What If... (And If)
59 Fase III - Capítulo 9 - Domingo...Parte I

Fase III — Capítulo 9 — Domingo...Parte I
POV Jacob…
Tive que me controlar várias vezes para não pular sobre ela e a beijar. Essa vontade só aumentou durante o percurso de volta. E quando ficamos parados frente a frente na porta da casa dela eu praticamente sentia uma força me puxando pra ela. Eu queria tanto beijá-la… Eu tinha a vaga sensação de que já estava me aproximando dela. Era sem esforço, um movimento inconsciente de minha parte. Me perguntava se ela queria a mesma coisa que eu. Mas quando meus lábios tocaram nela não pude deixar de sentir o que senti.
Vergonha. Eu era um covarde. No último segundo acabei mudando de ideia e apenas dei um beijo na testa dela. Eu sabia que não podia simplesmente beijá-la sem mais nem menos. Se ela não sentisse o mesmo que eu isso seria um problema. Eu levaria muito tempo para poder me reaproximar dela novamente. Não, eu tinha feito a coisa certa. Tudo com calma. No seu devido tempo.
Mesmo sabendo que tinha tomado a decisão certa não pude olhar pra ela depois do beijo ridículo na testa. Dei as costas e disse apenas um “até amanhã” antes de colocar o capacete, subir na moto e ir embora. Era uma merda ser o cara legal.
POV Nessie…
Não aconteceu nada. Nada alem de um beijinho ridículo na minha testa. Queria ter os poderes da tia Gabi e poder bater o pé no chão pra abrir um buraco pra me enterrar viva. Beijinho na testa é pior que ouvir “não é você, sou eu” em final de relacionamento. Não que eu saiba o que é isso, mas eu imagino. E depois do beijo infame ele nem olhou na minha cara antes de ir embora.
Entrei em casa arrastando minha tristeza e raiva. Meus pais não estavam por ali e também não me dei ao trabalho de procurar por eles. Fui direto para o meu quarto, tirei a roupa e entrei debaixo do chuveiro. Eu estava suja da corrida e precisava lavar minha tristeza. Depois disso mandei uma mensagem pra tia Gabi dizendo que não tinha dado certo. Ela me responder logo em seguida:
Não se preocupe princesa. Ele vai cair na sua mão mais cedo ou mais tarde. Apenas continue fazendo o que eu te falei. Leia os textos que eu te mandei por e-mail. Comece pelo “Pode o subalterno falar?” da Gayatri Spivak e depois leia “O segundo sexo” de Simone de Beauvoir. Sei que é muita coisa, mas vai ser bom pra você. É só pedir pra sua mãe, dei esses livros pra ela a um tempo atrás. Ela estava precisando. Bjs tia Gabi
Continuar o que eu estava fazendo… hum ok. Não custava nada. e se desse errado segunda eu começava a fase “Se você não quer, tem quem queira”.
Levantei da cama, foi até a pequena biblioteca de meus pais e procurei os livros. Mamãe era bem organizada e mantinha tudo em ordem alfabética de autores e gêneros dos livros então foi fácil encontrar os dois. O primeiro era fininho, só 336 páginas (versão em português 133), mas o segundo tinha 832 (versão em português 935). Tia Gabi estava certa como sempre. Bora começar o mais fininho primeiro.
Voltei para o quarto e me deitei na cama com o livro nas mãos. Eu conseguia ler aquele livro hoje tranquilamente.
Não vou mentir pra você, eu dormi lendo o livro. Não entendi o porquê da tia Gabi me falar pra ler ele. Ela estava querendo dizer que meu pai e o Jake eram autoritários como o governo? De manhã eu desci com o livro na mão e continuei a ler enquanto tomava meu café da manhã.
— Isso é uma indireta por acaso? — Meu pai perguntou assim que entrou na cozinha.
— Hein? — Perguntei confusa.
— Ele está falando do nome do livro. — Mamãe explicou pra mim.
Olhei pra capa e li “Pode o subalterno falar?” eu tive que rir. Acho que entendi a tia Gabi um pouco mais agora.
— Não precisa disso. Sua advogada ligou pra gente ontem e me deu um sermão. Não que ela precisasse, porque sua mãe já estava no caso. — Meu pai continuou.
— Meu caso?
— Não se faça de desentendida mocinha. Você está fora do seu castigo. Pode falar com seus amigos o quanto quiser. Você não teve culpa e nós exageramos.
— Sério mesmo pai?! — Perguntei surpresa.
— Sério. — Respondeu minha mãe abrindo ainda mais o sorriso.
Corri até eles e os abracei ao mesmo tempo. Na mesma hora meu celular tocou em cima da bancada da cozinha. Fui atender feliz e saltitante e para a minha surpresa era Jacob. Atendi rapidamente já contando a novidade.
— Adivinha quem está fora do castigo?
— Pela felicidade só pode ser você. — Ele disse rindo.
— Acertou.
— Então o que você acha de comemorar sua liberdade vindo pra cá assistir aqueles filmes da lista que fizemos ontem?
Olhei pros meus pais e minha mãe fez que sim enquanto meu pai saia e resmungava um “começou”.
— Claro! Vai ser ótimo.
— Ótimo, você quer que eu vá te buscar, ou…
— Eu vou sozinha. É só duas ruas daqui.
— Tudo bem. Até daqui a pouco então.
— Até.
Desliguei e corri para o meu quarto esquecendo completamente do livro que antes estava lendo. Coloquei um short jeans claro e curto de cintura alta, um top branco frente única de trico com um cardigã de trico aberto apenas para completar o look. Prendi meus cabelos em uma trança de lado junto com algumas fitas e causei uma ankle boot baixa. Fiz uma maquiagem leve e jovial e peguei uma mochila vermelha. Nela coloquei carteira, celular, um batom, um espelho e as chaves de casa.
Em menos de uma hora eu já estava a caminho da casa onde ele estava. Mal podia acreditar que iria passar o dia inteiro com ele. Sozinha! Eu tinha bastante tempo para tentar seduzir ele.
POV Jacob…
Eu tinha chamado ela pra vir pra cá porque eu podia ser um covarde, mas eu ainda queria ficar perto dela. Fiquei longe dela por tempo demais e eu ia aproveitar um tempo só com a Nessie o máximo que pudesse. Algo me dizia que ela ter saído do castigo seria um problema para mim. Mas Gabi e Bella estavam certas. Eu não devia tratar Nessie dessa forma. E sim, Gabi me ligou ontem a noite e falou na minha cabeça por quase uma hora. As vezes eu tinha dó do Damon porque ela estava sempre certa e sempre tinha vários pontos bem fundamentados para te provar que você estava errado. Era engraçado quando você via ela fazendo isso com os outros, mas quando é com a gente a coisa nunca é engraçada.
Então depois de ter sido chamado de cachorro machista autoritário, além de ter sido comparado com Edward, de ter tido uma aula sobre feminismo e alteridade e ser obrigado a concordar que eu estava errado e Nessie tinha todo o direito do mundo de andar com quem ela quisesse eu fui dormir. Se eu já estava envergonhado pela minha covardia antes, depois do telefonema eu estava acabado.
Acordei hoje e tive a ideia de chamá-la pra ver filme quando vi a nossa lista sobre o balcão da cozinha. Agora eu estava na videoteca dos Salvatore’s separando os filmes. Gabrielli tinha mania dessas coisas tinha uma biblioteca gigante com livros literários, teóricos, de arte, filmes de todos os tipos, seriados, mangas, HQs, quadrinhos, CDs e DVDs. A casa deles era enorme e eu ainda não tinha visto ela inteira.
Peguei os filmes da lista e subi para a sala de TV. Deixei eles sobre o sofá/cama e subi pra tomar um banho rápido, queria estar cheiroso quando ela chegasse. Quem sabe isso despertava o interesse dela por mim.
N/A: Oi gente, então, a partir de agora é aquela leitura diferente. Quando estiver em itálico é narrado pela Nessie e quando estiver em Negrito é narrado pelo Jacob.
Eu estava na cozinha olhando a geladeira cheia e pensando no que comer quando a campainha tocou. Corri pra atender a porta. Mal cheguei perto da porta e já podia sentir o cheiro dela, mas foi quando abri a porta que fiquei completamente atordoado. Puta merda como ela é gostosa. Onde eu fui me meter?! Passar o dia inteiro do lado dela desse jeito sem fazer nada vai ser impossível! Ela se adiantou e me deu um abraço apertado.
— Oi Jake! — Disse ela toda animada no meu peito causando uma verdadeira revolução de hormônios dentro de mim.
— Oi Ness. — Respondi o melhor que pude.
A cara dele ao me ver foi impagável. Me aproveitei disso para o pegar desprevenido no abraço. Queria que ele visse e sentisse o material. O quê? Experimenta viver com tio Damon, tia Gabi e tio Emm pra ver se você não sai meio pervertido. Ouvir a voz rouca dele sempre mexia comigo e não foi diferente dessa vez.
Me afastei e olhei pra ele animada. Ele ainda parecia mexido pelo meu visual e meu abraço. Mas ele piscou duas vezes e balançou a cabeça como um cachorro molhado se afastou me dando passagem para entrar na casa. Eu entrei meio contrariada com a resistência dele. Por menos que isso eu já tinha fisgado o Bart. Foi pensar nele que meu celular apitou avisando que tinha recebido uma mensagem. Peguei ele pensando que poderia ser tia Gabi me ajudando num dos insites dela. Mas era o Bart me chamando pra ir ao cinema mais tarde. Sinistro.
Vi por cima do ombro dela a mensagem que ela estava lendo e fiquei irritado. Tive que me segurar para não tomar o aparelho da mão dela e o arremessar do outro lado do estado. Mas me lembrei da conversa com a ruiva. Nessie podia ter outros amigos, eu não era o dono dela, ninguém era dono de ninguém. Me controlei e perguntei o mais relaxadamente que podia.
— Você vai querer pipoca?
— Claro! Estava com saudade da sua pipoca. Ninguém sabe fazer pipoca igual a você. — Respondi enquanto mandava uma resposta negativa e um pedido de desculpas para Bart. Usei a desculpa de estar de castigo. Não queria ter hora para sair de perto de Jacob.
Olhei pra cima e ele já não estava na sala. Andei lentamente até a cozinha enquanto respondia outra mensagem, essa de Effy chamando para o mesmo programa. Dei a mesma desculpa a ela e desliguei o celular. Não queria ser interrompida durante esse dia. Joguei o celular dentro da bolsa assim que entrei na cozinha.
— O namorado está querendo saber onde você está? — A pergunta simplesmente saiu dos meus lábios. Quando me dei conta já era tarde. Mas pouco me importava eu queria saber.
A pergunta dele me pegou desprevenida. Eu pude sentir uma pontada ácida na voz dele, mas seu rosto não demonstrava nada. Nada mesmo. Tentei agir o mais natural possível em vez de responder um “você é o único namorado que eu quero. Se não for você não é ninguém”. Mas em vez disso eu respondi um:
— Eu não tenho namorado Jake. O Bart é apenas um dos meus amigos.
— Hum… — Foi tudo o que ele falou antes de voltar sua atenção pra pipoca na panela.
Eu precisei de usar todas as minhas forças para não demonstrar qualquer reação enquanto esperava a resposta e depois dela. Mas eu tinha que dizer que estava feliz por ela ver o loiro como apenas um dos amigos.
Droga! Esqueci que a tia Gabi disse pra fazer ciúmes nele. Bom, talvez ainda tenha tempo de fazer isso depois. Hoje eu queria usar outras armas para conquistar o coração dele. Pensando nisso fui até o armário da frente dele e me estiquei para pegar uma vasilha para colocar a pipoca.
Ela pareceu não se importar com a pergunta sem sentido e foi me ajudar pegando a vasilha. Mas ao ela se esticar o short ficou mais curto revelando a polpa do bumbum dela. Virei de costas e contei até 10. A cada número pensava em coisas ruins. Eu não ia durar muito desse jeito. Respirei fundo e senti o cheiro da pipoca queimando. Me virei rapidamente e dediquei minha atenção apenas em fazer a pipoca.
Quando me virei para ver a cara dele vi que ele não estava olhando. Poxa, será que ele não viu? Acho que preciso me esforçar mais. Quando a gente estivesse assistindo o filme ele não me escapava.
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