We'll Fight Until the End. Together.
4 I hate Wednesdays
Notas iniciais
Pov. Jessy
Despertador. A primeira coisa da qual me livrarei após a aposentadoria. Me levantei morrendo de sono e me joguei em baixo do chuveiro. Quarta-feira. Como eu odeio quartas-feiras. Estão exatamente no meio da semana, prontas para acabar com minha felicidade.
Desci as escadas mau humorada e encontrei um bilhete na bancada.
Bom dia, querida.
Eu e sua mãe tivemos que ir mais cedo para o trabalho. Tem algumas panquecas na geladeira. Não nós espere para o almoço. Mary virá hoje para limpar a casa e fará a comida. Boa aula.
Com amor,
Papai
De novo. Deixei o bilhete de lado e coloquei as panquecas em um pote de plástico. Peguei uma maçã, para comer no caminho, minha mochila e as panquecas.
Resolvi ir a pé. Joguei a mochila nas costas e andei na tentativa de conhecer a cidade, aproveitando que acordara cedo. Enquanto caminhava tranquilamente, vi uma criança suja deitada em um beco ao lado da mãe. Era uma menininha baixa e magra com cabelos loiros cobertos de poeira, um de seus olhos mostrava claros sinais de catarata e ela reclamava de fome. Sua mãe, em um estado parecido, estava quase em prantos por não poder ajudar a filha. Ambas sorriram ao me ver.
Me aproximei das duas e entreguei o pote à mais nova e dei um beijo em sua bochecha.
– Olá, Caroline. Senti sua falta, sabia?
– Olhe, Jessy, meu primeiro dente caiu!
– Parabéns! Está crescendo muito rápido!
– Obrigada.
– Minha linda, eu tenho que ir para a escola agora. Espero que goste das panquecas. Só que estão geladas.
– Tudo bem, eu gosto delas assim. — ela sorria exibindo a janela entre seus dentes — Jessy, quando você vai voltar?
– Um dia desses eu venho, Caroline. Eu prometo que não vai demorar.
Me despedi mais uma vez e sai calmamente. Feliz. Em paz. É o que você sente ao ajudar o próximo.
Pov. Matt
Acordar. Tomar banho. Trocar de roupa. Descer as escadas. Sentar na mesa do café. "Brigar" com Mike. "Comam devagar". Escovar os dentes. Correr até o ponto de ônibus. Encontrar Ethan. Piadas bestas. Entrar no ônibus. Escola.
Isso poderia resumir uma manhã qualquer, sendo Matthew Campbell, em poucas palavras, mas qual seria a graça?
– Cara, eu preciso de uma namorada. — Eth desabafou no ônibus indo para a escola.
– O que te fez chegar a essa conclusão? — perguntei rindo pego de surpresa.
– Não me zoe, é sério!
– Ok. Mas quem exatamente? A professora nova?
– É.
Meu riso se transformou em altas gargalhadas e eu podia sentir minha barriga doer, mas não dava para controlar. As pessoas ao meu redor me olhavam de forma esquisita e Ethan me cutucou.
– Pare com isso. Está me envergonhando.
Ri mais ainda até não aguentar mais é ir parando aos poucos.
– Ethan Ellis Edwards apaixonado? Pela professora uns vinte anos mais velha? Isso, definitivamente, não é algo que se vê todo dia.
– Ela não é tão velha assim!
Ri até o ônibus parar e descermos na escola.
– Hey, pessoal!
– John, meu caro, de onde você tira seu linguajar ultrapassado? Mais tarde te ensino a usar umas palavras legais para conquistar uns "brotos".
John riu. Tiffany chega por trás acenando com uma maçã na mão, abraça o namorado e dá um longo beijo. Depois olha para nós e abre um sorriso.
– Oi, rapazes!
– Viu, John? Aprenda com ela, ela sabe usar as palavras da forma correta.
Todos rimos e Tiffany nos olhou confusa. John deu de ombros e ela morde um pedaço da fruta, indiferente.
– Bem, não tenho tempo para piadinhas do Ethan. Precisamos de novas líderes de torcida, o movimento esse ano está baixo.
– É uma pena que poucas garotas queriam rebolar em mini-saias, Tiff, eu realmente sinto muito.
– Vocês são uns idiotas, sabiam? — ela respondeu rindo. Deu um beijo em John e saiu saltitando.
– Você está calado, Matt.
– Só estou um pouco pensativo.
– Desde que a bunda da minha namorada não esteja nesses pensamentos, fique à vontade.
– Relaxe, John. São outras bundas que me afligem.
Rimos. Mas a verdade é que eu não ficava muito à vontade perto de John e Tiffany. Ok. Somos amigos desde sempre, e eu realmente gosto dela, mas segurar vela? Cara, eu estou cansado disso. Preciso de uma companhia de vela, do sexo oposto, por favor.
Pov. Jessy
Ok. Subir em cordas durante as aulas de educação física não servem pra mim. De bases, saltos, armas, sequências e nomes esquisitos em japonês para cada golpe eu sei, mas subir em uma corda? Não, obrigada.
Minha mão ardia ainda mais a cada tentativa que subir um pouco. Não que eu já não tivesse feito isso, mas eu tinha me esquecido de como era ruim. Tentei pegar impulso pela perna e ser mais rápida, mas acabou não dando certo. O treinador, um homem grande, alto, forte e rabugento de uns 45 anos não parava de gritar comigo e mandando eu me apressar. Não consigo pensar em mais nada quando tem alguém gritando.
Consegui terminar em tempo recorde. Para mim, é claro. Esses três meses sem treinar me deixaram completamente fora de forma. O professor gritou comigo mais um pouco enquanto eu voltava para a fila, mas apenas assenti com a cabeça e abstrai cada palavra. Acho que nossa relação não será das melhores.
Entrei no vestiário suada e com o uniforme pregando. Um banho gelado de cinco minutos me esperava. Sempre odiei esses banhos, pequenos, gelados e sempre com um bando de garotas esquisitas comentando sobre os defeitos do seu corpo enquanto tentava se vestir. Mas, pelo menos, acabava com os odores e a pele oleosa e isso já me fazia ansiar por esse momento.
Enquanto esperava desocuparem um banheiro, tirei o tênis e mexi meus dedinhos livres. Massegeei minhas coxas doloridas tentando relaxar os músculos tensos. Uma garota senta ao meu lado. Não levanto o rosto e continuo concentrada na tarefa de relaxar.
– Oi. — ela disse olhando para baixo também. A encaro e dou um sorriso.
– Oi. Aula cansativa, né?
– Nem me fale. — ela tinha longos cabelos castanhos que passavam da cintura, eles estavam amarrados em um rabo-de-cavalo alto e ela usava uma faixa cor-de-rosa impedindo pequenos fios rebeldes de cair em seus olhos. Os shorts e camiseta laranja comuns do uniforme estavam suados e grudentos, assim como os meus. Ela usava um tênis preto e pequeno acompanhado de uma meia branca até a canela. Sempre preferi as pequenas que não aparecem. — Você é a aluna nova, né? Jessica, certo?
– Sim, sou eu. Pode me chamar de Jessy. Desculpe, mas não sei seu nome. Você é a?
– Hilary. — Então ela me olhou analisando cada parte do meu corpo e eu me senti extremamente envergonhada e sem saber o que dizer. — Você é forte... Porque ficou tão cansada?
– Bem, eu luto Kung Fu, mas já faz uns 3 meses que eu não treino.
– Sério? Isso é incrível!
Eu ri. Sempre adorei essa reação das pessoas, ela provavelmente me imagina dando saltos mortais e piruetas loucas com em Jack Chan, mas elas mal sabem que o meu Zheng Ti Tui não acerta a minha testa.
Entrei no chuveiro, logo depois de uma asiática gordinha. A água estava tão fria que eu demorei um bom tempo para me acostumar. Terminei o mais rápido possível e coloquei a minha roupa ainda dentro do box.
Pov. Matt
Treinador Hernandez. Esse cara me ama. Um verdadeiro mexicano, do tipo que usa bigode, chapéus espalhafatosos e comemora El Día de los Muertos. Ele é alto e forte, possui um cabelo preto cortado rente à cabeça, quase raspado, e olhos escuros. Veio para os Estados Unidos aos 9 anos, sozinho. Pulou a fronteira e foi encontrado por uma agência de adoção. Emitiram documentos, ele foi adotado e declarado americano. Aos 12 anos fugiu dos pais adotivos e começou a morar na rua. Uma mulher o encontrou e o ajudou quando tinha 15 anos. Ele voltou a frequentar à escola e se apaixonou pela filha da mulher que o salvara. Hoje eles são casados e têm 6 filhos.
Como eu sei disso tudo? Bem, ele gosta de contar a história da sua vida o tempo todo. O sr. Hernandez me fez entrar no time de futebol, e eu sou grato por isso. Na verdade, na época eu apenas fazia Wushu — esse é o nome certo e eu chamarei assim, porque Kung Fu significa arte nacional em chinês — e pensava que não me dava bem com bolas. Mas existe uma grande diferença entre quicar, chutar e lançar a bola e eu descobri que sou bom nas duas últimas. Sou um Halfback, o corredor, tenho que correr com a bola e me desviar. O Quarterback é John. Temos um time bom. Ficamos em primeiro no campeonato estadual.
Fui pro banheiro e liberaram um chuveiro rapidamente. Estava ansioso para entrar na água. Não aguentava mais o calor. Sai do vestiário com o cabelo molhado e o tórax mal enxugado molhando a camisa. Adorava a sensação fria na pele quente. Mas nadar, como profissional, tipo natação? Não, obrigado. Sou lento debaixo d'água.
John e Tiffany se beijavam na porta do ginásio. Passei sem fazer barulho e rápido, com a intenção de não me notarem, o que não aconteceria nem que eu passasse vestido de palhaço tocando uma corneta. Entrei na sala e me sentei. Eu... estava solitário. Isso, era assim que me sentia. Sozinho.
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