What Comes After [HIATUS]
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Quando sinto que meu corpo pode obedecer aos meus comandos, me levanto e faço a minha higiene matinal. A desagradável percepção que eu sentira há dois minutos atrás dissipou-se por completo e restou apenas um leve embaraço vindo dos pensamentos nada decentes que tive com o beijo.
Nunca fui — e não sou — uma pessoa que se liga nesse tipo de coisa. Não prestei atenção em praticamente nenhuma das minhas poucas aulas que envolvia sexo. O que sei sobre o assunto é, talvez, o que uma criança saiba; pode-se dizer, sem sombra de dúvidas, que sou uma leiga. Porém, o que eu posso fazer? Nem nunca tive tempo para pensar no assunto. Mas beijar Peeta trouxe ideias à tona e não posso negar o desconforto que sinto ao perceber que, de uma maneira promíscua, o quero.
Como o queria na caverna. Como o queria na praia.
Faço uma trança no cabelo, a fim de adiar o máximo que posso a minha ida à cozinha. Penso que se eu for sem decidir como agirei e o que realmente estou sentindo, o constrangimento que se apossa de mim tomará um curso maior ainda. O problema é que estou impotente para decidir essas questões.
O agravante concreto é saber que me encontro num impasse, já que que nem eu mesma me julgo habilitada para responder o que diabos está acontecendo com o meu corpo e minha mente.
Refaço a trança cerca de três vezes, até o momento em que eu perco a pouca paciência que tenho e saio do banheiro, consequentemente saindo do quarto também. Quando chego ao meu destino, a mesa está cheia de comida e eu vejo Peeta sentado decorando alguns biscoitos com glacê, só se dando conta da minha presença quando já estou me sentando.
Noto o meu nervosismo assim que ele dirige a palavra a mim.
– Decidiu descer? – pergunta Peeta, afetuoso e com certo receio. Ele deve fazer alguma ideia de que há algo errado comigo.
Analiso sua feição por cerca de meio segundo. O sorriso encantador que ele traja nos lábios faz uma quentura percorrer cada centímetro do meu corpo. Lembro da primeira vez que vi essa demonstração de simpatia em seu rosto, com a mesma carga de doçura e timidez.
Tínhamos acabado de sair das carruagens do primeiro desfile dos tributos. Peeta comentou algo sobre ter estado trêmulo na carruagem e me agradeceu por ter segurado sua mão. Eu disse que ninguém havia notado e então, sem pausa para eu poder respirar, o baque. O elogio.
Mais um daqueles malditos elogios.
Recordo suas exatas palavras, porque bem dentro de mim sei que nunca poderei esquecer nenhum de seus encômios.
"Estou certo de que não notaram nada além de você. Você devia usar chamas mais frequentemente."
Após sua fala tive uma reação abrupta por achar que ele estava fazendo aquilo pois queria me tornar um alvo mais fácil. Mas não. Nunca foi aquilo. Ele apenas queria se aproximar; estar perto. Me agradar. Eu, sempre estúpida, só percebi tempo depois e quando já era tarde demais.
Nos dias mais difíceis lá no 13, quando Peeta já tinha voltado como arma da Capital designada a me matar, suas palavras eram um modo de me fazer acreditar que ele em algum momento me amou, independente de todo o caos que eu signifiquei.
– Katniss? – pergunta, trazendo-me de volta ao mundo real. Têm sido constante as vezes em que tenho me perdido na minha própria cabeça.
– Ahn, oi? – Olho pra ele, confusa, querendo saber o que ele havia perguntado.
– Tá tudo bem?
– Sim! – minto, sem hesitar. Se for para levar em consideração tudo que aconteceu nos último quarenta minutos, esse "sim" para esta pergunta é uma mentira e tanto. – É só fome.
Enfio um pãozinho na boca e quando Peeta me olha suspeitoso eu, sem querer, sorrio para ele, que ri do meu ato. Minha intenção com o sorriso que dei é tirar essa ruga de preocupação do seu rosto mas, por algum motivo incompreensível, acabo esquecendo do pão.
– Effie ficaria desapontada – ele afirma, ainda rindo de mim que mastigo o mais rápido possível.
– Eu não tive esse propósito – digo. – Effie não poderia me culpar.
– De todo jeito, você parece melhor – seus olhos me averiguam e ele faz um movimento positivo com a cabeça, atestando ainda mais sua hipótese.
– Foram apenas um segundos de inércia – falo, beliscando outro pedaço de pão. Peeta contorce o rosto e sorri de canto.
– Segundos de inércia podem te levar durante um dia inteiro, Katniss – sussurra, com o semblante triste. – Você não tem cedido, eu sei, mas sinto que a qualquer minuto você pode correr para cama e não querer mais sair de lá, não importa o que eu diga.
Suspiro, porque reconheço a autenticidade no que ele diz. E sei que é exatamente por isso que ocasionalmente quero mantê-lo longe de mim, pois o medo que aflige Peeta também me assola todos os dias.
Com um egoísmo palpável e um pânico crescente, abaixo a cabeça e deixo as palavras no ar, não podendo dizer nada que não seja uma súplica lastimosa para que ele não se vá.
– Desculpa – ouço seu murmúrio e ergo os olhos. – Eu não quis fazer você se sentir mal ou culpada.
Respiro fundo, reconhecendo a franqueza, e assinto.
Não quero fazer jus ao que ele disse, mas sinto uma ligeira vontade começar a nascer em meu interior. Anelo subir e pedir que Peeta nunca mais volte, ao mesmo tempo que quero segurá-lo, impedindo-o de escapar pelas minhas mãos como já fiz várias vezes.
– Tá tudo bem, eu não posso te culpar por dizer a verdade.
– Eu não devia ter dito.
– Acho que isso teria facilitado um pouco – dou de ombros, mexendo no pão que não quero mais comer.
– Então será que gente pode apagar isso e fazer de conta que eu nunca disse? – ele sorri, diante da sua ideia mirabolante. Retribuo, concordando.
– Nunca disse o quê? – me faço de desentendida, fingindo já ter esquecido.
– Ótimo! – Nós rimos e Peeta faz um último desenho num biscoitinho, levantando da cadeira depois. – Eu fiz chocolate quente! – diz, efusivo. O que aumenta de modo considerável o meu riso.
– E não serei eu quem irei recusar – certifico, já pegando uma das canecas que estão sobre a mesa e entregando para ele, que a apanha e vai até a chaleira que descansa sobre o fogão.
Instantaneamente me animo. Eu ainda sou encantada por chocolate quente.
No mandado de Paylor, ela deixou bem claro o fato de não querer injustiças. E desde o momento que foi eleita, o meio que ela encontrou de provar essa temática foi com as comidas enviadas aos distritos.
Alimentos que antes eu só tinha visto na Capital, agora circundam todos os distritos e proporcionam uma vida com menos índices de desnutrição. Chocolates, carnes, peixes e até doces prontos. E mesmo que muitos não possam pagar por tamanho conforto alimentício, dá para sobreviver com uma outra guloseima de vez em quando.
Foi no momento que soube disso através da Greasy Sae que eu fiquei realmente feliz por ter posto um fim na antiga Panem e participado da Rebelião. Foi o único momento em que me senti bem por ter sido o Tordo. Porque agora não é mais visto pessoas morrendo de inanição no 12. E, para mim, não existe nada que possa ser mais satisfatório que isso.
– É claro que não está tão bom quanto o que a gente tomava na Capital... – interrompo.
– Corta essa, Peeta. Você é tão bom na cozinha quanto qualquer um dos cozinheiros da Capital.
Pego a caneca cheia do líquido marrom que ele me entrega e chego a queimar minha língua já que não hesito em levar à boca.
– Não é pra tanto – insiste. Eu faço pouco caso, olhando-o desdenhosa.
– Você cozinha melhor do que eu e do que qualquer pessoa desse Distrito – asseguro. – Pode perguntar até para o Haymitch.
Peeta sorri mais uma vez.
– Você é a criatura mais teimosa que eu conheço.
– Olha quem tá dizendo – brinco. – Quando formos ao Haymitch hoje, se ele ainda estiver sóbrio, você pergunta.
Ele ergue as sobrancelhas em desafio.
– E se ele disser não?
– Eu prometo não provocar ele durante uma semana – digo, já sabendo que irei ganhar, porque obviamente eu não posso ficar sem alfinetar meu ex mentor. – Mas, se eu ganhar, você terá que fazer cozido de carneiro e me dar café na cama durante sete dias.
Ele tem um sorriso cínico nos lábios quando apertamos as mãos, selando o acordo que eu sei que serei vitoriosa.
– Haymitch com certeza ficará muito satisfeito ao vê-la perder.
Finjo não escutar. Dou mais uma bebericada no conteúdo da caneca, e então olho ansiosa para os biscoitos que antes Peeta decorava.
– Posso pegar um? – pergunto já salivando.
– Todos, se quiser – é a minha vez de sorrir.
Puxo o prato e a primeira coisa que vejo são os desenhos. Passo meus olhos rapidamente pelo glacê.
Cordas, prímulas, flores, um tridente, gansos, uma cabra, um gato, algumas árvores... Cada um dos desenhos cheios de significados ocultos. Tão lindos e relevantes.
Mesmo com a pontada de dor que perturba o meu peito, não posso evitar vangloriar seu trabalho.
– São lindos – digo, com os olhos presos no prato à minha frente.
– Obrigado – agradece, sentando na cadeira onde estava quando cheguei.
Pego um biscoito em especial, sentindo uma certa felicidade ao admirá-lo.
– Você viu Finnick com as cordas?
– Ele ficava um bom tempo nessa estação, não era difícil notar a afeição – sorri. Passo os olhos mais uma vez no prato e não posso segurar o sorriso ao ver um.
– Nesse aqui está a Lady?
– Eu lembrei da história que você me contou na caverna e das vezes que vi a cabra da sua irmã por aqui.
– Oh, está incrível! Será realmente uma pena devorá-la – murmuro, já mordendo a cabeça da cabra, adorando o sabor do glacê e da massa. Peeta realmente é um padeiro.
– Eu desenhei o Buttercup. Supus que você fosse ficar feliz em comê-lo – deu uma piscadela.
– Irei ficar mesmo. Tenho planejado isso há bastante tempo, até.
E então nós dois rimos.
– Animais não podem ficar perto de você.
– Não, não – esclareço. – Buttercup não pode ficar perto de mim. Há divergências.
Por fim, pego o biscoito onde está o gato e o mordo no maior deleite. Peeta por vezes ri das caras que faço e nós dois tomamos café juntos, depois que eu o convenço a tomar seu chocolate quente.
Tempo se passa e quando enfim terminamos, eu pego toda a louça que usamos e coloco dentro da pia. Greasy Sae só vem por volta da tarde pois meu índice de melhora tem aumentado, fazendo suas visitas não serem tão regulares quanto eram há quatro meses.
– Temos que ir à Hazelle, eu não suporto mais ter que cuidar da casa do Haymitch – bufo, indo para a sala.
Estamos adiando minha ida à cidade e à Costura tem um tempo, desde o meu último surto que, infelizmente, ocasionou o de Peeta também. Tampouco Hazelle me visitou, então impedir que a casa de Haymitch tornasse-se um chiqueiro era nossa obrigação. Porém, eu estou esgotada. Ainda tenho andando no meu estado lastimável de preguiça e morosidade.
– Beleza. Eu vou trocar de roupa, recomendo que faça o mesmo – diz Peeta cuidadosamente e então abre a porta e vai para sua casa.
Outro problema. A casa dele que ainda é dele.
Ele dorme todas as noites e passa 24 horas aqui, todavia seus pertences e roupas estão a duas casas de distância. Não sou precisamente clara com relação a isso. Gostaria que ele viesse de uma vez, mas não faço ideia de como dizer. E, na verdade, nem acho que conseguirei dizer.
Seria como: "Ah, então, sei que eu não decido o que sinto por você e que eu não sou nada estável, mas e aí, o que você acha de largar sua casa para vir morar comigo?". Aos meus olhos esse pedido não está bom. Nada bom.
Sei que, entretanto, meu medo é ter que firmar alguma coisa ao fazer essa indagação. O fato é que Peeta nunca me obrigará a nada e isso só autentica o meu remorso. O jeito que tenho encontrado é levar com a barriga até que eu fique sob pressão o suficiente para decidir de uma vez se quero um compromisso ou até mesmo se estou preparada para isso.
Subo as escadas e tomo o banho que devia ter tomado mais cedo. Espero que a água leve meus problemas para o ralo junto com a sujeira do meu corpo, porém os problemas são como picadas de teleguiadas: insistentemente chatas, incômodas e nunca se vão por completo.
Pego uma calça que acho jogada no armário e uma blusa azul a qual gosto bastante. Decido, por fim, soltar meu cabelo, a fim de que ele me esquente já que o tempo está tempestuoso. Quando desço as escadas com o casaco do meu pai, Peeta novamente está ali, parado perto da porta mexendo em sua blusa de manga branca.
– Haymitch primeiro? – pergunta, ao me ver e abrir um sorriso.
– Nada disso – digo, abruptamente. – Hazelle primeiro.
Ele arqueia as sobrancelhas, desconfiado e me lança um olhar sacana quando indaga novamente:
– Medo de perder assim tão cedo?
Sou capaz de jogar o seu jogo exatamente do mesmo jeito, então não titubeio em responder.
– Meu medo é ver você esquentadinho antes de fazer o jantar.
Peeta repuxa ainda mais os lábios, aumentando o sorriso.
– Então é tudo sobre isso? Comida?
– Mas é claro, sobre o que mais seria? – digo, finalmente encerrando nossa brincadeira, deixando espaço aberto para nossas risadas.
Saímos pela porta da frente e caminhamos lado a lado, saindo da redoma bonita e cheia de lembranças que consiste a Vila dos Vitoriosos. O vento frio dessa manhã me faz apertar o tecido grosso do casaco contra o meu corpo.
– Eu ainda não fui na cidade desde que voltei, mas soube que tudo está fluindo muito bem – diz e eu olho na direção da cidade, decidindo que quero ir por ali para que possamos ver como andam as coisas.
– Eu só fui uma vez, porém não posso dizer que foi a experiência mais agradável da minha vida.
Ele me segue e, minutos depois, estamos os dois encantados com o que está sendo feito no Distrito. O Edifício da Justiça está em pé novamente, a praça praticamente pronta e o comércio parece ir de vento em poupa, pois já foram reconstruídos também. Todas as casas estão num ótimo estado, não num nível de decadência miserável como costumavam ser.
O hospital que fica na outra rua está pela metade e em todos os lugares que se olhe há operários. Não posso evitar sorrir ao ver crianças tão cheias de vida correrem para lá e para cá ao redor da praça, e ver as pessoas tão recuperadas andando pelas ruas como se nada tivesse acontecido. Admiro a recuperação deles.
Meu olhar caminha por todo lugar e é aí que lembro de algo em particular. Olho para Peeta e vejo seu olhar na direção que eu temia. Ele caminha até lá e estou em seu encalço, quando ele para de repente.
Analisa o nada, já que não construíram qualquer coisa ali. O limparam e o deixaram vazio. O espaço está intacto sobre o concreto.
– A padaria da minha família foi destruída graças ao bombardeio. Real ou não real? – ele me olha, inquieto e confuso, com os olhos semicerrados. Eu rapidamente assinto, sem sequer conseguir imaginar ele cedendo ao telessequestro.
– Real – começo. – Os aerodeslizadores da Capital bombardearam todo o Distrito, inclusive a padaria. Seus pais e seus irmãos não conseguiram escapar – digo a última frase num suspiro baixo, quase inaudível.
Peeta fica quietinho, assistindo às pessoas a nossa volta e retorna o olhar para a antiga padaria depois. Imagino a saudade que esteja sentindo e me familiarizo com a dor que vejo em seu rosto.
O abraço, sem conseguir me conter, não gostando nada de vê-lo nesse estado. Demoram alguns segundos, contudo ele responde ao meu carinho e ficamos assim durante certo tempo enquanto espero seu sinal para que possamos seguir.
– Vem, vamos – fala, me soltando e voltando a caminhar comigo na direção da casa de Hazelle.
Estou preocupada com a situação dele e durante todo o percurso que fazemos em silêncio essa sensação desgostosa só aumenta. Quero ler seus pensamentos e ter a certeza de que tudo ficará ok.
Parece que a qualquer segundo, ele vai se virar e tentar me matar de novo. Não fico apavorada por causa da morte, mas porque imagino um Peeta inconsolável por ter me matado. Preso naquela cama de hospital se debatendo, sofrendo, sem que possa fazer nada. Como se não bastasse a dor física, há também a emocional, e entendo que essa seja a pior.
Chegamos, finalmente, a casa de Hazelle, a qual não temos muita dificuldade em achar porque foi reconstruída no mesmo lugar, e quando ela abre a porta contente, a primeira coisa que percebo é o cheiro de Gale impregnado no lugar. Não sinto nada exatamente, apenas desejo que ele esteja bem no 2, com quem quer que esteja.
Hazelle me parece muito bem. Sorridente, menos magra e até um pouco mais vívida.
– Katniss?! Peeta?! Que bom que vieram! – saúda e eu sorrio, aceitando de bom grado o abraço que ela me dá. Peeta também recebe um, embora não seja tão materno quanto o meu graças a falta de intimidade entre eles. – Venham, entrem – convida.
Nós entramos e seguimos pela casa que tem móveis de madeiras impecáveis e com cheiro de pinho. Tudo ainda tem a mesma aparência rústica, já que o dinheiro não permite muito mais. A casa, em si, aumentou uns bons metros quadrados.
Não noto nada em especial, mas vejo as pilhas de roupas que estão sobre um sofá amarronzado no meio da sala.
A iluminação vinda das grandes janelas deixam tudo com um ar mais aconchegante e trazem alguma luz para a casa tão repleta de tons castanhos. Posy está sentada no chão, sorrindo, brincando com sua bonequinha de pano. Dou falta de duas pessoas daquela família.
– Onde está Rory e Vick? – pergunto, sentando-me num dos sofás como Peeta e Hazelle.
– Rory está procurando algo em que possa trabalhar e Vick está o acompanhando.
Assinto, imaginando que não deve ser difícil arranjar um emprego a essa altura do campeonato. É então que Posy se levanta correndo, notando nossa presença somente nesse instante. Ela vem até mim mostrando todos os seus dentes.
– Oi, Katniss! – diz com uma efusividade que me lembra vagamente Peeta. – Olha a Dora! – Alargo meu sorriso, dando uma boa olhada na bonequinha que ela estende para mim. Peeta ri, assim como Hazelle que logo depois a repreende.
– Filha, dá oi para o Peeta também – chama a atenção da menininha que o olha, com um sorrisinho sem graça no rosto infantil.
– Oi, Peeta – murmura.
– Oi, Posy – responde, claramente feliz. – É uma bela boneca.
Isso é o suficiente para que ela esqueça a advertência dócil da mãe e praticamente dê pulinhos.
– Eu tenho outras, você quer ver? – os olhos dela brilham ao perguntar e quando eu viro o rosto da direção de Peeta, vejo que os dele também. Ele ama crianças, lembro a mim mesma.
– É claro que eu quero – e assim, ele se dispõe a brincar com as bonecas de Posy apenas para agradá-la, deixando-a pegar sua mão e puxá-lo. Mas algo em meu âmago assegura que isso também irá agradá-lo.
Ele olha para mim, sorrindo de orelha a orelha, e então sussurra um "com licença" e se vai. Observo cada passo deles, e vejo os dois seguirem reto e se virarem à esquerda no corredor, como crianças.
– Ele parece bem melhor – Hazelle comenta, segundos depois.
– E está. Tem se recuperado muito bem – digo, mexendo na bainha de uma das roupas que estão ao meu lado. Ela sorri para mim, totalmente genuína.
– Aceita um chá? – questiona e eu assinto, me levantando enquanto seguimos para a cozinha. – Você veio aqui por alguma questão em particular ou só porque estava com saudades? – me olha, sorridente. Gosto do modo como ela nunca tira o sorriso dos lábios e essa expressão de quem acredita que as coisas podem sempre ficar boas.
– Pra falar a verdade, eu vim sim. Mas não posso negar que senti saudades – retribuo o sorriso e me sento numa das cadeiras que estão no cômodo.
– Então você veio porque Gale lhe disse que está vindo fazer uma visita?
É preciso um tremendo esforço para que minha boca não se escancare em puro choque.
– Gale está vindo?
Fale com o autor