What Happens In Vegas
10 You Never Really Can Fix a Heart
...
– Bom dia, Sr. Parker – Blaine sorriu para o chefe, que o cumprimentou com um aceno.
Blaine havia conseguido arrumar emprego como secretário de um advogado bastante conhecido na região por sempre fazer um bom trabalho em seus casos.
E sim, ele esfregou isso na cara de Kurt o máximo que pôde. Afinal, o fato de Blaine estar desempregado era sempre o motivo principal das brigas.
“– Você não presta para nada, Blaine!
Blaine respirou fundo, tentou contar até dez enquanto o castanho ainda falava, porém parou no cinco.
– (...) desde que eu te conheci você nunca-
– Cale a sua boca! Ficar gritando essas palavras estúpidas não vai mudar nada! Ou você acha que passei a droga da minha adolescência ouvindo coisas boas vindo dos meus pais? Acha que eu já não sei que sou um imprestável?
Kurt olhava atentamente para o moreno enquanto este aumentava seu tom de voz. Sabia que a relação de Blaine com os pais não era boa e se sentiu culpado ao fazê-lo lembrar disso.
– B-Blaine, eu... Nossa, me des-
– Tanto faz. Me deixe em paz, talvez eu consiga arrumar um emprego depois de tentar ligar para os meus pais pela milésima vez.
– Eles... Eles não falaram mais com você desde que... Você sabe – Kurt agora tinha um tom de voz calmo.
– Desde que saí de casa? Não.”
Blaine riu. Mal podia esperar pelo dia em que seus pais perceberiam o erro que cometeram ao expulsá-lo. Afinal, Blaine era filho deles. Mesmo estando na situação que estava quando foi para Vegas, continuava sendo filho.
Kurt... Havia sido tão estúpido, mas nem assim Blaine deixara de o amar.
Amar? Sim, amar.
A dor que estava sentindo nesses últimos dias já era mais que o suficiente para provar que o amor que sentia pelo castanho era real. Sem contar com as sensações estranhas que sentia no estômago quando sentia o perfume de Kurt ou quando o via sorrindo...
– Blaine?
– Sr. Parker, me desculpe, acabei me distraíndo – Blaine sorriu fraco para o advogado, que retribuiu o sorriso. – Precisa de algo?
...
Kurt largou uma porção de petiscos na mesa de mais um cliente, oferencendo um sorriso para ele. Voltou para o balcão, onde Mercedes estava escorada, quase dormindo.
– Cedes! – estalou os dedos na frente do rosto dela. – Blaine arrumou um emprego! – anunciou em um tom crítico.
– Meu Deus, Kurt, não era isso que você queria? – ela abriu os olhos para encarar o amigo por alguns segundos antes de os fechar novamente.
O garoto suspirou ao ver uma idosa apontando para ele, o chamando. Pegou seu bloco e sua caneta antes de se dirigir – quase rastejando – para a mesa que a mulher de cabelos grisalhos estava.
Após entregar mais alguns pedidos, voltou novamente para onde sua amiga estava, mexendo no celular.
– Eu trabalho bem mais que você e ganhamos o mesmo salário. O quão injusto é isso? – o castanho reclamou, sentando em um banco ao lado de Mercedes.
– Você não pode simplesmente parar de reclamar? A vida é bela – Mercedes sorriu apaixonadamente para a tela do celular, onde tinha uma foto de Sam.
Kurt bufou, revirando os olhos. Essa coisa de todo-mundo-está-se-dando-bem-menos-você já estava acabando com sua paciência. Até sua melhor amiga, que nunca havia se dado bem com garotos, estava acima dele neste quesito.
Não entendia o motivo de ser tão difícil. Mercedes se apaixona pela segunda vez na vida e já é correspondida, bom para ela, pensou. Não tinha nada de errado com ele...
Sabia que era bonito e inteligente. Os garotos correndo atrás dele e suas notas no ensino médio provavam isso. Não era galinha, com certeza não. Podia contar nos dedos com quantos homens já estivera – apenas três.
Seu primeiro namorado, Nolan Adams, era um dos garotos mais populares da escola. Fazia parte do time de futebol, do clube de Matemática – por ser extremamente inteligente – e era lindo. Kurt não esqueceria nunca de como os cabelos loiros e as poucas sardas do garoto faziam seus olhos brilharem.
Tudo realmente ia bem para ambos – jantares românticos e noites quentes faziam parte da rotina dos garotos de dezessete anos –, até que Nolan teve de se mudar para Minnesota. Tentaram manter um relacionamento após a mudança, mas logo já tinham milhares de garotos em cima do loiro e Kurt resolveu o libertar.
Sabia que Nolan não o trairia, entretanto sabia também o quão difícil era para este se controlar diante de outros meninos tão bonitos quanto Kurt, mesmo o amando.
Então ele conheceu Adam. Depois de um tempo namorando com o loiro, a vida de Kurt mudou. Achava que finalmente teria encontrado seu amor verdadeiro. Após um ano e cinco meses namorando, Adam o pediu em casamento.
O resto da história você já sabe. Caso não lembre, o desfecho é um término sem motivo – ele apenas pareceu ter enjoado de Kurt.
Após Adam terminar com ele, Kurt conheceu Blaine. Um garoto que conseguia ser ainda mais lindo e charmoso que Nolan, mas era um babaca. Era. As atitudes do moreno mudaram completamente quando este se encontrou apaixonado por Kurt, que correspondia o sentimento sem querer que isso acontecesse.
Kurt sofria com tudo isso. Estava aflito e confuso, no começo de tudo, quando ele e Blaine casaram, jurou por sua vida que nunca se apaixonaria pelo garoto baixinho e mal-educado. E, até descobrir os sentimentos de Blaine por si, estava tentando mandar no seu coração.
– Kurt? – Mercedes chamou, cutucando-o.
– O que você quer? – suspirou, cabisbaixo.
– Estamos liberados por hoje. Vamos lá.
...
– Cara, o Blaine vai cantar em um bar essa noite! – Sam exclamou ao chegar no apartamento que dividia com Mercedes. Bateu a porta, recebendo um olhar reprovador da mesma.
– Você precisa ir, Kurt – a morena sorriu para o castanho, que estava jogado no sofá. – Estou falando sério.
– Ele com certeza vai cantar sobre você – Sam se dirigiu até Mercedes, dando um beijo curto nela. – Você vai, certo?
– Claro que vou. Apenas temos que convencer Kurt a ir também.
Kurt riu, estralando os dedos das mãos antes de sentar no sofá, dando espaço ao casal para se acomodar ao seu lado.
– De maneira alguma. Blaine não quer me ver nem pintado de ouro – disse, fazendo Sam revirar os olhos.
– Você diz isso porque não é você quem tem que aguentar ele falando sobre o quão triste é perder a chance de ficar com o amor da vida dele e blá-
– Amor da vida? – Kurt arqueou uma sobrancelha, olhando para Sam.
– Ahn... É, sim, ele... – Sam foi obrigado a parar de falar quando Mercedes tapou sua boca com a mão.
Kurt apenas sorriu antes de se levantar do sofá e voltar correndo para seu apartamento.
...
– Blaine, obrigado – Andrew Parker agradeceu com um sorriso, pegando a xícara de café que Blaine oferecia.
O chefe de Blaine era um homem muito charmoso. Estava nos seus trinta anos e já era bem sucedido. Seus cabelos morenos formavam um topete e sua roupa formal destacava as curvas de seu belo corpo.
A beleza de Andrew não seria nenhum problema para Blaine se o mais velho não estivesse dando em cima dele. No primeiro dia!
Maldito Sr. Parker.
– Se importa em ficar aqui por um tempinho, Anderson?
Blaine, que já estava fazendo menção de sair da sala, parou onde estava. Colocou um sorriso no rosto antes de virar para o chefe, que também sorria.
– Claro que não.
– Sente-se.
Ele obedeceu, sentando de frente para Andrew. Ficaram em silêncio por alguns segundos, mas este logo foi quebrado.
– Você é um garoto interessante – observou o mais velho.
– Hum, obrigado – Blaine forçou um sorriso, brincando com os dedos por baixo da mesa.
– Se importaria de tomar café qualquer dia desses? Gostaria de te conhecer melhor.
Blaine estava começando a se sentir desconfortável quando se lembrou de Kurt. Sair com outro homem com certeza o deixaria com ciúmes – se é que o castanho realmente gostava dele. Valeria a pena tentar.
– Porque não? – Blaine respondeu, fazendo Andrew sorrir.
– Ótimo. Vou te ligar mais tarde para combinarmos. Está dispensado por hoje.
– Obrigado.
O moreno saiu da sala com um sorriso no rosto. Andrew parecia ser um homem legal, mesmo sabendo que deveria tomar cuidado com o chefe. Estava na cara que ele queria algo mais que apenas amizade, mas Blaine saberia como lidar com isso.
...
Kurt entrou no lugar que mais parecia uma boate do que um bar. Tinha pouca claridade, algumas pessoas dançando em pé e outras estavam sentadas, bebendo e observando Blaine que já brilhava no pequeno palco. Droga, ele estava tão lindo!
Logo avistou Mercedes e Sam, que acenavam freneticamente para ele. Foi até a mesa onde eles estavam e sentou de frente para o casal.
– Eu estou muito atrasado? – perguntou, controlando sua respiração que estava um pouco acelerada.
– Não, essa é a segunda música! – Sam comentou animado.
Kurt parou de ouvir qualquer outra coisa e concentrou-se em ouvir a voz de Blaine.
If you want my body and ya think I'm sexy
Come on, sugar, let me know (let me know)
If you really need me just reach out and touch me
Come on, honey, tell me so (tell me so)
His heart's beating like a drum
'Cause at last he's got his girl home
Relax, baby, now we’re all alone (now we’re all alone)
Come on, sugar, let me know
O castanho sentiu uma enorme necessidade de subir até lá e beijar Blaine até faltar o ar. Como podia ter machucado alguém daquela maneira? Sim, Blaine havia sido um idiota no começo de tudo, porém Kurt foi estúpido o suficiente para não enxergar que ele estava tentando mudar.
– White boy! – Mercedes gritou, rindo ao perceber que havia assustado Kurt. – No que está pensando?
– Blaine consegue ser tão perfeito às vezes... – o garoto suspirou, ignorando os risos e comentários dos dois amigos. – Eu... Eu realmente acho que estou apaixonado por ele.
– Acha? – Sam soltou uma risada sarcástica. – Que piada boa, Kurt.
– Você precisa falar com ele esta noite!
Kurt forçou um sorriso, colocando-se de pé em seguida. Caminhou até o lugar mais próximo do palco sob os olhares confusos de Mercedes e Sam. Ficou ali, apenas observando Blaine até que seus olhares se encontraram.
...
– Então, essa música é a última – Blaine disse antes de tomar alguns goles de água. Riu ao ouvir algumas vaias, continuando em seguida: – Não ia fazer isso, mas vou ser obrigado a dedica-la para alguém.
Alguns gritos foram ouvidos – já passava da meia-noite e a maioria das pessoas estavam bêbadas ou pelo menos um pouco mais alegres do que o normal. Kurt havia conseguido uma cadeira e estava sentado ainda ao lado do palco, enquanto Sam e Mercedes trocavam carinhos do outro lado do bar.
– Eu te amo e você sabe disso, mas ainda assim... – muitas pessoas pararam de fazer o que estavam fazendo e viraram-se para Blaine, que soltou um longo suspiro. – Você nunca vai poder realmente consertar meu coração.
It’s probably what’s best for you
I only want the best for you
And if I’m not the best then you’re stuck
I tried to sever ties and I
Ended up with wound to bind
Like you’re pouring salt on my cuts
And I just ran out of band-aids
I don’t even know where to start
‘Cause you can bandage the damage
You never really can fix a heart
Blaine cantava a música com a voz embargada, mantendo contato visual com Kurt, que já tinha lágrimas nos olhos.
Even though I know what’s wrong
How could I be so sure
If you never say what you feel
I must have held your hand so tight
You didn’t have the will to fight
I guess you need more time to heal
Baby, I just ran out of band-aids
I don’t even know where to start
‘Cause you can bandage the damage
You never really can fix a heart
You must be a miracle worker
Swearing up and down
You can’t fix what’s been broken, yeah
Please don’t give my hopes up, no no
Baby tell me how could you
Be so cruel
It’s like you’re pouring salt on my cuts
Baby, I just ran out of band-aids
I don’t even know where to start
‘Cause you can’t bandage the damage
You never really can fix a heart
Baby, I just ran out of band-aids
I don’t even know where to start
‘Cause you can’t bandage the damage
You never really can fix a heart
Oh, no, no, no
You never really can fix a heart
Oh, no, no, no
You never really can fix a heart
Oh
You never really can fix my heart
Foi só quando terminou a música que Blaine percebeu que estava com os olhos fechados com força, segurando as lágrimas. Quando os abriu, uma explosão de aplausos invadiu o lugar, o fazendo sorrir. Olhou para Kurt, sentindo-se satisfeito e ao mesmo tempo com pena do castanho ao perceber que este estava em prantos.
– Obrigado – Blaine sorriu ao ouvir mais aplausos, saindo do palco em seguida. Passou reto por Kurt e foi direto para a mesa onde estava o casal de amigos, sendo seguido pelo mais velho.
Blaine sentou e logo Kurt sentou ao seu lado, pegando sua mão por baixo da mesa. O moreno ficou tenso diante do toque de Kurt, mas ignorou. Deixou sua mão lá, sob o calor da mão do outro.
– Blaine? – Kurt sussurrou e, mesmo com a música, Blaine conseguiu o ouvir. – Posso falar com você?
– Fale – respondeu rispidamente.
– N-Não, eu... Em privado.
Sam e Mercedes os observavam atentamente – mesmo tentando disfarçar, era óbvio que ambos esperavam para ouvir a resposta de Blaine. O moreno olhou para Kurt antes de acenar com a cabeça.
– Vamos lá fora.
...
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