Notas iniciais
Oi oi, sunshines. Como estão? Então, meu planejamento era de postar esse capítulo segunda. Inclusive, cheguei a responder alguns comentários dizendo isso. Mas, como podem ver, não correu desse jeito. O que é uma pena, porém, aí está. Perdoem qualquer erro e perdoem a Katniss um tanto "saidinha". Espero que gostem desse capítulo que me deu uma certa trabalheira. E mais, CENAS NÃO RECOMENDADAS PARA MENORES DE 18 ANOS! Se quiserem pular essa cena, fiquem à vontade. Mas para que possam entender melhor, leiam até a parte que começa o sexo, pulem o sexo e leiam o final. Deu pra entender ou ficou meio confuso? Ou façam como eu, leiam só as falas, não a narração. Ou façam o que quiserem ajbakjs. Enfim, nos vemos lá em baixo! Boa leitura.

Peeta faz o jantar finalmente. Quase não nos falamos, já que eu estou tentando dar o máximo de espaço à ele que consigo. Normalmente, em minhas incontáveis crises existenciais, tudo que quero é silêncio. Tudo que busco é me afogar em meus próprios pensamentos. Imagino que ele mereça isso também depois dessa lembrança latente vinda diretamente do telessequestro.

É tarde quando terminamos de comer e vamos cumprir o ritual diário no qual eu me deito esperando que ele termine seu banho, para que só então possamos dormir.

Quando ele entra no quarto outra vez, saindo pela porta do banheiro, eu não demoro para me aconchegar nos seus braços. De repente, é como se eu estivesse totalmente segura.

– Você quer conversar? – pergunto baixinho, atraindo sua atenção.

O que preciso é de uma confirmação clara de que está tudo bem. De que ele ainda está comigo e vai continuar, de que o surto de hoje não figurou nada. Peeta, que está acariciando meu cabelo como sempre faz, converte o rosto numa leve careta.

– Não estou bem com o que fiz, admito. É claro que você vai dizer que não era realmente eu e sim o Peeta telessequestrado, mas para mim... É como se fosse apenas o meu outro lado incontrolável que eu tenho que tentar controlar e por tantas vezes não consigo. Eu continuo pensando que hora ou outra vou te machucar. Não sei o que eu faria se deixasse um único arranhão em você.

Ergo uma das minhas mãos até o seu rosto, sem permitir que ele sequer pense em sair do meu contato enquanto falo.

– Você não tem que se sentir mal com nada. Não é como se estivesse ao seu alcance ou fosse uma escolha. Aconteceu e agora a gente só tem que lidar. Algumas vezes serão mais fáceis, outras nem tanto – sussurro. O quarto está adormecido no silêncio que ouso cortar. – Mesmo assim, ainda terão pessoas para te ajudar. Você tem a mim e ao Haymitch. E você vai superar em algum momento, ainda que tenha outros flashes e outras lembranças. É a mesma coisa com os meus pesadelos inacabáveis.

Ele abre a boca para me replicar, mas eu movo um dos meus dedos para os seus lábios.

– E eu sei que em momento algum você irá me machucar. Porque a gente protege um ao outro, lembra? É isso que a gente faz, não o contrário.

Ele sorri fraco para mim, e eu me encolho com a centelha que admiração que vejo ali.

– Você está diferente – murmura e eu sorrio fraco também. – É quase como se estivesse começando a ouvir conselhos.

– Bem, eu comecei a ouvir os seus – admito. – É só que... eu não sei. Estou tão farta de tentar me auto-domesticar, agir por instinto e viver como um animal que só aceita o destino. Eu já fui tão domesticada e manipulada que apenas não preciso mais. Se agora posso ter algum controle sobre minha vida, decidi então que ela não será conformista como era – desabafo de uma só vez. O sorriso de Peeta aumenta conforme as palavras tomam forma em minha boca. Em seu tom mais suave pergunta:

– Cansou de viver dentro de uma jaula?

Sorrio com a brincadeira.

– Isso é uma metáfora?

– Eu diria que tem mais a ver com a realidade mesmo.

– Pão e circo – digo, fazendo com que os pelos do meu braço se arrepiem.

Ele nota minha reação diante da minha própria referência e muda de assunto, permitindo que eu esqueça tempo depois. Fala sobre o documento que apanhou, o seu encontro com Delly Cartwright e o trem carregado de coisas que Effie comprou que chegará pela manhã.

Até que, num segundo, Gale vira a pauta de nossa conversa.

– Ele veio para me pedir desculpas, mas sabe e até mesmo deixou claro que isso não muda absolutamente nada. Exceto a culpa que ele estava sentindo.

Peeta ri com certo desdém antes de começar a falar, me causando certa surpresa.

– Eu sempre tenho a sensação de que eu irei acordar e você não vai estar aqui. Vai estar no 2. Com ele – balança a cabeça, como se recusasse a ideia.

–Isso é loucura, Peeta – protesto, de cara.

– Não para mim. Digo, por mais que eu tente e me convença do contrário, ainda há vezes em que eu acredito que eu não fui sua escolha. Eu só estive aqui quando Gale não esteve e isso bastou, considerando que você não tinha melhores opções.

Fico calada, sem forças para argumentar. Me afasto do seu corpo, o olhando desacreditada. Agora ele não está telessequestrado, agora ele é ele. Então qual a razão dele para fazer com que eu pareça tão suja dessa maneira?

Tudo bem, eu não sou a melhor pessoa. Tudo bem, eu errei com muitas pessoas. Sou calculista, fria, um poço de complicações. Mas sou sincera com o que sinto, ainda que muitas vezes eu nem mesmo consiga saber o que sinto.

– Se você parece tão incerto sobre a minha escolha, o que está fazendo aqui? – estrilo, totalmente indelicada. Embora meus olhos estejam lacrimejando, por conta da minha sensibilidade comum pós-guerra, sou incapaz de chorar na sua frente depois do que ouvi. – Saia daqui, Peeta. Agora.

Não posso controlar a raiva. Eu estou apaixonada por ele e é isso que recebo em troca? A desconfiança, a incerteza e a afirmação de que sou suja a ponto de estar com alguém por não ter ninguém melhor?

– Katniss, desculpa, eu não quis dizer isso... Eu só... Desculpe.

– Sai! – aumento o tom de voz, levantando da cama e impondo uma distância entre nós.

Quero quebrar tudo que está na minha frente e surtar, pois, na minha visão, tenho todos os direitos de o fazer. Mas a verdade é que eu só não quero acreditar nas palavras dele, que muito se assemelham a uma facada a meu ver.

Olho para qualquer canto do quarto, procurando dar atenção a qualquer coisa que não seja ele. Contudo, ainda posso ouvir seus passos direcionados a mim. Quando sinto sua mão tocar meu braço, o puxo com força, como se o seu toque mais simples pudesse me queimar.

– Não encoste em mim – digo por entre dentes. Mesmo com as minhas palavras, Peeta não se acanha e dessa vez segura meu rosto, me forçando a olhá-lo.

Reviro os olhos e então busco qualquer ponto fixo que não seja os seus infinitos azuis.

– Katniss, olhe para mim.

– Eu mandei você sair.

– Quem disse que eu vou te dar ouvidos?

E finalmente eu me arrisco a olhá-lo, desdenhosa. Não há um pingo de ternura no meu olhar fulminante, no entanto, ele continua a segurar meu rosto firmemente, sem se abater.

– Pois devia. Vai que eu decido pegar o trem com o Gale essa noite e te largo aí sozinho. Seria um tanto depressivo acordar assim – rosno.

Não consigo me acalmar porque tudo parece estar doendo. Porque, de uma hora para outra, eu sinto como se não merecesse absolutamente nada e a morte outra vez passa a ser uma boa ideia.

– Eu não quis dizer isso. Eu só tenho medo, será que você entende? Eu imagino a hora que você irá mudar de ideia e simplesmente chegar a conclusão de que quer o Gale, não eu. E só de pensar nisso machuca. Eu venho te amando em cada maldito segundo da minha vida, e agora que você está comigo pra valer é como se a qualquer segundo você pudesse ser levada para longe ou fosse embora por conta própria – os olhos dele confirmam tudo que sai de sua boca e eu levo minha mão à sua, que permanece em meu rosto. – É a ideia de te perder faz com que eu perca a cabeça e fale coisas que eu não gostaria. Eu sinto muito.

Solto uma risadinha sarcástica, inconformada.

– Você não enxerga, não é? – rebato. Balanço a cabeça sem conseguir aceitar o medo dele. – Eu estou apaixonada por você e você insiste nisso de que vai me perder, como se isso ao menos fosse uma possibilidade – bufo, só me dando conta das minhas palavras depois.

Eu disse em voz alta. Eu acabo de me declarar. Eu acabo de jogar tudo no ventilador.

No mesmo segundo, Peeta pisca. Uma. Duas. Três vezes. Talvez mais. E continua me encarando por mais tempo do que gostaria de contar. Sei que já estou corada a essa altura e que nada poderá mudar minha situação. O que disse não tem volta.

– Eu espero ter ouvido corretamente – é o que ele fala antes de atacar a minha boca.

Nunca, em todos os quase três anos no qual viemos trocando beijos, Peeta me beijou desta maneira. Com tanta necessidade e voracidade. Sua mão segura meu rosto mais firmemente e inconscientemente a minha vai para a sua cintura, agarrando a camisa que ele usa.

Não dura muito pois a ar se torna escasso e com isso não podemos lutar. Sua testa se une à minha e eu fecho os olhos, aproveitando o momento.

– Eu ainda estou com raiva do que você disse – digo, quando o fôlego abrange meus pulmões.

– E ainda quer que eu vá embora? – sussurra, seu hálito acariciando meu rosto. Calo-me por meio segundo e seu lábio percorre minha bochecha, movendo-se vagarosamente por ela. Quando toca o lóbulo da minha orelha, murmura um pedido de desculpas que arrepia cada parte do meu corpo. – Você ainda quer que eu vá embora? – indaga outra vez, cursando todo centímetro de pele que há nessa região.

Sua provocação me dá nervos, embora meu corpo reaja de forma oposta.

– Eu não irei responder.

Abro os meus olhos para ver o sorriso em sua boca iluminado pela luz que vem lá de fora quando ele desuni nossos rostos.

– Vou entender isso como um não – diz.

Peeta me puxa para a cama outra vez e nós nos deitamos, e talvez mais perto do que nunca. Eu o abraço e agora minha cabeça descansa no mesmo travesseiro que a dele, deixando nossos lábios a milímetros de distância.

Concordamos silenciosamente em manter o quarto quieto novamente. Não sinto um pingo de sono, só quero admirá-lo enquanto estamos tão bem e leves dessa maneira. O cabelo dele, mesmo à noite, está penteado para trás, deixando todo o seu rosto à mostra.

Seus olhos azuis pouco acentuados graças à falta de claridade são o que mais detém minha atenção, até que essa vai para a sua boca entre aberta. Involuntariamente, meus dedos transportam-se para lá e mantêm-se passeando. Não posso negar a vontade que tenho de beijá-lo outra vez. A vontade que tenho de tê-lo te todos os modos possíveis.

Mas é ele quem se impulsiona para frente. E quando o faz, há um certo frio na minha barriga. Posso sentir as tais borboletas que vez ou outra ouvi falar; meu estômago parece revirar. Nos movemos em sintonia e é perceptível para mim o carinho, a doçura e todos os sentimentos similares nesse simples beijo.

Envolta nessa redoma que criamos na penumbra noturna, quase não sinto quando a mão de Peeta toca minha cintura. Suspiro por meio segundo e intensifico o contato, querendo mais dele, que, por sua vez, foge. Como sempre faz.

– O que há de errado? – inquiro com dificuldade. Respirar não é exatamente a tarefa mais fácil do mundo agora.

– Não é nada, Katniss – ele dá um sorriso e põe uma distância quase insignificante entre nós, mas que para mim é imensa.

– Você se afasta todas as vezes. Eu só não entendo por quê. O que eu estou fazendo de errado?

Sua mão, que ainda está em minha cintura, faz uma carícia gentil. Eu apenas olho para ele esperando uma resposta.

– Você não está fazendo absolutamente nada. É só que é um pouco difícil dormir depois que você me beija desse jeito.

Arqueio as sobrancelhas. Mas o que raios ele acaba de falar?

Demoro para ligar os pontos. Demoro mesmo. E continuo com a minha cara de tacho até somar um mais um.

– Eu... Katniss, se você achar melhor eu posso ir para a minha casa. Eu não devia ter disso isso. Aparentemente eu só estou falando o que não devo hoje. Me sinto o Haymitch.

Mas eu não escuto. Nada do que ele diz parece ter sido dito no meu idioma.

– Você... uhn, você tá me dizendo que... é, bem – me enrolo, sem conseguir dizer em voz alta. Aliás, não consigo proferir isso nem em pensamentos.

Peeta suspira.

– É, Katniss, é exatamente isso. E você pode imaginar o quão desconfortável é te abraçar nessa situação?

Agora entendo o que ele quis dizer quando afirmou que todo mundo me achava puritana demais. Eu entendo pois cada traço da minha bochecha agora está marcado de vermelho, embora seja invisível pela carência de luz.

Acontece que agora, nessas condições, me permito pôr os pesos na balança. O que estou sentindo em mim agora não vai se aquietar; como não se aquieta em nenhum dos nossos beijos. Meu rubor vai sumindo pouco a pouco. Somente quando a vergonha vai embora por completo eu consigo sorrir, voltar a aproximar nossos corpos e dizer, sem pestanejar:

– Eu quero você.

E é essa é a grande verdade. Quando ele disse, há tempos atrás, que ninguém precisava dele, eu fui a única capaz de discordar. O motivo é claro, simples. Eu o quero. Eu preciso dele. Estou apaixonada por ele.

Dessa vez, eu dou sumiço ao espaço que existe entre nós e novamente nossos lábios estão juntos.

Não sei o que há comigo para tomar uma atitude dessas. Não sei de onde tirei essa ideia louca de falar isso para Peeta. Pareço estar a quilômetros de quem sou, mas não consigo me importar, pois gosto da sensação. E mais, meus pensamentos ficam turvos quando ele passa a beijar meu rosto.

Estou certa do que quero e do que preciso. E se for para haver arrependimentos, que eles venham depois e me incomodem numa hora mais apropriada.

Me agarro aos fios da sua nuca como sempre faço à medida ele vai se movendo lentamente na cama, ficando sobre mim sem pôr seu peso. Peeta beija meus lábios outra vez, e eu me arrepio quando sinto sua mão correr pelo meu ombro coberto pelo fino tecido da camisola.

– Você me quer? – Ele pergunta ao se afastar milimetricamente e olhar nos meus olhos. Ao indagar, vejo que existe um brilho em sua íris que vi poucos vezes.

– Sim – respondo, sem titubear.

Peeta fica de joelhos, ao meu lado, apoiando todo seu peso no seu lado do corpo mais saudável que é onde não existe a prótese, para que assim possa retirar sua camisa azul de algodão. Nada digo, mal reparo, aliás, só o trago para mim outra vez. Necessitada do contato.

Ele sorri e noutro segundo, sua boca está no meu pescoço. Mal consigo discernir meus sentimentos, pois tudo que sinto é a textura de seus lábios contra meu colo; de seus toques que não só personificam o desejo que eu não sabia que havia entre nós, como também o carinho repleto de devoção.

Então, o afago de sua boca passa pelo vão entre meus seios e beijos molhados são distribuídos simetricamente por eles. Prendo a respiração, incerta sobre poder voltar a fazê-la. Não sei qual a intenção de Peeta com tudo isso, mas se em algum momento foi tornar a quentura em meu ventre mais intensa, ele obviamente está sendo muito bem sucedido.

Sem mais forças e por algum instinto feroz que me domina, o empurro de maneira delicada para que eu possa erguer meu corpo e livrar-me da minha camisola que agora é o pedaço de pano mais repulsivo no mundo para mim.

Seu olhar crava em meu busto antes que nossos corpos voltem às posições anteriores. Me mantenho estática e apenas respiro fundo, vendo como Peeta me olha com uma reverência que nunca fui capaz de receber de ninguém. Nem mesmo na Capital quando estava bela pelas mãos hábeis de Cinna; nem mesmo por parte do meu pai ou da minha irmã. Há uma adoração que me deixa ruborizada.

– Você é tão linda – sussurra, seus lábios rente aos meus.

Consigo sorrir diante das suas palavras, vendo minha própria respiração falhar com a análise dele.

Do jeito que sou, o mais provável sempre foi correr dessas situações que aos meus olhos são constrangedoras, mas seu olhar em meu corpo nu aquece meu peito, ainda que me faça corar.

Suspiro à medida que seus beijos tomam forma em meus seios que sobem e descem seguindo um ritmo frenético. Dois de seus dedos, um tanto receosos, apertam meu mamilo e um gemido baixo escapa por entre meus lábios.

É possível sentir os calafrios em minha espinha com cada toque dele, por menor que este seja. Os pelos em meus braços também se arrepiam quando ele corre sua mão quente pela minha pele, desde o meu pulso até meu ombro, deixando a outra mão trabalhar no relevo presente abaixo do meu colo.

Conforme ele me toca e vai conhecendo vagarosamente essa parte do meu corpo, noto que eu também vou conhecendo. Toda vez que ele testa seus apertos em meu peito, percebo a sensibilidade que sinto, permitindo-o que a sinta também através do meu rosto que se contorce em deleite.

Peeta me toca com paixão nesse local, olhando nos meus olhos à espera de uma reação que sempre vem. Eu fecho os olhos de tempo em tempo, apenas apreciando. Quando acho que meus seios já estão enrijecidos o suficiente, ele faz o inesperado. Os toca com sua língua. Quase ronrono diante disso.

É delicioso. Sua língua serpenteia por todo o meu seio esquerdo enquanto ele aperta o direito. Ele mordisca, puxa para si e assopra. Então vai para o outro, deixando-o provar da mesma sensação. Suspiro mais vezes do que posso contar.

Seus beijos começam a descer pelo meu corpo, por toda a extensão da minha barriga, até chegarem ao meu ventre. Abaixo deste, um último tecido.

– Você tem certeza? – Retiro minhas costas do apoio da cama e cravo os olhos nele, desacreditada.

– E-eu não poderia estar mais certa – após a breve falha em minha voz carregada de prazer e de nervoso devido à sua respiração que bate em minha peça íntima, dou minha resposta afirmativa. É aí que Peeta retira delicadamente o pano fino do meu corpo com a minha ajuda e passa a peça pelas minhas pernas, aproveitando o momento para acariciá-las e me deixar ainda mais trêmula.

Seus lábios enfim tocam minha feminilidade e inconscientemente abro mais minhas pernas, sem vergonha alguma.

Isso é bom. É maravilhoso. Nada nunca poderia ser comparado a essa sensação e à minha certeza do significado de excitação.

Onde Peeta aprendeu isso?, pergunto-me, sentindo o calor subir mais pelo meu corpo. Bem, não importa. Definitivamente não. É bom demais para eu me preocupar com a banalidade do aprendizado a respeito.

Um gemido alto acaba escapando e eu mordo meus lábios para reprimir o próximo. Peeta levanta sua cabeça, provavelmente supondo que me machucou de alguma forma, e com toda a coragem que tenho, digo:

– Não ouse levantar outra vez.

Ele segue piamente o meu decreto. Meu corpo se contorce conforme sua língua trava uma batalha em minha intimidade e percorre cada centímetro dela, até que um de seus dedos toca um determinado local que me faz gemer mais alto que nunca.

– Isso – aprovo. – Isso mesmo.

Não posso mais controlar. A quentura que sinto está firmada por entre minha virilha, mas ainda assim, o prazer está em cada célula do meu corpo; em cada um dos meus nervos. Eu não posso aguentar mais, é como se eu fosse explodir.

No entanto, no fim, é realmente um explosão. Uma explosão tão prazerosa que me faz apertar os lençóis a ponto de deixar meus dedos doloridos. Puro deleite. Pura paixão. Espasmos ocorrem por todo o meu corpo e eu passo minhas pernas pelo seu ombro, apertando-o contra mim sem conseguir controlar-me.

Respiro. Meu coração está batendo tão forte que sinto como se ele fosse sair pela minha boca. Peeta não se move, continua exatamente no lugar onde ainda estou o prendendo. Quando percebo o que estou fazendo, permito sua saída, um tanto envergonhada pelo meu ato.

Ele sobe vagamente e vem para o meu lado, dando um beijo suave no meu pescoço.

– Seu primeiro orgasmo, suponho.

Leio as entrelinhas rapidamente. Sei o que Peeta está tentando dizer. A pergunta clara se eu já havia me tocado alguma vez.

– Eu jamais conseguiria fazer isso sozinha – afirmo, me embrenhando em seus braços, esperando minha respiração normalizar. Ele sorri, com um quê de vitória, mexendo nos meus fios e limpando o suor que há poucos minutos começava a nascer na raiz do meu couro cabeludo.

– Vem, vamos dormir.

O olho incrédula. O que ele está falando?

– Ficou louco? Por que isso agora? Você não vai dormir direito, eu sei que não.

– Você está cansada e eu não me importo de esperar você estar preparada.

Balanço a cabeça em negativa, antes de dizer:

– Nada feito. Eu estou preparada. Agora.

Quando eu disse que o queria, não quis dizer daquela maneira. Quis dizer completamente e não aceitarei menos que isso.

Num piscar de olhos, meu corpo fica sobre o seu. Minha nudez não me inquieta tanto, não quando eu tenho um objetivo claro. Procuro uma posição na qual eu não arrume nenhum problema com a sua prótese e então busco sua boca outra vez.

O desejo me aquece, dançando em minhas veias. Peeta, ainda comigo em seu colo, dá um jeito de se sentar, apoia-se no encosto da cama e transita sua mão pela minha espinha desnuda. A parte do meu corpo que mais precisa de atenção no momento é tocada pela sua virilidade, e mesmo que haja as roupas dele entre nós, o leve contato faz com que eu me arrepie outra vez.

– Você está certa sobre isso? – ele questiona, receoso, e eu volto a unir nossos lábios inchados.

– Não sei por que você ainda pergunta – esclareço, chocando nossas intimidades ao nos grudar ainda mais. Sou impedida de repetir o ato quando ele segura meu quadril e me põe com as costas no colchão, invertendo as posições e deixando-me notar a avidez do seu feito.

A calça de seu moletom toma o mesmo rumo do restante das peças que usávamos, e noutro instante estou com Peeta novamente sobre mim, sabendo que sua cueca também não está mais ali e que não há absolutamente nada entre o nosso desejo. Nos beijamos com tanta fome um do outro que chega a machucar, e ao cravar as unhas em sua cintura eu posso senti-lo pressionado contra mim.

Me arrasto levemente para frente, a fim de tocá-lo. E eu o faço, arrancando um gemido alto de Peeta.

– O quê? – pergunto. – Eu te machuquei?

Um suspiro baixo, quase inaudível, até que ele responda.

– Longe disso.

Sorrio, passando minha mão por ele, curiosa. Passo a fazer movimentos ritmados e a cada um deles, suspiros e gemidos escapam pela boca de Peeta.

– É macio – digo, aumentando aos poucos a velocidade.

Segundo depois ele segura a minha mão e eu o olho sem entender.

– Antes que você pergunte, dessa vez realmente não é nada – ele sorri, mostrando todos os seu dentes brancos e voltando a me deitar completamente, posicionando-se sobre mim.

O corpo de Peeta está tão quente quanto o meu e o cheiro de sabonete misturado ao de suor me deixa embriagada quando meu rosto se afunda em seu pescoço. Agarro suas costas, apertando-o o máximo que posso e retirando meu rosto do vão onde está no momento.

Numa pergunta silenciosa, ele olha nos meus olhos e questiona mais uma vez se tenho certeza. Assinto, com a cabeça no travesseiro. E então eu o sinto.

Não posso negar o desconforto. Incomoda, machuca e não é nem um pouco atraente num primeiro momento. Contorço meu rosto e Peeta passa a beijá-lo, tentando me acalmar.

– Eu paro a hora que você quiser – sussurra.

Mas eu não quero, pois quando ele faz outro movimento, uma pequena onda, bem pequena, me atinge. Uma de suas mãos, vai até minha feminilidade e encontra novamente uma zona que quando estimulada dessa maneira me causa extremo deleite.

– Você é tão quente. Tão apertada.

Solto um gemido. Alto e agudo que reverbera por cada canto. Peeta me acompanha após mais um movimento, que me faz afundar novamente as unhas em suas costas. Em determinado momento, passamos a nos mover com sincronia, e eu ainda posso sentir seus dedos em mim.

Nessa noite a qual sinto aquela coisa de novo, a ânsia que tomou conta de mim na praia, sei que isso teria acontecido de um jeito ou de outro. Que aquilo de que necessito para sobreviver não é o fogo de Gale, aceso com raiva e ódio. Eu mesma tenho fogo suficiente. Necessito é do dente-de-leão na primavera. Do amarelo vívido que significa renascimento em vez de destruição. Da promessa de que a vida pode prosseguir, independente do quão insuportáveis foram as nossas perdas. Que ela pode voltar a ser boa. E somente Peeta pode me dar isso.

No fim, acabamos os dois deitados na cama desarrumada, ouvindo nossas respirações ofegantes e o barulho do vento batendo contra a janela aberta, vez ou outra esvoaçando a cortina. Nossos corpos ficam grudados, não só por conta do nosso querer, como também do suor pegajoso. Mas, de qualquer forma, não vejo problemas.

Estou perfeitamente bem assim.

Então, depois, quando ele sussurra:

– Você me ama. Real ou não real?

Eu digo a ele:

– Real.

Notas finais
E aí, lindos? Gostaram? Conhecem essas frases que estão aí no final? HA. Bem, espero que tenham gostado. Eu, nesse exato momento em que estou postando esse capítulo, estou bem feliz por ter recebido um comentário por parte de Tati. E aproveitando o momento quero agradecê-la por todo o apoio, todos os pedidos e todas as vezes que ela elogiou essa fanfic e a mim. Eu te amo e amo ainda mais seu filho, Tati. Obrigada, obrigada e obrigada. E quero aproveitar para avisar que essa fanfic tem um grupo no whatsapp. Se vocês quiserem entrar basta mandar o número, não ter vergonha e falar bastante, ok? O convite está aí. Mais uma vez quero agradecer também todos os comentários que recebi nos últimos capítulos. Vocês são lindos, incríveis! E obrigada aos fantasminhas também, fico feliz que acompanhem.