We found love in a hopless place II
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Após uma breve discussão a respeito do melhor modo de levar todos de volta à Floresta Encantada, o grupo acabou decidindo-se por um feitiço. Esta seria a melhor forma de focalizar o poder dos quatro e certamente aumentaria as chances de sucesso. As palavras começam a ser proferidas em um tom baixo e aos poucos vão se intensificando, até que tudo escurece.
– Será que funcionou? – Henry indaga, ligeiramente confuso.
– Definitivamente estamos em outro lugar. Só precisamos descobrir se é ou não a nossa casa. – Ruby responde, analisando tudo ao redor.
– Não há com o que se preocupar. Aqui está sua resposta. – Hook arranca com um gancho um pedaço de papel pregado em uma árvore. Nele estava estampada a foto de Snow White e abaixo dela se evidenciava a palavra “Procurada”.
– Não é possível que isso ainda esteja aqui! – Regina toma a folha nas mãos e a observa com indignação.
– As coisas resistem por muito mais tempo do que esperamos, afinal. – David se pronuncia.
– Bom, vamos mandar recolher. A realidade é outra agora. – A rainha ergue os ombros como quem não se importa.
– Enfim, agora que estamos todos aqui novamente, vocês já podem seguir seus rumos e vamos todos ser felizes para sempre. – Rumple diz em um tom irônico, o que faz Regina e alguns outros rolarem os olhos em desaprovação. Por fim, começam a caminhar pela floresta e aos poucos o grande grupo vai se dispersando, conforme as pessoas percebem caminhos conhecidos que os levariam até seus lares. Não demora muito até que o castelo esteja à vista e sorrisos brotam em vários lábios. Neal se despede de Emma e decide seguir com Belle e Gold até a casa de seu pai, que seria seu novo lar. O senhor das trevas movimenta as mãos e os três somem no mesmo instante. Henry observa tudo ao redor com enorme curiosidade e fascínio. Rose dorme tranquilamente nos braços de Hook. Snow e Charming seguem de mãos dadas durante todo o trajeto.
– Mal consigo acreditar que estamos de volta. Parece um sonho distante. – Mary Margaret abre um largo sorriso enquanto passam pela porta dianteira do castelo.
– Vamos ter que reaprender a viver aqui. Agora todas as coisas estão diferentes. Para começar, a família aumentou. E o reino já não é o mesmo. As pessoas não são as mesmas. – David observa.
– Nossa árvore genealógica é realmente uma bagunça. Precisaremos de uma festividade para apresentar nossos filhos ao reino, como sempre foi feito. – A mulher continua.
– Regina é sua madrasta. Ela ainda é a rainha. Henry e Rose são seus filhos, logo ele é um príncipe e ela uma princesa. Você também é uma princesa, eu sou um príncipe e Emma é nossa filha, portanto, é uma princesa também. E Henry é filho dela, então não haveria um jeito de ele fugir do principado, já que este lhe foi atribuído pelas duas mães. Não é tão complicado assim de entender.
– Não se você ver por este ângulo. Mas pensar que a minha madrasta é mãe do meu neto é um tanto confuso.
– Céus! As pessoas já conhecem todos vocês e sabem que são a realeza. É totalmente desnecessário ficar discutindo genealogia. – Hook protesta.
– Vamos nos organizar, por favor. Logo vai escurecer e seria bom se pudéssemos nos acomodar. Vou ficar no meu antigo quarto. Killian fica comigo. Certamente vocês dois ai vão querer continuar com seus antigos aposentos também. O espaço que escolheram para Emma é totalmente infantil, devido às circunstâncias. Ela pode ficar com outro provisoriamente e voltar a ele quando trocarmos os móveis. Felizmente, não faltam quartos neste castelo. Henry, querido, você pode escolher o que quiser.
– Posso mesmo?!
– Claro que sim. Isso aqui também é seu.
O garoto sorri amplamente.
– Acho bom a Rose ficar conosco por enquanto. – A Rainha dirige o olhar ao Capitão. – Vai levar um tempo até ela se adaptar e não quero que fique assustada.
– Você tem razão.
– Precisamos arrumar comida. Se não se importam, eu gostaria muito de caçar. David pode ir comigo e providenciaremos alimentos para o jantar.
– Façam o que acharem melhor.
– Henry e eu vamos explorar o castelo. Precisamos fazer um reconhecimento, não é, garoto?
– Ótima ideia, mãe!
Todos começam a se movimentar para seguir com seus planos. Regina dá alguns passos em direção aos seus aposentos e é interrompida pelo gancho de Hook tocando seu antebraço com cuidado.
– Regina, eu... Tem um lugar em que eu preciso ir. Voltarei antes que escureça.
A rainha não precisou perguntar para entender do que se tratava
– Eu compreendo. Tudo bem. A maldição foi quebrada e o seu navio pertence a esse mundo. Creio que estará esperando pacientemente por você no porto. Mas entendo a sua necessidade de atestar isso por si mesmo. Me dá a Rose aqui. Ela teve um dia longo, vou coloca-la na cama para que descanse melhor.
– Ok. Obrigado por aceitar isso numa boa.
A mulher ergue a sobrancelha, analítica, enquanto toma a filha adormecida nos braços. Por fim, permite que seus lábios encontrem os do pirata em um beijo rápido e o observa traçar o caminho até a porta. Um pensamento surge em sua cabeça enquanto se dirige aos seus aposentos: Como poderia não aceitar? Ele era o que era e estaria onde precisava estar. Ainda assim, voltaria para ela no fim do dia. E isso bastava.
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Era estranho o modo como as coisas pareciam simplesmente intocadas, como se não houvesse passado um dia sequer desde a última vez em que estivera ali. Regina acomodou a filha sobre a espaçosa cama e a cobriu com seu cobertor predileto. O mesmo que por tanto tempo aqueceu o seu corpo durante as noites frias, do qual havia se esquecido completamente. Por um instante, lhe pareceu até mesmo injusto não se lembrar de todos os seus pertences deixados para trás. No entanto, aquelas coisas não lhe faziam falta. Muito pelo contrário. Naquele momento, foi como se nada daquilo lhe pertencesse. Já não era a mesma pessoa e ainda que tivesse grande estima por alguns daqueles objetos, eles faziam parte de uma vida que ela queria esquecer.
Os dedos da rainha tocaram um delicado porta-joias e ela se permitiu abri-lo e contemplar as riquezas que ele guardava: As joias reais. Sorriu ao atestar que tampouco estas lhe importavam. Ela não as desejava tanto quanto havia desejado um dia. A coisa certa a se fazer era entrega-las à sua verdadeira dona: Snow White. Muitas daquelas delicadas peças haviam pertencido à mãe dela e por mais que a antiga rainha não fosse assim tão honesta e perfeita quanto todos pensavam, ainda era a mulher que dera a vida à princesa. E se havia alguém no mundo que não poderia julgar os atos de sua antecessora, esse alguém era ela própria.
Seus olhos pousaram sobre o antigo guarda-roupas e ela sorriu ao pensar em seus vestidos magníficos guardados ali. Como sentira falta deles. No entanto, precisava admitir que os trajes que usava em Storybrooke eram muito mais leves e confortáveis. “Bem, talvez eu possa adaptar meu estilo” – Pensou.
Regina suspirou ao sentir o cansaço evidenciando-se em seu corpo através de uma desconfortável dor nas pernas e nas costas. As noites mal dormidas e a alimentação precária debilitaram seu organismo e no meio de toda a adrenalina, ela não havia percebido o quanto precisava descansar. De um modo mecânico, a prefeita retirou os sapatos e o casaco, lançou-os em um canto qualquer e se deitou ao lado da filha, envolvendo-a em seus braços logo após puxar seu cobertor favorito sobre si. E então, adormeceu satisfeita, em sua própria cama, como há muito não fazia.
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Continua...
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