What Happens In Vegas
9 Don't Go Breaking My Heart
– (...) Poderíamos, por favor, tentar novamente?
Blaine, que agora não se importava mais em esconder suas lágrimas, aproximou-se de Kurt e o beijou. De primeira, o castanho se assustou, mas logo correspondeu o beijo. Blaine colocou suas mãos nas bochechas de Kurt e o aproximou ainda mais de si.
Assim que percebeu o que estava fazendo, Blaine quebrou o beijo. Ele não podia se apegar ainda mais ao outro, sabia que Kurt iria o decepcionar mais tarde.
– B-Blaine? – Kurt abriu os olhos lentamente e Blaine pôde ver a confusão nos olhos dele. – Você está bem?
– Não. Não, Kurt, não estou bem. Você pode me deixar sozinho, por favor?
– Prometi para mim mesmo que não vou mais te deixar sozinho quando você estiver triste.
Por mais adorável que aquilo fosse, Blaine não queria se entregar. Não podia se entregar com a certeza de que teria lidar com algo parecido em alguns meses. Se separar de Kurt não parecia ser uma boa ideia, ele não queria que isso acontecesse, mas sabia que em menos de cem dias ambos estariam em casas diferentes, seguindo em frente com suas vidas.
Antes mesmo que pudesse responder, Kurt o puxou pela mão para dentro do quarto. Os dois deitaram juntos na cama, abraçados.
“Se afaste”, Blaine pensava, entretanto não conseguia sequer se mover. Sem contar que o calor humano que o envolvia o fazia se sentir protegido e calmo.
– O que tem de errado comigo, Kurt? – lamentou-se. – Todos me deixam... Todos me magoam e então me deixam. Eu sempre tentei ser durão para que as pessoas percebessem que eu existo, mas eu acho que nunca funcionou...
– Shh – Kurt o calou com um beijo rápido nos lábios. – Eu sei que te magoei, mas não vou te deixar.
– Kurt...
– Está tudo bem, Blaine. Eu vou consertar o que estraguei.
Kurt acariciou o cabelo do moreno até o mesmo cair no sono. Foi só depois de ver Blaine dormindo pacificamente que ele se permitiu fechar os olhos e dormir.
Quando Kurt acordou na manhã seguinte, viu que estava abraçado ao travesseiro de Blaine, mas o garoto não estava ali. Levantou da cama e foi até a cozinha, aliviado ao ver que Blaine estava tomando café, sentado em um dos balcões.
– Bom dia – Kurt cumprimentou, mas não recebeu nenhuma resposta. – Blaine?
O moreno continuou a ignorá-lo, olhando para fora da janela e para seus pés, menos para Kurt. Tomou mais um gole do café casualmente, como se nada tivesse acontecido.
Merda.
...
– Oi – Mercedes sorriu timidamente.
– Me desculpe, tudo bem? – Kurt entrou no apartamento junto com a amiga, fechando a porta. – Você estava certa, como sempre, me desculpe. Eu fui um idiota e agora Blaine não quer falar comigo.
– Eu poderia simplesmente falar “eu te avisei”, mas eu sei que você deve ter percebido que gosta dele e agora quer beijá-lo para sempre.
Kurt encarou a amiga por alguns segundos antes de abraçá-la.
– Como você me conhece tão bem? – sussurrou.
– Experiência – Mercedes beijou a bochecha de Kurt. – Eu também fui meio grossa, me desculpe.
Kurt sorriu, abraçando a mulher novamente. Se separaram após alguns segundos e sentaram no sofá, de mãos dadas.
– Não sei como vou fazer para ele me perdoar... Você tinha que ter visto a cara dele.
– Posso imaginar, Kurt – Mercedes olhou para o amigo. – Primeiro de tudo, você tem que dar um tempo, tudo bem? Então, faça ele ver que vale a pena perdoar você – Kurt concordou, acenando com a cabeça. – Você sabe. Compre flores, faça café, esse tipo de coisas fofas.
– Você é tão-
Kurt foi interrompido por um bocejo alto. Olhou para o lado e viu Sam saindo do quarto de Mercedes, vestindo apenas uma cueca boxer preta.
– Bom dia, Cedes – o loiro disse entre um bocejo e outro.
– Sam?! – Kurt exclamou em voz alta, olhando para Mercedes e depois voltando a encarar o homem.
– Kurt! E-Eu... Nossa, Mercedes, parece que me enganei noite passada! – Sam riu, tentando disfarçar. – Woah, eu disse que estava cansado. Até troquei-
Mercedes ficou em pé e olhou para Sam, sorrindo.
– Sam, Kurt é meu melhor amigo e Blaine é o seu. Não acho que deveríamos esconder deles.
Kurt assistia os dois curiosamente, então Mercedes virou-se para ele.
– Nós estamos namorando – anunciou, rindo.
– Isso é... Nossa, parabéns – Kurt realmente estava feliz pela amiga. Pelo que sabia, Mercedes já havia ficado com algumas pessoas, mas nunca havia se interessado por ninguém, e quando se interessava, a pessoa não correspondia.
– Obrigada, Kurt! – ela se abaixou para abraçar o amigo, que ainda estava sentado.
– Só... Não quebre o coração dela – Kurt pediu ao loiro, que apenas revirou os olhos e cruzou os braços.
– Assim como você fez com Blaine? Ele está de coração partido, cara.
...
Kurt sentiu-se culpado ao ver Blaine dormindo no sofá, encolhido, com o rosto vermelho e os olhos inchados. Ele havia machucado Blaine de uma maneira horrível, nunca havia visto Blaine chorando durante os meses em que eles estavam morando juntos, mas agora a única coisa que Blaine parecia fazer era chorar.
Agachou-se ao lado de Blaine e o observou por alguns minutos. Como ele não havia percebido antes? Estava completamente apaixonado por esse garoto.
Levou sua mão ao rosto do moreno e lentamente tocou os lábios rosados do mesmo. Os lábios que estiveram nos seus no dia anterior, em um beijo confuso, porém apaixonado. Beijou a testa do moreno antes de levantar e pegar seu celular, indo para a cozinha.
Para Sam: Qual é a comida favorita de Blaine?
...
Blaine acordou com, na sua opinião, o melhor cheiro que existia no mundo. Bolo de carne... Esse cheiro o trazia tantas lembranças de sua mãe, quando Blaine a considerava sua melhor amiga. Queria voltar no tempo e não chatear seus pais.
“– Mama! – Blaine chamou ao abrir a porta.
– Olá, querido – Pam gritou da cozinha. – Tenho uma surpresa para você!
Blaine jogou sua mochila no chão e correu para a cozinha, rindo.
– Eu já sei o que é, acha que esse cheiro me engana? – disse, abraçando a mãe. – Bolo de carne é minha comida favorita.
Pam sorriu. Era impossível não saber disso, já que Blaine passava a semana inteira pedindo para a mãe fazer bolo de carne.
– Como foi a aula, querido? – Pam mexia a colher com uma mão e acariciava o cabelo de Blaine com a outra.
– Um saco – murmurou, ainda abraçado na mãe. – Ainda não sou popular. As pessoas nem olham para mim...
– Você só tem doze anos, Blaine. Mudou de escola e tem um caminho gigante pela frente. Tenho certeza que vai conseguir o que quer quando for maior. Além disso, ser popular não vai trazer muitas coisas para sua vida.
– Eu espero que seja assim, mama. Agora posso comer?
– Só depois que me mostrar a carta que você contou que recebeu. Quero saber se essa tal de admiradora secreta é legal – Pam brincou, fazendo Blaine corar.”
Sua mãe estava certa. Realmente conseguiu o que queria após alguns anos. Virara o líder dos Warblers, sempre tinha alguém para satisfazer seus desejos e era amado por todos. Porém, perdera a amizade que tinha com Pam e, quando percebeu, já era tarde demais.
O cheiro estava delicioso, mas apenas sua mãe e Sam sabiam que aquele prato era uma das coisas que curava sua tristeza – o loiro geralmente cozinhava para o amigo quando este estava chateado.
– Sam? – chamou, levantando-se do sofá.
Então ele conseguiu ver, pela porta que ia para a cozinha, que era Kurt quem estava olhando para o forno impacientemente. Quando o castanho ouviu a voz de Blaine, virou-se, sorrindente. Ele foi até a porta, ainda olhando para o moreno.
– Eu sei que não sou sua mãe, muito menos Sam, mas eu pensei que talvez... Uhm, talvez fosse fazer você se sentir melhor.
Blaine sorriu fraco, entretanto logo repreendeu a si mesmo mentalmente por ter o feito. Ainda não. Não poderia simplesmente ignorar o que havia acontecido e ir para os braços de Kurt.
Sabia que Kurt não era um garotinho de cinco anos que deveria ser castigado, mas decidiu mostrar ao mais velho que ele havia errado ao ignorá-lo.
– Você não precisa falar comigo e não precisamos almoçar na mesma mesa. Só coma um pouco, tudo bem? – Kurt sugeriu, voltando para a cozinha enquanto continuava: – Já está quase pronto.
Blaine seguiu Kurt e sentou-se onde tinha um prato e talheres – o mais velho já havia colocado a mesa para Blaine. O moreno precisou fechar os olhos quando Kurt sorriu para ele, contendo sua vontade de puxar o garoto até seu quarto e ficar lá pelo resto do dia.
Blaine ainda estava chateado e isso era óbvio, porém gostava muito de Kurt. Nunca havia sentido nada parecido por alguém, nunca havia se apaixonado, Kurt tinha sido o primeiro.
Porém não imaginava que doeria tanto. Também nunca havia sentido nada parecido com o que sentiu ao dormir nos braços de Kurt. Nunca havia sentido borboletas no estômago ao ver aqueles olhos azuis o encarando e ao lembrar da primeira noite que passaram juntos.
Ele tinha sido um idiota. Ah, desejou novamente ter a capacidade de voltar no tempo... Teria sido diferente, talvez Kurt se apaixonaria por ele e tudo daria certo no final. Tudo estaria certo naquele momento. Eles iriam se sentar e comer o maravilhoso bolo de carne que o castanho havia preparado, juntos, trocando olhares e com as mãos entrelaçadas. Então eles iriam limpar a cozinha e assistir televisão juntos, para depois...
– Blaine? – a voz de Kurt o tirou de seu transe. – Está pronto. Vou comer no meu quarto e depois eu limpo tudo. Se você quiser que eu fique-
Blaine sacudiu a cabeça e murmurou um “vá”, fazendo o pequeno sorriso de Kurt desaparecer na hora. O castanho pegou seu prato já servido e foi para o quarto.
Eles não se falaram mais naquele dia.
...
Kurt acordou cedo na segunda-feira para trabalhar. Arrastou-se até a cozinha, resmungando coisas sem nexo algum. Acordar cedo era uma droga, mas não podia reclamar. Trabalhava apenas três dias da semana e ganhava um salário que compraria comida pelo menos.
O resto... Bem, ele dava um jeito.
Já fazia uma semana e dois dias que ele e Blaine não se falavam e ele simplesmente não aguentava mais a tensão naquele apartamento. Blaine não havia conseguido nem tocar no telefone para ligar para Santana sem chorar e Kurt não se atreveria a fazê-lo.
Então, basicamente, eles ainda eram casados. Kurt ainda tinha tempo para tentar reparar seus erros. Não era muito, portanto ele devia ser rápido.
Pegou a jarra de água na geladeira e, quando se virou, Blaine estava escorado na batente da porta, o encarando. Ao assustar-se, Kurt quase deixou o recipiente de vidro cair no chão.
– Blaine! – Kurt largou a jarra no balcão, levando a mão ao peito. – É recém seis e meia da manhã, volte para a cama – pediu, lembrando de algo que ocorrera na semana em que eles haviam se mudado.
“Kurt estava atirado no sofá, assistindo – quase caindo no sono – um filme qualquer quando a porta do quarto de Blaine escancarou-se. O moreno caminhou até a frente da televisão e ficou parado, encarando Kurt.
– O que você quer, praga? – ele revirou os olhos. Blaine, porém, continuava parado. – Ei, saia da frente!
– Mhmm... – Blaine resmungou, sentando no chão.
– Blaine? Você está acordado?
O moreno não respondeu, continuou parado, no chão. Kurt, revirando os olhos, saiu do sofá não muito confortável e foi até o garoto, se agachando ao lado dele.
– Blaine. Volte para a cama, certo? Você está dormindo. Vamos lá.
Ele ajudou o mais novo a voltar para o quarto e o deitou na cama, cobrindo seu corpo com um cobertor em seguida. Blaine ainda resmungava coisas sem sentido, fazendo Kurt rir.
– Fique aí, tudo bem? Boa noite, Blaine.”
– Eu estou completamente acordado – disse, cruzando os braços. – Já vai sair?
– E-eu... Sim, eu só... Uh, vou tomar banho e vou sair. Está cedo, aconteceu algo?
Blaine tinha um sorriso irônico no rosto que escondia o que ele realmente estava sentido. Não queria provocar Kurt, queria chorar nos braços daquele homem que o causava tanta dor.
– Arrumei um emprego. Feliz?
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