Notas iniciais
BOM DIAAAAAAAAAAAAAAAAA! Primeiramente, vocês já viram mockingjay? Gente, socorro! Eu quase morri durante a sessão. Saí do cinema 3:00 horas da manhã, mas valeu muito a pena. Foi o melhor filme que já assisti em toda a minha vida! Os efeitos, as atuações, os cenários, os efeitos... Eu via cada cena com o coração disparado em expectativa. E SOCORRO, VOCÊS VIRAM A JENNIFER CANTANDO THE HANGING TREE? PUTA QUE PARIU! Eu meio que soltava um "Oh, Gosh" a cada dois segundos, pois é. Top cenas: a Johanna (que lacrou o filme com só uma frase), a Cressida (Natalie, você precisa de limites!) TODAS as cenas do Peeta (Josh Hutcherson, tô te aplaudindo com os pés porque com as mãos tô limpando as lágrimas), a cena de The Hanging Tree, o ponto final que colocaram em Galeniss (Thank you, Francis Lawrence and Nina Jacobson. Mean than I like), a cena do distrito 8, o pessoal do distrito 5 destruindo aquela represa, a cena dos pacificadores e dos trabalhadores no distrito 10, a Katniss cantando The Hnaging Tree (eu meio que "oh, I gonna die"), a declaração do Finn, Peeta estrangulando a Katniss (How could this be? Foi um exorcismo, isso sim!) e o final. Gente, que final foi aquele? I’m not kidding, IS PERFECT! Mas enfim, irei assistir segunda de novo porque uma vez só tá pouco. Eu achei maravilhoso e vocês? AND FUCK, A KATNISS TENDO O PESADELO E O PEETA INDO DORMIR COM ELA. ESSA CENA ME DESTRUIU. "Você pode ficar comigo?" "Sim. Sempre". Vão se foder, vocês dois, porque eu chorei pra caralho. Eu estou muito palavroeira hoje, mas é porque tô nervosa. E já irei finalizar minha nota gigantesca com os comentários do filme, deixem eu falar só mais uma coisinha: no livro, a Katniss faz uma puta confusão com os sentimentos, mas no filme, ela só pensa no Peeta. Durante duas FUCKING horas ela só fala nele. Ou seja, chorem galeniss shippers. Ok, tô mais calminha. Falemos agora de outros tópicos porque eu preciso fazer isso. Quero agradecer vocês porque nesse último capítulo, eu recebi comentários que diziam as coisas mais lindas que eu já li em toda a minha vida. Vocês me fazem uma manteiga derretida, assim não dá! Mas muito obrigada, vocês são incrivelmente dóceis e amáveis. Lindas, lindas, lindas!

– HAYMITCH! HAYMITCH! – Desnorteada, invado a casa do homem pelo qual eu grito. Pela primeira vez acredito que aquela pulseira com os dizeres "mentalmente desorientada" tem algum nexo. Corro para a cozinha, onde imagino que ele esteja; comendo o pão que deixamos mais cedo.

Eu estou com as mãos no rosto, limpando as lágrimas que insistem em cair dos meus olhos a cada segundo que passo de mãos atadas, enquanto Peeta provavelmente está no inferno por minha causa. E o que me incomoda mais nisso é saber que, de todas as pessoas do mundo, ele é o único que não merece padecer.

– HAYMITCH! – grito de novo, em óbvio descontrole. Mal conseguindo dar conta da tremedeira do meu corpo que, por sinal, também dá sinais de vida na minha voz. Minha garganta dói por conta do choro que é incessante.

Não sei o que fazer. Preciso de uma luz ou de algo para me segurar, porque sei da alta probabilidade de eu perder a resistência em mim mesma. Sei o tamanho da minha vontade de me esconder num lugar escuro, dormir, e esperar pelo momento em que tudo isso acabará e Peeta estará do meu lado novamente. A verdade é que tudo que eu quero é fechar os meus olhos e fingir que isso é um pesadelo, e logo eu acordarei gritando e os braços dele afastarão qualquer mal que esteja impossibilitando o meu sono.

Eu quero que ele volte para mim.

Mas sei que nada é tão fácil desse jeito. E como as complicações na minha vida são tão costumeiras quanto o oxigênio que passa pelos meus pulmões, não espero que não haja tremendos obstáculos nos caminho pelo quais eu sigo. Aliás, não espero que absolutamente nada seja leviano. Nunca é.

Chego à cozinha e me jogo nos braços de Haymitch, que se assusta com a minha súbita reação desesperada. Ele larga o pão que tem em mãos e me abraça no mesmo instante. Mas não sem antes soltar uma de suas pérolas.

– O que foi dessa vez, queridinha? Se arrependeu de ter devorado os meus gansos? – pergunta, com escárnio. Por mais que o abraço tenha sido recíproco, acho que ele ainda não percebeu o quão abalada eu estou, embora eu saiba que meu estado lastimável seja impossível de não ser notado por quaisquer olhos. Até mesmo pelos olhos ébrios de Haymitch.

Fungo no ombro do meu ex mentor. Agora eu só quero chorar no ombro da única pessoa no mundo que entenderá o que estou sentindo; a única pessoa que entenderá o motivo de um buraco estar se abrindo no meu peito.

Sinto Haymitch acariciar a minha cabeça e puxá-la para o seu peito, do mesmo modo que fazia quando eu estava inconsolável. Como estive na nossa visita ao distrito 11 na turnê dos vitoriosos ou como quando descobri que podia ter perdido Peeta e Gale de uma só vez quando foram resgatar os tributos que estavam sob custódia da Capital. As lágrimas tornam-se mais densas e eu me considero uma chorona de mão cheia.

Haymitch então olha para porta por uns segundos até finalmente entender e perguntar, apenas para confirmar as suspeitas:

– O que aconteceu com o garoto?

Snow. Foi isso que aconteceu. E eu. Eu aconteci. E você também, Haymitch. Você aconteceu.

É isso que quero dizer, mas sei que não adiantará culpar ninguém. A bomba já tinha sido jogada e não havia modo de reverter os feitos desta.

– Faz alguma coisa! – digo com dificuldade, incapaz de dizer outra coisa. Sei que não estou fazendo sentido, porém tudo parece corroer-se dentro de mim. Imagino que não há o que ser dito, pois essas são as únicas palavras que consigo pronunciar. As únicas palavras que passam pela minha cabeça.

Penso em Peeta. Eu só não quero que ele se machuque mais; que me odeie mais. Acho que se se os efeitos do telessequestro forem mesmo irreversíveis, não existe mais vida para mim. Talvez eu esteja me precipitando ao dizer isso, contudo consigo sentir novamente a dor da simples ideia de perder o garoto com o pão. E eu não quero isso. De nenhuma forma.

Se eu perdê-lo, eu me perco.

Minha garganta está seca, meu corpo mole e parece que eu fui partida ao meio. Me sinto cansada internamente e, aos poucos, vou sentindo certa fragilidade externa também. Meu emocional está tão desestruturado que o sofrimento já é uma parte de mim.

– Primeiro me diz o que está havendo! – replica, atormentado. Sei que ele está tão afligido quanto eu.

Com a voz abafada pela camisa fedida de Haymitch, começo:

– Eu saí com Peeta para irmos à casa de Hazelle e aí ele me mostrou um tordo. Não sei o que me deu que eu cantei para o tordo. Foi a partir daí que tudo deu errado. Eu comecei a chorar feito uma louca desvairada porque lembrei da guerra, de Prim, de Rue, do meu pai e de todo mundo. Saí correndo para a única direção que vi, a floresta. Peeta me seguiu até lá. Me consolou e ficou comigo até eu conseguir parar de lamentar. Então ele olhou para a pedra onde eu ficava com Gale e começou a gritar para eu sair de lá. Ele estava começando a perder o controle e pedia o tempo todo para eu correr. Eu reclamei muito até finalmente ver o quão dilatadas estavam as suas pupilas e resolver dar ouvidos a ele.

Não me sinto mais leve, não me sinto mais calma. Muito pelo contrário, me sinto ainda pior ao ouvir minhas palavras e tomar consciência de que abandonei Peeta. Agi como uma covarde.

Quero que Haymitch salve Peeta dos seus fantasmas ou faça alguma coisa para ajudá-lo, pois eu me sinto péssima por não poder o fazer. Tenho medo de continuar a ser um estorvo em sua vida. E sei que se eu chegar perto dele, só conseguirei deixar o seu estado emocional pior. Vou lembrá-lo de tudo que a Capital implantou em seu subconsciente e então não poderei culpá-lo por ceder aos instintos do bestante feito para me matar.

– Ele está sozinho com os efeitos do telessequestro? – Haymitch solta um riso carregado de desdém. Posso ouvi-lo me chamar de idiota. – Isso vai ser ótimo! – diz, me soltando e me puxando para a porta. Saímos às pressas.

Meus soluços tornam-se mais altos quando imagino a situação em que Peeta se encontra.

– Nem comece a se deplorar do meu lado! Você não podia fazer nada, docinho. Se você continuasse ao lado dele, morreria e quando o garoto retomasse a sanidade, ele se mataria. Agora pense nos dois mortos. Como você acha que eu ficaria? Eu dependo do rango de vocês. Então por favor, cale a boca e controle-se. Ele é forte e nós estamos aqui. E eu te prometo que não sairemos do lado dele.

Eu, que já estou com raiva e em um péssimo estado, me descontrolo no mesmo segundo que ouço sua última sentença. Realmente não conseguirei ouvir o meu mantra que diz para não me culpar e não culpar ninguém. E eu estava errada. Culpá-lo adiantaria sim.

Me pergunto se Haymitch se lembra da última vez que havia me feito uma promessa. Se lembra das consequências de não tê-la cumprido. Porque eu lembro perfeitamente. Aliás, é impossível não lembrar; elas estão bem diante dos meus olhos. E de quem é a responsabilidade? Quero enfiar minhas unhas no pescoço do meu ex mentor ao me dar conta disso.

– Não venha me prometer nada! Você nem ao menos sabe o valor de uma promessa! – grito, me soltando de Haymitch e lhe dando toda autoria do delito que foi ter deixado Peeta naquela arena e, consequentemente, tê-lo entregado de bandeja para as garras da Capital. Fizeram isso porque foram incapazes de salvar Peeta, e Haymitch, melhor do que ninguém, sabia e deixou. Ele conspirou com o abandono. E à troco do quê, exatamente?

Começamos a andar rapidamente para a saída da vila. Eu mais rápido que ele, já que o sedentarismo nunca fez parte da minha vida.

– Os fins justificam os meios, querida.

Como é?, pergunto mentalmente. Como ele pode dizer uma coisa dessas?

Podemos até ter salvado gerações futuras, mas destruímos a nossa. Excarcero um grunhido, um daqueles típicos que Buttercup soltava para mim quando eu falava algo desagradável para ele. Perdemos entes queridos, pessoas indefesas e importantes. Acabamos com vestígios de destruição apavorantes dentro de de cada um de nós. Os fins justificavam os meios? Eu discordo plenamente.

– Vai se foder, Haymitch – explodo. – Diz isso porque não é você quem foi telessequestrado. Não foi você quem perdeu a si mesmo!– Grito e vejo a dor nos olhos do meu ex mentor, embora eu não consiga me sentir culpada pelo meu ódio.

Mordo meu lábio inferior ao perceber que peguei pesado. Mas não posso fazer muita coisa; em partes é tudo verdade.

O fato é que eu ainda posso sentir as mãos frias de Peeta envolvendo meus pescoço. Posso notar a falta de emoção em seu rosto e posso ver o ódio líquido em seus olhos. E eu posso sentir toda a angústia que senti naquele dia quando Peeta tentou me matar quando ele perdeu tudo que era. Quando mudaram o que ele era. A Capital atingiu o ponto fraco dele: sua cabeça perfeita. Modificou os sentimentos, retirou a bondade, a compaixão e o seu amor por mim. Contudo, a pior parte não é esta.

A pior parte é aquela onde fica notável que o tornaram somente mais uma peça em seus jogos. Que o fizeram perder tudo que ele era. E imagino que seja por isso que não tenha valido a pena a Rebelião; foi perdido bem mais do que aparenta.

Snow definitivamente foi baixo. Mas Haymitch também.

Continuo andando em passadas rápidas e pesadas na direção que segui mais cedo. Quando escuto Haymitch dizer, trazendo à tona o seu lado negro:

– Ao invés de ficar me culpando e chorando o leite derramado, faça algo para evitar que ele tenha os malditos flashes. Faça algo de útil para o garoto e evite quebrá-lo em todos os dias da sua vida, como você vem fazendo há tempos.

Fecho os olhos. As lágrimas descem numa velocidade incrível e agora eu tenho certeza que nada pode pará-las.

Talvez se eu não fosse tão ruim para Peeta, ele não sofresse tanto. Se eu não tivesse feito o truque com as amoras, ele estivesse à salvo. Se eu não fosse tão imprestável, o telessequestro não teria acontecido e ele ainda seria a pessoa que todos adoram.

Não consigo evitar a preferência pelo cenário no qual Peeta está morto. Que todos nós estamos. Porque eu não posso salvá-lo, nem nunca pude. Eu mal posso me salvar. Viro na direção contrária a floresta. Eu não posso aguentar. Eu não posso lidar. Não posso prender ele à mim todos os dias da minha vida, porque o resultado será este.

– Queridinha, desculpe.

Continuo andando. Não quero ouvir nem acreditar. Porque talvez, e apenas talvez, a culpa — bem implicitamente — seja minha. Não de Haymitch, não de Plutarch, nem mesmo de Snow.

Eu causei a morte de milhares de pessoas e agora causei a morte da sanidade de Peeta. E ele estar querendo me matar é apenas a lei do "tudo que vai, volta".

– Não, você está certo – falo com a voz embargada, tentando andar com alguma estabilidade.

Ultimamente, controlar meus pés tem sido uma tarefa e tanto.

– Não, eu não estou – diz, me segurando pelos meus ombros ao me alcançar. Está visivelmente arrependido. – Katniss, eu não sei se você percebeu, mas o garoto voltou por sua causa. Ele está levantando todos os dias por e para você, porque tudo que ele quer é te fazer voltar a vida. E sabe qual é o real motivo disso? – nego com a cabeça. Eu realmente não sei porque ele insiste em mim. – Porque ele acredita que você vai conseguir. Ele acredita em você e na sua coragem de se refazer. Entretanto você sabe que o telessequestro deixou marcas que não podem ser desfeitas e isso faz com que vocês dois tenham que lidar com elas. E se você quer mesmo de recuperar, se você acredita que o garoto não veio para cá em vão, se você quer ajudá-lo, dá meia volta e vem comigo fazer o que a gente deve. Não desiste dele. Não desiste de você.

Absorvo as palavras, ainda que doa um pouco. Estupefata, respiro fundo e dou meia volta novamente. Ainda que eu não me sinta cem por cento. Ainda que eu me sinta tentada a desabar.

– As marcas do telessequestro vão acontecer todos os dias enquanto eu estiver na vida dele. Eu não quero isso. Eu só não quero fazer mal ao Peeta, Haymitch – desabafo.

Haymitch me abraça com força e eu coloco a cabeça em seu peito. É tudo tão irresoluto; tão prestes a ruir. Me sinto um edifício que está sendo construído sobre as ruínas de outro. É uma sensação facilmente comparada aos dias que estive trancafiada na mansão após ter matado Coin; eu só quero morrer.

Haymitch se afasta para olhar nos meus olhos ao dizer:

– Entenda, docinho, se com você é ruim, sem você é pior ainda. Isso só aconteceu porque ele ainda te ama e acredita veemente que o caçador ainda está presente na sua vida de alguma forma. Ele pensa que você só pode amar o caçador e que ele nunca será bom o suficiente. Você consegue imaginar o quanto isso é doloroso para um cara que te amou a vida inteira? E como se isso já não fosse o bastante, também há as imagens dos telessequestro – ele faz uma pausa quase melodramática. – Tudo muito fácil pro garoto, não é?! – diz, irônico.

Eu não reajo. Só consigo focar meus pensamentos nas dores internas de Peeta e no modo como ele vem evitado sucumbir a estas. Ainda consigo escutar o discurso de Haymitch na minha cabeça.

Peeta ainda me ama? Ele pensa que eu amo o Gale?

O primeira questionamento aquece meu peito de uma maneira desconhecida e me motiva a correr para a floresta. Exatamente como fiz mais cedo. Eu quero ajudá-lo. Ele é a única pessoa que me ama e que ainda sente alguma devoção por mim. Eu não posso perdê-lo e nem deixar que ele se perca. Peeta merece bem mais que isso.

Corro mais rápido conforme os segundos passam. Haymitch está no meu encalço. Sinto meus medos evaporarem à medida que continuo. Sei que vou conseguir. Sei que Peeta vai voltar para mim. Não existe mais medo nem dúvidas.

Não há nenhuma outra opção. A questão é que eu preciso conseguir.

Limpo o rosto com as costas das mãos e faço jus às palavras de Haymitch. Meus ex mentor está certo. Peeta não veio para cá em vão e eu acredito nisso. Farei tudo que tiver que fazer para que essas palavras sejam uma afirmação.

Sei que nunca poderei esquecer completamente as marcas que persistem dia após dia no meu corpo e na minha mente, mas sei que elas se tornam cicatrizes menores quando estou com Peeta. Não estou fazendo uma promessa de que irei ficar com ele como um casal. A promessa que faço para mim mesma enquanto passo pela cerca é que estarei ao lado dele sempre. Da mesma maneira como ele esteve comigo todas as vezes que precisei.

Eu quero dar sumiço em todo o espaço que nos separa.

– Eu tinha esquecido como isso era longe! – Haymitch diz, ofegante e com a mão no peito. Rolo os olhos.

– Quem mandou ficar se entupindo de água ardente e esquecer que existe vida aqui fora?! Uns exercícios cairiam bem, hein. Ainda mais pra essa sua barriga aí – falo, correndo na direção que segui minutos antes.

– Ar livre é realmente uma coisa desprezível – murmura, com o maior pouco caso, caminhando ao meu lado.

Um segundo depois estamos tropeçando num corpo jogado na grama. Me abaixo rapidamente ao lado dele, vendo-o dormir. Sei que ele está tendo pesadelos pelo jeito como respira. E esse é o único modo de saber, considerando que Peeta não se mexe nem faz movimentos bruscos quando dorme.

Meu primeiro impulso é tocar os cabelos louros de Peeta e depois, com os dedos vulneráveis, tocar sua bochecha.

Acho que ele chegou a correr atrás de mim quando eu passei pela cerca, mas parou um instante depois e ficou no chão, até que pegasse no sono. Ele lutou sozinho para não ter que lutar comigo.

– O que a gente faz? – indago, assustada, olhando atentamente as feições de Peeta. Vejo como seu rosto está contorcido numa feição dolorosa. Ele está deitado, todo encolhido sobre a grama.

– Vamos tirá-lo daqui – Haymitch responde, abaixando. Ele observa o corpo inerte de Peeta e então olha para mim, perguntando silenciosamente se estou de acordo.

– Ele está tendo um pesadelo – consigo dizer, a voz mais baixa algumas oitavas.

Estou me imaginando tendo pesadelos terríveis, me contorcendo na cama, sem poder receber nenhuma proteção e sem conseguir acordar. É uma imagem horrível demais para aguentar.

– Se a gente acordar ele agora, provavelmente os efeitos do telessequestro ainda estarão vivos – ele diz.

– Não importa, ele só não pode continuar sofrendo em silêncio.

Uma pausa rápida para então Haymitch falar:

– Saia daqui.

O olho, incrédula. Simplesmente me recuso a ouvi-lo. Não posso. Não depois da minha promessa.

– Não! Não vou sair de perto dele de novo – digo, feroz.

– Não venha reclamar depois se isso piorar a situação dele.

– Não vai piorar! – A firmeza em minha voz é invejável.

Não quero nem cogitar a possibilidade de Peeta ficar pior. Isso seria uma catástrofe com danos inimagináveis. E eu já me sinto tenebrosa apenas por saber que não devo ficar ao lado dele, já que eu sou a causa dos seus problemas. Penso que não existe dor maior, pois eu quero e preciso estar do seu lado.

Empurro Haymitch, certa de que eu tenho que acordar Peeta, me abaixando mais e ficando com o rosto próximo ao de Peeta quando começo a sussurrar:

– Ei – acaricio seus fios dourados, exatamente como ele fez comigo nessa manhã. – Peeta, acorda – mexo no seu rosto, aumentando o tom de voz. – Não se entrega a dor alguma, volta pra mim. Acorda.

Ele abre os olhos e a primeira coisa que entra em foco é o meu rosto. Suas mãos se erguem na minha direção e suas pupilas estão dilatadas, cobrindo toda a íris azul. Rapidamente volto a falar:

– Não os deixe te tirarem de mim. Você é mais do isso. Não seja só mais uma peça nos Jogos deles.

Ele continua com os braços erguidos, num momento de estupor onde permanece parado sem fazer nada. Olho nos seus olhos e, de repente, sei o que dizer. Por isso peço:

– Fica comigo, Peeta.

Os olhos dele voltam ao normal e dilatam novamente, voltando ao normal mais uma vez. Consigo ver um oceano em seus olhos azuis.

– Sempre – ele diz.

Abraço Peeta, ainda deitado, com todas as forças que tenho, sentindo o maior conforto do mundo ali. Ele retribui como se sua vida dependesse disso, murmurando um pedido de desculpas incontáveis vezes. Seu abraço parece me salvar e esquentar todo o meu corpo; me faz ficar mais atenta e mais vívida. Suponho que não exista nada no mundo mais aconchegante que o abraço dele.

– Eu sinto muito. Me perdoa. Você está bem? – ele questiona, agora totalmente preocupados. Peeta passa a mão pelo meu cabelo e eu choro ao ver que ele já está em seu estado normal. Estou emocionada. Ele realmente voltou para mim. Tive tanto medo de ficar sem ele.

– Tá tudo bem, eu estou bem. Não se preocupa. Como você está se sentindo? – digo, segurando seu rosto com as duas mãos.

– Eu estou legal – responde. – Eu realmente sinto muito. Eu te machuquei?

Mesmo que tenha sofrido infinitamente nesses últimos minutos, tudo que ele consegue manter em foco é o meu bem estar. Acho graça disso e rio.

– Não, você não me machucou. Relaxa.

– Tem certeza?

– Absoluta. Agora vem, vamos para casa.

Levanto e estendo a mão para ele que sorri com o meu gesto.

– Pra casa? Mas a gente devia ir à Hazelle.

– Você é a prioridade no momento – digo, abraçando-o novamente e sentindo o aperto gostoso dos seus braços em torno de mim.

– Ah, que lindo, que beleza! Aproveitando o bom humor de vocês e o lindo exemplo de superação, será que poderiam descolar um daqueles biscoitinhos pra mim? – É claro que um comentário desse tipo só poderia vir de Haymitch.

– Bom saber que esteve preocupado com a minha saúde, Haymitch – diz Peeta, desdenhoso e ofendido.

– Mas ele ficou! Nós quase choramos juntos – falo para Peeta, que ri da careta no nosso ex mentor.

– A queridinha estava tão exaltada que até soltou um lindo palavrão para mim. Eu apenas quero deixar claro que não esquecerei disso.

– Então você anda com a boca suja? – Peeta pergunta, arqueando as sobrancelhas.

– Convivência com o bonitão aqui – aponto para Haymitch e acaba que nós vamos durante todo o caminho para casa tirando sarro dele. Mas essa, com toda certeza, não é a melhor parte.

A melhor parte é fazer o caminho todo para casa agarrada a cintura de Peeta e sentindo seu braço nos meus ombros. Não sei qual foi o momento exato em que ele passou o braço em torno de mim, todavia, sei o tamanho da minha felicidade com isso.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Não importa, só quero a opinião de vocês. Tá bom, tá ruim? Exagerei? Vocês acham que acontece de maneira diferente? Bem, seja qual for a resposta, me contem! E assistam mockingjay. E com relação à pergunta que fiz no capítulo passado, vocês preferem +18 (eu também!) e por isso, a fanfic é oficialmente restrita agora. Vou tentar ser o mais profunda possível (entendam isso da maneira menos pervertida que puderem). Farei o possível para agradá-las. Bem, é isso. Começarei a escrever o próximo porque tô ansiosa. E socorro, mais alguém faz parte do time "QUERO A PRIMEIRA VEZ DESSES DEMÔNIOS"?