We Are The Champions
8 Capítulo 7
Dayene POV
Quando todos – principalmente Camila – param de rir, eles ficam encarando Mariana num misto de arrependimento e vontade de continuar a rir. Felizmente, Douglas sugere que cada um vá arrumar suas coisas em seus respectivos quartos. Assim que todos abandonam o quarto, Mariana começa a tirar todas as roupas da mala e as arruma no espaço vazio do armário.
— Você não sabe ficar quieta, não é? — Ela diz, pendurando uma jaqueta num cabide de madeira gasta.
— O acampamento inteiro sabe Mariana, se eu não dissesse, eles ficariam sabendo por outra pessoa e teriam a mesma reação. — Respondo, recebendo um olhar atravessado dela. — E eu não sabia que era você. —
— Então não acha que eu tenho nome de menino? — Ela pergunta, tentando enfiar a mala dobrada num pequeno espaço entre a gaveta e o forro do armário.
— Não. — Respondo e ficamos em silêncio por alguns momentos. — Vai usar o banheiro? — Ela nega. — Ok, eu vou tomar um banho. —
É quase meio dia, o tal café da manhã que vai acabar virando almoço ainda não foi servido, então tenha um tempinho pra tomar um relaxante banho. Separo minhas coisas e as carrego comigo até o banheiro, que exala um forte cheiro de desinfetante de lavanda. Não é bem equipado, na verdade só tem um chuveiro sem box, um vaso sanitário e uma pia, todos brancos, e acima do lavabo um espelho. Além disso, tem também uma toalha de rosto, uma cesta de lixo e uma saboneteira, todas as peças num tom azul escuro. O único problema é que a porta não fecha totalmente, fica uma pequena fresta e se alguém — Mariana — passar em frente me verá nua.
Resolvo tomar banho de roupa íntima para evitar possíveis constrangimentos e finalmente ligo o chuveiro, a água morna escorre pelo meu corpo e meu braço arde. Queimei-me com óleo tentando fritar hambúrguer sem a supervisão da minha mãe, o que além de me render uma queimadura também me mostrou que eu não sou uma pessoa prendada. Meus pensamentos são interrompidos quando ouço o barulho da porta batendo e vozes, Mariana está conversando com alguém. Mas quem? Mariana não conversa com ninguém desde que brigou com os meninos. Ignoro e volto a tomar meu banho, não tenho nada com a vida dela mesmo.
Mariana POV
Dayene ridícula, ela tinha que ter dito pros meus amigos que ia dividir o quarto com uma menina com "nome de menino"? Não, ela não tinha, podia muito bem ter ficado com a boca fechada e me poupado dessa humilhação. Deito-me na cama, apoiando minha cabeça numa confortável almofada e coloco meus fones, procurando uma música animada pra tentar afastar o mau humor.
— Posso falar com você? — A porta se abre e a voz nojenta cheia de sotaque invade meus ouvidos, apenas com a cabeça dentro da cabana.
— O que quer? — Pergunto e ela entra, sentando-se ao meu lado.
— Fala sério, Mariana. Eu só quero conversar com você. — Diz Camila, me encarando com olhos estranhamente marejados e um bico, chega a ser fofo. Acho que ela faz isso de propósito.
— Pode falar. — Ajeito minha postura.
— Primeiramente, quero me desculpar por rir de você agora pouco. — Ela diz enquanto brinca com os dedos da mão esquerda. — Você não tem nome de menino e foi idiota rir daquele jeito. — Ela pausa por um segundo, voltando a me olhar. Eu não digo nada, apenas mantenho meu olhar nos olhos dela, esperando uma continuação. — E também quero me desculpar por ter te causado problemas com seus amigos. Eu me sinto uma péssima pessoa toda vez que vejo você sozinha e eu não sou assim, não quero ficar sendo motivo pra você e seus amigos brigarem. —
— Não é sua culpa. — Digo. Na verdade não é culpa dela, eu é quem estou agindo errado, julgando-a sem conhecer. — Estou surpresa por você ter vindo aqui, eu ia procurar vocês algum dia nessa semana pra me desculpar. Camila, você é uma menina legal, pude perceber isso pela atitude de vir aqui se desculpar por um erro meu. Eu é quem te peço desculpas por não ter te dado chance de me mostrar quem você é e por ter arrumado confusão por bobeira. —
— Sem desculpas então. — Ela formula um sorriso meigo no rosto. — Podemos começar do jeito certo dessa vez, o que acha? —
— Acho ótimo. — Eu respondo sorrindo também. É verdade, eu estou realmente feliz que ela veio me procurar e disse aquelas coisas pra mim, porque eu não seria capaz de tomar essa iniciativa, meu orgulho é muito grande pra que eu conseguisse ter esse tipo de atitude.
— Então, amigas? — Ela estende sua mão, com um sorriso de canto. Seguro a mão dela, em seguida puxando-a para um abraço, que ela prontamente corresponde.
— Amigas. — Sussurro, sentindo menos peso nos meus ombros. Eu finalmente posso voltar para meus amigos.
Camila decide que nós iremos juntas até o resto do pessoal, contar a novidade. Ela é uma criatura admirável, sempre sorrindo e de bom humor. Sinto-me uma idiota por tê-la tratado mal, mesmo que indiretamente, quando a conheci. Vamos até a cabana dela pegar salgadinhos e doces. Esse é outro detalhe marcante em Camila, além do rosto angelical e das mechas coloridas em seus cabelos, ela adora comer e passa o tempo todo reclamando de fome.
Enquanto esperam pelo almoço, o resto do pessoal estão sentados num canto afastado dos grupinhos na grama e estão ao lado de uma árvore, no início de uma trilha. Douglas arregala os olhos quando me vê aproximando-me com Camila.
— Olhem quem eu trouxe de volta. — Anuncia Camila, dando dois passos para o lado e esticando os braços para mim como se estivesse me apresentando, com um rosto animado. Todos nos olham e um sorriso brota no rosto de cada um deles. Eu tenho meus amigos de volta.
Douglas POV
Mais ou menos no meio da tarde, os organizadores de atividades do acampamento decidem fazer um torneio de paintball. Não é obrigatório, por isso apenas 24 de nós decidem participar.
— Serão quatro times com seis pessoas cada. Time azul, time vermelho, time amarelo e time verde. Quando eu chamar seus nomes, cada um venha até aqui e pegue uma das bolinhas com a cor do seu time. — O organizador aponta para uma grande urna.
Autor POV
Acaba que os times são formados assim:
Time amarelo:
Isis
Paula
Lara Silva
Camila
Leo
Thomas
Time azul:
Giovana
Pig
Martinho
Mylena
Theo
Mariana
Time verde:
Leandro
Chiara
André
Ana Carolina
Dayene
Vitor
Time vermelho:
Ana Júlia
Renata
Douglas
Jana
Juliana
Gabriel Ferreira
Douglas POV
Detesto ser tão competitivo aqui, mas onde eu moro, nós levamos paint ball a sério. É como se nós sobrevivêssemos ao extremo enquanto jogamos paint ball, por isso, toda a área ao redor das barracas é “evacuada” para o jogo.
— Apenas um pode ganhar esse jogo, as equipes foram feitas para ajudarem uns aos outros a chegarem ao final, mas apenas um vencedor será aceito. Todas as armas estão na fogueira, um total de 24 armas, todas marcadas com cores. Se alguém pegar uma arma que não lhe pertence, será desclassificado. Sigam-me todos e coloquem os óculos de proteção. — Diz o instrutor e coloco meus óculos, caminhando ao lado de Ana Júlia.
Logo estamos todos de pé em volta da fogueira, há vários metros de distância do lugar certo das armas. O instrutor está muito bem protegido um pouco longe, estou entre Paula e Mylena, mas meu olhar bate sobre Renata, indicando a ela uma arma bem próxima a ela que estava no campo de visão de Isis. É uma arma que pertence ao time de Isis, mas eu quero eliminá-la logo do jogo, então Renata deve ter entendido o recado de chutar a arma quando se aproximar.
Deixo meus olhos caírem sobre Ana agora, em seguida sobre Thomas. Eu, Ana e Thomas somos amigos e tal, mas Thomas é um “forte concorrente” nesse jogo, ele é bem rápido e é capaz de nos alcançar em poucos segundos. Por isso, assim que Ana pegar a arma, eu quero que ela o elimine logo.
O instrutor apita, dando a largada para pegarmos as armas. Corro o mais rápido que consigo e agarro minha arma, colocando as balas de cor vermelha. Olho em direção a Renata, que chuta a arma que Isis ia pegar para longe. Atiro em direção a Isis, mas tudo que ela faz é se jogar no chão, desviando e logo Thomas joga uma das armas pra ela, que agarra e atira em Renata. Já que errei meu alvo, não vou nem tentar atacar outra pessoa. Dou meia volta e começo a correr. Entro correndo na mata e tropeço em algo. Algo não, é uma perna. Caio no chão e tateio ele a procura de minha arma, acabo a pegando, mas uma voz sussurra.
— Largue a arma. — Me viro lentamente, ainda deitado no chão e dou de cara com Mariana, com a arma esticada em minha direção.
— Enfia isso no seu cu, Mariana. — Digo, agarrando minha arma e dando um chute nas pernas dela. Ela acaba perdendo o equilíbrio e cai no chão.
Levanto-me rapidamente e começo a correr para dentro da floresta, com a arma em minhas mãos. Vou correndo por uma trilha em direção a um lago. Eu realmente não deveria ter fugido no início, agora não sei onde estão os outros de minha equipe. Sei que Renata já foi eliminada, pois Thomas conseguiu pegar duas armas e jogar uma para Isis. Não sei se Ana conseguiu tirar ele do jogo logo após isso, bem capaz, mas não tenho certeza.
Ouço passos e me viro, apontando a arma para a trilha de onde eu vim, dando passos para trás mas parando assim que percebo que estou à beira do lago. Uma rajada de tiros amarelos acertam perto de meu pé e tudo que tenho tempo de fazer é pular no lago, onde as balas não conseguem me acertar. Fico bem no fundo do lago, e quando preciso de ar, subo novamente para a superfície. Não há ninguém, olhando bem. Provavelmente as balas da pessoa acabaram ou ela simplesmente foi embora. Saio da água, todo encharcado. Como eu já disse, onde eu moro paint ball é coisa séria. Ajeito minha arma, voltando pela trilha de onde eu vim, até que saio na fogueira. O local está deserto, há várias manchas de tinta no chão e as armas extras e pessoas “baleadas” já foram tirados dali.
De algum lugar do acampamento, ouço a voz do diretor das atividades dizer em um megafone.
— E os eliminados no início são: Leo, time amarelo, Martinho, Giovana e Pig, time azul, Chiara e Vitor, time verde, Renata time vermelho. Dezessete continuam no jogo. A cada morte, eu os avisarei quando a “luta” tiver acabado. —
Passo a mão por meus fios molhados de cabelo. Ao meu ver, o time azul foi o mais prejudicado. Sete eliminados, dezessete no jogo. Dandara se daria bem num jogo desses.
Ouço passos atrás de mim e me viro, apontando minha arma para a trilha de onde eu vim. Parece que tem alguém me seguindo, credo.
Aparece uma menina ruiva, seguida de Ana, uma menina que não sei o nome e um menino que de certo modo é parecido comigo. Dava para ser meu filho, acho. Todos estão usando um colete vermelho, e com uma arma de coloração vermelha. São meu time.
— Céus, onde você estava, Douglas? — Diz Ana, se aproximando de mim e me dando um abraço.
— Tive alguns... Problemas. — Digo, enquanto Ana se afasta de mim rapidamente, deve ter percebido só agora que eu estou todo molhado. — Ei, você, ruiva. Te vi pegar um carregamento de balas vermelhas extra da arma que era pra ser de Renata. Passa pra cá. — Digo, autoritário, enquanto ela retira o carregamento e joga para mim. Guardo em meu bolso. — A propósito, sou Douglas. — Digo.
— Jana. Aquele é Gabriel e Juliana. — Diz a menina, apontando para o meu mini-clone e para a menina extra.
— Certo, vocês fazem ideia de onde os outros podem estar? — Pergunto.
— Camila é uma traidora do time amarelo, ela quem eliminou o Leo ainda no início. A vi correndo junto com Lara para o Oeste. Thomas, Isis e Paula estão juntos, foram para o norte, seguidos do que restou do grupo azul. Não faço ideia de para onde foi o verde. — Diz Ana.
— Pera... Norte então era pra onde eu fui. Muitas balas do amarelo tentaram me acertar e eu trombei com Mariana. Isso quer dizer que talvez eles ainda estejam lá. — Digo, pensando.
— Quando eu eliminei Vitor, acho que consegui ver aquela menina, a Dayene, correndo para o Sul. Deve ser para onde o resto do verde foi. — Diz Jana.
— Vamos atrás de quem primeiro? — Pergunto.
— O time azul é o mais desfalcado. Mas ainda tem o fato de que a Lara e a Camila estão sozinhas e mais vulneráveis, e provavelmente as balas da Isis, da Paula e do Thomas já estão acabando por causa do número que gastaram em você. Que tal uma votação? — Diz Ana e todos concordamos.
— Eu voto em irmos atrás de Lara e Camila. — Diz Juliana.
— Eu prefiro ir atrás do time azul. — Diz Gabriel.
— Acho que seria uma boa irmos atrás de Isis, Paula e Thomas. — Diz Ana.
— Acho o time verde uma ótima opção. — Diz Jana.
Resmungo um pouco antes de começar a pensar. Vamos Douglas, pense. Quem representa um risco maior? Thomas, ele é o maior risco no momento, mas eu não quero ir atrás deles.
— Vamos atrás de Lara e Camila. — Resmungo.
Gabriel revira os olhos, Juliana dá um sorriso, Jana simplesmente ignora e Ana também dá um sorriso, porém o da Ana deve ser mais do tipo “vou sorrir pra não acabar levando um tiro”.
Seguimos todos para o Oeste. Estou na frente, Ana logo atrás, Gabriel também e Jana por último para dar cobertura. Estamos subindo por um tipo de morro que leva ao topo de uma cachoeira. Está ficando frio à medida que nós subimos, mas mantenho os olhos bem abertos.
— Ana, tem como você ir na frente? Sinceramente, você tem mais senso de direção que eu. — Digo, e logo ela troca de posição comigo.
O que foi um erro.
Um único segundo de distração é o suficiente para que uma bala venha em direção à Ana, que é acertada em cheio. É uma bala amarela. Corro para trás de uma árvore, Jana e Juliana fazem o mesmo, porém tenho que agarrar o pulso de Gabriel, o puxando para a mesma árvore que eu.
— Fica esperto, eu não gosto de perder, e se você continuar sendo lerdo dessa forma, eu mesmo te elimino. — Digo de forma ríspida e chego um pouquinho para o lado, deixando o bico da arma apontada para onde Lara está escondida.
Solto um tiro e volto para minha posição. Lara não é acertada. Jana também está atirando e Juliana também, mas o idiota do Gabriel deixou a arma cair quando ficou vegetando no aguardo de ser acertado.
— Eu vou pegar a arma, me dê cobertura. — Digo, dando minha arma para Gabriel e me preparando. Ele começa a atirar e corro para onde está a arma caída no chão. A pego rapidamente e corro para a mesma árvore que Jana.
Se continuarmos assim, não vai dar certo. Olho para Gabriel, em seguida indicando a ele as folhas da árvore dele. Ele parece entender o recado e dá um tiro lá. Isso prende a atenção de Lara, que é tempo o suficiente para que Jana dê um tiro nela. Ela não consegue desviar e é eliminada.
— CHEGA! EU NÃO QUERO MAIS! PAREM DE ATIRAR! — Grita Camila, enquanto sai de dentro da mata da qual ela estava escondida e aponta a arma para si própria, dando um tiro. Ela está fora da competição.
Caminho em direção à arma de Ana, retirando a carga e a entregando para Jana, que foi a que mais perdeu balas.
— Vamos logo. — Digo, dando meia volta e descendo da trilha junto com Gabriel, Juliana e Jana.
Está bem perto do fim da tarde, e a voz do instrutor invade nossos ouvidos.
— E os eliminados são: Paula, Lara e Camila, amarelo. Mariana, azul. Ana Carolina, verde e Ana Júlia, vermelho. E quero informar que a partir de agora, já que só temos dez no jogo, não há mais equipes. Agora é cada um por si, a menos que queiram continuar se ajudando. Bom jogo para vocês. —
Todos nós nos entreolhamos e sacamos nossas armas. Estou apontando para o colete de Gabriel, que está apontando para o de Jana, que está apontando para o de Juliana, que está apontando para mim.
Jogo-me para o lado, numa moita ao meu lado, me escondendo. Ouço tiros das armas e olho quando já estou seguro. Juliana e Gabriel foram atingidos. Jana agora está apontando para mim.
— Você quer mesmo fazer isso? — Digo, olhando sério para ela.
— Quer continuar com a aliança, então? — Ela pergunta, mas sem abaixar a arma.
— Abaixa logo isso e para de show, menina. — Digo, pegando a arma de Juliana e Gabriel e retirando as cargas, em seguida jogando uma para Jana e ficando com uma. As cargas estão ficando cada vez mais escassas, mas o bom é que agora que não tem mais equipe, eu posso pegar qualquer carga e usar.
Caminho junto de Jana, sem um destino certo.
— Precisamos achar a equipe verde, mesmo eles não estando mais juntos, estão em três e nós em dois. — Resmungo.
— Não, estamos em um. — Sussurra Jana.
Viro-me para Jana, que está com a arma apontada para mim.
— Desculpe. — Ela diz.
Fecho os olhos, esperando o tiro.
Mas ele nunca me acerta.
Antes que eu possa dizer algo, um tiro verde bate nos óculos de Jana, impedindo-a de me ver e ao mesmo tempo a eliminando da competição. Fixo meus olhos onde o tiro saiu e Dayene surge dali.
— De nada. — Diz Dayene, com um sorriso no rosto.
Corro em direção a ela, pulando no colo dela e a abraçando.
— Por isso que eu te amo. — Dou vários beijos no rosto dela, em seguida desço do colo dela e pego minha arma, retirando as balas da arma de Jana e colocando em minha arma. — Onde está o resto da sua equipe? —
— Todos eliminados. Numa emboscada dos azuis, nós acabamos perdendo Leandro, André e Mylena. Theo está vagando por aí sozinho e eu estou com você agora. Então, pelos meus cálculos, Isis, Thomas, Theo, eu e você somos os únicos na competição. —
— Bem feito pra ele por estar sozinho. Vem, Day. — Seguro a mão dela e a puxo sem um rumo certo.
— Atenção, atenção. Eu quero todos os que ainda estão no jogo no lago em no máximo três minutos. Está na hora do fim do Jogo. — Diz o instrutor.
Puxo Dayene em direção ao lago. Quando chegamos lá, fico abaixado junto com ela em uma moita, olhando em volta. Aparentemente não há ninguém aqui conosco. Ou ao menos eu achava isso. Realmente do nada, Thomas corre de um lado para o outro na frente do lago. Ele é tão rápido, mas tão rápido, que parece que ele não está correndo, e sim voando. Não consigo nem vê-lo direito, quanto mais atirar, mas sei que há alguém ali, e se ele está ali, Isis não deve estar longe.
— Fique atenta. — Sussurro para Dayene.
Do nada, Dayene se levanta, dando um tiro. Esse que acerta em Thomas no exato momento que ele está correndo para o outro lado. Acho que ele realmente não esperava por isso, pois logo ele rola pro lado e acaba afundando no lago.
— Bela pontaria. — Digo.
— Obrigada. — Ela faz uma reverencia, mas a puxo pelo cabelo para que ela volte a se abaixar.
— Não se empolgue. — Sussurro e ela solta uma risada.
Ouço uma movimentação na moita à minha direita. Cutuco Dayene para que ela olhe para lá e consigo ver algo sobre a vegetação. Cabelo? Sim, é cabelo. É o cabelo de Isis. Atiro naquele ponto e o tiro pega no cabelo dela. Ela se levanta indignada. Mesmo tendo pegado no cabelo, ela está eliminada.
— VOCÊ SUJOU MEU CABELO. — Ela grita.
Levanto-me.
— E daí? — Digo ríspido.
— E daí que meu cabelo está sujo agora. — O rosto dela está vermelho de raiva e caminho em direção à ela.
— Então lava. — Toco na barriga dela, a empurrando para o lago. Ela cai lá dentro na hora e começa a se debater. O lago nem é tão fundo assim, acho que se ela ficasse de pé, ela conseguiria ficar com os ombros encima da água.
Só agora percebo que baixei minha guarda. Viro-me, apontando a arma para tudo quanto é lugar no matagal. Theo está bem perto de onde Isis estava. Mas ele está vegetando, o que é normal, já que ele é lerdo de natureza. Dayene dá um tiro nele e ele sai da competição.
— Diga adeus, Doo. — Ela aponta a arma para mim e atira.
Porém nada chega em mim, pois a arma dela está sem munição.
Solto uma risada e aponto a arma para ela, atirando em seus óculos, exatamente como ela fez com Jana. Parece que venci o jogo.
— WHO RUN THE WORLD? DOUG! — Grito enquanto Dayene se diverte igualmente a mim, retirando a tinta dos óculos e Theo tenta tirar Isis de dentro da água como se ela estivesse dentro do Titanic. Quanto drama.
Mariana POV
Após o torneio de paint ball, Douglas ganhou um tipo de coroa dourada de metal por ser o campeão, Dayene ganhou uma prateada e Theo uma meio amarronzada, as três simbolizando ouro, prata e bronze. Todos nós voltamos para nossas cabanas para nos limpar após todas aquelas balas coloridas e passo o resto do dia com meus amigos, rindo, conversando, relembrando momentos. Dei um soco no ombro de Douglas por me mandar enfiar a arma em um lugar inapropriado e pra variar ele reclamou de dor. Fizemos planos e finalmente tenho minha amizade reconstruída com eles. Só há um problema: Dayene. Por mais que eu tente, não consigo gostar dela nem um pouco, e eu não sei o porquê. Acho que é algo recíproco, pois ela passou o resto do dia falando bem pouco e o pouco que dizia não era se dirigindo a mim, assim como eu também não puxei assunto com ela.
Agora é de noite e estamos todos reunidos em volta da fogueira. Cerca de quarenta alunos, apenas para que nos conhecêssemos melhor. Nada muito especial, apenas apresentações típicas de primeiro dia de aula. A fogueira de verdade, com músicas e diversão acontecerá na sexta-feira e no final da semana nós teremos uma série de atividades físicos e talvez mais um jogo de paint ball. Logo o sinal de recolher toca e todos nós nos despedimos. Ainda é cedo, 22 horas e não estou com um pingo de sono.
Dayene entra na cabana pouco depois de mim, muda como sempre, mas eu também não faço questão de dizer nada. Entro no meu banho, canto, danço e sai de lá quando meus dedos estão ficando enrugados. Eu realmente demorei muito no banho, porque já passa das onze. Pensei que Dayene já estivesse dormindo, mas ela não está nem na cabana. Onde diabos ela foi? Será que não sabe que além de ser proibido ficar andando pelo mato, eu também preciso trancar a porta pra dormir? Visto uma calça jeans, uma blusa e calço meus sapatos, indo atrás dela.
Está tudo escuro e a única luz além da lua é a fogueira, a cerca de cem metros de distância da minha cabana e ali está ela, fazendo Deus sabe o que.
— O que está fazendo aqui fora? — Pergunto, sentando-me ao lado dela. Dayene observa as chamas da fogueira de forma compenetrada, como se pensasse em apenas uma coisa.
— Por que veio atrás de mim? — Ela pergunta, sem tirar os olhos da madeira que queima lentamente.
— Já bateu o sinal de recolher, devíamos estar dormindo. —
— Eu sei. — Ela me encara, com o rosto pouco inclinado.
— Então, o que faz aqui? — Insisto.
— Por que você não gosta de mim? — Ela questiona, dessa vez com a voz mais baixa e olhando novamente para as brasas.
Eu não sei o que responder.
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