We found love in a hopless place II
4 Capítulo 4.
Notas iniciais
Na sala de reunião improvisada nos fundos da loja fechada, um grupo de pessoas espera ansiosamente pela chegada dos dois indivíduos que faltam: Mary Margaret e David. Belle brinca com a pequena Rose, fazendo a criança gargalhar. Hook caminha impacientemente de um lado para o outro, Regina estuda um antigo livro de poções e Neal reflete, sentado em uma cadeira com a cabeça baixa e os dedos entrelaçados. Não demora muito até que a dupla chegue. Ambos com uma expressão séria no rosto.
Mary Margaret senta-se na cadeira mais próxima e cumprimenta a todos, tal como David. Belle os acompanha, sentando-se também, de forma que apenas Hook permanece em pé, inquieto demais para se sentar. Encosta-se em uma velha cômoda e espera até que a mulher comece a falar.
– Conversei com a Regina hoje e eu tenho um plano. Não sei se todos estarão de acordo, mas é uma ideia. Pensei em trazermos Emma e Henry de volta.
– O que?! – Neal se exalta e Belle acomoda a mão em seu ombro, tentando confortá-lo.
– Tenha calma, Neal, eu vou explicar. Sei que isso não é fácil para nenhum de nós. Trazê-los de volta vai mexer profundamente com os nossos sentimentos. Mas Emma tem um dom. Creio que ela pode encontrar o medalhão e quem sabe finalmente ficaremos livres disso tudo.
– Você só esqueceu de uma coisa: Ela não se lembra de nada.
Mary Margaret não responde. Ela simplesmente lança um olhar de cumplicidade para Regina esperando que esta prosseguisse com a explicação.
– Ah, mas é claro. – Continuou – Você tirou as memórias deles. Pode devolvê-las.
– Queria que fosse tão fácil assim, Neal. Infelizmente eu não posso fazer isso. As memórias que eles têm agora são as que eu implantei. Eles se lembram de momentos felizes que não aconteceram. Eu recontei a história deles e coloquei em suas cabeças o que eu quis. No entanto, não conheço as memórias que eles tinham antes, portanto, não posso devolvê-las. E mesmo que eu fizesse isso novamente e recontasse a história, eles teriam apenas o meu ponto de vista. Não seriam as memórias deles e sim as minhas.
– E o que você pretende então?
– Gold me deu como pagamento de uma dívida uma poção capaz de resgatar a memória. Infelizmente o que eu tenho só dá para uma dose. E eu não sei produzir mais. Com ela, podemos fazer Emma lembrar.
– Por isso você me pediu esse livro de poções! Para tentar descobrir a receita!
– Sim, Belle. Talvez Gold tenha anotado em algum lugar e se encontrar isso, poderei resgatar as memórias do meu filho também. Não é como se eu fosse incapaz de descobrir o que ele usou analisando o conteúdo que eu tenho, mas isso levaria tempo, desperdiçaria a poção e talvez eu não conseguisse bons resultados tão prontamente. Nossa melhor chance é fazer esse frasco chegar até a Emma para que ela se lembre de tudo e eu continuarei a tentar descobrir a fórmula o mais rápido possível para produzir mais. Por isso peço a sua ajuda, Belle. Se souber de outros livros como este, por favor, traga-os para mim.
– E o que faremos com Henry até que você descubra? – Neal dirige-se à rainha com rispidez.
– Fingimos. Tentaremos parecer o mais normais possível.
– Eu não vou poder abraçar o meu garoto e dizer que sou seu pai, Regina! Sabe o quão terrível é isso?! Seu próprio filho não saber quem você é?!– Diz, levantando-se da cadeira, furioso.
Os olhos da rainha ficam imediatamente marejados.
– Sim, eu sei. – Ela sussurra.
– Céus, me desculpe! – Neal continua, visivelmente arrependido. Eu me esqueci que você é mãe dele também. Eu... Eu não devia ter agido dessa maneira. Droga, isso é tão difícil! Primeiro o meu pai e então meu filho e a mulher que eu amo, todos sendo simplesmente tirados de mim. Ai vocês me dizem que posso recuperar uma parte da minha família, mas toda a droga de mágica vem com um preço. Eu não posso ter os dois. Regina, ver o meu filho me tratar como um completo estranho será terrível para mim. Estou certo de que você sentirá o mesmo. Será que estamos preparados para isso?
– Não, Neal. E se quer saber, acho que nunca estaremos. Essa é a nossa melhor chance. Se conseguirmos encontrar o medalhão e desfazer a maldição, poderemos viver em paz novamente. Todos nós, inclusive Henry.
– Você está certa. Ok, vocês tem o meu apoio.
– Belle, o que você acha?
– Bem, se houver uma chance, por menor que seja, de esse plano dar certo, acho que devemos tentar. Todos estamos longe de quem amamos. É como viver o inferno na terra.
– Hook?
– Eu não sei. Acredito que devemos esclarecer bem as consequências dessa decisão. Estamos todos pensando em como será para nós, mas esquecemos de uma das coisas mais importantes disso tudo: O garoto. Como será para ele vir pra um lugar desconhecido e estar cercado por pessoas agindo estranhamente a todo momento? Henry deve estar feliz lá com as memórias que Regina deu a ele. No entanto, ele é um só e há muitas pessoas nessa cidade. Mesmo que ele sofra um pouco até se lembrar, conseguirá superar.
– David?
– Meu amor, eu preciso concordar com o pirata dessa vez. Não estamos pensando no Henry. Ele está feliz e seria muito difícil para ele essa história toda. Acho que podemos resolver isso sozinhos, mesmo que demore um tempo. Meu voto é não, mas de nada adianta. Foi você quem teve a ideia e planejou tudo com a Regina, logo estão a favor. Neal e Belle também concordaram. Então façamos isso. Podemos seguir com o plano.
– Como faremos a poção chegar até Emma?
– Entregaremos à única pessoa da qual ela se lembra e que conhece bem o local onde ela está: Neal.
– O que?! Não posso sair daqui! Ninguém consegue cruzar o limite da cidade!
– Consegue se eu o tirar. Sei como quebrar a barreira mágica por alguns segundos. Será tempo o suficiente para você passar.
– Como vou fazer isso? Emma deve me odiar! Ela provavelmente pensa que eu a abandonei grávida!
– Oras, mas foi exatamente o que você fez! – Regina lança uma risadinha maldosa.
– Mas nós já havíamos conversado sobre isso.
– Neal, se pudesse ia eu mesma atrás da minha filha, mas ela não sabe quem eu sou. Bem ou mal, ela lembra de você. Poderá ficar agressiva no inicio, mas depois que beber a poção irá se lembrar de tudo.
– E como é que eu vou fazer ela beber isso aqui se ela me odeia? Jamais vai querer tomar algo que eu lhe ofereça.
– Por Deus! Seja criativo! Jogue no café dela sem que ela veja! Isso aqui não tem gosto. – Regina manifesta sua indignação e Hook lhe lança um sorriso de canto de boca.
– Certo, vou dar um jeito. Eu a conheço bem, acho que consigo cumprir a missão. Quando partirei?
– Agora mesmo. Pegue tudo o que precisar e iremos até os limites da cidade para que possa sair.
– Não preciso de nada. Eu tenho um apartamento lá. Mas devo dizer que isso pode demorar um tempo. Não posso simplesmente obrigar Emma a beber um líquido azul cuja procedência ela desconhece. Ainda mais sendo quem eu era naquela vida e sendo as lembranças do antigo Neal as únicas que ela tem. Preciso ganhar sua confiança antes.
– Você precisa fazer isso o mais rápido possível.
– Farei o meu melhor.
– Certo, então vamos. Regina, você precisa de algo para enfraquecer a barreira?
– Não, mas se alguém puder ficar aqui com Rose eu agradeço. Não quero expor a minha filha.
– Pode deixar que eu fico com ela – Belle se prontifica. – Rose é um bebê adorável e eu serei mais útil aqui, procurando algo no livro de poções.
– Obrigada. – Regina se aproxima da filha e beija sua cabeça delicadamente. – Querida, fique aqui com a tia Belle, a mamãe vai resolver um assunto importante, mas logo estará de volta para você. – sussurra.
– Boa sorte, Neal. – Belle estende o braço direito e o abraça. – Você vai conseguir.
– Obrigada, Belle. Vamos resolver isso e eu vou achar o meu pai. Prometo.
Os dois trocam um sorriso amargurado e todos se retiram em silêncio, deixando para trás uma Belle balançando um bebê adorável.
~~oOo~~
Continua...
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