We'll Fight Until the End. Together.
5 Then We Met
Notas iniciais
Pov. Matt
Ah, quintas feiras. Como eu amo esse dia da semana. Por incrível que pareça, acordei de bom humor escutando a voz da minha mãe.
– Bom dia pra você também, mãe.
Me levantei e entrei no banheiro cantando. É impossível entrar em um banheiro ou elevador e não querer cantar. Tomei um banho rápido e me vesti, eu não preciso descrever a roupa, preciso?
Desci as escadas correndo e sentei à mesa. Um grande prato com ovos e bacon apareceu na minha frente e eu sorri agradecido para o meu pai com seu avental ridículo.
– Pai, hoje começam os treinos de futebol.
– Você fica na escola até o hora certa e volta de ônibus?
– A pé. Já vou aquecendo pro Wushu hoje à noite.
– E Wushu é o...?
– Kung Fu, pai. — respondi revirando os olhos.
– Tá. Mas esse é o que luta ou o daquelas sequências esquisitas?
– O das sequências. Toda terça e quinta, pai. O outro é segunda, quarta e sexta.
– Ok. — ele mexeu os lábios como se tentasse gravar as palavras. — Como você aguenta? — eu ri.
– Cadê o Mike?
– Deve estar dormindo ainda. Vou acordá-lo.
Terminei de comer rapidamente, escovei os dentes e peguei a mochila. Hoje seria um bom dia, eu podia sentir.
Quando cheguei ao ponto, Ethan já estava lá.
– Cara, qual é o seu problema? Eu cheguei 20 minutos antes que o normal e você já está aí. Você chega todo dia a essa hora?
– Bom dia pra você também. E sim, eu chego sempre esse horário mesmo.
– Por quê? — perguntei sem entender nada. — O ônibus que a gente pega normalmente só sai daqui à 40 minutos.
– É... — então ele dá alguns passos para o lado e fica olhando para a porta de um edifício.
– Você tá me zoando. Não pode ser a... — então a nossa professora de inglês sai do prédio vestindo uma calça vermelha e uma blusa bege. Ela entra em um caro parado na calçada e some. Então eu olho pro Ethan que parecia ter acabado de sair de um transe.
– Que foi?
– É sério isso? — entro no primeiro ônibus que aparece e saio. Como meu amigo pode ser tão obcecado por uma professora?
Pov. Jessy
Acordei morrendo de sono. Ficara até tarde conversando com Marina. Ela conseguiu um namorado e estava toda feliz querendo contar para mim. Eu sinto saudades dela. Do seu jeito livre e do bom humor, ela é uma boa amiga, sempre pronta para te ajudar e animar quando necessário.
Me arrastei para fora da cama e caí dentro do chuveiro. Uma terrível dor de cabeça me assombrava e pude ver grandes olheiras roxas sob meus olhos. Resolvi caprichar na maquiagem hoje, para ver se um pouco de pó e batom vermelho tiravam a atenção daquelas crateras.
Me vesti ainda meio sonolenta até a minha mãe entrar no quarto abrindo a porta com violência.
– Você ainda não está pronta? — ela gritava e fazia minha cabeça latejar ainda mais. — Você tem horário para chegar na escola! Vai se atrasar e perder o ônibus! Se mova! Se perder não tem como eu te dar carona porque já estou quase saindo.
– Tá, mãe! — respondi enfurecida batendo a porta do guarda roupa e saindo do quarto.
Quando já estou quase do lado de fora, ela agarra meu braço e diz rispidamente:
– Você me respeite, que eu sou sua mãe. Não fale dessa forma comigo nem com ninguém. Você pode estar cansada, mas ninguém mandou não dormir na hora certa. Você acha que eu não percebo, Jessica, mas é realmente necessário ir dormir ás quatro horas da manhã?
– Pare de gritar! Minha cabeça está doendo. — me solto irritada e vou para a cozinha comer alguma coisa.
Ponho uma maçã na bolsa e saio de casa pisando duro. Minha cabeça doía e comecei a chorar. Odiava brigar com a minha mãe, odiava deixar a raiva tomar conta de mim é fazer esse tipo de besteira. Odiava odiar. Chutei com força o muro e senti meu pé latejar. Respirei fundo tentando controlar a raiva, que eu nem sabia como ficara tão forte, e parar de chorar. Sentia cada músculo do meu corpo contraído, pronto para matar alguém e uma tristeza terrível caiu sobre mim. Eu só queria gritar com o nada, com alguém. Eu só queria praticar um pouco de Kung Fu. Nada me deixava mais calma. Fui para o colégio à pé, mesmo sabendo que chegaria atrasada, tentando esfriar a cabeça.
Sentei na escada, ela estava vazia, pois as aulas já haviam começado, e chorei com todas as minhas forças. Limpei as lágrimas e minha maquiagem estava completamente borrada. As olheiras e a palidez excessivas estavam de volta, mas não me importava. Entrei no banheiro, lavei o rosto e tomei alguns comprimidos para a dor de cabeça que nunca saiam da minha mochila.
Respirei fundo, contei até cinquenta e consegui me acalmar. Arrumei os cabelos, passei um pó no rosto e um batom. Ainda tinha vinte minutos antes da próxima aula. Fui até a secretaria buscar a autorização para entrar na segunda aula. Seria um longo dia.
Pov. Matt
Cheguei na escola mais cedo. Mesmo depois da discussão com com Ethan, meu bom humor prevalecera. Ainda sentia alguma coisa boa por vir. Procurei John e Tiffany por toda parte e adivinha o que ele fazia? Agarrava a Tiffany! Mas não me importei. Eu ri baixinho e fui até eles sem fazer barulho. Estão coloquei a mão no ombro de John e falei com uma voz alegre:
– E aí, cara? Pronto para o treino de hoje?
Ele a soltou e se virou para mim. Ela ficou vermelha como um pimentão automaticamente.
– Ah, desculpe. Estou atrapalhando? — perguntei tentando fazer a minha melhor cara de inocente e escondendo o riso.
Tiffany inventou uma desculpa qualquer e saiu.
–É sério isso?
Ri alto e sem controle. Até que fui diminuindo aos poucos e expliquei:
– Foi mal, cara. Ethan não veio e não pude evitar. Você tinha que ter visto a cara que ela fez.
– Você vai ver. Eu vou me vingar, Matthew Campbell. — então rimos juntos e fomos esperar a aula começar.
Ok. Eu quase pensei que a minha onda de bom humor ia acabar na aula de inglês, mas fiz de tudo para me manter firme. Ethan estava completamente comportado e calado durante a aula. Até mesmo levantou a mão durante a aula! Aposto que passou a noite toda estudando para impressionar a professora. Patético. Joguei bolinhas de papel nele, minha borracha, minha caneta, mas nada adiantou. Desisti e resolvi prestar atenção na aula também ainda relutante.
Quando o sinal bateu, peguei a mochila, joguei nas costas e saí correndo rumo ao restaurante ali perto. Estava morrendo de fome. Andava rápido até que uma mão aparece no meu caminho e me segura.
– Calma aí, Matt. Eu vou pra casa, você vai ficar aqui até o treino?
– Vou. Tenho que terminar uns deveres e a minha casa vai estar trancada.
– Cinco horas no ginásio. Se atrasar, já era.
– Você fala como se eu não soubesse, John.
Ele sorriu, me deu um meio abraço desajeitado, abraçou Tiffany e se despediu indo embora. Continuei minha corrida até a minha tão querida Taqueria Don Pepe. Se tem uma comida eu eu amo mais que eu amo mais que chocolate, é o taco de camarão desse lugar. Nem a lagosta do meu pai chega perto disso.
O lugar é um pouco apertado e meio quente, mas é perto da escola, barato e com comida maravilhosa, então é tudo que eu preciso. Entrei no estabelecimento e ele parecia uma versão mais simples do McDonalds. Fui até o caixa para comprar meu tão sonhado taco.
– Matt querido! Quanto tempo! — a moça que estava no caixa disse quando me viu e foi me dar um abraço. Martina Gomez. Imigrante do México, casada com meu primo.
–Olá, Martina. — sorri enquanto retribuía o abraço.
– O de sempre?
– O de sempre. — concordei com a cabeça.
– Pode deixar que é por conta da casa.
– Não precisa, obrigado, Martina. — a família dela era dona do restaurante, mas não queria causar prejuízo.
– Matt, não seja tímido. Esse lugar já estaria falido se não fosse pelas suas visitas semanais.
Sentei no balcão e ela me trouxe a comida e um grande copo de CocaCola.
– Não sei como um atleta como você consegue beber esse veneno.
Dei risada e ela depositou um beijo em minha testa.
– Tenho que voltar ao trabalho. Mande um beijo para o seu pai.
– Pode deixar. — comi rapidamente meu taco e voltei para a escola. Por mais que as aulas tivessem começado a pouco tempo já tinha provas a vista. Como eu odeio o ensino médio.
Voltei calmamente até a escola. Precisava ir à biblioteca terminar os deveres. Ela estava cheia e as pessoas conversavam em voz alta. A bibliotecária, já cansada de mandar pararem de conversar, colocara fones de ouvido gigantes na orelha enquanto usava o Facebook e "tuitava" frases de Sócrates. Todas as mesas estavam lotadas e algumas pessoas acenaram pra mim, me cumprimentando. Retribuí e continuei andando a procura de um lugar vazio. Encontrei uma garota sozinha sentada lendo com fones no ouvido. A reconheci quase imediatamente. Era a novata que sentava ao meu lado. Nunca trocamos uma palavra, mas parecia ser a mais convidativa.
Seus cabelos loiros caiam pelos ombros e ela mexia um dedo no ritmo da música. Parecia completamente absorta na leitura. Cheguei perto dela e perguntei se podia sentar, ela não escutou. Coloquei a mão em seu ombro, ela levou um susto e tirou os fones do ouvido.
– Desculpe, não queria incomodar. Posso sentar aqui?
– Ah, claro. — ela parou por um segundo e olhou bem para mim. — Você é da minha sala, não?
– Sim. Sou Matt.
– Jessy. — ela respondeu com um sorriso sincero.
Passamos alguns minutos em um silêncio assustador. Não sabia se falava alguma coisa, não queria atrapalhar na leitura, então peguei os cadernos e comecei a fazer o dever de física.
Resolvi quebrar o gelo com um comentário aleatório.
– Está quente hoje, não?
– Pois é...
Ok, esse não colou. Próximo.
– Que livro é esse?
– Sonho de Uma Noite de Verão.
– Sério? Adoro Shakespeare!
– Bem, eu to lendo, porque pediram na minha escola antiga e eu não li, aí minha mãe está me obrigando agora, mas isso é legal.
– Mas por quê? Você não gostou?
– Digamos que eu não seja uma grande fã de literatura clássica. As palavras difíceis e a linguagem figurada me irritam e faz com que eu me sinta burra lendo.
– Ah! Essa é a melhor parte!
Rimos.
– Mas fico feliz de saber isso. Você é do time de futebol, não é? Sem ofensas, mas um jogador de futebol americano amante de Shakespeare não é algo que se vê todo dia.
– Por mais isso faça com que eu me sinta um pouco ofendido, não posso negar.
– Em que parte você está?
– No início ainda. O pai está proibindo a filha de casar com Lisandro.
– Ah, sim. Posso te dar um grande spoiler?
– Não!
– Mas eu pensei que você nem gostasse do livro!
– Mas vou gostar menos ainda se souber o final!
– Você está certa. — eu respondi rindo.
O silêncio voltou por alguns segundos e tentei novamente.
– Você já foi no cinema desde que chegou aqui?
– Ainda não, tem alguns filmes que estou com vontade de ver, mas com as coisas da mudança não tive muito tempo para sair ou fazer turismo.
– É uma pena. Você viu que lançaram o filme do...
Então o celular dela tocou, e Jessy ficou procurando na bolsa, que acabou virando quando ela o achou.
– Oi, pai. — ela falava ao telefone. — Sim... O que?... Ah, sim... Em um restaurante aqui do lado, pai... Sim, estava boa... Não existe comida melhor que a dela... Já estou mais calma... Sim, pai... Tchau, beijo. — ela desligou o telefone é quando foi levantar a mochila uma faixa azul escura caiu e eu peguei.
– Não acredito. Isso é uma faixa de Wushu?
– É... Por quê? Você tem alguma coisa contra mulheres que lutam?
– O que? Não! Eu também faço! Sou faixa vermelha. Onde você treina?
– Ow! Um faixa vermelha! — eu ri — Bem, morava em Detroit, me mudei para cá a pouco tempo e ainda não achei nenhuma academia.
– Você pode fazer na minha! Vou te passar o endereço e o horário, você pode aparecer lá qualquer hora. — eu não conseguia parar de sorrir, não conseguia acreditar que ela também fazia. Era tudo o que eu precisava.
– Nossa, isso é muita coincidência.
– Pois é. Você podia aparecer lá na quinta.
– Vou tentar. — ela sorriu sem graça e eu retribui. Voltamos às atividades anteriores.
Pov. Jessy
Ok. Matt parecia ser uma pessoa legal. E, senhor, como ele era bonito. Quando olhei para ele tive que me segurar para não rir, porque só me lembrava minhas piadas internas sobre garotos com Marina.
Ele era muito gentil e faixa vermelha. Não sei devo admitir isso, ma eu tenho uma queda por garotos bonitos, que fazem Kung Fu e estão acima da minha faixa. E com 16 anos!
Ele é bem simpático e conversamos quase a tarde toda. Gostamos de várias coisas parecidas, e ele prometeu me levar para comer comida mexicana e ver The Avengers 2. Uma das coisas que mais gosto nele, é que não é estereotipado. Ele simplesmente é o Matt, e pronto. Ele não tem aquela coisa idiota de popular, mesmo que ele possa ser comparado à isso. Ele é um bom garoto e espero que nós tornemos amigos.
Ainda conversávamos quando Hilary começa a mandar mensagens para mim freneticamente. Não queria pegar para ler e responder, porque já perceberá que pessoas mexendo no celular perto dele o incomodava, mas ao mesmo tempo estava me corroendo de curiosidade e raiva por ela não conseguir simplesmente parar com aqueles barulhos.
– Pode responder. Não quero atrapalhar.
– Não, não, tudo bem. É só a minha amiga, daqui a pouco ela desiste.
Um novo silêncio constrangedor pairou no ar, enquanto o celular apitava sem parar. Até que as mensagens cessaram. E por alguns minutos eu pensei que teria paz e voltamos a conversar, até que Hilary chega segurando dois Milkshakes de chocolate.
– Oi, Jessy! Te procurei por todo lado! Trouxe isso pra você. Por que não respondeu minhas mensagens? Nem sabia que sabor pegar pra você ou se você queria mesmo. — então ela pareceu notar a presença de Matt e o cumprimentou com um aceno. — Será que podemos conversar... a sós?
– Ok...
Ela me puxou para um canto longe da nossa mesa e ficou de costas para Matt, de forma que eu conseguia vê-lo olhando para nós de tempos em tempos desconfiado.
– Você sabe quem é ele?
– Matthew. Da nossa sala, ele senta do meu lado.
– Ele é o Halfback do time de futebol! O melhor amigo de John!
– Ok. E isso seria extremamente relevante por quê?
– Eu não te contei? Amo o John desde a 4ª série, quando ele me acertou com uma bola de futebol e me levou até a enfermaria. Você tem que virar melhor amiga do Matt, para eu me aproximar do John!
– Ele não tem namorada?
– Tiffany? Aquela puta? Me livro dela rapidinho.
Olhei para Hilary com nojo. Como ela poderia pensar assim? Queria que eu me aproximasse do Matt para ganhar vantagem? Era só o que me faltava. Peguei a minha mochila na mesa e saí sem nem me despedir do garoto.
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