We found love in a hopless place II
25 Capítulo 25
Notas iniciais
O dia seguinte começou normal como todos os outros. Tudo quieto e tedioso. Killian decidiu convidar Henry para ir até o porto, com a pretensão de conversar um pouco com o garoto e investigar a intensidade de suas “lembranças”. Deste modo, seria capaz de criar um plano que estimulasse a memória do rapaz. Antes da hora marcada, o menino já aguardava ansiosamente encostado em uma pilha de caixas próximas ao Jolly Roger. O pirata, antevendo os movimentos do enteado e sabendo que em muitas situações agia exatamente igual a sua mãe, chegou ainda mais cedo para preparar as coisas e deixar o navio visível a todos os olhos. Se o encontro fosse com Regina, ela provavelmente estaria lá bem antes do combinado, observando todos os movimentos de um canto oculto. Henry simplesmente fez o mesmo.
Secretamente, o Capitão se divertia analisando o garoto. Era engraçado o modo como ele tinha todas as coisas irritantes da sua família nada encantada e ao mesmo tempo, milhares de outras características exclusivas de sua rainha. Bem, talvez não tão exclusivas assim, já que seus dois filhos as herdaram. Rose era praticamente uma miniatura da prefeita, e não apenas na aparência, mas no gênio forte e nos gestos e atitudes também. Alguns dizem que mãe é aquela que cria e educa, enquanto outros batem o pé e insistem que é a mulher que deu à luz a criança. Henry provava que ambas as teorias estavam corretas.
Hook desce do navio discretamente e surpreende o menino com um tapinha gentil em seu ombro.
– Chegou cedo, garoto.
– Oh, Killian! Me desculpe! Eu estava empolgado com isso, adoro o Jolly Roger. Minha mãe saiu cedo e eu sai junto com ela.
Killian. O pirata dá uma risadinha debochada. Atualmente, apenas uma pessoa o chamava pelo nome. Era sua rainha. Eventualmente outros o faziam também, mas eram raras exceções. Para todos naquela cidade ele era Hook, ou simplesmente Capitão.
– Sobe ai! Tem um convés inteiro para você limpar, marujo.
– Bem, talvez eu precise ir para a aula, sabe...
– Em um sábado? Nem que você fosse um dos alunos mais aplicados.
Ambos riem.
– Não custava tentar.
– Bem, vamos lá.
O pirata vai na frente e o garoto o segue, com um largo sorriso no rosto.
– Verifique as velas para mim. Estamos com sorte, está ventando. Poderemos dar uma voltinha nessa belezinha. Se você se comportar, te deixo comandar um pouco.
– Legal!
Minutos depois, o navio se movimenta lentamente pelo mar estupidamente azul.
– Capitão, posso te perguntar uma coisa?
– Duas.
– Certo. Regina te contou sobre os sonhos? Quero dizer, bem, claro que você deve saber sobre os sonhos dela, vocês são casados.
Bingo! O menino iniciou a conversa, ele não precisaria fazer isso. Sentiu-se satisfeito. Estava apreensivo em relação ao assunto, pois mal imaginava como poderia abordá-lo. Sonhos são coisas muito pessoais, não poderia simplesmente chegar e dizer: E ai, garoto, tudo bem? A propósito: O que você anda sonhando ultimamente?
– Não somos casados. Apenas... Como posso dizer? Juntamos nossos trapos. Talvez um dia isso mude. Mas você está certo, Henry, ela me contou sim.
– Puxa, me perdoe. Sempre pensei que fossem casados. Sabe como é, né? Vocês moram juntos e tem uma filha. – Diz um tanto sem graça.
– Não tem problema.
– Ela te contou sobre mim também?
– Sim. Vocês dois sonharem a mesma coisa a deixou um tanto intrigada e devo dizer que a mim também.
– Eu sempre sonhei bastante. Quase todas as noites. Mas agora tudo isso está meio estranho. Quero dizer, eu adoro ter uma conexão com Regina porque gosto muito dela, no entanto, eu realmente gostaria de entender o porquê disso tudo.
– Acredito que a essa altura todos nós queremos, Henry. Sonhos são coisas sérias. Muitos acreditam que são premonições do que ainda está por vir ou que são lembranças de um passado muito antigo se manifestando e pedindo para voltar à tona.
– Não podem ser lembranças. Nós não nos conhecíamos quando eles começaram.
“Isso é o que você acredita” – O Capitão se esforça para disfarçar o pensamento.
– Mas tem outra coisa esquisita. – Continuou. – Eu sonho com as pessoas dessa cidade, como se elas fossem personagens de contos de fadas.
– É mesmo?
– Sim. Frequentemente. Uma vez sonhei que a Regina era a rainha má da historia da Branca de Neve e ela preparava uma torta de maçã para a minha mãe, mas quem comia era eu, e então eu desmaiava e todos ficavam desesperados até que minha mãe me dava um beijo e eu acordava. Isso é muito estranho, ainda mais porque no sonho quem era a Branca de Neve era a Mary Margaret e não a minha mãe. Você também estava lá. Acho que não preciso dizer quem era, não é mesmo?
– Certamente.
– Houveram outros. Em um deles, eu era sequestrado por Peter Pan e ia parar em Neverland. Esse era ainda mais maluco. Peter dizia coisas sobre salvar a magia e o coração do verdadeiro crédulo e eu não entendia nada. Estava em perigo e não sabia. O mais esquisito é que eu chamava Neal de pai e Regina de mãe, além da minha própria mãe e esperava que todos vocês viessem me salvar. No fim de tudo, vocês vieram. Mary Margaret e David também. E voltamos para casa no Jolly Roger.
Por um instante, Hook se sente ligeiramente apreensivo. Será que o garoto havia sonhado também com o que viera depois disso? Certamente não, caso ao contrario provavelmente estaria cheio de questionamentos sobre a realidade daquilo tudo.
– Você gosta muito de ler e vive contando histórias para Rose. Talvez elas fiquem perdidas em algum lugar nos seus pensamentos, e quando dorme, acaba sonhando com isso. Regina me contou que você costuma usar aquele livro que foi ilustrado com base nas pessoas dessa cidade. Creio que a sua imaginação trabalha bastante a todo o momento e quando você dorme, ela se manifesta em forma de sonhos.
– Pode ser. Bem, de qualquer forma eu aprecio bastante. Quando as pessoas gostam muito de uma coisa, elas desejam sonhar com aquilo. É como se pudessem ficar mais próximas ao universo que admiram. E nos sonhos, tudo pode acontecer. Todas as histórias e finais alternativos para os livros, filmes e desenhos que nos encantam. No fim das contas, acho que sou simplesmente sortudo.
– Interessante. – O pirata se perde por um instante em seus pensamentos e então prossegue: Hey garoto! Assuma aqui para mim, por favor. Preciso arrumar aquelas velas.
– Mesmo?! – Diz com empolgação. O Pirata sorri e ergue a sobrancelha, em resposta.
– Mas é claro! Você não quer ir parar em algum lugar na América do Sul por um acaso, quer?
– Na verdade, eu adoraria. Mas acho que a minha mãe ficaria bem preocupada.
– Quem sabe um dia.
Ambos riem. O Capitão dirige-se a uma das velas e começa a fingir que está fazendo algo importante ali.
– Henry, você vai ver a Rose hoje?
– Oh sim, é verdade! Vou sim. Prometi a ela que lhe contaria duas histórias e estou bem certo de que ela não vai se esquecer disso.
– Ah, pode ter certeza de que não vai mesmo. Aquela garota tem uma memória infalível.
– Eu adoro fazer isso, sabe? Ler para ela. É um hábito muito bom para se incentivar. E não é como se eu tivesse muito o que fazer depois do colégio. É muito gratificante passar um tempo com ela. Adoro aquela pequenina.
– Rose é uma criança sensacional. Bem, marujo, depois que eu terminar aqui, vou te dar umas lições sobre navegação então vamos para casa. Não é só você que tem promessas a cumprir hoje.
– Ok, Killian. A propósito: Muito obrigado.
– Está agradecendo o que, garoto?
– Isso aqui. Foi muito legal ter me convidado para dar uma volta no Jolly Roger. Gosto muito daqui, mas as vezes é meio parado. É muito bom ter uma aventura de vez em quando...
– Bem, talvez possamos fazer isso mais vezes. Vou pensar no assunto.
– Ok.
O resto da manhã seguiu calmo. Após ensinar a Henry os princípios básicos da navegação, Hook o leva para casa e segue para seu próprio lar, desejando conversar com a rainha. Havia coisas importantes que ela precisava saber e era bom que soubesse logo.
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Continua...
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