We found love in a hopless place II
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Trovoava do lado de fora. O assustador anúncio de uma grande tempestade que estava por vir. Killian entra na casa e fecha a porta atrás de si, grato por ter conseguido chegar antes da chuva. Ainda é cedo, mas as luzes apagadas indicam que suas garotas já estão dormindo. O homem tira seu casaco, o pendura no cabideiro perto da porta e segue com passos cuidadosos rumo ao quarto. Estava preocupado. A briga com Emma realmente havia tirado Regina do sério e ele não conseguira falar com ela depois daquilo tudo. Todos ficaram chocados com a revelação de que a sua garotinha era a nova salvadora. E por que não ficariam? A apreensão era quase palpável naquele ambiente após a saída da Rainha. Por quanto tempo teriam que esperar até que a pequena Rose estivesse apta a cumprir com seu destino? Esperaram durante 28 anos por Emma, mas desta vez era diferente. Antes não sabiam quem eram, agora tinham plena consciência de tudo. Subiu as escadas silenciosamente e parou por alguns instantes à porta do cômodo. A mulher dormia tranquilamente, enrolada no edredom branco como se estivesse em um casulo. Mesmo adormecida, sua expressão demonstrava cansaço e ele pode notar pelos olhos ligeiramente inchados, que ela havia chorado. Ainda assim, era adorável de se ver. Se tinha uma coisa que o pirata apreciava secretamente era observá-la enquanto dormia. Parecia tão inocente, tão indefesa e ao mesmo tempo tão forte e decidida. Era controverso, mas Regina nunca fora convencional. Aproximou-se lentamente e afastou uma pequena mecha de cabelo do rosto dela com o gancho, o que mesmo sem intenção, fez com que ela acordasse.
– Killian? – Diz com um tom sonolento, sem nem mesmo abrir os olhos.
– Oi, querida.
– Eu peguei no sono. Que horas são?
– Passou um pouco das 22:00
– Vocês estavam procurando até agora? – Ela se senta na cama e puxa o edredom sobre si.
– Não. Na verdade eu estava no Jolly Roger organizando algumas coisas minhas.
– E provavelmente aproveitou para ajeitar os seus barris de rum, não é mesmo?
– O que eu posso dizer, querida? Você me conhece bem demais.
– Conheço o seu cheiro bem demais, isso sim.
– Pois eu também te conheço muito bem e por isso sei que algo não está certo. Você andou chorando, Regina. Isso foi por causa da briga com a Emma? Quero dizer... Bem, você disse o que precisava ser dito. Uma hora ou outra eles teriam que saber e ela realmente passou dos limites hoje.
– Não é isso, Killian. Estou tranquila em relação a essa história. Já havia passado da hora de saberem a verdade. Nunca vão confiar em mim se eu continuar a esconder coisas. Agora tudo está em pratos limpos.
– O que foi então? Você passou o dia com o garoto. Algo deu errado?
– Não... Na verdade foi melhor do que eu esperava, mas... – suspirou – Eu o deixei sozinho com Rose na biblioteca enquanto fui preparar seus cupcakes favoritos. Disse que ele podia ficar à vontade para pegar e ler o que quisesse. Quando eu voltei, quase tive uma parada cardíaca! Henry estava lendo para ela. Estava lendo aquele livro, Killian, o livro dele. Eu não fazia ideia de que estava lá. Na verdade, não o via desde que meu filho foi para New York com Emma. Estava desaparecido. Por um instante, foi como se tudo estivesse em seu devido lugar. Eu me enchi de esperanças de que ele tivesse lembrado, mas...
– Ele não lembrou.
– Não.
– Oh, querida, eu sinto muito. – O pirata pressiona o joelho da rainha de leve, em um gesto solidário.
– Mas ele notou, Killian. Ele percebeu que os desenhos se pareciam com as pessoas da cidade e que as últimas páginas do livro estavam em branco. Eu tive que inventar uma história. Disse a ele que um amigo muito querido escrevia aquele livro e que ele mesmo o ilustrava e por isso os desenhos se pareciam conosco. Por fim, falei que esse tal amigo morreu e por isso as últimas páginas estão em branco. Foi algo difícil de fazer.
– O livro está com ele?
– Sim, deixei que levasse. Ele pareceu bastante interessado. Henry sempre gostou de ler. Ele levou mais uns cinco. Disse que se sente sozinho ficando na casa dos Charmings enquanto Emma trabalha. Isso felizmente abriu uma porta para que eu o convidasse para vir aqui mais vezes, com o pretexto de que ele poderia ler o que quisesse e brincar com Rose e eu lhe faria cupcakes.
– Bem, talvez isso traga suas memórias de volta. Não se preocupe meu amor, quando menos esperar ele vai se lembrar de você. Você terá o seu garoto de volta.
– Será mesmo? Por que a cada dia que passa, fica mais difícil acreditar nisso.
– Você precisa ter fé. Vamos dar um jeito, eu prometo.
– Eu realmente espero que sim.
O homem suspira e começa a se despir lentamente. Tira as botas, o cinto, o gancho, a camisa, as calças. Deposita um beijo cuidadoso na testa da rainha e deita-se ao seu lado na cama. Regina se acomoda e lhe oferece espaço embaixo do edredom. Ele enlaça sua cintura e a puxa mais para perto, moldando seu corpo ao dela em uma conchinha. Podia sentir em suas narinas o cheiro delicioso de seus cabelos, e sorriu. Novamente beijou-lhe a cabeça e dessa vez quem sorriu foi ela.
– Boa noite, minha rainha.
– Boa noite, pirata.
E adormeceram, nos braços um do outro.
~~oOo~~
Continua...
Fale com o autor