Notas iniciais
Nesse capitulo tem mais Jessy, como o prometido. Desculpa ter demorado, é que eu estava viajando. Espero que gostem :)

Pov. Jessy

– Mãe! Cheguei! — gritei entrando em casa e subindo as escadas. — Mas, como sempre, a senhora não está em casa.

Joguei a mochila em cima da cama do meu quarto. Parte dele ainda estava coberta de caixas, por causa da preguiça de arrumar tudo novamente, mas ele era muito bonito. Branco, com cortinas cinzas e em uma parede inteira uma fotografia em preto e branco de uma coruja voando. Janelas do teto ao chão, uma escrivaninha também cinza e uma cama de casal cheia de almofadas. Um guarda-roupa branco vazio. As roupas permaneciam encaixotadas.

A casa era incrivelmente bonita e bem decorada, porém não queria aproveitar nada daquilo. Queria apenas voltar para Detroit. "A cidade estava ficando muito perigosa, querida." era a desculpa preferida deles, mas eu sabia que na verdade a nossa concessionária estava falindo e nos mudamos para cá, porque meu pai vendera a loja e comprara uma rede de restaurantes na Califórnia. Os negócios estavam melhorando, mas eu não conseguia me adaptar. Sentia saudade de tudo.

Me joguei na cama, peguei o celular e abri o Whatsapp para tentar conversar com Marina, uma amiga querida que deixei para trás em Detroit, junta com toda uma vida maravilhosa.

Jessy Miller: Hey!

Marina Parks: Hey! Como foi o primeiro dia de aula, Jessy?

Jessy Miller: O de sempre, nada especial. Professores chatos tentando ser legais no primeiro dia, pessoas me ignorando completamente, biblioteca incrível e muita saudade.

Marina Parks: Você sabe que não é isso o que eu realmente queria saber.

Jessy Miller: Ok, ok. Tinha garotos lindos. Um loiro atlético magnífico, mas ele tinha namorada T-T

Marina Parks: Jessy, querida, você está morando em uma casa linda, estudando em uma escola ótima, com uma das maiores bibliotecas do estado (pra você que se importa com essas duas últimas coisas) e garotos esplendidos! Por que ainda reclama tanto???

Jessy Miller: Porque aqui não tem Kung Fu nem Marina Parks.

Marina Parks: Meu nome é comum. Com sorte você acha outra por aí. E você é muito viciada nesse esporte, já pensou em tentar outro? Você poderia dar uma ótima líder de torcida.

Jessy Miller: ...

Marina Parks: É sério! Kk

Joguei o celular do meu lado na cama e pensei em como eu me sairia como líder de torcida, rebolando com um mini short-saia no topo de uma pirâmide de meninas bonitas e ri sozinha. Deveria ter alguma academia de Wushu em algum lugar de Fresno.

Pov. Matt

– Ah, cara, eu não acredito que você ganhou de novo!

– Eu sou o rei do FIFA. — gabou-se Ethan. — Décima segunda vez, jovem pupilo. Você deveria desistir enquanto ainda dá tempo.

– Nunca!

– Será que eu posso jogar agora? — Perguntou Mike entrando na sala novamente, onde nós jogamos em seu PlayStation.

– Não. — respondemos em uníssono.

Ele saiu batendo os pés e rimos bebendo Coca-Cola.

– Você não deveria estar tomando isso, senhor atleta.

– E você não deveria passar cinco horas por dia jogando vídeo-game.

– Ok, você venceu. Mas nunca me vencerá no FIFA.

– Goooooooool! Nós últimos 40 minutos do segundo tempo. Já era, Eth. Não é hoje que você bate seu recorde. — comemorei tirando o jogo do console.

– Oh, destino, porque tão cruel?

Gargalhei e fui para a cozinha fazer pipoca.

– O que você achou das novatas?

– Meu caro, eu estava ocupado demais olhando para os airbags da professora de inglês que nem olhei para o lado. — falou sério imitando o volume dos seios com as mãos me fazendo rir. — Alguma coisa que valha a pena?

– Bonitas, bem bonitas.

– Hum... bonitas.

– Bonitas.

Mike entra correndo na cozinha atrapalhando nossa "conversa de drogados", como diria Ethan.

– Matt!!!

– O que foi?

– Você arranhou meu jogo!

– E você veio aqui brigar comigo por causa disso?

– Esquece. — ele sai batendo os pés e com a cara enfezada.

– Adolescência precoce?

– Adolescência precoce.

Pov. Jessy

Marina Parks: Tchau, Jessy. Tenho que ir. As aulas aqui começaram mais cedo e tenho dever pra fazer.

Jessica Miller: Maks, sair com garotos não pode ser considerado como dever.

Marina Parks: Droga, Jessy, você me pegou.

Coloquei o celular para carregar e peguei um livro em minha mochila. O mesmo livro que eu li durante os meus primeiros dias em Ohio aos onze anos e desde então se tornou um ritual para boa sorte nos primeiros dias de aula em cidades diferentes. Onde o Sol Não Brilha Mais. Mesmo sendo um livro relativamente infantil, sempre que leio eu choro e dou risada como a menininha que o leu pela primeira vez.

Fome. Desci correndo as escadas e peguei uma lasanha congelada. Saboreava cada centímetro gorduroso daquela maravilha de comida instantânea quando a minha mãe chega.

– Comendo porcaria de novo? Você não toma jeito, hem? Já disse que isso é para emergências! Como vou fazer o jantar agora?

– Você não chegava... E eu estava com fome.

– Vá para o seu quarto. Preciso cozinhar para mim e para o seu pai ainda, já que a senhorita não vai comer.

– Eu estava com fome!

– E eu de plantão! Custava comer uma maçã ou coisa do tipo para tapear o estômago até o jantar?
Resmunguei e comecei a subir as escadas.

– Aproveitando que você está aqui, na quinta você só sai da escola ás 17:00.

– Por quê??

– Vai vir um homem para pintar a sala. Vamos ficar alguns dias sem poder usá-la. Você já arrumou o seu quarto?

– Ainda não...

– Jessica! Estamos aqui a mais de três meses e você ainda não fez isso?

– Não quero ter que encaixotar tudo daqui a seis meses de novo.

Ela andou até mim e colocou a mão em meu ombro.

– Olhe, querida, eu sei que é difícil, mas vamos tentar nós estabelecer de verdade aqui. Desculpe-nós por todas essas mudanças. Estávamos passando por uma fase difícil.

Limpei as lágrimas e disse:

– Tudo bem, mãe. Vou arrumar meu quarto. Mas não hoje.

Ela abriu um sorriso cansado e disse:

– Você não toma jeito, hem?