We found love in a hopless place II
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Seu coração pulsava feliz dentro do peito. Naquela noite, como em muitas outras, o filho jantaria em sua casa, como um convidado especial. Fazia questão de insistir que momentos como esse se repetissem pelo menos uma vez por mês. Ajeitou os pratos sobre a mesa e ao lado deles os talheres e os guardanapos e em seguida, conferiu o estado do assado dentro do forno. Infortunadamente, era obrigada a convidar Emma para tais jantares, caso ao contrário o garoto estranharia. E com ela vinha Neal. Desde que finalmente se assumiram como um casal, não podia mais excluí-lo. Sabia que Swan odiava essa situação tanto quanto ela. Para a sua satisfação, a mulher era boa em inventar desculpas convincentes e muitas das vezes, Henry aparecera sozinho. Esta era uma dessas ocasiões. A mãe solicitara ao menino que pedisse desculpas à prefeita em seu nome, pois havia planejado uma noite romântica com o namorado e não poderia ir à sua casa. O que o garoto desconhecia era o fato que Regina já sabia disso. Fora ela quem de fato havia sugerido à Emma que usasse esse pretexto para não ir, dizendo que ela poderia alegar que precisava ficar um tempo a sós com Neal.
Pequenos bracinhos a envolvendo pelas pernas a livraram de seu devaneio. Rose tinha passos tão silenciosos quanto os do pai e isso era uma qualidade realmente muito importante, mas não tornava os sustos inocentes que a menina lhe causava menos piores.
– Mamãe, o Henry vai demorar para chegar?
– Acredito que não, meu amor. Você está com saudades dele?
– Estou. Ele prometeu que ia contar uma história especial para mim hoje.
– É mesmo? Que tipo de história?
– Não sei. Ele disse que era surpresa, mas espero que seja de piratas. Adoro histórias de piratas.
Regina não pode evitar sorrir. De fato, a filha era muito mais parecida com o pai do que ela imaginava. A cada dia, Rose a surpreendia com um novo gesto, revelando algo até então desconhecido. Conseguia enxergar seus próprios traços na menina também. Tanto os físicos quanto os de personalidade. Os cabelos escuros, o formato da boca, o nariz delicado... Era uma miniatura dela com os olhos de Killian, azuis como o mar que ele tanto venerava. Havia uma pequena veia que saltava em sua testa quando ficava brava ou chorava muito e quando desejava algo, erguia a sobrancelha e o pedia sedutoramente. Nestes momentos ela quase podia ouvir a voz do Capitão através dos lábios da menina.
– Veja, mamãe, eu fiz um desenho para ele — A pequena prossegue. — Será que vai gostar?
A garota ergue o desenho e a mãe o pega, observando os traços infantis sobre o papel branco. Uma mulher com os cabelos curtos segurando algo que parecia uma torta nas mãos. Um homem de preto com um cavanhaque e seu gancho, um garoto segurando um livro e uma menininha sorridente.
– Somos nós. — Continuou. — Eu, você, Henry e o papai. Aqui você tinha acabado de fazer uma torta de maçã. Henry e eu adoramos torta de maçã! E ele está com seu livro porque veio me contar uma história.
Ela não desenhara Emma e Neal. Riscara apenas os quatro no papel, como uma família. — A rainha observou. E seu coração se aqueceu.
– Ele vai adorar, querida. Tenho certeza.
A campainha toca, impedindo-as de continuar.
– Henry chegou!
– Vá chamar seu pai e lavar as mãos enquanto eu o atendo.
– Eu quero abrir a porta!
– Não. Vá fazer o que eu disse e depois você vem para cá.
– Mas mamãe, eu só vou abrir a porta rapidinho e depois lavo as mãos!
– Rose — Diz em tom de advertência. — Não me obrigue a mandar novamente! Vou contar até três e se você ainda estiver ai, vai ficar sem sobremesa.
– Oh não!
A menina sai correndo e a rainha revira os olhos antes de sorrir. Se havia uma coisa que a criança realmente herdara dela, era a teimosia. Segue para a porta apressadamente e a abre, sorrindo ainda mais.
– Henry!
– Olá, Regina. Minha mãe pediu desculpas, mas não pode vir.
– Venha, entre! Está tudo bem?
O menino entra e a mulher o ajuda a tirar seu casaco e pendurá-lo no cabideiro e então tomam o caminho da sala e se acomodam no sofá.
– Tudo sim. Ela havia marcado uma noite romântica com Neal. Desde que começaram a namorar de verdade, não se desgrudam mais.
– Como você se sente a respeito disso?
– Bem, eu gosto do Neal. Era meio óbvio que eles iam acabar juntos.
– Por que diz isso?
– Bem, eles trabalham juntos, estavam o tempo todo perto um do outro e são muito amigos. Desde que receberam a proposta de se mudarem para cá e terem um emprego melhor, ficaram ainda mais próximos. Estou bem com isso. Neal é um cara legal e a minha mãe não podia ficar sozinha para sempre.
– Você realmente gosta daqui, Henry? Não pensa em voltar para New York?
– Na verdade não. Eu tinha uma vida boa em New York, mas era sozinho. Só tinha um amigo no colégio e mal via a minha mãe porque o trabalho dela era muito puxado. Aqui é muito diferente. É mais calmo e pacífico. Tenho vários amigos e todos nos acolhem como se fôssemos da mesma família. Eu me sinto em casa.
– Isso é bom.
– Regina, eu... Se não se importa, eu gostaria de conversar melhor com você após o jantar.
– Há algum problema, querido?
– Nada demais. Apenas uma curiosidade.
– Tudo bem.
– Henry!
A menina surge correndo e pula no colo do garoto.
– Hey, Rose!
– Veja, eu fiz um desenho! Somos eu, você, o papai e a mamãe.
– Está muito legal, guaxinim!
– É para você, esquilo!
A mulher não saberia dizer quando os filhos começaram com os apelidos, mas em seu íntimo, achava isso adorável.
– Muito obrigado!
– Hey vocês! Se não se importam, acho que deveríamos ir jantar. Estou faminto. — O pirata observa.
Regina é a primeira a se levantar. A mão do Capitão enlaça sua cintura e ela sorri.
– Se eu fosse vocês, viria logo. Fiz torta de maçã para a sobremesa.
– Oba! — Dizem em uníssono.
– Sai de cima de mim, sua guaxinim pesada! Eu quero saborear essa torta logo!
– Não antes de mim, esquilo guloso!
Os dois levantam-se apressadamente e seguem todos para a sala de jantar, rindo felizes.
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Assim como o esperado, o jantar foi agradabilíssimo. Saborearam o delicioso peixe assado ao molho de ervas e depois a apetitosa torta de maçã, conversaram sobre coisas bobas e riram bastante. Quando percebe que todos haviam terminado de comer a algum tempo, Regina lança um olhar ao pirata e ele compreende imediatamente que ela deseja ficar a sós com o filho. Killian levanta e puxa a filha pelo braço delicadamente.
– Rose, querida, vamos para a cama. Já passou da hora de você ir dormir.
– Ah, papai! Deixe-me ficar! É cedo ainda! Além do mais, Henry me prometeu que contaria uma história especial hoje.
– Não seja teimosa, garotinha! Venha comigo e eu lhe conto uma história. O que acha?
– Eu quero que Henry conte!
– Rose, obedeça ao seu pai. Henry está cansado e nem trouxe seu livro hoje.
– Mas você prometeu, esquilo!
A pequena encarou o menino à sua frente com um olhar suplicante.
– Me desculpe, guaxinim. Eu sei que prometi, mas o que a sua mãe disse é verdade, eu esqueci o livro. Podemos fazer um trato? Hoje você vai com o seu pai e ele lhe conta uma história e amanhã eu venho aqui a tarde, trago o livro e lhe conto duas. O que acha?
– Você vem mesmo?
– Claro que sim. Alguma vez eu disse que viria e faltei com a minha palavra?
– Se você não vier, não falo com você nunca mais.
O garoto ri discretamente.
– Eu jamais correria esse risco.
– Vá dar boa noite para a sua mãe, Rose.
A menina hesita por um breve instante e então, segue para a mãe e lhe dá um beijo na bochecha, recebendo outro em retorno.
– Boa noite, mamãe.
– Boa noite, meu amor. Tenha bons sonhos.
– Obrigada.
Em seguida, repete o gesto com Henry, desejando-lhe também uma boa noite. Killian toma a filha nos braços e parte. Da sala de jantar, Regina e o filho puderam ouvir sua vozinha aguda fazer uma última pergunta: " Papai, pode ser uma história de piratas?" E ambos riram.
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Continua...
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