E então estávamos nós quatro de pé juntos, mas olhamos uma para o outro com olhares de desconfiança. Com exceção do Victor que constantemente olhava para os lados procurando por alguma coisa. Enquanto tentava enrolar uma faixa envolta da minha mão para estancar o sangramento. Que inclusive latejava de dor.

A garota da espada mantém entre nós e ela a sua espada ainda com um ar de hostilidade enquanto Tallon tentava um diálogo com ela.

—Então a noite foi longa tá todo mundo acabado sendo assim o que você acha de abaixar seu brinquedo e cada um seguir com o próprio caminho e deixamos esse papo de nós matamos para outro dia?

—Nem pensar eu jurei que cortaria a cabeça de vocês antes do sol amanhecer!

—Mas que saco! Vou reformular minha frase. Some daqui antes que eu mesmo desapareça com você! Você não entende a desvantagem que você se encontra criatura! Eu tô aqui me esforçando para ser misericordioso e você vem com esse Papinho?!

Ela vendo a ausência de opções embainha a sua espada e começa a se distanciar. Depois de tomar alguma distância ela se vira para nós e solta sua última ameaça.

—Não morram tão cedo pois eu Yamari Furrer vou ser a pessoa que vai matar vocês!

—Victor! Manda ela a merda- Ordena Tallon.

—Eu não, manda você.

—Vá a merda garota!

E com essa maravilhosa despedida ela vai embora mordendo os lábios de raiva. E então chega a nossa vez de sair desse inferno. Sendo sincera eu não queira ir com eles mas, eu tive que seguir com isso por ausência de opções.

Novamente esgueirando pelas sombras a gente se move em direção ao porto.

Quando a gente saiu de lá o prédio terminou de desabar. Mas tenho quase certeza que foi o Victor o responsável por isso só que eu não queria conversar.

—Achei que você não era capaz de controlar água?- Questiona Tallon.

—E não sou, eu apenas imitei o Victor e deu certo.

—Como é que é?- pergunta Victor.

—Bem eu vi você usando seus poderes para arrancar pedaços do chão e então eu te imitei mirando na água.

—Tá mas, não é exatamente assim que funciona os princípios para dominar água e terra são completamente diferentes. Não tem como aplicar um sobre o outro. — explica ele.

—Mas talvez ela apenas tenha estilo próprio só isso.- intervém Tallon.

—Eu não tenho nenhuma ideia do que vocês estão falando.

—E eu não tô nenhum pouco afim de explicar. Isso vai ser uma conversa longa e é melhor deixar isso para alguém que saiba te ensinar. –Tallon põem a se explicar.

—Mas não importa como você fez o que importa é que aquilo me deu a oportunidade que eu precisava.

—Verdade. Ainda bem que humanos não conseguem sentir energia elemental.

—Como assim?- Pergunto em dúvida.

—Desde o momento que eu cheguei eu comecei a transferir minha energia para o solo. Foi assim que eu consegui fazer aquele terremoto tão forte. Mas como eu tinha que puxar as raízes que eu criei, não ia ter como eu fazer isso já que se eu me movesse iria tomar um tiro.-

Explica Victor gesticulando. Eu entendi mais ou menos o que ele quis dizer já que as tais raízes que ele falou são comparadas as sedas que que usei.

—Só que a ideia original era derrubar aquele galpão encima da gente só que por algum motivo ele era mais resistente do que pensava.

—A única coisa que me preocupa agora é que o “Sarjeta” fugiu.

—Acho que o nome dele era Sharder? Não me lembro direito. Também não me importo só espero nunca mais ver ele na minha vida.

—Mas que nome feio, vou continuar chamando ele de sarjeta mesmo.

Depois de mais algum papo furado chegamos ao porto. A gente entrou pela lateral dele pulando o muro do estacionamento. Na verdade apenas eles dois pularam pois eu mal aguentava me mover então acabou que eles me carregaram nessa.

Acho que o efeito da adrenalina passou por que meu corpo todo começou a doer principalmente as pernas, o lugar que eu tomei o tiro e meu dedo (Que não está mais lá).

A gente foi até a parte que estavam atracados os barcos menores sendo que a maioria eram veleiros.

E então entre tantos barcos a gente foi em um bem específico. Logo de cara ele não tinha nada de especial ele era apenas um pouco maior que a maioria.

Tallon bate no navio algumas vezes e em pouco tempo as luzes do barco se acendem.

—Bem então é isso. Foi um prazer te conhecer ondinha.- Falou Tallon me dando mais um apelido.

—Verdade esperamos te ver em breve.- complementa Victor.

—Espera aí! Vocês não vem comigo?

—Não, infelizmente a gente tem uma cacetada de assuntos pendentes e pessoas para salvar. Então a gente vai ficar se se ver por um tempo.

—Que pena eu tava começando a querer ficar junto de vocês.

—Não se preocupe a gente vai voltar para ilha daqui um mês ou dois. Considere isso uma promessa de mindinho.- diz Tallon olhando pra mim tentando segurar uma risada.

Eu não consigo deixar de pensar o quão desgraçado esse cara é.

A gente se cumprimenta enquanto terminarmos de nós despedir. Nisso o capitão do barco sai de dentro dele e fica esperando na porta enquanto acende um cachimbo.

—Fico feliz que você escolheu a gente Carol e quando chegar lá fala com a senhorita Adelle que eu mandei um oi.- Diz Victor.

—Nem te conto he he. Eu não sei quem é ela mas se eu a encontrar eu vou dar o recado. Mas acho que agora eu tenho que ir.

Eu vou em direção a porta do barco e entro dentro dele e então o capitão a fecha. Passando por uma pequena escotilha eu vejo do lado de fora os dois patetas acenando para mim do lado de fora.

Por mais que o destino tenha feito essa escolha eu fico feliz por ele ter escolhido ela.

E então pela primeira vez em bastante tempo eu consigo sorrir. Tinha até me esquecido como se fazia isso.

Bem em poucos minutos o barco partiu deixando lentamente a costa. E assim eu deixo para trás a minha cidade, meu país, meus “amigos”, minha “família” e minha casa.

Adeus mãe.

“I will cross the ocean and I don’t intend to be more than a memory”

Notas finais
E com isso encerramos o prólogo. Obrigado a todos que leram isso até aqui