Notas iniciais
Olá, queridos, como estão? Finalmente voltei. Devo confessar que travei um pouco nesse cap, por isso demorou. Bem, é que desde o começo eu tenho a historia toda na minha cabeça, no entanto, conforme vou escrevendo, vou acrescentando outras coisas que me surgem no momento. Esses dois últimos caps não estavam planejados, pelo menos, não desse modo, mas ao reler a fic, notei a necessidade de acrescentar algo assim. Enfim, não liguem, sou meio louca mesmo. Isso somado à falta de tempo e aos problemas com os dispositivos eletrônicos que simplesmente me odeiam, só faz piorar a situação. Bem, acho que já falei demais. Estão curiosos para saber qual é o papo que o Henry quer levar com a Regina? :D Espero que gostem. Não deixem de comentar. Beijinhos!

– Você disse que queria conversar... — A rainha iniciou.

– Sim, bem... Existe algo que vem me intrigando há um tempo.

– Vamos lá para a sala. Poderemos nos acomodar melhor.

– Ok.

Mãe e filho seguem para o outro cômodo e tornam a sentar-se sobre o sofá macio.

– Você ia dizendo...

– Regina, você se lembra do dia em que nos conhecemos?

A mente da rainha faz um breve passeio ao redor de suas memórias, revivendo a cena que mudou sua vida para sempre. O pequeno embrulho branco lhe sendo entregue e seus braços se moldando desajeitadamente para recebê-lo. E os olhos. Aqueles olhos escuros e curiosos a observando. Ela o amou desde o primeiro instante.

– Como se fosse ontem. — Respondeu.

– Lembra qual foi a primeira coisa que eu te disse?

Como que em um infeliz estalo, a prefeita se dá conta de que não falavam sobre o mesmo dia.

– Que eu era a mulher dos seus sonhos. E eu respondi que você era o homem mais jovem a me dizer isso.

– Eu te contei o sonho. Você era a minha salvadora. Eu estava em uma floresta, com frio e com muito medo. Tanto que não conseguia me mover. Gritava por socorro até minha garganta doer. E então você surgia, dizendo que tudo ficaria bem. Colocava sua capa nos meus ombros, me pegava pela mão e corríamos. Lembra disso?

– Sim. O que tem tudo isso, querido?

– Eu... — Hesita por alguns instantes — Ainda tenho esse sonho. E é estranho, fica cada vez mais real e mais intenso.

Regina sente seu corpo estremecer. Não podia mais esconder esse segredo do garoto.

– Escuto seus gritos, pedindo por ajuda. Por um instante, eu me desespero e então me obrigo a focar no som da sua voz e corro em sua direção. Faz frio e está muito escuro. Tropeço em uma raíz e caio de joelhos no chão. Me levanto, praguejando e continuo correndo. Torno a cair e a levantar ainda outra vez. E então eu te vejo sobre uma pedra, debaixo da cerejeira ao lado de um riacho. Seu cachecol está caido no chão, mas você está com tanto medo que não consegue nem sequer abaixar para pegá-lo. Consigo te alcançar. Eu jogo minha capa sobre os seus ombros e digo que vai ficar tudo bem. Pego em seu pulso esquerdo com firmeza e corremos o mais rápido que conseguimos, tentando fugir dali.

– Eu não disse nada sobre o cachecol! Nem mesmo sobre a cerejeira ou o riacho! Como é que você sabe?!

– Porque este, Henry, é o meu sonho. Desde antes daquele dia no Granny's eu já o sonhava e quando você veio com essa história de salvadora eu fiquei realmente assustada. Nunca disse nada porque não queria te assustar também.

– Como pode ser isso, Regina?! Duas pessoas que não se conheciam, sonharem o mesmo sonho, com uma versão completando a outra?!

– Não sei o que dizer, querido. É igualmente confuso para mim.

– Estamos conectados de algum modo. Você ainda sonha isso?

– Frequentemente.

– Eu tinha esse sonho antes de te conhecer. Na verdade, nem sei bem desde quando o tenho. Quando foi que começou para você?

– Desde que você foi... — A rainha hesita e tenta pensar em um modo rápido de disfarçar a afirmação que começara a fazer. — Antes de você vir para cá também, querido.

– Eu acho isso tudo bastante curioso, mas gosto. Gosto muito de você e acho realmente bacana compartilharmos isso, mesmo que não saibamos o final e que não seja um sonho assim tão bonito. Sabe, sou muito criativo. As vezes tenho sonhos esquisitos. Já sonhei que estava em um navio pirata, que estava na Terra do Nunca da historia de Peter Pan e ele era mau, que comia uma torta de maçã feita pela Rainha Má da historia da Branca de Neve, que por sinal era você, por mais ridículo que isso pareça, e desmaiava, até que minha mãe me dava um beijo e eu acordava. Acho que tenho me empolgado demais com as historias que leio para a Rose daquele livro que tem as ilustrações inspiradas nas pessoas dessa cidade.

Regina sente seu corpo estremecer novamente. De algum modo ele sabia. Suas memórias estavam lá, intactas, escondidas em algum lugar. E estavam lançando-se a ele de maneira inconsciente, ansiando que ele acreditasse nelas e finalmente se lembrasse.

– Sim! Bem, talvez seja mesmo isso. As historias ficam na sua cabeça e quando você dorme, seu subconsciente te prega peças.

– Desculpe se eu te deixei preocupada com esse papo todo de querer conversar. É que eu realmente achava curioso o fato de ter esses sonhos estranhos e agora que sei que você também os tem, acho ainda mais intrigante. Enfim, desculpe tomar seu tempo com essas baboseiras.

– Não é incômodo nenhum, querido. Você sabe que pode falar comigo sobre o que quiser. Confesso que também estou bastante curiosa a respeito desses sonhos. Quem sabe um dia nós possamos entender o que significam afinal.

– Eu preciso ir. Já está tarde e a minha mãe já deve estar voltando do passeio com Neal. Não quero que fique preocupada.

– Você está certo.

Os dois se levantam e seguem para a porta da frente. Regina pega o casaco do filho e o ajuda a colocá-lo enquanto se despedem.

– Obrigado por me ouvir. Outros talvez não fossem tão gentis e compreensivos.

– Estou sempre aqui para você, querido.

– Ok. Boa noite.

– Boa noite, meu amor. Vá com cuidado.

– Eu irei.

O garoto sai e a rainha fecha a porta em seguida. Apoia-se de costas na parede e reflete por alguns instantes a respeito das informações que acabara de receber. Por fim, decide ir tomar um banho e se deitar, afinal de nada adiantaria ficar remoendo aquela história. Pelo menos não naquele momento.

~~oOo~~

Continua...

Notas finais
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