“A luz da lua refrata no sangue que era carregado pelas bolhas de ar que acendiam em rumo a superfície do rio. Ao ver aquilo os pensamentos entoaram em uma única frase. “Que coisa linda, então é dessa forma que eu vou morrer”.”

Por algum motivo eu sentia areia em meu rosto. A sensação era como se a mão de Deus repousasse sobre minha cara . Era tão quentinho e aconchegante que fazia eu querer continuar dormindo para sempre. Mas então eu senti que por algum motivo eu deveria e me levantar. Era como se alguém estivesse me chamando e então eu senti um frio muito forte na minha espinha. Eu no susto tento me mover mais sou impedida por uma dor imensurável vindo das minhas costas. E então alguém me vira deixando a minha barriga para cima. Olhando atentamente para ela vejo que é uma criança de cabelos azuis claros. Na verdade não é exatamente uma criança mas ela é bem mais nova que eu. Seu rosto está meio embaçado mas ela parece ter uma expressão de alívio e alegria por me encontrar. Logo mais eu vejo outras pessoas tão distintas quanto ela chegarem. Por algum motivo eu sinto um alívio ao mesmo tempo que sinto uma tristeza profunda abraçando meu coração.

Eles me carregam eu seus braços e me levam para um barco enquanto dizem que vai ficar tudo bem...

E então eu acordo deitada em uma cama velha. Tudo balança e eu me sinto meio enjoada e minha cabeça dói, na verdade meu corpo todo ainda dói. Mas apesar disso eu me sinto muito animada por algum motivo. E daí eu me dou conta que eu sonhei!

Eu corro abro minha mochila e pego meu diário e começo a escrever as minhas vagas memórias sobre o ocorrido.

Mas, logo em seguida as memórias sobre o mundo real começam a volta junto. Eu ter sido expurgada do mundo humano, ter fugido, tomei dois tiros, conheci gente boa, conheci gente Ruim. É... Aconteceram várias coisas entretanto o que importa agora é que eu estou segura.

—Droga! Esqueci de perguntar para os dois se eles sabem alguma coisa sobre sonhos.

Eu me levanto e vou de encontro ao capitão do barco para ver se ele tem algum remédio pra enjôo. É a minha primeira vez viajando de barco e eu só não vomitei ainda por que não tenho nada para botar pra fora. E ainda tem esse cheiro de peixe que não me ajuda.

Eu começo procurando ele pelas redondezas (Não que o barco seja grande) e encontro ele em sua cabine que é uma mistura de escritório, quarto e cozinha. Eu entro lá dentro quase cambaleando de tonta.

O capitão do navio era exatamente o que se imagina quando você pensa em um marinheiro. Um homem velho, barbudo, fumando um charuto e usando um jaqueta. Só falta o nome dele ser algo como Haddock, James ou Jack.

Ele estava comendo um sanduíche e quando me vê ele interrompe a sua refeição e em silêncio se levanta em direção a parte da cabine que é uma cozinha. Ele sem dizer nada pega algumas folhas e coloca em uma caneca, logo em seguida ele começa a amassa-las com uma colher e por fim ele coloca um pouco de água e me entrega.

Eu olho para aquele líquido verde e me pergunto o que é pra fazer com isso.

O capitão então faz gesto para que eu beba. E presumindo que é um remédio pra enjôo eu dou um gole. Imediatamente os músculos do meu rosto se contraem por causa do amargor da bebida.

—(Blerg)! Isso é muito ruim!

Eu olho para o capitão e ele está me encarando. E isso tudo é meio desconfortável tendo em vista que ele até agora não falou nada. Provavelmente ele não fala minha língua ou então é mudo.

Eu me forço a beber a aquela bebida horrível sendo que cada gole é seguido de uma careta.

Logo depois de eu tomar aquele remédio ele preparou para mim um sanduíches. O sanduíche em si não tinha nada de especial, era apenas pão queijo e salame defumado. Mas eu olhei aquilo babando já que eu tava com muita fome. Quando eu pego o lanche eu dou a maior mordida que posso e tudo que eu sinto é um gosto amargo.

Chega até ser triste. Eu não sei se é porque o efeito da aquela barrinha de cereal passou ou se é culpa daquele remédio ruim.

De qualquer maneira eu devoro aquele sanduíche já que a fome aqui é mais forte do que qualquer coisa. Aliás visto a situação que eu estou eu não posso me dar ao luxo de comer algo gostoso.

Enquanto eu comia o capitão saiu da cabine e subiu uma pequena escada. E logo quando eu termino eu vou atrás dele.

Subindo as escadas eu acabo na sala de controle da embarcação. Diferente do barco ela é toda feita em madeira e tem uma mesa cheia de mapas e papéis. Mais ao topo tem uma pequena TV com um mapa do mundo aberto em cores de escala de temperatura e tem uma mancha azul na costa onde ficava minha cidade.

Olhando os papéis vejo que tem um jornal com minha imagem estampada em uma das páginas. Com a notícia: “O inimigo está a solta! cuidado por onde se anda.” [...] Nessa terça feira foi dada como fugitiva uma elemental infiltrada em nosso meio e está causando terror na cidade seu nome é Carol de Callmira qualquer cidadão que ver a pessoa da foto reporte imediatamente a união pelo número de denuncia 6**

[...] “Apesar de nossos esforços para manter o controle e conter a ameaça, esta cidade se mantém com um alto número de elementais ocultos apresentado casos quase que toda a semana. E recentemente tivemos ao todo cinco casos de atentados em apenas três dias contando com o atual ocorrido. Mas apenas relembrando a nossos cidadãos que eles não precisam se preocupar a U.I.P está trabalhando vinte e quatro horas por dia para garantir a segurança de nosso povo e consequentemente a do mundo.” ~ 2° Stg. Sharder da 145° esquadrão de supressão elemental. [...]

A data da reportagem é de 5/7/2012

“Dois dias depois que eu me transformei... Sinto que tem alguma coisa estranha mas, oque?”

Ficar pensando sobre isso não vai me levar a lugar nenhum. De qualquer forma que se dane eu não me importo mais com isso mesmo.

Eu deixo o jornal de lado e vou falar com o capitão. Ele estava guiando o leme constantemente olhando uma bussola.

—É- Senhor capitão? Gostaria de saber para onde estamos indo.

—...

Ele apenas olha para mim e depois aponta para o horizonte.

Tudo que eu vejo é apenas água e mais água. Eu percebo que conversar com ele não vai levar a nada e me retiro do ambiente. Indo para o deck do barco eu consigo ver melhor o sol. E pela posição dele já passou do meio dia.

Sem muita coisa pra fazer eu vou para a borda e começo a brincar com as ondas. Eu tento diversas vezes controlar a água como eu fiz com aquela caixa d’água porém eu não tive muito sucesso. Não é como se eu não conseguisse fazer nada, o problema é que era algo muito inconsistente as vezes eu conseguia outras vezes não e as vezes as ondas atrapalhavam.

E fiquei nisso.

Por longos e entediantes sete dias.