What Comes After [HIATUS]
14 Capítulo 11
Notas iniciais
– Sim, Senhorita Everdeen. A opinião de vocês é estritamente necessária.
– E não pode ser dada por telefone?
– Na verdade não. A problemática de toda essa situação é que a Presidente Paylor realmente gostaria de uma democracia mais democrática, pode-se dizer assim. E não só essa questão, mas muitas outras, serão estabelecidas na reunião e eu não as tenho em mãos nesse momento para que possa respondê-las. A presença de todos os vitoriosos e todos aqueles que contribuíram na Rebelião é uma parte considerável desta equação, já que ela também conta com a opinião e ideias de todos vocês. Sendo assim, esperamos que todos possam comparecer.
Suspiro pesadamente.
– Tudo bem. Eu estarei aí – respondo, suplicando pelo cumprimento final para que eu possa finalmente desligar o maldito telefone.
– Estamos contando com isso. E só mais uma coisa, senhorita Everdeen?
Murmuro um "hm" desajeitado.
– O senhor Mellark comparecerá também?
Demoro a lembrar que o telefone que estou usando fica na casa de Peeta e que, supostamente, essa ligação era para ele. Respiro fundo. Odeio ter que dar respostas por ele, mas sei que Peeta iria gostar de ir e que se eu já não tivesse aceitado, ele iria tentar me convencer até o fim. De um jeito ou de outro.
– Certamente.
– Obrigado pela sua atenção, o governo agradece. Tenha um bom dia.
– Ufa! – digo para mim mesma.
Odeio manter contato com pessoas por telefone, ou manter contato em geral. Isso não mudou. Mas, de qualquer modo, não tinha muitas opções à minha disposição considerando que Peeta está tomando banho para ir à padaria. E, pelo menos, eu posso olhar pelo lado bom: não foi Plutarch quem ligou. Eu provavelmente desligaria na cara dele.
Dois anos já se passaram e nesse tempo Panem tem se reconstruído. Aqui e ali ainda há levantes de pessoas que, por algum motivo, sentem falta de Coin e do seu governo. Sua marca ainda serpenteia pelos corações de algumas pessoas que eu julgo estúpidas. No entanto, não é nada que não possa ser controlado. E Paylor está lidando bem com a presidência. É uma líder nata.
A TV agora tem esquema diário, com uma grade até variada de programas. As cidades vão de vento em popa e o hospital aqui do 12 segue perfeitamente bem. Parei de me comunicar com o Dr. Aurelius já faz um tempo e, conforme os dias passam, eu vejo mais facilidade em viver. Minha mãe me liga às vezes e até hoje sou grata pelas suas poucas perguntas a respeito dos métodos contraceptivos que pedi há um tempo. Já notei, inclusive, a sua pretensão em voltar para o 12 para trabalhar no hospital. Acredito que o tempo tenha "arrumado nossas gavetas".
A padaria está incrível. Rory está trabalhando lá. Haymitch segue com os gansos e com a bebedeira desvairada. Eu cuido da casa e ainda caço, mesmo que agora já tenha 20 anos e nenhuma necessidade em fazer o que faço. Peeta assa os pães, decora bolos e pinta. A melhor parte é que os quadros agora não retratam nenhum horror, somente quando alguns pesadelos o assolam. Como acontece comigo, vez ou outra. Mas seus braços estão lá para me consolar. E, finalmente, seus lábios.
– Bom dia, vermelhinha! – ouço a voz de Peeta e me viro no sofá, para que eu possa vê-lo. Ele está descendo as escadas com um sorriso no rosto, provavelmente por saber que nunca reajo bem ao apelido que recebi, ainda que sejam raros os momentos nos quais eu fique vermelha na frente dele. Acabei por superar essa fase.
– Já falei para você não me chamar assim! – bufo. Ele ri e vem na minha direção, sentando-se no sofá e se inclinando para me beijar. – Nada disso – empurro seu rosto para o outro lado. – A gente tem que conversar sobre essa coisa de apelidos.
– Ah, é mesmo, vermelhinha?! – ele provoca, me abraçando. Mais uma vez eu o empurro.
– Me chame assim de novo e eu juro que enfio uma flecha na sua perna boa.
Peeta gargalha e eu faço de tudo para não rir com ele. Olho para o outro lado, evitando encará-lo, lhe dando a oportunidade perfeita para me envolver com seus braços e beijar minha bochecha.
– Você teria que cuidar de mim se fizesse isso. Mas, primeiro, você teria que ter coragem o suficiente para o fazer – diz, fazendo pouco caso. Abro a boca desacreditada.
– Fique calado! – exijo, cruzando os braços e fazendo minha melhor cara de furiosa. Ele ergue a sobrancelha direita, como sempre faz quando está desdenhando de alguma coisa e eu aproveito para levantar e caminhar para a cozinha, e mudar de assunto principalmente. – Ligaram agora pouco. Um representante do governo – conto.
Peeta então toma uma postura mais séria, como a minha no momento, e continua me seguindo até o cômodo.
– E o que queriam?
– Aparentemente estão organizando uma reunião na Capital, que conta com a presença de todos os vitoriosos e contribuintes da Rebelião. Paylor está fazendo do processo governamental a maior democracia já vista na história.
Eu estava fazendo o café da manhã quando fui interrompida pela ligação, então apenas acendo o fogo e termino o trabalho que já está na final.
– Isso é fantástico! – ele diz, mais animado que já vi em anos. – Está tudo nos trilhos desde que ela assumiu e eu a admiro muito querer a nossa ajuda para manter tudo assim.
– Eu não estou tão animada assim para ir à Capital.
Peeta põe duas xícaras sobre a mesa e então olha para mim, vindo à minha direção com um sorriso delicado.
– Está tudo bem. Eu vou estar lá com você e nada vai te fazer mal. Você não tem mais com o que se preocupar. A Capital não é mais um bicho de sete cabeças – e a cada uma de suas frases, ele presenteia meus rosto com seus beijos tão suaves que fazem com que eu me sinta um pedaço de porcelana rara.
Me afasto dele, sorrindo, para pegar o café que está na chaleira, pôr cuidadosamente sobre um suporte de metal feito para comportar coisas quentes, e finalmente pôr à mesa.
Greasy Sae só vem aqui uma ou duas vezes por mês nos visitar. Nós chegamos ao consenso de que posso me virar sozinha e com a ajuda de Peeta. Ela tem andado doente, porém recusa a ficar em cima de uma cama durante um longo período de tempo.
– Quando será a viagem?
– Daqui a uma semana – pego um pão de queijo e começo a mastigá-lo. – Você acha que todos irão?
– Talvez não Enobaria. E Johanna, dependendo da atual situação dela.
De repente, um pensamento antigo vem à tona. Eu lembro de Snow, a pouquíssimos metros de mim. De Coin, na sacada. Da minha flecha indo certeiramente para a sua cabeça e de todas as milhares de coisas que isso acarretou. Mas o que mais pede pela minha atenção são os Jogos que ela iria organizar e que não aconteceram.
Penso em tocar no assunto, todavia, sei que Peeta não gostou nem de longe do meu voto a favor. E, honestamente, não quero brigar com ele por conta de algo que eu até me arrependo de ter feito. A verdade é que ninguém merecia aquilo além de Snow e dos Idealizadores. Além de Coin e seus homens.
– E Haymitch? – pergunto, segundos após de ter emergido nos meus pensamentos.
Ele sorri.
– Ele irá só pelas bebidas.
Acontece que eu e Peeta conversamos com todos os vendedores da cidade e pedimos para que não vendessem nenhum tipo de bebida para Haymitch. Compramos duas ou três garrafas por mês, no caso de crises extremas, e então tentamos mantê-lo sóbrio por um curto período de tempo. O que na maior parte das vezes não funciona.
Ouço passos que claramente vêm de Haymitch que se aproxima da mesa com cara de poucos amigos. Desde que ele invadiu a minha casa um dia após a noite que tive com Peeta, decidi não me importar com suas aparições surpresa.
– Já fazem dois dias. Estão gozando o pique esconde nada divertido com as minhas garrafas? – indaga, metendo a mão na cesta e pegando um dos biscoitos decorados.
Ele está com o rosto amassado e aparenta não ter tido mais que quatro horas de sono. A cabeleira loira e comprida está bem desgrenhada e sua exaustão e sobriedade são palpáveis. Eu quase me sinto mal por isso.
– Pra falar a verdade eu estou sim – Peeta responde e eu beberico o café que eu aprendi a gostar.
– Uma hora aqueles caras irão ceder. Nem que eu tenha que lhes dar umas boas porradas.
– Só se você quiser ser preso e continuar sem as suas bebidas – lembro. Ele bufa e senta-se em uma cadeira.
– A falta de álcool deixa meus pensamentos turvos.
– Você ouve o que fala? – pergunto.
– Não sem a minha garrafa de água ardente.
Basta um segundo para que eu note o que ele está fazendo, usando os paradoxos com uma intenção clara: chantagem emocional. O olho descrente e bebo mais um gole do café, tentando me controlar.
– Você está se fazendo de idiota! – acuso, balançando a minha cabeça. – Vamos deixar claro: nada de bebidas. Teu estado já está ruim o suficiente sem elas.
Antes que Haymitch abra a boca para começar a discussão, Peeta intervém.
– Ligaram para a sua casa?
– Quem?
– Algum representante de Paylor.
– Ah, claro. Bem lembrado. A inovadora santa ceia.
Haymitch sorri de lado e enche sua caneca de café.
– Tá mais para reunião familiar de domingo à tarde – Peeta diz.
– Eu só vou pela bebida – rolo os olhos e troco um rápido olhar com Peeta. – Vocês não poderiam me privar por tanto tempo.
– A santa ceia não vai durar para sempre – corto o barato dele.
Haymitch lança um olhar desdenhoso na minha direção e então fala:
– Aproveitando o momento propício, eu queria saber o que vocês acham de me emprestar o quintal daquela casa que deixaram para trás. Eu estou pensando em conseguir mais uns gansos e o espaço está ficando pequeno.
Dou um tapa na mesa.
– Nada disso! Você mal está cuidado daqueles que tem. E mais, eu não deixarei usar o quintal da minha casa para isso. Além disso, da onde você tirou que o momento é propício?
– Haymitch, ela está certa. Você não precisa de mais gansos. É uma ideia tola – Peeta concorda, com uma calmaria abrupta.
– Preciso sim desde que vocês proibiram todos os comerciantes da cidade a me venderem álcool. Qualquer tipo! Até aqueles para uso medicinal!
– Você nem tem mais fígado pra isso! – protesto.
– Você nem usa mais o quintal! E desde quando virou médica? Sei muito bem que você não suporta feridas e sangue!
Algo como um grunhido sai da minha garganta e eu o olho furiosa.
– Usa, Haymitch! Usa a droga do quintal! Mas você vai limpar cada centímetro dele!
Desde o dia, no ano interior, no qual eu criei coragem e fui ao quarto de Prim, eu e Peeta chegamos a conclusão de que era melhor nos mudarmos para a sua casa por conta do meu surto. Dois dias inteiros na cama e isso porque eu mal havia entrado no quarto intacto da minha irmãzinha. Depois daquilo, olhar naquela direção me trazia uma dor pungente incontáveis vezes, até o momento em que eu tive que dizer "chega".
– Calma aí, onde você vai conseguir mais gansos? – Peeta questiona.
– Isso já não é problema de vocês.
**
Depois da rotineira ida à floresta, decido ir à padaria ajudar com o que puder e continuar lá até o fim do período. Ficar no caixa, olhar os fornos, ou qualquer coisa que não tenha a ver com ficar ociosa em casa.
A essa altura, falta apenas 1 dia para a viagem que ocorre amanhã e tudo que eu desejo é que os dias na Capital passem voando pelos meus olhos. Não estou nem um pouco animada e nem mesmo tento disfarçar isso. Fiz as minhas malas com Peeta sem o menor ânimo e se não fosse por ele, eu teria colocado apenas uma calça e uma blusa qualquer.
O barulho do sino ecoa por todo estabelecimento assim que abro a porta e adentro ao local, direcionando os olhares para mim. Já disse a Peeta milhares de vezes que receber tanta atenção ao entrar na padaria deve deixar as pessoas desconfortáveis, mas em momento algum ele sequer cogitou me ouvir. Caminho até o balcão de atendimento, tentando a todo custo ignorar os holofotes sobre a minha cabeça.
– Senhorita Everdeen! – Noah é o primeiro a me cumprimentar. Ele é um dos ajudantes mais efusivos da padaria. Sua animação e senso de humor me lembram Peeta diversas vezes, assim como os músculos do braço que quase saltam pela camisa de meia manga branca.
– Oi, Noah – digo, passando pelo balcão e já me direcionando à cozinha. Ele parece feliz por eu ter lembrado o seu nome, depois das diversas vezes que o chamei de Nenno ou Nolan.
– Olá, Katniss! – cumprimenta Blake, a atendente de cabelos ruivos arrumados lindamente num penteado que faz com que parte do seu cabelo assemelhe-se a uma coroa. Ela tem um sorriso extremamente dócil nos lábios, o que que inconscientemente me lembra Madge Undersee. A única amiga que tive.
– Adorei o que fez no cabelo. Fica bem assim – meu tom cortês somado ao elogio a deixam radiante. Não posso evitar ser gentil com pessoas tão amáveis e que tanto ajudaram no desempenho desse lugar.
Durante um bom tempo não fui a melhor pessoa do mundo com eles, no entanto, conforme os dias passavam eu comecei a me adaptar a presença entusiasmada deles, e até gostar disso.
– O senhor Mellark está nos fundos – ela diz, interrompendo minha caminhada à cozinha.
– Ele já disse um milhão de vezes que odeia ser chamado assim – repreendo com um sorriso, fazendo-a corar. Meu tom de voz não muda. Na verdade, é quase uma brincadeira, porém carregada de verdade, já que Peeta realmente não é fã do termo. – E obrigada.
Passo reto pela porta que direciona à cozinha e sigo em frente, até que as mesas, o balcão e a vista da entrada da padaria sejam substituídas por paredes estreitas em tons de verde água. É quase claustrofóbico por um instante.Há uma única porta que dá para a sala que Peeta usa como escritório. Entro sem bater e me deparo com ele totalmente atento ao que faz, com uma calculadora ao seu lado, lápis, papel e uma quantia considerável de dinheiro num canto.
– Atrapalho? – pergunto, ganhando toda a sua atenção e um sorriso enorme como resposta.
– Não, nunca – diz, levantando-se.
A sala não é espaçosa, mas o suficiente para ele. Uma mesa de madeira maciça e escura está no centro da sala, toda organizada e com alguns livros de receitas empilhados ali e enchendo uma estante inteira. Duas cadeiras estão dispostas na frente desta e uma janela está aberto mais ao fundo. Na parede paralela a essa está um quadro com o desenho da Campina perfeita que vimos no dia que ele me pediu em namoro. Ponho a minha bolsa de caça numa das cadeiras e retribuo o seu sorriso.
Depois de tanto tempo, é quase estranho me sentir tão normal. Sentir que, de alguma maneira, tenho uma vida normal, sem muitos incidentes e preocupações, e uma rotina agradável.
Peeta me abraça apertado e beija minha bochecha. Ainda comigo em seus braços ele diz:
– Senti saudade.
– Faz poucas horas desde a última vez que nos vimos.
Ele afrouxa um pouco os braços ao meu redor, me permitindo olhar para o seu rosto agora.
– Eu não me importo.
Nada digo, apenas grudo os nossos lábios. Ficamos assim por poucos segundos, sem nos mover, sem nada. Apenas sentindo a presença um do outro. O cheiro dele de baunilha e farinha me fazem sorrir em determinado momento, e apartar o contato.
– O que há? – pergunta, segurando meu rosto bem próximo do seu.
– Você – digo. – Seu cheiro de baunilha e farinha de trigo. Eu gosto.
– Só disso? – questiona, erguendo as sobrancelhas e me arrancando um sorriso ainda maior.
– Não espere por uma declaração de amor.
Ele sorri.
– O que você vai fazer agora? – pergunto, envolvendo sua cintura e erguendo minha cabeça para olhá-lo nos olhos.
– Terminar de calcular o pagamento da semana – ele aponta para a mesa.
– E depois?
– Depois tenho que dar as últimas coordenadas para o Henry para que ele possa cuidar da padaria sem mim esses dias, e ir à cozinha testar uma receita rapidinho. Aí a gente pode ir para casa.
– Bem, estou aqui para ajudar – digo, saindo dos seus braços e correndo para a sua cadeira. Peeta não reclama, apenas faz com que eu levante para que ele possa sentar novamente. – O que custava você me deixar aqui? É mais confortável – reclamo e ele me puxa com delicadeza pelo braço.
– Você reclama demais – afirma, segurando minha cintura com a outra mão e fazendo com que eu sente em seu colo. Por um segundo eu hesito, mas no outro eu já nem me importo mais porque agora, dois anos depois, minha maior dificuldade é sentir vergonha de Peeta. Ele enfim dá um beijo rápido em meu pescoço e então começamos a trabalhar. Faço os cálculos rapidamente, sem precisar da calculadora e minutos depois estamos saindo da sala com envelopes em mãos.
Encontramos Noah na cozinha, coberto de massa de pão, como Agnes e Leighton, duas das três meninas que trabalham ali. Rory está fazendo biscoitos. Todos dizem um "oi" agitado e rápido para mim, voltando logo ao trabalho.
Por outro lado, Jensen e Ben, dois irmãos gêmeos de apenas 15 anos e que são os meus favoritos entre todos os funcionários, estão decorando bolos atentamente. Ao me verem, abrem o maior sorriso.
– Oi, Kat! – dizem juntos.
Por mais que eu me esforce, não consigo me acostumar com o apelido, mas tento lidar da maneira que posso. Peeta sorri para mim e solta minha mão, indo até Noah e lhe dando os envelopes enquanto começa a explicar um monte de coisas, que eu imagino estarem relacionadas à nossa viagem para a Capital. Eu tomo o caminho oposto e vou até os meninos que estão no canto mais distante possível.
– Belo trabalho – digo, vendo o bolo repleto de desenhos muito bem ornamentados.
– Obrigado. Eu quem fiz – diz Jensen, com um sorriso enorme estampado no rosto.
– Na verdade – Ben começa –, foi um trabalho de equipe.
Sorrio.
– Está digno. E eu adoraria provar qualquer hora – comento.
– Tem um outro bem ali – aponta para uma geladeira próxima ao depósito. – Garanto que Peeta não irá se importar.
– Bem, vamos ter certeza – digo, indo até Peeta, que já com um avental no corpo e um papel em mãos.
– Posso roubar um pedaço de bolo? – pergunto.
– Só se me ajudar com isso aqui – ele me mostra o papel que tem em mãos e eu faço uma careta.
– Isso não vai dar certo, mas eu topo.
Por fim, pego uma faca e o bolo dos meninos. Vou até eles e levo o bolo para o balcão onde eles trabalham sua mais nova criação. Começamos a comer e Rory vem até nós, perguntando de pode pegar um pedaço e se juntando a mim na hora de elogiar o doce. Num piscar de olhos, toda a cozinha está comendo o bolo e dizendo coisas incríveis para Jensen e Ben, principalmente Peeta.
Quando acabamos e já não resta mais nada na bandeja, eu e Peeta começamos a fazer a tal receita que ele arranjou, enquanto todos mantêm o mesmo ritmo que estavam. O papel que está sobre o balcão agora trata-se de uma receita de torta holandesa que veio diretamente de um dos livros que Effie mandou. Ela arranjou esses livros que estão no mundo antes mesmo da existência de Panem e os mandou para cá na primeira oportunidade.
Passamos horas fazendo, até que todos já foram embora e somente nós estamos ali.
– Lembra de que você disse algo sobre testar uma receita rapidinho? – questiono, apoiada num dos balcões beliscando um pedaço de pão com passas.
Estamos esperando a massa terminar de assar para que possamos finalizar o nosso trabalho e ir para a casa.
– Lembra de eu ter dito que você só reclama?
Rio sozinha, dando de ombros. Me aproximo do fogão onde ele mexe numa panela que está no fogo e fico ao seu lado.
– Você cheira a chocolate agora – digo, passando meu dedo na cobertura que Peeta está terminando de preparar.
– Você gosta?
– É o melhor de todos! – ele sorri comigo e se inclina para beijar meus lábios. – Você é como um doce ambulante. Em todos os sentidos.
Ele ri e passa um pouco de cobertura no meu nariz, fazendo com que eu abra a boca, totalmente surpresa.
– E sabe do que eu gosto?
– De me sujar? – pergunto, me limpando com o avental.
– De você assim.
– Como? Melada por causa desse chocolate?
Ele ri, negando.
– É uma graça, devo admitir. Mas não – ele beija a ponta do meu nariz. – Eu quis dizer que gosto de vê-la feliz.
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