaram as feições de minha progenitora mudaram.
— O que você está fazendo aqui? Não me diga que veio para o enterro da governanta. Aquela ingrata tinha que morrer logo essa semana? Tínhamos planos e... — disse ela com desdém em tom baixo apenas para mim, mas parou de falar quando num pedido quase mudo falei:
— Não faz isso. — minha voz saiu num murmuro, mas a ameaça embutida nas minha palavras chamaram a atenção de meus companheiros de viagem. A forma como tinha falado a palavra “governanta” parecia que se tratava da coisa mais suja e nojenta na qual ela já tinha se deparado. Aquilo foi a pior coisa que ela poderia ter falado pra mim naquele momento.
— Logo se vê que você continua a mesma apagadinha de sempre. Até hoje não aprendeu a falar direito. Grace fez um péssimo trabalho na sua criação mesmo. Não sei porque a aturamos por tanto tempo.
E para minha surpresa ela conseguiu piorar a situação ainda mais. Não sabia porque isso ainda me surpreendia depois de tudo o que já passei na mão dela. Deles. Porque meu pai podia quase nunca falar comigo, ou sequer direcionar o olhar pra mim, mas as poucas vezes que o fazia estavam marcadas com fogo e ferro na minha memória. No entanto, quem estava falando comigo agora era minha progenitora, por isso as lembranças dos comentários maldosos dela direcionados especialmente à mim voltaram à memória. De como ela costumava dizer que eu não era a bonequinha* que Grace falava, e sim apagadinha*. De todas as vezes que ela me controlou, humilhou, diminuiu e ignorou. Então toda aquela merda que tinha sido minha vida com ela e com meu pai borbulhou e transbordou dentro de mim à medida que eu ia falando até estar gritando no final.
*Essa frase em inglês faz mais sentido. É um trocadilho com doll, que significa boneca, e dull, que significa sem graça ou apagada — essas personagens estão tecnicamente falando em inglês e eu achei que era necessário que o apelido funcionasse nas duas línguas. O que se, pensando nos poderes de Amanda de ficar invisível, é bem irônico.*
— Como você ousa falar dessa forma dela? A única mãe que eu tive…
— Faça-me um favor… não comece com seus dramas. — ela interrompeu fazendo pouco de mim mais uma vez.
— Drama? DRAMA? — falei exaltada chamando a atenção de todos a nossa volta. — Você nunca foi minha mãe. Nunca se importou comigo. Ou com o meu irmão, diga-se de passagem. Grace fez tudo por nós e você fala dela como se ela não valesse nada. Você fala de mim como se eu não valesse nada. Como se minha importância fosse meramente decorativa. Um apetrecho que você foi obrigada a usar por anos e ficou feliz quando ele saiu das suas vistas. Foi exatamente por isso que eu fugi desse país. De vocês! E agora eu estou tendo que pagar o preço mais uma vez porque fiquei longe da única pessoa que me amou de verdade pela maior parte da minha vida e agora ela está morta! E você sequer se importa com a morte dela. Assim como você nunca se importou realmente comigo. É isso. Eu estou farta de vocês. — acrescentei olhando para meu pai, que estava parado do outro lado da rua assistindo a tudo com olhos arregalados. — Não vou deixar que vocês controlem ou sequer façam parte da minha vida. Ou da minha família. Porque eles — falei apontando para meu marido, Edward e Bella. — são da minha família. São parte dela. Porque agora eu tenho uma família enorme que está crescendo a cada dia e vai crescer ainda mais. E não pensem que quando eu tiver meus filhos vocês vão chegar perto deles. Porque não vão. E no que depender de mim vocês não saberão sequer da existência deles.
— De onde vem tanto ódio? Está de TPM, ou esses com quem anda agora são selvagens descontrolados? Vai se acalmar e depois nos falamos. — disse a senhora na minha frente.
E eu não poderia esperar menos dela. Aquela resposta dada por ela era apenas mais uma forma dela me machucar. Diminuir a mim e a minha dor. Mas de alguma forma aquilo não me atingiu como com certeza atingiria anos atrás. Talvez até minutos atrás. Porque a verdade era que o que ela falava ou pensava de mim não importava. Mãe é quem cria e dá amor, carinho, dá bronca, chama a atenção. Mãe de verdade corrige em amor, porque quer que a(o) filha(o) aprenda e seja uma pessoa melhor para assim não sofrer pior mais tarde.
Todas as “correções” que ela deferiu a mim eram apenas para que eu não fizesse mal ao seu status de mãe exemplar diante da sociedade. E naquele momento as palavras dela eram pura vingança por eu acabar com aquela fachada na frente dos seus amigos e de seu restaurante favorito. Ela não era nem nunca foi minha mãe de verdade. Isobel era apenas uma pessoa mesquinha e egoísta. Uma bully que sempre se viu no direito de pisar em mim e eu deixei por anos por valorizá-la mais do que deveria.
Quem dava o poder para ela me ferir era eu mesma. E se era eu quem dava esse poder eu poderia parar de dar. E foi exatamente isso que eu fiz. Ela não tinha mais poder sobre mim e minha dor. Tanto Isobel quanto Gregory, naquele momento, deixaram de existir para mim.
Essa revelação me ocorreu tão rápido que cheguei a ficar um pouco tonta. Nada demais ou preocupante. E ao me dar conta da verdade um pequeno sorriso se formou nos meus lábios. Pude perceber que a minha reação às palavras dela a abalaram muito mais do que qualquer coisa que falei momentos antes. Ela havia percebido que tinha perdido seu poder sobre mim. O que só foi confirmado pela forma calma que proferi as palavras seguintes:
— Não Isobel. Não nos falaremos nunca mais. Caso não tenha entendido antes eu explico novamente. Vocês não fazem parte da minha vida ou da minha família. Pense assim: sua “filha” — fiz as aspas com as mãos — morreu. Dessa forma vocês são órfãos de filha assim como eu sou órfã de pais. Minha única mãe morreu e foi enterrada hoje. Quanto a vocês?… bom, eu os desconheço.
E então me virei para Roh que já segurava a porta do carro para que eu entrasse. Em questão de segundos o carro já entrava em movimento deixando para trás tudo de pior na minha vida. Tão logo viramos a esquina meus olhos voltaram a produzir lágrimas. Mas eram lágrimas de alívio. Eu finalmente tinha tirado um peso enorme das costas. Eu estava livre.
oOo
Eu tinha me resolvido com meus pais, mas precisava me resolver com meu irmão. Não era porque eu teria que me afastar dele eventualmente, porquê não envelheceria, que meu relacionamento com ele tinha que deixar de existir pra mim assim como com nossos pais. Por isso na manhã seguinte liguei pra ele e o convidei para tomar um chá no hotel em que estávamos hospedados.
Não foi uma conversa fácil. Como eu tinha desconfiado antes ele tinha ressentimentos em relação à minha partida e em tudo que isso acarretou pra ele e pra família dele. Deixei bem claro que não voltaria atrás e que no que dependesse de mim eu jamais pisaria na Inglaterra novamente.
— Então você resolveu me tirar da sua vida também? — ele perguntou irritado.
— Não Jackson, se fosse esse o caso eu nem estaria aqui. Eu só não consigo ficar nesse país sem ter a Grace por perto. — falei desviando o olhar dele porque apesar de ser verdade não era a verdade completa.
Enquanto olhava para outro lugar vi Zenday e Barth entrando no restaurante do hotel e imediatamente me apavorei. Eles não deveriam ver a gente. Tínhamos claras instruções de evitar encontrar qualquer pessoa que Hiro conhecesse pois existia a possibilidades deles ou estarem sendo seguidos pelos Volturi, ou deles serem capturados para dar qualquer informação sobre nosso paradeiro. No meu apavoramento acabei ativando meus poderes e ficando invisível. A sorte foi que Jackson estava olhando para baixo no momento e só se deu conta de que tinha sumido quando levantou a cabeça.
— Amanda?
Me abaixei e reapareci segurando uma colher.
— O que foi? — perguntei como se nada tivesse acontecido e coloquei a colher sobre a mesa de forma um pouco exagerada para que ele pudesse entender melhor.
— Nada, é que por um instante pareceu que você não estava aqui… nem vi você se abaixando… — ele parecia realmente confuso. Talvez eu tenha calculado mal o tempo que levou.
Infelizmente não adiantou de nada eu ter ficado invisível, pois o casal de amigos de Nessie me viu e veio até nós.
— Amanda, o que você está fazendo aqui em Londres? Nessie e Jacob estão aqui também? — perguntou Zenday olhando em volta.
— Oi gente… então, eu sou daqui. — disse ficando sem graça, porque não sabia o que fazer — Minha mãe morreu e eu…
— Ah… — disse ela me olhando com pena. — Meus pêsames.
— Obrigada. E não, eles não estão aqui. Estão com os trigêmeos.... — tão logo falei isso me arrependi. Aquela era uma informação que eles não tinham e não precisavam saber. Uma informação que os Volturis também não tinham.
— Trigêmeos? — Barth perguntou quase engasgando.
Percebi que meu irmão estava meio desconfortável e que não tinha apresentado nenhum deles.
— Longa história, vocês não vão querer saber. Não agora, de qualquer forma. — achei melhor falar isso porque sabia que eles preferiam ficar fora de qualquer coisa sobrenatural e pra falar a verdade eles é que estavam certos. — Mas deixem-me apresentar vocês. Esse é meu irmão mais velho, Jackson. Jackson esses são Zenday e Barth, eles são… uns amigos lá dos Estados Unidos.
Depois disso eles se cumprimentaram, nós conversamos mais um pouco sobre eles e o que eles faziam aqui e descobri que vieram visitar Freddie e Effy. Depois que foram embora minha conversa com Jackson pareceu se apaziguar. Ele finalmente entendeu o meu lado, ou decidiu que deixaria pra outra hora qualquer discussão. Não achei ruim. Conversamos por mais uns minutos e então ele precisou ir. Antes de ir ele perguntou quanto tempo eu ficaria na cidade. Contei que íamos embora em algumas horas. Ele pareceu tentado a começar outra discussão, mas alguma coisa na minha cara o fez desistir.
Assim que ele se foi Roh apareceu juntamente com Edward e Bella. Eles já estavam com o pouco da bagagem que levamos. Fomos direto para o aeroporto, lá nos separamos apenas para comer e comprar as nossas passagens para o Marrocos. Edward e Bella foram comprar a comida e eu fui com Roh comprar as passagens.
POV Alice...
Klaus concordou imediatamente com nossos planos. Ele vinha espalhando rumores de guerra contra os Volturi a um tempo e estava muito feliz pela adição de tantos seres fortes à sua causa. Então chegou a hora de nos separarmos outra vez. Stefan e Elena foram para Mistic Falls, Damon ficou com Klaus para “convencer” as bruxas da cidade a lutarem com eles e Jazz e eu fomos para o Texas falar com Maria.
Tínhamos acabado de sair de Nova Orleans quando tive outra visão. Não sei exatamente qual foi a decisão que mudou nosso futuro, mas havia menos lápides nele. De dez fomos para seis. Quase a metade… e havia outra diferença. Uma que fez meu coração apertar tão forte que por um segundo pensei que ele pararia novamente. Uma das lápides agora era diferente das outras. Era menor e estava entre outras duas maiores. Como se as três fossem uma família. Como se quem estivesse enterrado ali fossem os pais e um filho.
Tão logo a visão acabou eu desmaiei.
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