Notas iniciais
Oi, meus amores o/ Sei que demorei uma eternidade pra postar esse cap, sei mesmo, e peço desculpas. Na verdade ele já estava pronto há um tempinho, mas eu estava preparando uma coisa que queria postar junto com ele. Infelizmente não ficou pronta ainda e eu resolvi colocar o cap logo e mostrar o outro negócio depois porque já demorei demais para atualizar isso aqui. Lembram que eu disse na última postagem que a partir do próximo capítulo estaríamos em um novo momento? Pois é. Boa hora pra lembrar xD Vou mandar a real para vocês: Todo mundo sabe que eu estou com uma fic de Castle em andamento também e por isso tenho que dividir meu tempo de escrita entre uma e outra. Bem, Home está acabando. Pretendo finalizá-la em 3 capítulos, então optei por focar mais nela, assim termino rápido e posso me dedicar inteiramente à WFL. Por isso, mesmo sendo chato, peço paciência. Esse cap tá grande e eu realmente quero recompensar vocês, então peço encarecidamente que não desistam dessa história, ok? Muito obrigada por virem, vocês fazem meu dia mais feliz SEMPRE. Não deixem de comentar antes de sair :) Seus comentários são muito importantes para mim, de verdade. Eles me motivam e me fazem saber até onde estou acertando com essa história. Beijinhos!

O processo de evolução é lento, doloroso e quase sempre muito difícil. Aprender a aceitar e compreender as coisas que não conseguimos controlar é uma das fases do crescimento pessoal. Ver os anos passando como as folhas que caem das árvores no outono era algo extremamente desconfortável para ela. Mesmo que eles caminhassem como dias iguais em que tudo era previsível e que seu corpo não envelhecesse junto com sua alma, acompanhar o crescimento dos filhos era observar de perto um terrível grito de desespero que se fazia ouvir apenas em sua cabeça. O tempo estava passando, Rose e Henry estavam fora da maldição e ainda não haviam alcançado resultados otimistas.

Ao mesmo tempo em que ela e Killian apreciavam cada segundo do desenvolvimento da filha, encantados, sua alma sangrava por dentro pela dor das memórias ausentes de seu garoto. Por mais que houvessem tentado, nada parecia ser capaz de resgatar suas lembranças. Ainda que agora fossem grandes amigos e que o menino tivesse verdadeira adoração por Rose e a pequena por ele, não era e jamais seria nem mesmo de longe a mesma coisa.

Cinco anos se passaram sem que ela conseguisse por um fim a tudo aquilo. De que adiantavam todo o conhecimento e poder que tinha se não podia livrar-se daquela situação? Dentro do possível, estivera feliz ao longo desse tempo. Vira de perto os primeiros passos da filha, as primeiras palavras e todas as suas gracinhas. Mantivera um relacionamento sólido com o homem que amava e o nível de intimidade era tanto que quase podiam ler as mentes um do outro. Um simples olhar já bastava para que milhares de palavras não ditas fossem compreendidas. Henry se aproximara de modo extraordinário e era visitante constante em sua casa. No entanto, a frustração insistia em atormenta-la.

O homem se aproximou sem que ela percebesse e enlaçou sua cintura, assustando-a.

– Céus, Killian! Não te vi chegar!

– Desculpe, querida, eu não queria te assustar. No que está pensando?

– No mesmo de sempre: Meus filhos.

– Posso te fazer uma pergunta?

– Claro que sim. Mas se for para me chatear, opte por não fazê-la, já estou chateada o suficiente.

– Não é sobre isso. Pelo menos não totalmente. Você pensa em como será retornar para a Floresta Encantada? Como será voltar a viver em um lugar que já não é seu lar por tanto tempo?

– Já pensei nisso. Lá é o lugar ao qual pertencemos. Eu nunca quis ser rainha e pelo tempo em que ocupei esse cargo só causei terror e devastação. Isso não me traz boas lembranças. Há Snow também. Aquele castelo é tão dela quanto meu e quando voltarmos vamos ter que aprender a viver todos juntos. O que me preocupa é o fato de Henry e Rose não conhecerem tudo isso. Não podemos prever a reação deles. Rose ainda é muito pequena para entender, mas Henry não. Quantos anos terão quando conseguirmos finalmente retornar? Eu honestamente não me importo de ficar aqui, desde que a maldição seja quebrada.

– É tudo uma questão de adaptação, querida. Henry sempre desejou ir à Floresta Encantada depois do fim da primeira maldição. Ele estava aprendendo com David a manejar uma espada.

– Nunca gostei dessa ideia. Sempre achei que ele poderia se machucar seriamente nessa brincadeira.

– Ora querida, não se iluda. De onde viemos, esta é uma habilidade essencial para um homem. Os garotos começam a treinar bem mais jovens do que ele era. E por mais que eu odeie admitir, Charming é realmente bom com isso e extremamente cauteloso. Estava saindo um excelente professor. É algo com o que você terá que se acostumar, amor, porque quando voltarmos. Henry terá que aprender.

– Infelizmente você está certo. Mas e você? Se me fez essa pergunta é porque pensa no assunto. Como será quando voltarmos, Killian? Sua vida lá era bem diferente. Você cruzava os mares a bordo do Jolly Roger praticando a pirataria, enchendo a cara de rum e fazendo inimigos.

– Não era bem isso. Exceto pela parte do rum, mas eu nunca escondi o tamanho da minha apreciação por uma boa dose. Sou um homem mudado, Regina. O que importava para mim quando eu vivia lá não é o que importa agora. O Jolly Roger está aqui e nem por isso eu saio em viagens sem fim como eu fazia antes. Sou um homem de família, mas também sou um pirata. Terei que descobrir um modo de conciliar as duas coisas.

– Nada será como antes.

– Nisso você está certa, querida. Nada será como antes porque nós não somos os mesmos. E ninguém nessa cidade é. Estamos completamente mudados. Será algo novo para todo mundo. Teremos que retornar e reaprender a fazer daquele lugar o nosso lar.

Antes que a discussão pudesse continuar, o pirata e a rainha são interrompidos pela pequena garotinha de cabelos pretos e olhos estupidamente grandes e azuis, trajando um pijama vermelho e trazendo uma expressão de cansaço no rosto.

– Mamãe, você precisa me ajudar! – Diz sonolenta.

– O que houve meu amor?

– Não consigo dormir. Você pode me contar uma historia?

– Claro, meu bem. Vamos lá.

Regina lança um olhar cansado ao Capitão, toma a filha pela mão e segue com a pequena até o seu quarto. A menina se acomoda na cama e abraça o urso de pelúcia branco e felpudo enquanto a mãe ajeita o edredom lilás sobre seu corpinho delicado e senta-se ao seu lado.

– Que tipo de historia você quer ouvir?

– Uma história de rainhas e princesas.

– Oh! Ann... Ok. Eu acho que conheço uma.

A menina a encara com adoração. Os olhinhos curiosos brilhando de expectativa.

– Era uma vez uma rainha que era muito triste. Ela amava muito um homem, mas ele morreu de um jeito terrível e ela pensou que nunca mais poderia amar alguém.

– Isso é muito triste!

– Sim meu amor, é realmente triste. Por terem tirado o amor verdadeiro dela, a rainha ficou furiosa e desejou se vingar. Começou a perseguir algumas pessoas e a fazer coisas ruins e logo todo o reino começou a chama-la de rainha má. Então ela procurou um amigo muito poderoso que podia ajuda-la a arquitetar um plano e ele lhe ensinou a criar uma maldição. Ela queria desesperadamente ser feliz e por isso, aceitou o conselho do amigo e lançou a maldição que levou todo o povo para uma cidade bem distante, onde perderam a memória e não se lembravam de quem eram. Apenas ela sabia a verdade.

– Nossa! Mas então como eles faziam para ficar com as suas famílias?

– Todas as famílias foram separadas. As pessoas não sabiam que eram parentes. Não lembravam nem que se conheciam.

– Isso é realmente muito ruim. Eu não consigo imaginar como seria não lembrar que você é a minha mamãe.

Regina sente a garganta apertar e respira fundo antes de continuar.

– Sim meu amor, é uma coisa terrível. Uma maldição nunca pode ser uma coisa boa. Mas está tudo bem porque ninguém jamais vai conseguir separar a gente, ok? Eu juro isso para você.

– Eu acredito. Você nunca mente pra mim, mamãe. – A menina sorri. – Continue!

– Certo. Bem , um dia a rainha sentiu que faltava alguma coisa. Aquilo não era o suficiente. E então ela adotou um bebê. Um menino. E ela o amou mais que tudo em sua vida. Ela cuidou dele todos os dias, como uma mãe faz e eles eram felizes juntos.

– Como ele se chamava?

– Quem? – Pergunta, ligeiramente atordoada.

– O bebê!

– Eu... Não sei, querida. É só uma história.

– Mas as pessoas precisam ter nomes! Posso escolher um para ele?

– Claro que sim. Que nome você gostaria que o bebê tivesse?

– Henry. Igual ao nosso amigo, mamãe. É o nome de menino mais bonito que eu conheço.

Regina sente sua garganta apertar novamente. A colocação da pequena desta vez conseguiu desconcerta-la. No entanto, não podia permitir que a garota percebesse isso. Respira fundo e prossegue, com dificuldade.

– Muito bem. Henry. – Hesita. — Ela o amava muito e eram bastante felizes. Mas um dia, um grande mal veio sobre a cidade. Alguém lançou outra maldição. A rainha pensou desesperadamente em todas as maneiras possíveis de proteger seu filho e percebeu que o único jeito era manda-lo para longe. Então ela apagou suas memórias e colocou outras no lugar. Depois disso, o entregou para uma mulher em quem confiava, para que ela o protegesse. Outra vez, a rainha ficou sozinha e triste.

– Oh, mamãe, isso é terrível! Coitada da rainha! – A menina coloca as mãos sobre a boca, visivelmente chocada.

– A rainha ficou tão triste que quis arrancar seu coração e enterrá-lo na floresta.

– Mas ai ela ia morrer! Não dá para viver sem coração!

Regina ri discretamente da inocência da filha.

– Rose, se alguém fica sem o seu coração não consegue mais amar ninguém. A pessoa não sente mais alegria e nem tristeza. A rainha pensou que essa era a solução. Mas uma amiga lhe fez saber que não era e acreditar que juntas poderiam dar um jeito naquela situação, e então elas se juntaram a outros amigos e começaram a procurar um jeito de livrar a todos da maldição e trazer Henry de volta. Eles tentaram por bastante tempo.

Seus olhos tentam marejar, mas Regina luta contra isso o melhor que pode e prossegue com um tom pesaroso.

– Um dia a rainha percebeu que estava apaixonada por um de seus amigos e ele também tinha se apaixonado por ela. Era um pirata muito inteligente e bonito.

– Um pirata?! Isso é fantástico! Ele tinha um barco grande que nem o Jolly Roger?

– Exatamente igual.

– Papai disse que um dia, quando eu for grande, poderei ser Capitã do Jolly Roger. Ele disse que meninas podem fazer isso também e que eu serei uma ótima Capitã.

– Você pode ser o que quiser, querida. Desde que seja uma escolha sua e a faça feliz.

“Desde que seja uma escolha sua” – As palavras dançam na cabeça da prefeita, formando links que ela queria evitar “Uma escolha sua que a faça feliz, e não algo imposto por alguém”. Apertou os olhos e tentou afastar este pensamento. Felizmente, a pequena ajudou-a nessa tarefa tornando a indagar:

– E o que aconteceu depois, mamãe?

– Os dois começaram a namorar e um belo dia, a rainha descobriu que tinha um bebezinho crescendo dentro da barriga dela. Aquele foi o dia mais feliz de sua vida.

– Um bebezinho?! Isso é maravilhoso! Se a rainha tivesse um bebezinho para cuidar, ficaria menos triste por causa do seu outro filho.

– Isso mesmo. Mas um filho nunca é mais importante que o outro. Mesmo que ela tenha ficado muito feliz por ter um bebezinho para cuidar, ainda se sentia triste por Henry. E então, o tempo passou e a rainha deu a luz uma linda menininha, que tinha os olhos bem azuis assim como os seus e uma boquinha perfeita e bem vermelha, igualzinha a sua.

– Ela pode se chamar Rose?

– Pode. – Regina se desconcentra outra vez e trava uma luta interna para continuar. — Rose era a alegria da rainha. Tudo o que havia de mais especial no mundo para ela. E a rainha jurou protege-la com a sua própria vida.

– A rainha continuou procurando pelo filho?

– Claro que sim. E ela o encontrou. Mas ele não se lembrava dela. – Diz, em um tom melancólico.

– E o que aconteceu?

– Ela começou a procurar um jeito de fazê-lo lembrar.

– E ele lembrou?

– Um dia sim... – Seu semblante se tornou visivelmente entristecido.

– E então eles foram felizes para sempre! – A criança conclui. — Eu adorei essa história, mamãe! Conta outra?

– Não senhora! Já passou da hora de você dormir e essa foi bem grande.

Regina se levanta, ajeita o edredom da filha e deposita um beijo em sua cabecinha, dirigindo-se em seguida para a porta do quarto.

– Boa noite, querida. Durma bem. Mamãe ama você.

– Também amo você, mamãe.

Regina se retira do quarto com um ar pesaroso. As lembranças que rondavam sua mente a machucavam, mas ainda assim traziam esperança. Quem sabe em um futuro próximo o final da história fosse igual ao que acabara de contar para a filha... Ele lembraria. Um dia.

~~oOo~~

Continua...

Notas finais
Gostou? Comenta ai!