Walking After You

15 Capítulo 14: (Un)fair


Notas iniciais
Oi gente :3 Tudo bem? ♥
Eu peço desculpas por ter enrolado de novo, eu tô passando por uns problemas pessoais. Na verdade, é mais como uns dramas pessoais AUEHUAEH, e tem se tornado um pouco difícil pra mim escrever. Não que eu vá parar, mas os capítulos têm ficado cada vez mais deprimentes, e aí eu termino apagando tudo e tentando reescrever para ver se dou um jeito.
Esse capítulo mesmo, eu reescrevi umas trocentas vezes. Bem, ficou meio neutro, eu acho. Nem feliz demais, nem triste demais. Foi o melhor que eu consegui, me perdoem os erros - se tiver algum, às vezes eu deixo passar -, e espero que gostem. Comento sobre no final~~
Boa leitura! ^^

Não era como se ele não soubesse disso... Ele não era bobo, já havia criado suas próprias teorias há tempos, e essa era a mais provável. Só que era muito pior/doloroso ouvir aquela afirmação vinda da boca de outra pessoa. Nunca quis acreditar, mas agora via que estava mais claro do que nunca, até Kasuka havia notado. Cerrou os punhos, visivelmente irritado. Era impossível não ficar aborrecido. Mais do que nunca, quis esganar CN com as próprias mãos. Odiava-a ainda mais por entendê-la. Se ela estava fazendo aquilo, com certeza era para chamar a atenção de Shizuo, assim como ele fizera durante todos aqueles anos. Não sabia o que pensar. Por mais que detestasse aquela situação, entendê-la mudava um pouco as coisas, talvez até o fizesse sentir certa compaixão pela mulher. Ou não. Porque nem mesmo Izaya fôra tão cruel em todo esse tempo de perseguição. Aquilo era jogo baixo. O alvo dele sempre fora Heiwajima e nunca tivera a intenção de matar ninguém. Já Cora...

Shizuo ficou perplexo por bastante tempo; com as sobrancelhas arqueadas e a boca entreaberta que demonstrava certa surpresa. E ele estava realmente muito surpreso. Não entendia nada. Por que as pessoas que supostamente eram apaixonadas por ele viviam tentando matá-lo? Era meio complicado viver assim, ainda mais sabendo que as coisas poderiam ser diferentes. Talvez uma abordagem mais sutil da parte dela (ou mesmo de Izaya, naquela época) fizesse com que suas chances crescessem significativamente, mas não, haviam optado por tentar destruir a vida dele completamente. Entretanto, se bem lembrava, Cora ansiava por vingança. Por quê? Porque ele havia feito com que ela se apaixonasse? Não era exatamente culpa de Shizuo ter nascido daquele jeito, então... Por quê? Ponderava se havia rejeitado-a em alguma ocasião, mas, tinha de admitir – embora esperasse que Orihara nunca soubesse disso –, ela era uma mulher muito bonita para que o fizesse. Se fosse usar um adjetivo para descrevê-la seria algo como “deslumbrante”. Ele não a rejeitaria, de maneira alguma. Estaria louco se rejeitasse.

A conversa não se estendeu muito mais depois daquele ponto. O informante estava inquieto, irritado e tenso demais para impedir Kasuka de ir embora, e este o fez logo que terminou a frase, pois achava que não havia mais nada a ser dito. E não havia mesmo, ele já havia dito o bastante. Após o Heiwajima mais novo sair, Shizuo e Izaya não trocaram mais nenhuma palavra. O moreno ficou apenas encarando a porta, como se estivesse em um transe. E o guarda-costas foi fumar outro cigarro – concluiu que era algo necessário, quem sabe a fumaça não amenizaria aquele clima pesado que pairava no ar. Assim o fez, silenciosamente, para não atrapalhar o moreno. Ambos estavam absortos em seus pensamentos, e assim o dia se passou. Não sentiam a necessidade de conversar, talvez para evitar um possível conflito, e terminaram por fazer o que tinham que fazer simplesmente ignorando a presença um do outro. Seria melhor assim, e eles sabiam disso. Não era o momento mais apropriado para ficarem “namorando”, embora essa fosse a vontade dos dois. Teriam de esperar. E, nesse mesmo clima, a noite chegou sorrateiramente, passando quase imperceptível aos olhos deles. Izaya já estava há algumas horas mexendo em seu celular, em busca de dados novos sobre Cora. Aquela havia se tornado uma atividade demasiado frustrante, pois ele nunca via nada de novo. Sempre as mesmas informações. Parecia que ela simplesmente desaparecera de Ikebukuro, do Japão, do planeta... Não havia mais atualizações sobre a pessoa dela em lugar algum desde que havia deixado de participar efetivamente dos Dollars sem mais nem menos. E isso era inacreditável, pois você conseguia encontrar qualquer dado sobre qualquer pessoa na internet. Izaya, em especial, sempre conseguia. Sabia procurar nos lugares certos. Mas não dessa vez. Ninguém a via, e quando perguntavam sobre seu paradeiro ninguém sabia o que responder. Alguns diziam que ela tinha saído do país, mudado de rosto, de identidade e ido embora para sempre – o que não podia ser verdade, porque eles haviam encontrando-a recentemente –, outros diziam que às vezes ela dava as caras, mas eram encontros breves, pois logo fugia sem direcionar sequer uma palavra a eles. Só houve uma coisa realmente interessante ou intrigante que Orihara encontrara: um dos usuários dos Dollars – que era bem estranho, por sinal, pois não havia nenhuma informação sobre ele em sua página, como se só tivesse criado aquele perfil para compartilhar aquilo que sabia – disse que Cora decidira “recriar um quadro de inferno bem próximo do que ela vivera desde então”. ‘Desde então’... Quando? E de que maneira isso tinha a ver com Shizuo (se o envolvia, é claro)? Milhares de dúvidas surgiram na mente do informante. Infelizmente, não havia ninguém para saná-las. Teria de seguir sua intuição. E não era muito bom nisso, para ser honesto. Não tinha como ser, pois sempre esteve acostumado a ter tudo sobre controle. E era isso que tornava Cora uma adversária amedrontadora, mas ao mesmo tempo formidável. Não havia nada certo sobre ela. Ninguém sabia nada sobre sua história, nem por onde andava, nem o que andava fazendo. E mesmo que “soubessem”, eram apenas especulações. Não dava para afirmar nada com convicção.

E Orihara já estava cansado disso. Decidiu contatar aquele usuário, pois já estava praticamente sem esperanças. Não importava o quanto seus “contatos” pesquisassem pelas ruas de Ikebukuro, nada encontravam também... Aquela busca por respostas inexistentes já havia virado repetitiva e maçante demais para ele. Bastava. Entrou em um de seus inúmeros perfis – um informante como ele tinha de ter vários perfis falsos para não se tornar suspeito, ou ser descoberto. Mandaria uma mensagem para o sujeito. Decidiu ser sutil, não muito invasivo, para ver se ele falava voluntariamente. Essa era a melhor maneira para se aproximar de suas vítimas, pois, ao se sentirem confortáveis, terminavam desembuchando tudo em questão de segundos e tornando as coisas muito mais fáceis para ele. Caso não o fizesse, aí sim, partiria para os meios mais “sujos”. Esperava que não fosse o caso, pois se sentia cansado demais para fazer isso. Não fisicamente, mas mentalmente. E esse tipo de coisa dava um trabalho danado. Tentou manter-se o mais apresentável possível, e digitou rapidamente (devido à prática), embora de maneira correta e impecável — tinha de manter uma postura séria para soar convincente. Tentou parecer o mais natural possível. Modificou o texto algumas vezes, mas, por fim, ficou satisfeito. A mensagem dizia:

“Olá. Ando procurando pela CN. É de extrema importância encontrá-la o mais rápido possível. Andei dando uma olhada no site e você parece saber mais sobre seu paradeiro do que os outros. Entre em contato comigo para conversarmos melhor.”

A resposta não foi imediata, pelo contrário, demorou bastante tempo para chegar. Tanto tempo que Orihara já estava praticamente subindo pelas paredes de tanto nervosismo e ansiedade. Suas unhas já estavam em carne viva, de tanto roer (sempre fazia isso quando estava apreensivo), e a mão sangrava. Aquela dor 'aguda' era simplesmente insuportável, queria arrancar os dedos para fora. Mas não conseguia parar. Ah, como demorava! Só não havia desistido porque, realmente, fazer esse tipo de coisa não era algo de seu feitio. Ele não sairia dali sem respostas. Ah, isso nunca... Quando o celular se iluminou, três horas e quarenta minutos depois, mostrando que havia recebido sua tão aguardada resposta, seus olhos brilharam e um sorriso enorme formou-se em seu rosto.

“O que você quer com ela?”

Não foi exatamente a resposta que esperava. Pensou por alguns segundos, tinha de inventar uma desculpa que a fizesse acreditar logo de primeira.

“CN é uma mulher muito astuta e habilidosa. É perfeita para o meu chefe, que tem uma oferta muito boa de trabalho para oferecer. Infelizmente, não posso te dar mais detalhes sobre isso. Até porque eu não sei desses detalhes, também. Mas aparentemente ela sumiu. Não encontro nada à seu respeito na internet, ou em lugar algum. Chega a ser inacreditável.”

A resposta veio quase que de imediato:

“Pode desistir. Ela está ocupada em um serviço pessoal, e não vai largar dele até concluí-lo.”

“Você mantém contato com ela?”

Izaya questionou, mostrando-se visivelmente interessado. O sujeito ainda não havia liberado mais informações do que Orihara já sabia, mas gostaria de acreditar que estava caminhando para que aquilo acontecesse. Se respondesse àquela pergunta, mostraria que é uma presa fácil.

“Às vezes. Mas não é com frequência, é raro. E eu não direi onde ela está, antes que pergunte.”

“Tudo bem. Enfim, você sabe que tipo de ‘serviço pessoal’ é esse? Meu chefe é uma pessoa influente, pode ajudar, dependendo do que se trata.”

“Agradeço a sua boa intenção, mas eu duvido muito que ela vá querer ajuda. Ela não precisa, provavelmente acabaria com seu chefe se quisesse. Você não a conhece. Não sabe do que ela é capaz.”

Isso fez Izaya mudar de expressão. Ficou um pouco atônito e não conseguiu esconder. Também não conseguiu esconder o medo que começara a sentir, quase que repentinamente. Agradeceu mentalmente por Shizuo já estar adormecido no sofá da sala (tão bonito, por sinal), pois não queria preocupá-lo mais ainda. Sempre havia ouvido falar no quanto CN era indestrutível, e no quanto ele deveria se manter afastado... Tanto dela quando das pessoas que se envolviam com ela, porque era perigo na certa. Mas duvidava um pouco disso, até então, mesmo que tivesse vivenciado algumas situações. Ela não poderia ser tão ruim assim, era o que pensava. Afinal, cão que ladra, não morde. Porém ver alguém que a conhecia – ou pelo menos, fazia parecer que conhecia, e muito bem – falando tais coisas tornava tudo pior. Muito pior. O que ouvia os outros dizendo nas ruas eram apenas suposições, provavelmente enfatizando muito mais do que CN realmente era, ou do que havia feito, mas aquele sujeito (ou sujeita, Orihara suspeitou que fosse uma mulher por estar deixando escapar informações facilmente) conhecia Cora. E deveria saber muito bem do que estava falando. Aquilo lhe arrepiara até a espinha. Temeu continuar a conversa, mas precisava fazê-lo à qualquer custo. Parecia que alguém finalmente estava disposto a lhe dar respostas, era uma oportunidade única e que provavelmente nunca mais apareceria. Decidiu prosseguir. Seus dedos estavam um tanto trêmulos, o que dificultava a digitação. Mas por fim, respondeu:

“Eu conheço a CN, de vista, e nos falamos algumas pouquíssimas vezes, infelizmente. Ela parece ser uma pessoa formidável. Mas não tenho meios de contatá-la porque ela não deixou mais rastro algum. Mas você parece conhecê-la, e muito bem. Como se conheceram?”

“Se me permite perguntar: no que isso vem ao caso?”

“Não me vem ao caso, desculpe. Eu apenas queria saber, você dá a impressão de ser alguém próximo dela. Fiquei interessado, pois já que ela é uma pessoa bem fechada, não achei que mantivesse qualquer tipo de relacionamento.”

“Ela mantém. Quer dizer, na medida do possível para alguém como ela. Não sei no quê isso irá te ajudar, mas eu a conheci quando era apenas uma garotinha. Assustadora garotinha, por sinal. Ninguém gostava dela. Ela tinha algo... Especial e inusitado demais. Mas que não era bem aceito pela conservadora sociedade escocesa. Uma pena. Mas ela os deu o que mereciam não muito tempo depois. Pagaram suas línguas.”

“Que algo especial seria esse?”

“Você não acreditaria se eu contasse. Só vendo para saber. É uma característica única dela. Diria até que não existe ninguém igual, mas eu não sei. Não tenho conhecimento o bastante para te afirmar isso. Mas não acho que importa muito.”

“E você é da família? Uma irmã, talvez?”

“Família... Haha. Você realmente não sabe nada sobre ela. Ela não tem família. Não sou da família. E irmã... Bem, não somos irmãs. Pelo menos, não de sangue. Mas sei que ela odiaria usar esse adjetivo para me descrever. E eu também.”

“E que palavra ela usaria?”

“Uma velha amiga. Ótima amiga.”

Sabia! Ele sabia que era uma mulher com quem estava falando! Comemorou silenciosamente. Gostava de estar certo sobre suas suposições.

“Você tem muita sorte. Presumo que saiba da história dela. Mas não vai me falar. Não quero te forçar, também, acho que você já está me fazendo um favor imenso só por estar me contando isso.”

“Acho que CN não gostaria que eu contasse sua história, sinto muito. Só postei aquilo no site porque queria que a deixassem em paz. Não suportava aquele bando de notícias falsas sobre ela... Era irritante.”

“Entendo.”

“Você deve estar mesmo querendo encontrá-la, para ter pesquisado tão a fundo e vindo até mim. Mas mesmo que eu te dissesse onde ela está, sei que ela não aceitaria te ajudar. Ela mudou, bastante. Não é mais a CN que conhecemos. E provavelmente nunca voltará a ser.”

“Mudou como?”

“Ela quer se vingar. Acha que assim vai trazer algo de volta... Está completamente fora de si. Mas é só isso que eu sei.”

“Obrigado pelas informações, serão muito úteis. Presumo que a conversa termina aqui, então. Foi um prazer falar com você.”

“Boa sorte com o serviço. Se quer uma dica: pare de procurar por ela. Do jeito que está, só vai fazer mal a quem tentar se aproximar. E isso é só um eufemismo, com certeza, ‘mal’ é o menor das coisas que ela pode te fazer. Te aviso.”

“Tudo bem. Sabe, eu gostei de você, de verdade. Será que poderia me dizer seu nome e, quem sabe um dia, não nos contataremos novamente?”

“Cecily Fairchild. Não se incomode em me contatar de novo, eu não vou responder. Já te disse tudo o que você queria saber, Izaya Orihara. E, bem, não sei porquê você quer tanto encontrá-la, mas escute meus conselhos, se tem qualquer tipo de amor próprio.”

Orihara tentou pensar em algo para responder, mas nada lhe veio à cabeça. Decidiu deixar quieto. Não seriam as palavras daquela mulher que o impediriam de fazer o que estava fazendo. Embora isso, era simplesmente surpreendente que ela soubesse que, durante todo esse tempo, esteve falando com Izaya, mas não menos esperado. Buscou pelo nome da mesma em um site de pesquisa. Cecily Fairchild era alguém do mesmo “naipe” que Cora. Costumavam trabalhar juntas, aliás. Mas pouco se sabia sobre ela, também, fora que era filha de burgueses, natural da Escócia (assim como a amiga) e uma mulher extremamente inteligente – e, quando dizem extremamente, é porque ela realmente era dotada de uma inteligência sobre-humana. Ela era um gênio, logo, não deveria ter sido tão difícil deduzir que as intenções do informante com toda aquela encenação era buscar mais dados sobre CN. Mas tanto Cecily quanto os meios que ela havia utilizado para descobrir quem havia mandado a mensagem para ela não lhe interessavam nem um pouco. Ela parecia ser uma mulher um tanto fácil de desvendar. E, além do mais, mesmo que lhe interessasse, a mesma havia dito que não voltaria a respondê-lo. Uma pena. Podia garantir que ela sabia bastante. Mas tudo bem, pois seu foco era Cora e apenas ela. Embora isso, estava agradecido pelas informações. Não sabia o porquê de Fairchild ter falado aquelas coisas, mas também não queria saber. Faria bom uso dos dados, independente da procedência dos mesmos. Mas ainda havia algo que lhe intrigava. Orihara releu as mensagens mais vezes do que gostaria (até sua vista doer, mais precisamente) buscando estudá-las minuciosamente. E em uma delas dizia que CN queria trazer algo de volta. Se vingar de Shizuo a faria trazer o quê de volta? E, se ela realmente gostava dele, por que queria tanto se vingar? Bufou de raiva. Meu Deus, que mulherzinha complicada aquela...

Suspirou. Estava caminhando em círculos pela sala até então. O cômodo, de repente, pareceu extremamente pequeno, como se nada mais coubesse ali além dele mesmo. Provavelmente estava prestes a ter um ataque de claustrofobia. Enfiou o rosto para fora da janela e tentou respirar fundo por alguns minutos para recuperar o fôlego e ajeitar as ideias. O ar fresco contra o seu rosto era revigorante, embora o cheiro de cidade grande (um misto de fumaça e gente suada) lhe desagradasse um pouco. Depois de algum tempo, quando viu que estava se sentindo melhor, encarou Shizuo, profundamente adormecido no sofá desconfortável. Talvez devesse acordá-lo. Não só para recomendar que fosse para cama – onde era muito mais confortável e onde ele não acordaria com uma dor nas costas terrível –, mas também para contar o que havia acabado de acontecer. Aproximou-se do loiro e não pôde deixar de ficar alguns segundos encarando sua expressão serena. "Como nos tempos de Raira..." Pensou. Acariciou seus cabelos levemente e depositou um beijo na ponta de seu nariz, esboçando um sorriso leve logo em seguida. Poderia ficar ali para sempre e não se importaria nem um pouco. Mas não era hora para aquilo. Balançou a cabeça, voltando a si. Colocou a mão no ombro do loiro e cutucou-o para que acordasse. Repetiu o gesto pelo menos umas cinco vezes, afinal, ele estava em um sono profundo (dava até dó de acordar!). Heiwajima abriu os olhos, sua visão estava embaçada, pálpebras pesadas, tentando se fechar novamente a todo custo, mas Orihara não permitiu, insistindo nas cutucadas e chamando pelo nome do guarda-costas baixinho, fazendo com que ele logo despertasse por completo. Assim que o fez, deu de cara com o rosto do informante há apenas alguns milímetros de distância e se surpreendeu. Pensou que o informante queria dormir ao seu lado, talvez por estar com medo – e esperava que fosse isso, intimamente –, mas não era. Izaya tinha uma expressão simpática, embora séria. Dava para ver que algo havia acontecido. Pigarreou algumas vezes antes de começar a falar. Contou toda a história, detalhando todas as partes possíveis, para Shizuo. Este ainda estava um bocado sonolento, e a voz dócil do moreno o fazia querer dormir novamente, mas captou a mensagem principal, no fim das contas. Basicamente Orihara havia falado com uma mulher que conhecia CN e “arrancado gentilmente” informações da mesma (ele mesmo havia usado essa expressão para descrever o que havia feito). Tais informações não eram lá tão significativas, mas pelo menos confirmavam algumas das suspeitas. O motivo da vingança ainda manteve-se desconhecido, ao que parecia. Mas Heiwajima sentia que logo tudo seria explicado. E, dessa vez, não era apenas sua intuição que o levava a crer nisso. Ele realmente acreditava que logo desvendaria toda aquela teia de mistérios que envolvia Cora. Talvez ela mesma fosse quem contaria. Esperava que fosse, pois ninguém poderia saber sua história melhor que a própria.

E assim, o tempo passou. Vagarosamente, mas passou.

Quando se deram conta, notaram que completaria um mês sem nenhum rastro de CN. Continuavam sua busca por ela, mas parecia que havia simplesmente evaporado. Talvez tivesse desistido? Não. Isso nunca. Não sabiam o que ela estava tramando dessa vez, mas pela demora, sabiam que poderiam esperar algo grandioso. Não algo diferente das outras vezes – afinal, ela era muito excêntrica, sempre fazia coisas inacreditáveis –, mas, dessa vez, tinham certeza que seria pior. Talvez porque o desdobramento dessa confusão toda estava finalmente chegando ao fim, talvez porque depois do que ela havia feito com Kasuka nada mais parecia impossível ou cruel demais. Só sabiam que o que estava por vir seria algo que poderia dar um fim àquele martírio, ou, pelo menos, ser o início do fim do mesmo. E todo o desgaste que tiveram nesse tempo finalmente valeria de alguma coisa. As teorias finalmente começavam a fazer sentido, ao invés de soarem puramente como besteiras hipotéticas ou simples especulações. E, mesmo que lentamente, as peças do enigma começavam a se encaixar, as pistas começavam a fazer sentido e eles já podiam ter um pequeno vislumbre das respostas. Ah, as respostas! Finalmente, aquilo que ansiavam tanto por encontrar. Era quase que inacreditável. Estavam tão próximos das respostas que não podiam esconder a ansiedade. Provavelmente essas respostas viriam com a próxima vítima. Não faziam ideia de quem seria, embora tivessem uma certa noção, em vista das que já haviam sido eliminadas. Claro que temiam o que estava por vir, mas... Fariam qualquer coisa por respostas. Era como diziam, eles já estavam no inferno, então, o que custava abraçar o capeta? Fariam isso. Era melhor enfrentar o problema com a cabeça erguida. Se eles haviam sobrevivido até ali, por que não conseguiriam terminar (e talvez até vencer) o maldito joguinho de Cora? Talvez fosse pelo que haviam conseguido com suas buscas intermináveis por informações, mas eles estavam se sentindo muito mais confiantes.

Agora, imagino que você deva estar se perguntando: e quanto a turbulento e complicado relacionamento de Shizuo e Izaya? Bem, eles estavam melhores do que nunca. E as coisas ficavam melhores a cada dia, asseguro-lhes. Claro que não parecia que eles eram pombinhos apaixonados, afinal, isso nunca aconteceria, mas estava óbvio que eles gostavam um do outro. Não eram cheio das “melosices” de casaizinhos de adolescentes (até porque eles nem eram mais adolescentes, e isso era muito brega), mas tinham seus momentos. Todo casal tinha. Não que fossem um casal propriamente dito, até porque nenhum dos dois se via como um casal, de fato. Aliás, não sabiam nem mesmo dizer o que eram, porque ninguém havia falado em namoro. Mas estavam bem assim. E estariam por um bom tempo. Era melhor evitar constrangimentos. É claro que não podiam passar dias inteiros sentados no sofá assistindo filmes e comendo pipoca, para depois irem dormir um do lado do outro e tornarem isso uma rotina – que, embora parecesse entediante, era divertida nas fantasias dos dois. Ainda estavam muito ocupados com CN para esse tipo de coisa. Mas sabiam que logo deveriam ter a oportunidade de fazer algo do gênero. E se alegravam. Se havia uma espécie de “luz no fim do túnel” podia-se dizer que tanto Heiwajima quanto o informante se agarraram firmemente a essa luz, e segurariam nela até que as coisas se ajeitassem. Toda aquela preocupação que sentiam estava sumindo lentamente, porque agora eles tinham uma ideia de com quem estavam lidando. Lembravam-se do começo, quando não faziam ideia do que seria deles. Agora, as coisas haviam tomado um rumo diferente. Não podiam afirmar, com segurança, que o jogo havia virado e que agora eles tinham a vantagem. Mas, com certeza, as coisas haviam melhorado para o lado deles.

Ou pelo menos, era o que eles achavam.

E ah, como eles estavam enganados...

Notas finais
Booom, eu não sei se vocês já ouviram falar da Cecily Fairchild, mas, se por algum milagre, alguma de vocês ouviu (acho que eu sou uma das poucas fãs de séries oldschool de robôs gigantes AUHEUHUEH), esse nome veio de uma das minhas personagens favoritas de um OVA chamado Gundam F-91. E essa é a Cecily: http://www.gundamcore.it/wp-content/uploads/gundam-f91-3.jpg ♥ Não coloquei ela aí por nenhum motivo especial, só gosto do nome mesmo. E ela provavelmente não vai aparecer de novo, talvez só seja mencionada. Sei lá -q
Mas enfim, ALELUIAAAA!111!! n.
Finalmente comecei a "explicar" algumas coisinhas sobre a Cora. E devo avisar que provavelmente terá um capítulo narrado por ela, não sei quando, nem onde vou colocar, mas é certeza que ele estará aí. Eu, inclusive, estou terminando de escrevê-lo. :3
Quanto à escassez de cenas românticas: perdono (em italiano, pra ficar mais bonitinho e convincente). ;u; Não tava no clima pra escrever nada bonitinho, mas tentei explicar que eles estão bem. Ia colocar outra briga aí, mas não queria deixar meus draminhas pessoais interferirem na história. Melhor deixar tudo no amorzinho mesmo ♥ AUHEUEHA
Enfim, não sei se gosto desse capítulo ou não. Mas espero que tenha agradado~~ Tentarei parar de drama o mais rápido possível para voltar à escrever mais cenas romanticazinhas e amáveis, então, não me abandonem ;u; qq
Acho que é isso. Até o próximo capítulo, obrigada por estarem comigo até aqui *abraça* ♥ ♥ Amo vocês.
Um beijo :*