What If... (And If)
57 Fase III - Capítulo 8 - Sábado...
Fase III — Capítulo 8 — Sábado...
POV Nessie…
Meu plano não parecia estar dando certo. Jake tinha ficado de boca aberta quando me viu, mas ele não tinha olhado pra mim desde então. Era frustrante. Eu achava que tinha haver com meus pais, quer dizer, a cara do meu pai pra gente enquanto saíamos dizia muita coisa. Ele estava com raiva pela roupa que eu tinha escolhido, com raiva do Jake por, provavelmente, ter me olhado daquele jeito e com raiva da minha mãe por não deixar ele ir junto.
Pessoalmente eu estava mais do que feliz por ele não estar indo com a gente. Imagina?! Ele jamais deixaria que eu seguisse com meu plano. Não que eu achasse que minha mãe ia deixar, mas ela era mais flexível do que ele.
Dentro do carro foi um saco, porque ele foi na frente com minha mãe que dirigia e eu fui atrás como uma criança. Bem que poderia ter ido só eu e o Jake, mas eu não entendo nada de compra de supermercado e eu duvidava que meu pai me deixaria ir só com o Jake. Eu não entendia ele. Não era como se o Jake também fosse apaixonado por mim. Se eu tivesse sorte Jake apenas via o quanto eu estava crescida e tinha um corpo bonito. E se isso era verdade eu tinha que usar todas as minhas armas.
Me lembrei do que tia Gabi falou pra mim assim que contei pra ela que estava apaixonada pelo Jake. Ela foi a primeira a saber, porque eu contava tudo pra ela e ela era minha cúmplice. Gabi disse que eu tinha que fazer o Jake me ver como uma mulher e não como uma criança. Ele ia naquele fim de semana visitar a gente, então ela me ajudou a escolher uma roupa pra que ele visse o quanto eu tinha crescido. Nós fomos patinar no gelo naquele dia, mas não deu certo e nada aconteceu. Tia Gabi disse que eu deveria insistir nisso, mas eu achei que não tinha chance, ainda mais depois que a April chegou.
Bom, acho que ela estava certa no final das contas. E agora eu ia investir nisso. Eu precisava ligar pra ela assim que desse. Ia aproveitar o supermercado enorme para sair de perto deles e ligar pra ela. Eu tenho certeza de que ela vai me dar mais ideias pra conquistar o Jake.
Assim que chegamos no mercado arrumei a desculpa de pegar um item que ficava bem longe deles e aproveitei pra ligar pra tia Gabi. Ela atendeu depois do terceiro toque.
— Ei Nessie, tudo bem querida?
— Ei tia, preciso de ajuda. Urgente! — Cochichei. O mercado podia ser grande, mas eu estava lidando com seres sobrenaturais ali.
— Qual é o problema? Por que você está cochichando? — Ela pareceu um pouco preocupada.
— Estou falando baixo pra não ser ouvida. Preciso da sua ajuda pra conquistar o Jake.
— Oh, é verdade, ele foi pra ai finalmente. — Eu podia escutar o sorriso que ela estava dando.
Desde que eu contei pra ela tia Gabi falava que era Jakness e que torcia muito por nós dois. Ela e tia Alice, que também sabia, viviam trocando olhares e risinhos.
— É sério tia! Eu preciso de ajuda. — Choraminguei.
— Bom, primeiro você tem que usar algumas roupas que realcem o seu corpo, assim ele vai te ver como uma mulher e não como uma menina.
— Eu sei, já estou fazendo isso.
— E aí?
— E ai que ele ficou de boca aberta, mas não me olha mais.
— Isso é ótimo! — Ela disse se animando.
— Ótimo? Como isso pode ser ótimo? Tá doida tia?
— Vai por mim. Jacob é um cara legal e não quer te ver dessa forma. Além disso ele sabe que seu pai lê mentes. Provavelmente não quer que o Ed fique louco por causa dos pensamentos que ele tem perto de você.
— Ok, isso parece plausível. Mas e agora?
— Você tem que se aproveitar do tempo em que vocês foram só amigos. Tente ficar algum tempo sozinha com ele, ou apenas tente agir normalmente como fazia antigamente. Assim ele vai ver que além de linda você é alguém com quem ele pode ser ele mesmo, alguém com quem ele possa passar um bom tempo. Mas ele já sabe disso. Então o que você vai estar fazendo é mostrar que você é o pacote completo. Entendeu?
— Entendi. Mas e se não der certo?
— Se não der certo você tem que partir pra fase do “se você não quer tem quem queira”. Que é basicamente se vestir de forma provocadora e ir pras aulas assim. Dessa forma os rapazes do colégio não vão tirar os olhos de você. Eles provavelmente já estão assim. Espera, você comentou que tinha um tal de Bart e que você ia a uma festa com ele. O quê aconteceu?
— Bom, resumindo a gente dançou, se divertiu, ele me levou em casa e me beijou.
— Sério?! E você?
— Bom, eu não sei… quer dizer, meu pai estava na janela com cara de quem ia me matar. Aí meus pais surtaram porque eu bebi um pouco na festa, juro que foi sem querer, daí o Jake chegou ficou todo estranho quando soube da festa e pra piorar o Bart voltou porque eu tinha esquecido o celular no carro dele e o Jake surtou também e deu a ideia pros meus pais de me proibir de andar com os meus novos amigos.
— E eles te castigaram com isso?!
— Sim.
— Bom, eu não devo interferir na educação que eles te dão. Então cumpra o seu castigo. Mas se as coisas não derem certo esse fim de semana, bom… me desculpe pelo termo chulo, mas que se foda. Na segunda fale com os seus amigos. Deixe que o Jacob veja que estamos no século XXI e que ele não pode controlar com quem você fala ou anda. Porque isso é ultrajante! Ele e seu pai eu até entendo, mas sua mãe?! Eu vou ter uma conversa com ela. Onde já se viu?! Proibir você de falar com os outros!? Isso é um absurdo. Eu não participei do movimento das Sufragistas pra ver minha sobrinha postiça passar por essas coisas. Isso é um clássico de sociedade paternalista retrógrada! Mas também, como dizia Spivak “Pode o subalterno falar?”.
— Love, você está perdendo o ponto. — Escutei meu tio Damon falar do outro lado.
Fiquei sem graça por saber que tio Damon estava escutando. Mas devo dizer que fiquei impressionada por ele não ter falado nada antes. Era quase como se ele estivesse do meu lado pra tentar me juntar com o Jake. O que era estranho porque sempre pareceu que ele iria dar uma de sargento pra cima de qualquer cara que tentasse se aproximar de mim.
— Ok, ok. Desculpa pela explosão. Eu não suporto esse tipo de coisa. Olha Nessie querida, eu não vou conseguir pensar em mais nada agora.
— Por quê?
— Porque nesse momento eu não estou muito Jakness, sabe? Não gostei do que Jacob fez com você. Sei que você tem um bom coração e que quando a gente gosta do cara a gente releva algumas coisas. Quem sou eu pra julgar, certo? Mas eu realmente não gostei da atitude dele.
— Mas ele pediu desculpas. E parecia sincero.
— Eu sei, posso até imaginar. Por isso não quero falar nada agora. A vida é sua e você está apaixonada. Apenas saiba que ninguém pode te impedir de andar com quem você quer. Você já é uma mulher e tem seus direitos. Não estou dizendo que deve desobedecer seus pais, mas você definitivamente não deve fazer tudo o que Jacob mandar. Pense nisso, ok? Vou te enviar uma cópia de alguns livros. Leia eles.
— Ok tia Gabi. Obrigada de qualquer forma.
— Eu sei que estou sendo chata, mas vai por mim é melhor assim. Agora vá fazer o Jacob sofrer.
— Como assim?
Ela riu.
— Nada não. Eu te amo querida. Tenha um ótimo fim de semana. E não esqueça de me contar tudo depois.
— Também te amo tia. Obrigada. Tchau.
— Tchau.
Desliguei o telefone e tentei me lembrar de tudo o que tia Gabi tinha me falado. Roupas, ser amiga, ciúmes, não ser um cachorrinho do Jake e andar com quem eu quiser. Acho que foi isso. Me pergunto quais livros ela vai me mandar. Peguei o que precisava e fui procurar por minha mãe e Jacob.
Não demoramos muito no mercado e logo fomos comprar alguns materiais escolares para o Jake. Aparentemente vô Carl e vó Esme estavam resolvendo a questão da matrícula dele então depois disso nós fomos para a casa onde ele iria morar.
Chegando lá minha mãe disse que iria fazer alguma coisa pra gente comer e mandou a gente ir pra sala assistir um filme. Foi o que fizemos. Ele ainda mal olhava pra mim e as coisas pareciam cada vez mais estranhas entre nós. Eu sabia que deveria agir normalmente com ele, mas não era tão fácil assim colocar em prática.
Então ele começou a rir.
— O que foi?
— Você não viu que tosco que foi aquele soco?
Passei a prestar atenção na TV e ele tinha razão, a cena de luta estava ridícula. Pra falar a verdade o filme era bem tosco, quase trash. Comecei a rir também. Logo estávamos fazendo piada com o filme e rindo nas horas erradas. Aquilo era ótimo, era como antes. Foi quando vi que talvez não fosse assim tão difícil ser normal com ele.
Nosso almoço ficou pronto assim que o filme acabou. Nós dois comemos ainda comentando sobre o filme e falando sobre outros que eram do mesmo estilo. Fizemos uma lista de alguns que queríamos rever e outros que achávamos que o outro precisava ver. Em pouco tempo já tínhamos uma lista de filmes pra ver nesse fim de semana.
Para a nossa surpresa mamãe disse que precisava voltar ao mercado, porque tinha percebido que esquecerá de algumas coisas. Ela disse que a gente podia ficar e que ela não ia demorar. Mas ela ficou a tarde toda fora e voltou somente a noite para trazer uma muda de roupas pra mim e nos levar a casa do vô Carl. Eles tinham preparado uma “festa” de boas vindas para o Jake e todos estavam lá.
Era tão legal que ele já fosse considerado da família, mas eu não sabia se isso era bom ou ruim para mim, ou melhor, para nós. E eu podia sentir que todo mundo ali ficava nos olhando. Eu tentava ser o mais natural e normal com ele, assim como tinha sido durante a tarde, mas com todo mundo ali era diferente.
No final da noite vi Jacob saindo e indo para o quintal. Despistadamente o segui e o encontrei sentado nas escadas da varanda. Me sentei ao lado dele antes de começar a falar.
— Você tá bem? — Perguntei tentando entender o motivo dele ter saído da casa.
— Sim. Só queria um pouco de ar fresco.
— Entendi. Mas não acho que você vá conseguir muito aqui não.
— Pois é. Eu estava acostumado a morar no meio da floresta e agora estou morando na cidade. — Ele disse pensativo.
Aquilo me deixou pra baixo. Ele estava mudando a vida dele radicalmente, eu só não entendia o porque.
— Você está com saudade de La Push? — Perguntei olhando pras minhas mãos.
— Um pouco…
— Uhm… Saudades de mais alguém? — April talvez… pensei me recusando a olhar pra ele.
— Não! Claro que não. Só ar puro mesmo. Aqui é ótimo. — Ele falou rapidamente se atrapalhando um pouco.
— Bom, se você quer ar puro mesmo tem alguns parques aqui perto. A gente pode ir lá correr um pouco. O que você acha?
Ele me olhou animado e pude ver um brilho nos olhos dele que me hipnotizou quase tanto quanto o sorriso que ele abriu. Meu Deus eu amo esse sorriso. Eu amo ele.
— Não demorem muito. — Escutei minha mãe falar lá de dentro.
Cara essa família é muito intrometida. Pensei me sentindo envergonhada, mas Jacob não pareceu se importar muito com isso. Ele se levantou e estendeu a mão pra mim.
— Vamos? A gente vai de moto até lá e depois podemos correr.
— Claro!
Me levantei e nós fomos até a garagem. Jacob e eu havíamos achado a moto na garagem do tio Damon e agora ele estava usando. Ele me deu um capacete e colocou o dele já se sentando sobre a moto. Sorri ao colocar o meu. Só de pensar que a gente ia abraçado o caminho todo até o parque...aiiii
Não me demorei para sentar na garupa e o envolver meus braços em volta dele. O cheiro dele era tão bom…
— Então, Nessie… pra onde? — Ele falou com uma voz rouca que me fez arrepiar toda.
— Hum?
— Pra onde a gente vai? — Ele perguntou novamente e eu me senti uma idiota.
Falei pra gente ir pro parque mais longe por dois motivos, pra poder ficar bastante tempo abraçada a ele e pra termos mais espaço e liberdade pra correr. Já que ele era o maior da redondeza. Obviamente eu só falei pra ele o último motivo.
A viagem durou menos do que eu queria. Em 15 minutos já estávamos no parque. Jacob pediu licença para ir se transformar, mas logo voltou em forma de lobo. Ver o lobo vermelho foi tão bom. Eu gostava dele em qualquer forma.
Corremos bastante, nos divertimos, rimos e brincamos de corrida. Foi ótimo, pena que a gente tinha que voltar cedo pra casa. A meia noite Jacob me deixava na porta de casa. E diferente de quando Bart me deixou eu queria um beijo de boa noite. Queria muito. Então quando ele se aproximou de mim meu coração se acelerou antecipando o que estava prestes a acontecer.
POV Jacob…
Bella me deu um sermão sobre como eu deveria tratar a filha dela assim que Nessie se afastou de nós no mercado. Eu sabia que tinha errado feio dando ideias para castigo e tudo mais. Mas o Edward não precisava ter aceitado a ideia. E a Bella podia ter falado alguma coisa. Quando falei isso pra ela Bella veio com a conversa de que não podia contrariar o pai da garota na frente dela. Que isso enfraquecia a autoridade dele. Mas que ela já o estava convencendo a retirar o castigo. Não posso dizer que gostei disso. Eu podia entender que Nessie tinha o direito de ter os amigos que ela quisesse, mas não precisava ficar feliz com isso. E na verdade o grande problema não eram os amigos, era o cara que estava atrás dela.
Pra minha felicidade Nessie e eu tivemos um dia maravilhoso juntos. Foi como era antigamente, cheio de brincadeiras, risadas e conversas bobas. E mesmo quando fomos para a casa dos Cullen’s eu me senti bem. Eles tinham se tornado minha família e já estavam prontos pra me receber de braços abertos. Só faltava a Nessie se apaixonar por mim.
Tudo estava perfeito até eu me lembrar que ela logo voltaria para o colégio e provavelmente ficaria com ele. Senti o olhar de Jasper sobre mim e preferi ir pegar um ar fresco no quintal. Mas na cidade as coisas eram diferentes. Senti falta do ar puro que tinha em La Push e na cabana. Escutei a porta se abrir atrás de mim e não precisei me virar para saber quem era. Nessie se sentou ao meu lado na escada e perguntou:
— Você tá bem?
— Sim. Só queria um pouco de ar fresco. — Falei evitando olhar pra ela. Tinha sido tão difícil passar o dia com ela sem fazer nada estúpido. Aquela roupa era um problema para a minha sanidade.
— Entendi. Mas não acho que você vá conseguir muito aqui não.
— Pois é. Eu estava acostumado a morar no meio da floresta e agora estou morando na cidade. — Tudo por você Nessie, tudo e qualquer coisa.
— Você está com saudade de La Push? — Pude sentir a tristeza na voz dela e respondi a verdade de forma relutante.
— Um pouco… — Falei olhando pra ela.
— Uhm… Saudades de mais alguém? — Ela perguntou sem me olhar.
— Não! Claro que não. Só ar puro mesmo. Aqui é ótimo. — Falei rapidamente assim que vi a besteira que tinha falado. É claro que ela ia pensar na April. Eu sou muito burro mesmo.
Minha resposta pareceu animar ela um pouco, pois logo ela me olhava com um olhar de animação crescente.
— Bom, se você quer ar puro mesmo tem alguns parques aqui perto. A gente pode ir lá correr um pouco. O que você acha?
Ela poderia pedir pra eu arrancar meus braços que eu faria. Desde que ela me olhasse daquele jeito eu faria qualquer coisa que ela pedisse. E ouvir ela propor uma corrida pelas árvores só de nós dois me deixou extasiado. Por um segundo me perguntei se alguém se oporia, mas Bella logo falou lá de dentro.
— Não demorem muito.
Isso era perfeito. Era ótimo ter Bella como aliada. Me levantei e ofereci minha mão para ajudar Nessie a se levantar.
— Vamos? A gente vai de moto até lá e depois podemos correr. — Propus já pensando nela com os braços envolta de mim.
— Claro! — Ela parecia mais do que animada.
Ela se levantou e fomos rapidamente para a garagem. Ofereci o capacete para ela e logo coloquei o meu. Quando senti seus braços me envolverem senti um arrepio passar por meu corpo. Aquilo parecia tão certo e tão errado de alguma forma. Mas preferi pensar apenas que era certo. Ia dar a partida, mas não sabia para que lado ir, então perguntei para ela.
— Então, Nessie… pra onde?
— Hum? — Ela parecia aérea.
— Pra onde a gente vai? — Perguntei novamente.
— Vamos para o Rock Creek Park. Ele é maior e menos frequentado a essa hora. Assim a gente pode correr mais.
Concordei e dei a partida. Ela me orientou por onde eu devia ir e depois de uns 15 minutos nós estávamos lá. Eu tenho que dizer que se já não fosse completamente apaixonada por ela eu teria me apaixonada naquele momento, com toda a certeza do mundo. Ela correndo ao meu lado, rindo das corridas que disputávamos era a coisa mais linda, sexy e fofa do mundo. Ela definitivamente era o pacote completo.
Tive que me controlar várias vezes para não pular sobre ela e a beijar. Essa vontade só aumentou durante o percurso de volta. E quando ficamos parados frente a frente na porta da casa dela eu praticamente sentia uma força me puxando pra ela. Eu queria tanto beijá-la… Eu tinha a vaga sensação de que já estava me aproximando dela. Era sem esforço, um movimento inconsciente de minha parte. Me perguntava se ela queria a mesma coisa que eu. Mas quando meus lábios tocaram nela não pude deixar de sentir o que senti.
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