Notas iniciais
DESCULPEM PELO SALTO TEMPORAL, SEI QUE PASSEI ALGUMAS COISAS IMPORTANTES AQUI QUE ACONTECERAM NO GLEE CLUB MAS QUERO FOCAR-ME MAIS NO DAVE E PARECIA QUE ESTAVA A ATRASAR-ME COMO NAO QUERIA.

6 de Novembrode 2010

Acabara de ver Hummel no corredor sorrindo para o telemovel e por alguma razão isso irritava-o, perguntava-se quem lhe havia mandado uma mensagem que o fizesse sorrir. Sentia inveja da sua felicidade quando ele mesmo se sentia inutil, anormal. Via-se confuso com o que afinal sentia por Kurt, era inveja do seu orgulho, desejo de ser como ele e não o enorme e mal humorado idiota sem amigos que era. Queria agarra-lo, te-lo nos seus braços, mas não podia, o mundo não o deixaria, afinal ele era um jogador de hoquei e futebol (americano) e jogadores não se apaixonam por rapazinhos de coro, não quando isso os iria impedir de realizar os objectivos fixos, arranjar uma mulher e ter filhos. Serrava os pulsos à medida que se aproximava de Kurt, acelarando cada vez o paço e empurrando-o contra os cacifos com força antes de se dirigir para os balneários.

Nos balneários fora arrumar as suas coisas quando ouvira a porta bater:

- Hey! Estou a falar contigo!

- Os balneários das raparigas são na porta ao lado. — Dave não esperava de todo que Kurt o seguisse e isso em nada o agradava.

-MAS QUE RAIOS É O TEU PROBLEMA?

-Desculpa?

-De que raios estás tão assustado? — o tom com que Kurt falava começava a incomudar Dave que fazia os possiveis para se controlar.

Além de tu vires aqui para me espreitares! — Sabia que o que dissera era estupido.

-Ohh o pesadelo de qualquer rapaz hetero, que os gays os molestem e os convertam! Adivinha lá balofo, não fazes o meu gênero!

"Não fazes o meu genero" Essas palavras magoaram-no mais do que qualquer lesão que já tivera, eram palavras ditas com raiva, a raiva de alguém que lhe era mais importante do que alguma vez poderia sabia que não era propriemente um galã tipo Bruce Wayne ou Tony Stark, mas não era feio, pelo menos não se achava feio. Nunca fora popular entre as raparigas, mas também não tinha interesse nisso, queria dedicar-se especialmente ao Hockey e ao futebol pois uma bolsa era a unica forma de conseguir entrar numa boa universidade, agora que as suas notas tinham piorado.

-Não vou por tipos gordos, que suoam demasiado e que por volta dos 30 começam a ficar carecas!-Agora estava mesmo magoado, Karofsky podia ser tudo, alto, bruta montes, armário, mas não era gordo, nas sábias palavras da sua mãe, era um rapaz bem constituido. No fundo Dave não se achava muito diferente de Finn, o ultimo rapaz por quem Kurt teve uma paixoneta, excepto mais inteligente, de ombros mais largos e sem duvida melhor jogador.

-Não me irrites Hummel

Controlava-se para não explodir e deixar mostrar toda a sua desilusão que sentia. Cerrava fortemente um dos punhos espetando as unhas na palma fazendo-a sangrar um pouco.

-Vá, bate-me!- Provocara Kurt, parecia que queria provar algo

-Não me irrites! — Karofsky só desejava que Kurt se fosse embora que o deixasse em paz. Batera com a porta do cacifo fortemente de modo a libertar alguma da sua raiva.

-Vá, bate-me! Isso não vai mudar quem eu sou. Tu não podes expulsar o gay que há em mim mais do que eu posso expulsar a tua ignorancia! — As palavras de Kurt cada vez o feriam mais, estava magoado, e queria apenas que ele se calasse que não dissesse mais nada, que que...

-SAI DA MINHA FRENTE

-Tu não passas de um rapaz assustado que não aguenta o quão extraordináriamente vulgar é...

Dave havia chegado ao seu limite, colocou ambas as mãos sobre a face do mais pequeno e beijou-o, era como uma necessidade que tinha, a unica forma de expressar o que não queria dizer em voz alta por muito errado que isso fosse. Uma imensidão de consequencias tentavam invadiram-lhe o pensamento: se Azmio descobri-se que afinal também Dave Karofsky tal como Kurt era gay, qual a reacção da comunidade escolar que o temia, e como reajariam os seus pais se descobrissem; mas esses pensamentos foram afagados pelo sabor doce dos lábios de Kurt, pelo perfume das suas roupas, pela sua pela macia. Tentava que aquele momento demorasse o mais possivel, não queria imaginar a reacção de Kurt quando aquilo acabasse, mas começara a ficar sem folego.

Quatro segundos, quatro segundos que pareciam para Dave durar eternidades.

Quando as suas faces se separaram parecia que o seu mundo tinha desabado. Soltara involuntariamente um som, um suspiro que juntava as emoções naquele pequeno espaço temporal: raiva, desespero, necessidade, fraqueza, arrependimento. Ver a expressão de surpresa e medo na face de Kurt fizera-o voltar à realidade, uma realidade bem mais cruel do que imaginava. Tentara beija-lo uma segunda vez, num acto instintivo, na esperança que aquilo fosse um sonho mas Kurt empurrara-o como devia ter esperado, afinal Dave ainda à poucos segundos gritavam como se não ouvesse amanhã e certamente dave não estaria à espera que fosse mudar alguma coisa.

Acabara de beijar Kurt Hummel, e um milhão de preocupações pareciam atacar a sua mente.

7 de Novembro de 2010

Dave chegara agora à escola e ia passar pelo seu cacifo antes de ir para a aula de história. Estava zangado, cheio de medo que Kurt tivesse contado a alguém e toda a reputação que viria a construir se desabasse rapidamente. Estava a descer as escadas exteriores para entrar no pavilhão quando se deparara com

-É este o teu namorado, Kurt?

Era a primeira vez que chamara Kurt pelo nome em anos, embora nos seus sonhos nunca lhe chamara outra coisa. Soava tão natural a forma como a palavra saia dos seus lábios, tão doce, mas no entanto azeda pelo ciume de ve-lo acompanhado, por um rapaz pelo qual Dave poria as mãos no fogo caso fosse hetero. Não era nada como Kurt, que na opinião de Dave muitas vezes parecia o rapaz modelo do que as pessoas associam quando lhes falam de um rapaz gay. Era um rapaz mais baixo que Kurt e que milagrosamente parecia usar mais produtos capilares que o próprio, mas que Dave poderia afirmar serem para esconder um grande volume de caracois, estilo aquele professor responsável pelo Glee Club, Schuester, deveria ser esse o nome dele. Resumindo, era o resultado de uma experiencia falhada de juntar um hobbit com o Mr. Schuester e um uniforme numa misturadora. Havia qualquer coisa que Dave não gostava dele, talvez fosse por estar com Kurt, por apesar de não ser como este ultimo, ser muito mais facil de aceitar que fosse gay do que Dave, um jogador de Futebol e Hoquei.

Kurt ignorara a sua pergunta e Dave tentava passar por eles, propositadamente empurrando um pouco Kurt, e descendo as escadas rapidamente, sabia porque eles estavam ali, eles iam falar daquilo, daquilo que acontecera e nunca devia ter acontecido iriam fazer isso no meio do recinto escolar onde toda a gente os poderia ouvir para depois se rir e troçar dele, iriam contar tudo. Formava-se um nó na garganta de Dave, não queria acreditar que Kurt lhe iria fazer aquilo, mas merecia, merecia pelo que fez a Kurt.

-O Kurt disse-me o que se passou. — Ao ouvir a voz do namorado do pequeno rapaz Dave congelou. Como poderia Kurt ter dito aquilo a alguém, sabia que ele iria contar e não ficaria surpreendido se nesse mesmo dia toda a escola fosse conhecedora.

"Faz de conta que não sabes de nada, é isso, só tens de fazer de conta" Ai é, e que te disse ele? – disse enquanto olhava à sua volta, deveria estar com bastante sorte para ninguem passar por aquelas escadas.

-Tu beijaste-me. — disse Kurt revirando os olhos, a voz mostrava desapontamento

-Eu não sei de que estás a falar.

Nunca Dave sentira vontade de se enfiar numa cova e enterrar-se. Será que nenhum dos dois tinha consciencia que estavam nos meio da escola e que depressa alguem viria a descobrir e arruinar a vida então "perfeita" dele. Será que está patente que se és gay podes andar por aí a tentar arruinar a vida de outras pessoas só porque estas cometeram um grande erro e deitaram tudo a perder, ou podes andar para aí a contar coisas a outros que não devias. Teria Kurt assim tanto medo dele que não era capaz de lhe falar sem correr o risco de o arrancar de um armário que ignorara a existencia durante tanto tempo e que agora temia sair.

- Parece que estás um pouco confuso... — começara o rapaz de uniforme a falar. Dave apenas se questionava quem lhe dera o direito de pensar que o conhece – E é completamente normal. É um assunto delicado para lidar... Só para saberes que não estás sozinho.

"Mas que raios sabia ele sobre assuntos dificeis sobre estar sozinho, não era ele que era a nova aquisição da equipa de futebol, que finalmente depois de anos no fundo da cadeia da escola atingira um local perto do topo, com medo de desiludir a familia, de acabar como os tios, de ter a unica pessoa que já gostou a ignora-lo durante anos e depois despreza-lo. Saber que ele nunca iria ser amado por Kurt porque para ele era um monstro, grande e feio." Eram tudo pensamentos que lhe passaram na cabeça em fracção e que lhe provocaram uma vontade imensa chegar perto daquele pequeno hobbit e gritar. Subira as escadas, e num acto impulsivo colocara as suas enormes mãos nos ombros dele empurrando-o contra a rede:

-Não te metas comigo.

-Tens de parar com isto!

Foram palavras ditas pro Kurt que ecoavam nos seus ouvidos enquanto se afastava do rapaz. Não fora o empurrao de Kurt que o afastara, pois este não tinha a força suficiente mas as palavras. Kurt não tinha noção da força que as suas palavras tinham em Dave que não tardara a descer as escadas e dirigir-se à casa de banho da ala de matemática que além de raramente frequentada, estava de momento fora de serviço