We found love in a hopless place II
27 Capítulo 27
Notas iniciais
A angústia lhe preenchia de um modo quase inacreditável. Durante muito tempo, pensou ser incapaz de sentir-se assim novamente. No entanto, aquela situação lhe provava que estava grandemente equivocada. O grupo já havia procurado em todos os lugares possíveis, sem sucesso, e a cada segundo a sensação de sufoco e impotência aumentava, deixando-a ainda mais nervosa.
– Eles não podem ter saído de Storybrooke. Isso é tecnicamente impossível. – Mary Margaret começa, em um tom preocupado.
– A não ser que alguém os tenha tirado daqui. – David completa.
– Olhamos em todos os lugares possíveis. A cada minuto que se passa, essa busca fica mais difícil. – A mulher continua.
Regina coloca as mãos sobre as têmporas, tentando afastar a dor que se instaurava ali. Tenta desesperadamente pensar em todos os lugares que os filhos gostavam de ir, a procura de um que ainda não tivessem vasculhado. E então algo lhe ocorre. Uma luz no fim do túnel. Uma pequena linha de esperança.
– O parque! Não fomos ao parque!
– Rose adora o parque! Meu amor, acho que você está certa! Como não pensamos nisso antes? Eles só podem estar lá!
Hook segura a rainha pelo pulso e corre com ela em direção ao parque com os outros aos seus calcanhares.
A busca não durou muito. Ainda de longe, Regina enxergou a filha parada embaixo de uma árvore, com os olhos fechados, movimentando as mãos pelo ar, como se lançasse feitiços.
– Rose!
A criança desperta de seu devaneio e sorri alegremente para o grupo que se aproxima a passos rápidos.
– Mamãe!
O pirata e a rainha correm até a garota e a abraçam com força.
– Onde está Henry, querida?
– Foi comprar sorvete.
– Por que saíram sem avisar?
– Eu quis vir aqui e pedi para ele. Henry não queria me trazer, mas eu insisti bastante e então viemos. Desculpa, mamãe. Esqueci de avisar.
A rainha começou a planejar o discurso: “Vocês nos deixaram preocupados! Se fizerem isso novamente...” E então tudo aconteceu muito rápido. Todos os olhos se voltaram para o menino que vinha com um olhar preocupado e um par de sorvetes na mão, pensando estar realmente encrencado. Impulsivamente, Regina corre até o filho e o abraça com toda a força que consegue, fazendo-o derrubar um dos picolés no chão. Uma lágrima de alívio cai de seus olhos e pela primeira vez em muitos anos, seus lábios tocam a testa do rapaz. Por um segundo, nada parece ter acontecido, até que uma leve brisa se faz sentir, arrepiando todos os presentes ali. Antes que Emma pudesse correr até eles, o garoto grita em alto e bom som: “Mãe!” Demorou um ou dois segundos até que percebessem que não era para ela que o garoto gritava.
– Henry?!
– Mãe!
– Você... Você se lembra? – A rainha pergunta, com lágrimas nos olhos.
– Eu me lembro exatamente de tudo que há para se lembrar.
Regina torna a abraçar o filho. Um abraço apertado e emocionado que esperou muito tempo para acontecer. E naquele instante ela se sentiu completa, como se nada no mundo valesse aquele segundo. No entanto, a sensação de plenitude não durou muito. Ainda abraçada com o garoto ela pousa os olhos sobre sua menininha e o choque é tão grande que quase a derruba. Pendendo delicadamente no pescoço da criança, um medalhão com uma bonita pedra azul brilhante se evidenciava.
– Rose! – A mãe segue até a pequena e se ajoelha em frente a ela. – Onde foi que você conseguiu isso?
Todos voltam o olhar para a garota, compreendendo de imediato o que acontecia.
– Céus! É o medalhão!
– Eu o encontrei, mamãe.
– Onde?
– Aqui mesmo, perto dessa árvore. Henry foi buscar sorvete para nós e eu fiquei aqui brincando. Fingi que era uma bruxa igual a da história que a senhora me contou outro dia e lancei um feitiço. Quando olhei, ele estava aqui no chão, brilhando. E eu pensei que alguém o perdeu, mas é tão bonito que quis ficar com ele.
– Você lembra o que disse, querida?
– Sim. “Que o oculto seja visto e a maldição seja quebrada. Que o coração puro desfaça os encantos sombrios e traga a salvação a todos”. Parece um feitiço de bruxa. Eu inventei. Desculpe, mamãe. – Diz com os olhos lacrimejantes.
– Oh não, minha querida. Está tudo bem.
Regina lutava consigo mesma para assimilar todas as informações. Henry havia se lembrado e Rose encontrara o medalhão. Era bom demais para ser verdade. Tentou se concentrar e pensar no melhor jeito de conversar com a filha. O momento era delicado e estava certa de que apesar de toda a expectativa, ninguém sabia o que fazer.
– Posso ficar com ele, mamãe? Eu o encontrei. Quando abri os olhos estava aqui. É tão bonito! Veja, tem essas palavras gravadas nele.
– Claro que pode ficar com ele, querida. – Diz com cuidado e levanta os olhos, de encontro aos do pirata, que lhe acena positivamente com a cabeça.
– Deixa eu ver essas palavrinhas, Rose.
– Ok.
A menina tira o medalhão do pescoço e o entrega a mãe que o analisa imediatamente.
– Droga! Não entendo nada. – Diz, furiosa.
– Deixe-me ver. – Belle pede, educadamente. A rainha concorda e o oferece a amiga. O grupo observa com expectativa. – Infelizmente eu também não consigo decifrar isso. É algo muito antigo. Nunca vi antes. – Conclui.
– Eu sei.
Todos voltam o olhar para a criança, desconfiados.
– É verdade, mamãe, eu sei o que está escrito ai.
– Rose, meu amor, você não sabe ler. Como pode saber o que está escrito?
– São desenhos, mamãe. Eu sei ler desenhos. – Diz com simplicidade.
A menina estende a pequena mãozinha e Belle lhe entrega a joia.
– O que diz, querida? – O pirata se ajoelha em frente a filha.
– Isso é ridículo, Killian! Ela não pode simplesmente decifrar!
– Claro que pode. Ela é a salvadora. Vamos, meu amor, diga para o papai o que está escrito ai.
A criança se prepara, analisa o objeto e então começa:
– “Tudo o que é feito, pode ser desfeito.
Nada é tão perfeito.
Sempre existe um caminho.
Toda mágica vem com um preço.
O que era forte, fraco fica.
O que era impossível, torna-se possível.
A brecha se abre.
O encontro entre dois mundos.
E tudo será resolvido.”
A bonita pedra azul no centro do medalhão começa a brilhar discretamente e logo esse brilho se torna tão intenso que todos viram seus rostos, sem conseguir olha-lo. Rose solta o objeto, que cai no chão sem produzir ruído algum. A luz azul logo envolve todo o grupo, e em instantes, cobre toda a cidade. Até que por fim, a joia desaparece em meio a uma fumaça azulada. Todos se encaram, esperançosos.
– Será que funcionou?! Isso quebrou a maldição?! – Mary Margaret interrompe o silêncio.
– Só tem um jeito de saber.
David avança para a mulher e lhe beija os lábios demoradamente. Todo o amor guardado por tanto tempo, transbordando naquele toque. E ao terminarem, nada aconteceu. Estavam livres. A maldição se fora. Todos se abraçam alegremente e agradecem à Rose, sua nova salvadora. Regina segue até o filho e arruma seus cabelos. O garoto lhe sorri e torna a envolve-la em seus braços.
– Meu querido, eu senti tanto a sua falta!
– Eu sei, mãe. Estou muito feliz por ter lembrado. Sinto sua falta também.
Infelizmente, o momento perfeito não durou muito. Em questão de segundos, o céu ficou escuro e o vento era tão forte, que não conseguiam enxergar. Quando finalmente abriram os olhos, estavam em uma floresta. Mas não era a Encantada.
~~oOo~~
Continua...
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