What If... (And If)
56 Capítulo Bônus 13 - 14 e 15
Notas iniciais
Bônus 13 — Raiva...
POV Gabrielli…
Eu estava correndo agora. Voar era bom, mas eu queria sentir o chão debaixo dos meus pés. Principalmente porque eu me sentia meio sem chão depois da briga que tinha acabado de acontecer.
Estava certa de duas coisas. A primeira era que Elena ainda sentia alguma coisa pelo Damon. Eu não sabia como estava o relacionamento dela com Stefan, mas aquilo era errado. A segunda era que eu precisava esfriar a cabeça antes que eu fizesse alguma coisa ruim. Além disso eu realmente tinha que me acalmar para poder pensar direito.
O problema era que tudo o que conseguia pensar era nele defendendo ela. Nele junto dela agora. Quem sabe o que eles estariam fazendo agora? Será que ela estava se aproveitando que eu não estava lá pra se jogar em cima dele? E se ele estivesse com tanta raiva de mim que a tentação acabasse soando uma boa ideia? Será que ele cederia?
Pensar nessas coisas só fez a coisa piorar e agora eu estava vendo vermelho. Cega pelo ciúme e pela raiva não vi para onde estava indo e quando dei por mim estava parada na frente de dois humanos. Eu não pensei, apenas agi por puro instinto. Um instinto instigado por todos os sentimentos ruins que eu sentia no momento. Quando o corpo do primeiro homem caiu no chão completamente drenado o outro ainda nem havia se dado conta do que tinha acontecido. E logo eu sugava toda a vida dele também.
Tinha me esquecido de como era boa a sensação de beber diretamente da fonte. Eu andava misturando sangue de animais com as bolsas de sangue do Damon, mas aquilo era muito melhor. Me deixei levar e me demorei mais no segundo, mas logo outro corpo caia sem vida no chão.
E então eu pude sentir a sensação de culpa chegando. Eu sabia que o que tinha feito era errado, mas eu não tinha cabeça para lidar com aquilo agora. Então liguei o foda-se. Ativei meu poder de manipular a terra e com um pisão forte no chão abri uma cratera, joguei os corpos lá dentro e fechei o buraco. Pronto, tirando meus olhos vermelhos não havia sinal do meu deslise.
Para ter mais certeza de que tudo estava bem apurei os ouvidos tentando escutar se havia mais alguém nas redondezas. Foi assim que pude escutar que Damon se aproximava. Imediatamente fiquei invisível e voei para o bar mais próximo. Eu precisava beber.
Parei num beco ao lado do bar da cidade e troquei de roupa novamente. Conjurei um vestido estampado larguinho e bem curto, com um cinto marrom terracota, meia-calça preta e ankle boots também pretas. Deixei meus olhos ficarem verdes, iguais aos meus quando ainda era humana, escondendo o vermelho intenso que estavam agora. Entrei no lugar e me dirigi direto aos bancos do bar.
— Um whisky duplo, por favor. — Pedi ao bartender que me comia com os olhos desde o momento em que pisei no estabelecimento.
— É pra já. — Disse ele piscando pra mim.
Revirei os olhos. Não estava com paciência pra aquilo hoje. Ele pareceu entender o meu recado e depois de ter me entregado a bebida foi para o outro lado.
Tudo bem, agora o que eu vou fazer com a vaca da Elena?
POV Damon…
Sério mesmo, nunca diga “O que pode dar errado?” foi muita burrice falar aquilo cara. Agora eu estava procurando alguém que podia além de ficar invisível, voar e se transformar em literalmente QUALQUER coisa!
Eu estava procurando pela floresta quando senti a terra tremer. Não havia terremotos em Mistic Falls, então aquilo só poderia ser ela usando seus poderes de controle sobre a terra. Corri em direção ao barulho, mas quando cheguei o tremor já havia acabado e não tinha ninguém por perto. Tudo o que sobrou da presença dela foi o cheiro de sangue, o cheiro de dois humanos, provavelmente as vítimas dela, e o perfume dela. Uma mistura de cerejas e amoras.
O problema era que o cheiro dela acabava ali. Era como se ela tivesse sido engolida pela terra, mas isso eu sabia que não era o caso. Logo ela devia ter ficado invisível, o que cobria toda e qualquer presença dela do local. Talvez ela estivesse ali, por isso resolvi falar a única coisa que faria ela aparecer.
— Eu cansei de te procurar, eu vou arranjar uma loira qualquer e foder ela até não aguentar mais.
Eu esperei, mas nada aconteceu. Ela não estava mais ali com toda a certeza. Porque se estivesse ela teria me atacado. Certeza disso. Bom, ela tinha matado alguém e o tinha enterrado ali. Isso queria dizer que ela definitivamente não estava bem. Ela devia estar incrivelmente irritada comigo e agora devia estar com um peso enorme na consciência.
Eu conhecia minha futura mulher. Ela era praticamente eu ruiva e de saias. Isso me fazia saber exatamente onde ela estava. Corri para o Grill. Ela estava bebendo pra afogar a culpa e a raiva. Alem disso eu não confiava no julgamento dela agora. Afinal ela tinha o mesmo temperamento que eu. E isso mais raiva nunca era uma boa combinação.
Não demorei para chegar lá, e apesar de não ter ficado surpreso com o que eu estava vendo não pude evitar a onda de ciúmes que me envolveu quando vi ela inclinada sobre Rick e falava de maneira carinhosa com ele.
— Josie é a mais centrada e organizada. E Lizzie é definitivamente a mais animada e criativa. — Escutei Rick falando.
Era óbvio que ele estava mostrando pra minha ruiva as fotos das gêmeas dele. Eu tinha ficado realmente feliz por ela ter se dado tão bem com os meus amigos, tanto Enzo quanto Rick. Mas essa coisa do Alaric ser pai de crianças geradas dentro do ventre de uma vampira era complicado. Eu me lembro perfeitamente como ela ficou quando soube da história e o quão devastada ela ficou quando contei para ela que o feitiço era impossível de ser feito novamente. Acho que se não tivéssemos Renesmee ela teria ficado louca naquele momento. Demorou quase um ano inteiro pra ela voltar ao normal. Outro motivo pro nosso casamento ainda não ter acontecido. E se ela já estava mal por ter saído da dieta e agora ia ficar pior por não podermos ter filhos. Como se eu já não tivesse problemas o suficiente. Mas era melhor eu ir com calma.
— Por favor Rick, não seja esse tipo de pai que fica mostrando as fotos dos filhos pra todo mundo. É embaraçoso. — Falei ao me aproximar dos dois.
— Ei foi a Gabi quem pediu pra ver como as meninas estavam. — Disse ele se virando para mim.
Eu olhei pra ela que me olhava irritada. Mas se ela ainda estava ali, isso devia ser um bom sinal. Talvez pensar em crianças a tivesse amansado um pouco, ou a tristeza fosse tanta que ela não conseguisse se mover. Aquilo acabava comigo. Eu queria poder dar a ela o que ela mais queria, mas era impossível. Por isso eu fazia qualquer coisa que ela queria.
— Aposto que pediu. — Falei sorrindo pra ela.
Um sorriso que transmitia minhas desculpas pela briga, meu amor por ela e por não poder dar o que ela queria. Pude ver um pequeno levantar de seus lábios, mas eu sabia que ela estava a beira do choro. Eu via em seus olhos.
Então Rick se levantou e me abraçou enquanto dizia:
— Também senti sua falta cara.
Eu o abracei de volta sabendo que ele queria tirar o foco sobre as filhas dele. Ele sabia como minha futura mulher se sentia. O que ninguém ali sabia era o porque dela ficar se torturando daquela forma.
— Nem faz tanto tempo que a gente se viu cara.
— Se um ano não é tanto tempo assim… — Disse ele rindo.
— Pra um vampiro isso não é nada. — Falei me sentando no banco que Rick estava ainda a pouco. — E então, o que você me conta de novo? O que aconteceu nessa cidade enquanto eu estive fora?
Rick se sentou ao meu lado me olhando espantado.
— Stefan não te contou?
— Só sobre o acidente que matou o pequeno Gilbert que acabou fazendo Stefan transformar Elena.
— Essa não é nem de perto a notícia mais recente. — Disse ele antes de beber um bole de seu drink.
— Então fala logo o que aconteceu. — Exigi saber. Ele me conhecia bem o suficiente pra saber que aquela lenga lenga me irritava.
— Vou te contar a versão resumida. Sua mãe saiu da prisão, aquela igual ao que o Kai estava, e junto com ela trouxe mais 5 hereges (mistura de vampiro com bruxo que não tem poderes por si só, mas consegue absorver os poderes de outros e usá-los por um tempo determinado. Por ser vampiro ele consegue absorver a magia sobrenatural do vampiro por tempo indeterminado).
— Como ela conseguiu sair de lá?! Achei que o Kai tinha fechado aquele portal pra sempre.
— Ainda não descobrimos como. Não tivemos tempo por causa de tudo o que aconteceu.
— E o que mais aconteceu? Dá pra falar logo?! — Dessa vez foi Gabrielli quem perdeu a paciência. Era incrível o quanto a gente era parecido.
— Sua mãe achou o namorado morto, ressuscitou ele com uma pedra mágica que eu procurei assim que a Jô morreu, a Phoenix Stone. Ele não era um cara muito legal então seu irmão achou que era melhor matar o cara, não deu certo e ele acabou matando Stefan e Elena.
— O quê?! — Eu e minha ruiva perguntamos ao mesmo tempo.
Capítulo Bônus 14 — Catching Up...
POV Damon...
— Sua mãe achou o namorado morto, ressuscitou ele com uma pedra mágica que eu procurei assim que a Jô morreu, a Phoenix Stone. Ele não era um cara muito legal então seu irmão achou que era melhor matar o cara, não deu certo e ele acabou matando Stefan e Elena junto com uma das hereges.
— O quê?! — Eu e minha ruiva perguntamos ao mesmo tempo.
— Bonnie trouxe eles de volta semana passada. — Disse ele tomando mais um gole de sua bebida. — E agora o Julian, o namorado da sua mãe, está desaparecido junto com Mary Louise, uma herege raivosa porque a namorada dela – Nora, outra herege – terminou com ela porque Mary Louise estava do lado de Julian quando ele é um assassino fora de controle. E ah, sua mãe quase morreu por conta dele. Então acho que tecnicamente ele é o ex-namorado dela.
Sinceramente eu estava meio perdido naquela história toda e eu não era o único, pois assim que olhei pra Gabrielli vi que ela também não havia entendido 100% do que havíamos acabado de ouvir.
— Você sabe que tirando a sua falecida esposa Jô, Stefan e Elena eu não conheço ninguém que você falou. — Disse minha ruiva, então ela me olhou e disse — Sua mãe está viva e você não parece surpreso. Por que você não me contou?
— Eu não me importo com essa mulher. Ela fingiu que estava morta por 480 anos. Por mim ela continua morta. – Falei tomando o copo da mão de Rick e bebendo todo o conteúdo dele.
— Isso explica tudo... você tem problemas com sua mãe. Por isso todas as mulheres, as brigas e esse seu problema em confiar nas pessoas. – Gabrielli falou me olhando com olhos cerrados parecendo que havia descoberto a resposta de muitas perguntas ao mesmo tempo.
Rolei meus olhos e pedi uma bebida para o bartender.
— Não me venha com suas análises agora.
— Isso faz todo o sentido. – Disse Rick abrindo um sorriso.
— Nós estamos perdendo o foco aqui. Alguém matou meu irmão e a namorada dele e desapareceu. Além disso você precisa explicar tudo o que você falou direito, Rick.
— Não acho que aqui seja o melhor lugar para contar essa história completa. Por que não vamos para minha casa falar sobre isso? – Rick sugeriu se colocando em pé.
— Vocês estão indo só porque a gente chegou? – Perguntou Enzo ao parar do nosso lado juntamente com Bonnie.
— Claro que não Enzo. – Falou minha ruiva indo o abraçar.
Minha atenção foi para Bonnie, faziam anos que eu não me encontrava com ela. E depois de termos ficado presos no outro lado nossa amizade tinha se tornado profunda. Tão profunda que eu achei melhor não falar muito dela para a Ambrósio. Vai que ela cisma de encrencar com a Bonbon...
Minha melhor amiga sorriu pra mim e eu abri os braços oferecendo meu abraço. Ela veio até mim e nos abraçamos cheios de saudades.
— Quanto tempo Bonbon...
— Se tem tanto tempo assim é porque você desapareceu de Mistic Falls. – Ela reclamou ao se afastar de mim. – Agora porque você não me apresenta para a causadora do seu sumiço?
Me virei e vi que Gabrielli nos observava séria enquanto Rick e Enzo se cumprimentavam. Logo percebi que não deveria ter escondido porque agora isso poderia dar problema. Mas agora era tarde pra voltar atrás, então o jeito era lidar com a situação na qual eu havia me metido.
— Bonnie essa é a mulher da minha existência. A única que realmente me entende e que jamais ficaria com raiva de mim por ter omitido que tenho uma amiga tão próxima quanto você. – Disse na maior cara de pau e acrescentei: — E amor, essa é a Bonnie, minha melhor amiga, com quem eu nunca fui pra cama, que passou 4 meses presa apenas comigo no outro lado onde não havia nenhuma alma viva (tirando o Kai) e que jamais ficaria com raiva de mim por não ter contado sobre ela para você.
Os quatro me olharam incrédulos. Apenas sorri, arqueando as sobrancelhas e peguei o copo que o bartender me oferecia. A expressão “Já que estou no inferno vou abraçar o capeta” me veio à mente enquanto eu bebia meu drink. Gabrielli e Bonnie se olharam e Bonnie perguntou:
— Por que você ainda está com ele?
— Porque o sexo é muito bom. Qual é a sua desculpa? – A ruiva devolveu arqueando uma das sobrancelhas.
— É uma boa pergunta. – Respondeu Bonnie.
— Não se preocupe ruiva. Bonnie é minha e ela é esperta demais pra ter alguma coisa com o Damon. – Disse Enzo envolvendo a namorada pela cintura.
— Por mais que esse comentário me insulte eu tenho que concordar. Ele dá muito trabalho. – Gabrielli disse dando o braço a torcer.
— Ei! – Protestei.
— Não reclama. Porque eu ainda não esqueci o que aconteceu mais cedo. Agora por que a gente não vai logo pra casa do Rick? Eu quero terminar de escutar a história e quero ver se o Damon consegue piorar a situação dele. Afinal de contas ele também teve um caso com a atual mulher do amigo. Estou certa Rick?
— Ei, eu peguei a Caroline muito antes do Rick, e ela me odeia desde então.
— Bom, ponto pra ela. Vai ser ótimo ter alguém pra ajudar a falar mal de você.
— Vocês dois têm problemas, sabia? Já pensaram em se tratar? – Disse Rick parecendo perder um pouco da paciência. – Agora, se vocês não se importam eu realmente preciso estar em casa. Se querem ouvir mais do que aconteceu é melhor me acompanharem.
— Caroline mandou você voltar que horas? – Perguntou Enzo segurando o riso.
— Ei, você não pode julgar ninguém que esteja sobre o comando da Caroline. Ela é capaz de controlar qualquer um. Mesmo antes de se tornar vampira. – Disse Bonnie tentando ajudar o Rick.
— Chega de conversa gente. O homem tem que dar satisfação pra mulher. Não atrapalhem a vida dele. – Disse minha ruiva levando todos, exceto Rick, a gargalhar.
— Vocês ouviram minha futura mulher. Vamos logo. – Falei ainda rindo.
— Parece que o Rick não é o único domado aqui. – Disse Enzo me ridicularizando.
Mas ele parou assim que a Bonbon deu um olhar atravessado para ele. Além disso minha ruiva não deixou barato.
— Na verdade às vezes eu domino ele outras vezes ele me domina. A gente gosta de variar. Isso apimenta a relação. – Disse ela me lançando um sorriso de lado.
— Ela é perfeita pra você. – Disse Bonbon sorrindo para mim.
Ela conhecia a nossa história. Eu havia contado tudo sobre minha ruiva quando ficamos presos do outro lado. Eu sabia que ela estava ansiosa para conversar e conhecer mais minha futura mulher.
— Todo mundo fala isso. – Gabrielli falou rindo.
— E eu tenho que dizer que adoro quando dizem isso. – Disse puxando ela para os meus braços e beijando seu pescoço.
— Vocês são muito malucos. Vamos logo porque eu já estou atrasado. – Disse Rick dando as costas pra nós indo em direção à porta.
Acabamos seguindo ele e fomos acompanhados por Enzo e Bonbon. Perguntei porque eles estavam indo se já sabiam toda a história. Eles disseram que estavam adorando Gabrielli. Mas eu sabia que a diversão maior estava no fato dela estar sempre me dando patadas. Não reclamei ou achei ruim, pois sabia que logo ela ficaria emocional novamente. Além disso ela não estava brigando de verdade comigo. O que era um avanço em relação ao que havia acontecido mais cedo.
Quando chegamos Caroline estava digitando no celular enquanto as gêmeas guardavam os brinquedos dentro de um baú de madeira.
— Coitada dessas crianças. Aposto que elas têm horário fixo pra tudo. – Falei sentindo pena delas.
— Crianças precisam de rotina Damon. – Ela respondeu sem tirar os olhos do aparelho e continuou. – Você está atrasado.
— Desculpe, eu tive um imprevisto, como você pode ver. Tive que trazê-los pra cá. – Rick respondeu indo em direção a mulher e depositando um beijo na cabeça da loira.
— Estou vendo. – Disse ela olhando para nós pela primeira vez. – Você deve ser a tal Gabrielli.
A sala ficou quieta. Até as garotinhas pareciam sentir a tensão que pairava no ar. Ruiva e loira se mediam com o olhar. De repente o potencial daquilo tudo dar errado aumentou. Talvez tivesse sido uma péssima ideia vir pra cá. Percebi que todos os outros chegavam a mesma conclusão.
Primeiro Gabrielli brigava com Elena, e agora isso. Eu sabia que vir pra Mistic Falls daria problema. Essa cidade é amaldiçoada. Só pode! Tudo que é merda acontece aqui. E a próxima merda estava pra acontecer. Olhei para Rick que observava as filhas. Provavelmente era melhor que alguém as tirasse da sala. Não que minha ruiva fosse fazer alguma coisa contra elas. Mas ver a mãe ser morta não é algo que ninguém quer ver. Ainda mais nessa idade.
Porém, antes que qualquer um desse o primeiro passo as duas fizeram seu primeiro movimento.
POV Gabrielli...
Nos medimos com o olhar. Ela queria saber qual era o meu problema e eu queria saber se ela representava algum perigo. Com meus olhos respondi que eu amava o traste e que sabia que ele tinha sido praticamente um “homem da vida” no passado. Ela retribuiu minha resposta me dando o que eu queria. Dizendo, também com o olhar, que ela não queria nada com ele e jamais iria querer. Que o problema era meu se eu queria ficar com ele.
A sala a nossa volta estava estranhamente quieta. Todos pareciam estar bem apreensivos. Como se esperassem que nós duas nos atracássemos a qualquer minuto. Sorrimos uma para a outra.
— É um prazer te conhecer Gabrielli. – Disse ela vindo em minha direção para me cumprimentar com dois beijos no rosto.
— Igualmente Caroline. — Disse honestamente.
Então a sala voltou a respirar. Quanta bobagem. Até parece que eu ia sair matando os outros assim. Bem, os humanos de mais cedo não contavam. Muitos fatores pesaram pra que aquilo acontecesse. Mas agora eu estava mais controlada. Não havia me esquecido de Elena, mas estava mais confiante em mim e no amor que Damon sentia por mim. Principalmente depois da maneira como ele agiu enquanto vinhamos para cá. Viemos de mãos dadas e de tempo em tempo o polegar dele acariciava minha mão.
Isso era um lado dele que apenas eu conhecia. Ele cuidava de mim e se preocupava comigo. Sabia dos meus medos e anseios. Ele jamais teria algo com outra mulher. E se ele tivesse eu daria um jeito nela e nele. Pensei sorrindo maliciosamente.
— Meninas, venham aqui. Quero apresentar pra vocês a nova amiga da mamãe. — Disse Caroline se voltando para as garotas que olhavam intensamente para mim.
Meu coração se apertou um pouco e logo senti Damon ao meu lado. Ele não me tocou, sabia que se fizesse isso eu cairia em prantos, apenas ficou ali do meu lado e isso foi o suficiente. As meninas se aproximaram ainda me olhando fixamente. Sorri para elas, aquilo era muito comum nas crianças. Teoricamente eu deveria ser uma predadora e causar medo, crianças não costumavam gostar de nós vampiros, era como se eles enxergassem algo a mais, no entanto isso era diferente comigo. Sempre tinha sido diferente. Eu gostaria de saber o que elas pensavam quando me viam. Me abaixei, ficando na mesma altura que elas enquanto Caroline nos introduzia.
— Lizzie e Josie essa é Gabrielli.
— É um prazer conhecer vocês meninas. — Falei sorrindo contendo minhas emoções.
— Você tão bonita, parece uma boneca. — Disse Lizzie parecendo completamente fascinada.
— Eu concordo com você mocinha. — Damon disse sorrindo para ela.
— Obrigada Lizzie. — Agradeci ignorando meu noivo. — Vocês duas também são lindas.
Elas sorriram pra mim e meu coração se derreteu.
— Ei, ninguém vai dizer que eu sou bonito também? — Damon falou descontraindo o ambiente.
— Quem é você? — Josie perguntou levando todos os adultos ao riso.
— Meu nome é Damon e eu sou o noivo da boneca aqui. — Ele disse usando os olhos e o ombro para apontar para mim.
— Acho que você serve pra ela. — Disse Lizzie analisando Damon.
Josie concordou com a cabeça e todo o resto riu ainda mais.
— Eu realmente gostei de vocês garotas. Vocês são muito inteligentes. — Falei achando graça da cara do meu italiano.
— Ok. Já conhecemos as garotas, agora vamos para o que realmente interessa. — Disse Damon se virando para Rick. — Explica direito o que aconteceu.
— Do que vocês estão falando? — Caroline perguntou se voltando para o noivo.
— Eles querem saber sobre os últimos acontecimentos. — Rick falou e percebi que ele não foi mais claro por causa das meninas. Talvez vir pra cá não tenha sido a melhor das ideias afinal.
— Stefan não te contou nada? — Caroline perguntou franzindo a testa.
— Não. Ele só contou do acidente. — Damon respondeu olhando para mim de rabo de olho.
Aquilo me lembrou da briga de mais cedo e em como ele ficou sozinho com Elena depois. De repente as ações dele até ali deixaram de ser carinhosas e se tornaram suspeitas. Será que ele estava assim tão atencioso por culpa? Não que eu ache que ele foi pra cama com ela, mas um beijo não é assim tão improvável.
Enquanto eu pensava e reanalisava as ações de meu noivo Caroline disse que precisava ir para o trabalho. Aparentemente ela trabalhava numa emissora de TV e tinha uma reunião de pauta em 5 minutos.
— O pessoal da emissora está me esperando, você sabe o que precisa fazer. Te vejo mais tarde. – Disse ela dando um beijo nos lábios do noivo e se voltando para mim logo em seguida. — Depois a gente marca de ir comprar umas roupas. Vamos eu, você, Bonnie e Elena. Vai ser ótimo.
Eu travei na hora que ela falou o nome da outra e vi que Damon também travou. Ali tinha coisa. Pensei seriamente em não ir nesse passeio, mas talvez fosse bom para analisar a competição. Então me vi dizendo:
— Claro, será um prazer.
Damon definitivamente não gostou da ideia, pude ver pela forma como me olhou. Mas ele não falou nada.
— Claro… — Bonnie respondeu relutante lançando um olhar para meu noivo que fingiu não ver nada.
Caroline se despediu de todos e saiu correndo porta a fora nos deixando lá dentro.
POV Damon...
Eu amo Gabrielli. Disso eu não tenho dúvida. Mas ela deve ser a pessoa mais bipolar que eu conheço. Ela não tinha dito nada, mas eu sabia que a raiva e a desconfiança haviam voltado. Achei melhor não comentar sobre isso e ir para o que tinha nos levado até ali. Caroline havia acabado de sair quando falei:
— Oba! A mamãe foi embora. Papai pode voltar a ser legal. — Falei animado e em seguida sério. — Agora que tão explicar as coisas?! Estou cansado de esperar.
— Você é estranho. — Lizzie disse rindo.
— Obrigado.
— Na verdade será que vocês podem esperar um minuto? Tenho que preparar as garotas para irem brincar na casa de umas amigas. Era por isso que eu tinha que estar aqui nesse horário. — Disse Rick indo até as escadas da casa.
Gabrielli se ofereceu pra ajudar, assim como Bonnie e os cinco subiram as escadas deixando apenas Enzo e eu lá embaixo. Não demoraram muito e logo uma mulher tocava a campainha da casa e levava as gêmeas para brincar.
Assim que ficamos sozinhos Rick começou a contar a história desde o começo. Resumindo tudo de forma clara aconteceu isso:
Kai, irmão gêmeo de Josie (falecida esposa do Rick e mãe biológica das gêmeas), que era um Siphoners (bruxo que não é capaz de gerar magia, mas é capaz de absorver magia de objetos ou pessoas com magia e usar por um tempo determinado) estava preso numa dimensão que replicava a terra mas não havia ninguém além dele ali. Eu e Bonnie acabamos ficando preso lá quando o outro lado (lugar onde todos os seres supernaturais iam depois de morrer) foi destruído e nós dois estávamos lá. Nós não sabíamos que ele estava lá, muito menos que era uma prisão. E quando descobrimos tivemos vários problemas com ele.
De qualquer forma eu consegui sair, mas a Bonnie ficou presa com ele. Eu fiz de tudo para conseguir tirar ela de lá. Ao fazer isso nós meio que fomos transportados para a prisão ao “lado”, onde minha mãe e os 5 hereges (Siphoners que se tornaram vampiros e usam a magia do vampirismo para poder usar a magia por tempo indeterminado). Mas nós não sabíamos disso na época. Kai acabou indo com a gente para essa outra prisão, fazendo assim com que a prisão onde ele estava preso deixasse de existir. Ele também conseguiu ir junto com a gente para a a terra real e causou um bocado perseguindo a irmã.
Pra explicar a rixa dele com a irmã gêmea eu tenho que contar sobre como o Gemini Coven (família de bruxos na qual os Parker’s pertencem) funcionavam. Eles eram conhecidos por serem bons com feitiços de ocultamento e por serem capazes de criar prisões em outras dimensões. Inclusive foram eles, juntamente com a avó de Bonnie, quem criaram as prisões já citadas. Eles tinham uma tradição muito errada chamada Imersão. Quando nasciam gêmeos no clã/coven eles eram criados já sabendo que quando completassem 22 anos teriam que passar por essa cerimônia na qual o gêmeo mais forte reivindicava os poderes do outro irmão que acabava morrendo. O que sobrevivia emergia com o dobro da força. Era assim que eles selecionar o seu líder. Os outros membros do Gemini Coven (Clã dos Gêmeos) faziam, então, um ritual que ligavam suas magias com o novo líder e assim todo o clã tinha sua magia renovada e mais forte. Muito errado como eu já disse.
O que acontece é que como Kai era um Siphoner, um lunático (ele matou 3 de seus irmãos quando se deu conta de que ele não poderia ser o novo líder) e mais forte que Jossie seu pai (o, então, atual líder do clã) o colocou no prisão e permaneceu como líder do clã até que seu outro casal de gêmeos alcançassem a idade certa para cumprir o ritual ridículo deles.
Resumindo, porque essa parte já me encheu, ele ficou putinho porque ficou preso por uns 20 anos e matou a irmã e o resto do clã no dia do casamento do Rick e da Josie. Acontece que ela já estava com o maior barrigão de grávida e esperava os novos gêmeos do clã. Então com um último esforço todo o clã “transportou” os bebês para a barriga de Caroline e ocultou a presença deles lá dentro. No final das contas eu arranquei a cabeça do Kai e tudo foi resolvido.
Sim eu estava lá quando isso aconteceu e Stefan e Elena já estavam juntos, porque eles haviam achado que eu e a Bonbon estávamos mortos. Não culpo eles. Foi melhor assim. Já imaginou o banho de sangue que seria se quando Gabrielli aparecesse eu estivesse com Elena? Deus é mais…
Um pouco depois disso foi quando Bella e Roh apareceram em Mistic Falls e ela teve minha princesinha linda Nessie. Foi nessa época também que Bonbon descobriu que Caroline estava grávida e que os bebês eram do Rick. O que foi ótimo porque o homem estava ficando louco. Tinha até encontrado uma tal de Phoenix Stone, que supostamente trazia os mortos à vida. Mas com a descoberta das crianças ele se conformou mais com a morte da mulher e acabou começando a se envolver com Caroline.
Nisso aconteceu tudo o que vocês já sabem que está na outra fanfic (da hora quebrar a 4ª barreira). O que a gente não sabia era que quando o líder do Gemini Coven morresse as prisões feitas por ele desapareceriam e quem estivesse nelas seria liberto. Foi quando Lily (minha “querida” progenitora) e os hereges que estavam com ela (Valerie, Nora, Mary Louise, Malcolm, Beau e Oscar) foram libertos. No entanto eles permaneceram escondidos por dois anos inteiros. Tempo esse que Lily procurou Julian (o namorado culpado por ela ter fingido sua morte e nos ter abandonado com um pai abusivo que fez um inferno em nossas vidas).
Mas em abril desse ano eles resolveram aparecer. Aparentemente a tal da Phoenix Stone só podia trazer os que foram mortos por uma espada, cujo a pedra fazia parte. E era isso que faltava para reviverem Julian. Eles tiveram tanta dificuldade em descobrir isso porque Valerie não queria que revivessem Julian.
Ai entra outra história bem reveladora que explicava o porque Elena e Stefan estavam tão mal e estranhos mais cedo. Aparentemente Valerie e Stefan haviam tido um romance quand ainda eram humanos. E esse romance gerou uma criança. Mas Julian descobriu a gravidez antes que Valerie contasse a qualquer um e para que nada atrapalhasse ele de sair da Europa ele agrediu a garota até que ela perdesse o bebê. Ele a ameaçou e ela acabou não contando nada pra ninguém.
Não contou até o dia em que Elena e Jerremy sofreram o acidente. Stefan não estava com eles porque estava conversando com Valerie, descobrindo sobre o filho que poderia ter tido. Foi quando ele decidiu ajudar a ex a impedir a volta de Julian. Mas com a transformação de Elena e a morte de Jeremy as coisas saíram do controle e os outros Hereges conseguiram pegar a Phoenix Stone que estava com Rick.
Foi quando Valerie decidiu contar para todos o que havia acontecido. Minha inteligentíssima mãe não acreditou a princípio, assim como os outros. Mas um pouco depois ela percebeu que Valarie não inventaria algo assim tão horrível e que Julian estava cada vez mais estranho. Dona Lily percebeu que tinha dedo podre e que tinha se envolvido com dois psicopatas, meu querido papai e o amigável Julian. E logo todos os hereges que ainda estavam vivos, porque Enzo e Bonbon haviam matado Malcolm e Valarie havia matado Oscar.
Mas Mary Louise, que era namorada/quase noiva de Nora, não acreditou e ficou do lado de Julian. Numa reviravolta, que ninguém ali sabia direito o que havia acontecido, Julian e Mary Louise, quase mataram Lily durante um plano mal executado do meu tolo irmão mais novo. E logo depois, quando todos estavam na mansão Salvatore, Julian e a loira maluca, invadiram o lugar e mataram Elena e Stefan com a espada da Phoenix Stone. Prendendo a alma vampírica dos dois dentro da pedra.
Essa pedra mantem milhares de vampiros presos em seus próprios infernos os torturando pelo tempo que ficarem presos lá dentro. Por causa disso Mary Louise e Nora terminaram e a herege se juntou ao lado dos mocinhos da história. Julian desapareceu e Lily fez com que a sua família, era assim que ela se referia aos hereges que andavam com ela, protegesse Mistic Falls dele.
Demorou um bom tempo para que Bonbon conseguisse trazer Elena e Stefan de dentro da pedra. E isso aconteceu apenas à duas semanas atrás. Os dois ainda estavam mal por causa do tempo passado lá dentro.
Resumindo tudo foi isso o que aconteceu. Nós tínhamos um vampiro filho da puta fugindo. E eu tinha que ir atrás dele para matá-lo. Mas isso não seria fácil. Pelo o que eu entendi ele era muito forte e nada fácil de se matar. Mas ninguém saia matando minha família e ficava por isso mesmo.
— Damon. – Bonnie me chamou, me tirando dos meus pensamentos.
Olhei pra ela esperando para que ela continuasse.
— Você precisa encontrar com a sua mãe. – Ela continuou ainda me olhando séria.
Merda, sabia que isso ia acabar acontecendo.
Capítulo Bônus 15 – To much…
POV Damon...
— Você precisa encontrar com a sua mãe. – Ela continuou ainda me olhando séria.
Merda, sabia que isso ia acabar acontecendo.
— Bonnie, não comece com isso.
— Você não pode estar falando sério. Ela não...
— Ela escolheu abandonar a gente. Não vou discutir isso com você agora.
— Então quando? — Ela perguntou cruzando os braços.
— Não vai ser agora. — Falei me levantando. — Muito bem. Obrigado por contar essa história incrivelmente longa e complicada. Mas agora nós precisamos ir.
Gabrielli me olhou em análise e então se levantou.
— Foi um prazer reencontrar vocês rapazes. Bonnie, me passa o número do seu telefone e o da Caroline para podermos marcar aquela saída.
Enquanto elas trocavam os números e conversavam eu decidi ir para o lado de fora da casa. Rick e Enzo me seguiram.
— Você sabe que não merece ela, não sabe? — Rick mais afirmou do que perguntou.
— Eu sei disso, mas não é pelos motivos que você pensa. Porque ela é tão louca quanto eu.
— Disso ninguém duvida. Ela sempre muda de humor tanto assim? — Enzo perguntou em voz baixa.
— Hoje está pior. Foram muitas coisas. Estamos indo embora não apenas por minha causa, acredite.
— Você notou alguma coisa diferente no Stefan e na Elena? — Rick perguntou mudando de assunto.
— Pra falar a verdade não. Eu estava prestando mais atenção na crise de ciúmes que Gabrielli estava tendo. Mas eles não pareciam normais.
— Foi o tempo dentro da pedra. Eles não voltaram as mesmas pessoas de lá. — Continuou Rick.
— Eu não entendi direito foi o término deles. Tudo bem que a coisa já estava ruim quando eles entraram lá. O seu irmão passava a maior parte do tempo com Valerie. Mas depois que eles saíram foi uma decisão praticamente mútua de terminarem. — Completou Enzo.
— Eu não tenho tempo para os problemas amorosos do meu irmão e de Elena. Eles que se entendam. Eu tenho uma mulher muito complicada e ciumenta aqui. Não preciso de mais problemas na minha vida.
Conversamos sobre outras coisas enquanto esperava Gabrielli sair. Quando finalmente ela o fez me olhou atentamente e eu pude praticamente sentir o scaner de análise passando por mim. Mulher complicada.
POV Gabrielli…
Aproveitei que os rapazes foram para fora da casa para conversar melhor com Bonnie. Ela provavelmente conhecia o Damon tão bem quanto eu.
— Você sabe que ele não pode ser empurrado pra algo. – Falei baixinho para que os outros não ouvissem.
— Mas ele precisa disso. Só assim ele faz o que é preciso. – Ela me respondeu baixinho também.
— Não é verdade. Se você souber como lidar com ele Damon faz o que é certo.
— Ele faz o que você quer porque você dá o que ele quer.
— Não é assim não Bonnie. Eu não uso o sexo como arma. – Tirando hoje talvez. Mas eu estava com ciúmes. – Isso é errado. Além do mais eu não gosto de homem capacho. Ele tem que saber tomar as decisões certas por si só.
— Ele toma, mas demora.
— Bom, eu acho que ele tem o direito de levar o tempo dele. Não é como se ela o tivesse procurado desde que voltou. O que aliás fazem dois anos. Se ela quer tanto se reconciliar com os filhos que faça o primeiro movimento.
Bonnie me olhou e então sorriu.
— Você é a melhor advogada que ele poderia arrumar. Mas você não pode ficar passando a mão na cabeça dele o tempo todo.
Eu tive que rir.
— Eu não faço isso acredite. E eu não faço apenas porque ele é meu noivo. Ele tem o direito. Não digo que ele esteja certo, mas ele está no direito dele.
— Tudo bem então. Acho que você está certa. Lily deveria ter ido atrás dos filhos e não do namorado. Agora quem deve dar o primeiro passo é ela.
Eu queria perguntar sobre Elena, mas não queria parecer mais neurótica e ciumenta do que eu já tinha aparentado. Além disso elas eram amigas desde pequenas e eu era a novata. Não era como se elas fossem tomar o meu partido na história. Estava pronta para ir embora quando ela falou:
— Elena fez alguma coisa?
Aquilo me assustou. Como ela poderia saber?
— Está meio que óbvio que aconteceu alguma coisa envolvendo ela. Você esquece que eu sei de toda a história de vocês. Elena é fisicamente igual a Katherine e isso não deve estar sendo fácil pra você. — Ela respondeu ao espanto estampado na minha cara.
— Eu realmente não me sinto nenhum pouco feliz com essa semelhança física, mas o que me preocupa é que Elena ainda está apaixonada pelo Damon.
— Você acha? Bem...
— Não precisa falar nada. Eu sei que ela está. Vi nos olhos dela. E eu tenho certeza que ela falou alguma coisa com Damon.
— Gabrielli, você precisa entender que ela não está em seu estado normal desde que saiu da Phoenix Stone. Alias, nem ela nem o Stefan. Aquela pedra faz alguma coisa com as pessoas que entram nela. Talvez isso tudo tenha haver com o que se passou lá dentro.
— Isso não me interessa. Se Elena tentar qualquer coisa eu vou dar um jeito nela. E não tem ninguém que possa me impedir. Me desculpe, eu sei que ela é sua amiga e amiga de Caroline. E se vocês não quiserem sair comigo tudo bem. Vai ser uma pena não poder ser amigas de vocês, porque eu realmente gostei muito de vocês duas, mas eu não tenho condições de ser sequer colega dela.
— Não se preocupe com isso. Não é porque somos amigas dela que não podemos ser sua. Além do mais eu realmente acredito que qualquer coisa que Elena ache que sinta pelo Damon é passageiro. Ai quem sabe vocês não se vejam como rivais.
— Você conversou com ela não foi? – Perguntei apesar de já saber a resposta.
— Sim. Eu liguei pra ela e ela me contou.
— Ela disse que está apaixonada por ele? – Meus medos eram quase palpáveis agora.
— Ela disse que ficou balançada quando o viu e que sentiu ciúmes quando viu vocês dois juntos.
— Era tudo o que eu precisava saber. Acho melhor eu ir. Você tem meu número se quiserem realmente sair amanhã me mandem uma mensagem.
Eu precisava sair dali. Ela tinha assumido. Eu não estava paranoica. Era real. Quando saímos encontramos os rapazes conversando e eu não pude deixar de avaliar meu noivo. Não apenas em relação a Elena, mas em relação ao estado de espírito dele. Ele parecia fazer o mesmo comigo. Então não chegamos a nenhuma conclusão. Me despedi de todos e desci os degraus enquanto escutava Damon se despedindo dos amigos.
Tudo o que eu queria era sair daquela cidade. Não havia nem 5 horas que tínhamos chegado e tudo o que eu pensava era em ir embora. O pior é que eu havia pedido por isso. Esperei pelo braço de Damon envolver minha cintura, mas ele não o fez. Talvez estivesse me dando espaço, ou talvez ele estivesse com raiva do meu ciúme excessivo. Mas ele estava aqui comigo e não com ela. Além disso eu sabia que ele podia ser o cara mais rodado de Mistic Falls, mas ele era um cara extremamente fiel quando comprometido. E nós estávamos noivos. Ele não me trairia, certo?
Além disso eu não poderia pedir para irmos embora agora. Ele precisava fazer as pazes com a mãe. Mesmo sabendo e acreditando que ele tinha o direito de ter raiva dela eu sabia que ele precisava perdoar a mãe. Eu queria que o nosso casamento tivesse tantos parentes quanto possível e se a mãe dele estava viva ela deveria ir. O que eu não daria para ter minha mãe no me casamento. Ou o meu pai me levando para o altar...
Nós estávamos correndo pela floresta em silêncio e pensar naquilo me fez ficar pior. Parei de correr e Damon parou do meu lado.
— Amor, você está bem? O que foi?
— Não é nada. – Menti deslavadamente.
Pensar em andar sozinha até o altar tinha sido a gota d’água para aquele dia tão conturbado. Eu sabia que não devia falar sobre isso, pois ele acharia que eu o estava manipulando, mas eu precisava falar. Eu sabia que minhas emoções tinham estado descontroladas o dia todo. Tudo porque eu me permiti usar de personalidades que não eram minhas. Sempre que eu fazia isso todas as minhas emoções iam a loucura. Um dos motivos para eu ter parado de copiar os poderes dos outros é que eu pegava um pouco da personalidade deles também. Levou séculos até que eu pudesse controlar isso. E sempre que eu perdia a mão as coisas ficavam insanas. Era pior do que ter dupla personalidade ou ser bipolar.
Ao meu lado Damon ainda tentava descobrir o que eu tinha. Ele não sabia desses meus distúrbios. Provavelmente achava que tudo era culpa dele, mas não era.
— Baby, se você quiser nós vamos embora. Vamos pra onde você quiser. Só me diz qual é o problema. Por favor.
A preocupação dele só piorava o que eu estava sentindo. Caí de joelhos no chão, com as mãos nos olhos enquanto chorava da melhor forma que podia. Naquele momento eu não tinha controle sobre os meus poderes.
— Gabrielli! O que está acontecendo? – Damon perguntou sobressaltado.
Eu não enxergava, mal sentia o que estava acontecendo a minha volta. Tinha uma vaga noção de que os meus poderes estavam fora de controle.
— Damon, por favor sai daqui. – Pedi temendo por ele.
— Nunca. – Escutei a voz dele se aproximando.
— Não se aproxime, por favor!
— Escuta a minha voz. Gabrielli! – A voz dele estava mais perto e meu medo aumentou.
Eu estava completamente fora de controle. Tudo o que havia acontecido naquele dia pesava dobrado. O medo ao ver a semelhança de Elena com Katherine quando a vi pela primeira vez, o ciúmes que senti quando percebi que ela ainda sentia alguma coisa por Damon, eu usando temperamentos que não eram meus, minha briga com ele quando ele a defendeu, a perda do controle de minhas emoções, a raiva, o descontrole, a culpa por ter matado dois humanos que enterrei, a dor por não poder ser mãe e por conhecer dois milagres que eram Lizzie e Josie, a confirmação dos sentimentos de Elena por meu noivo, o medo de uma traição de Damon, a probabilidade de perder possíveis amigas para Elena e finalmente o impossibilidade de ter meus pais no dia do meu casamento.
Tudo isso estava acabando comigo. E a possibilidade de ferir o amor da minha existência gravemente por meu descontrole apenas piorava as coisas. Eu precisava que ele saísse dali. Se ele se ferisse eu...eu...
Tudo ficou preto e completamente silencioso.
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